Falácias argumentativas no debate sobre o défice II
Despesa multiplicadora de receita
Uma crítica muito frequente ao governo é que não é possível reduzir o défice com austeridade porque a receita baixa. O que se alega é que por cada 1000 euros cortados o Estado perde mais de 1000 euros em taxas e impostos.
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É fácil de perceber que isto é falso. O Estado cobra cerca de 50% de taxas e impostos sobre o PIB. Supondo que cada 1000 euros de despesa geram X vezes de PIB quanto é que tem que ser X para que o Estado perca 1000 euros de receita? A resposta é 1/0,5.=2. Ou seja, 1000 euros de despesa teriam que gerar 2*1000=2000 euros de PIB para que o Estado perdesse 50%*2000=1000 euros de receita.
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Este multiplicador de 2 implicaria que se aumentássemos a despesa em 1% seria possível aumentar o PIB em 2%. Se aumentássemos a despesa em 2% seria possível aumentar o PIB em 4%. Qualquer governo conseguiria aumentar o crescimento para valores chineses limitando-se para isso a gastar mais. Como é fácil de ver este multiplicador de 2 é uma miragem, sendo este muito provavelmente inferior a 1.
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Acresce a isto que quando se corta na despesa o efeito é para todos os anos futuros enquanto o efeito recessivo é de curta duração. Isto acontece porque os agentes económicos ajustam-se após o corte de despesa e dedicam-se a actividades não dependentes da despesa pública.

este é um dos melhores exemplos que se podem dar à esquerda
que pensa sermos todos estúpidos e ignorantes
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Falácia Argumentativa sobre o Défice III:
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O problema do país é um problema de despesa.
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Ora, com os expressivos 40% de economia paralela, não haverá nunca cortes na despesa que sejam suficientes.
Se pensarmos que nos 60% de economia “legal” estão incluídos os funcionários públicos, as multinacionais e as grandes empresas (aqueles que não fogem aos impostos), facilmente concluímos que em Portugal nenhum (ou quase nenhum) profissional liberal, pequeno comerciante, micro ou pequeno empresário cumpre a sua obrigação para com o país.
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A justificação de que tal sucede porque os impostos são muito elevados é uma análise psicológica de massas ou uma introspecção?
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Sr JC, gostava que me explicasse onde é que está escrito que a economia paralela em Portugal são 40%. Não digo que não seja assim, mas quando nem os ciganos e tendeiros das feiras já escapam ao fisco, não sei onde é que está a economia paralela, pelo menos na dimensão de que fala.
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João: então corte-se a despesa nesse caso,mesmo que ainda baixe a receita É de forma que a receita se ajusta á despesa.
Nós temos uma situacao actual e um destino a cumprir.Das 2 uma: ou mantém-se as coisas como estão e baixa-se a meta, ou então tome-se mais medidas para cumprir o memorando.A prova dos nove será a execucao do 2ºsemestre, si porque o corte dos subsidios é valido para este ano.O 2ºsemestre dirá se o veiculo está bem a caminho do destino ou se não.Mas se o resultado for negativo, tendo em conta que este será relevante,então o governo terá que tomaruma das 2 opções que citei.Lembre.se joão: para dar 4 é preciso somar 2 +2.
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Li e não sei o que comentar. Raramente me acontece, mas aconteceu-me agora.
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o que se aprende por aqui sobre álgebra dá para apresentar no CV da Lusófona?
JM, por favor, quando é que vai de férias?
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Pah e as pessoas? Que falta de xenxibilidade xuxial.
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(…)Para os tecnocratas, a lei é um empecilho que não pode parar o progresso ou, neste caso, a austeridade. Passos Coelho quis vencer a lei da gravidade, foi vencido pela gravidade da lei. Agora sim, o primeiro-ministro devia pedir desculpa aos portugueses (…)
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=566583
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e já que gostam tanto de álgebra:
(…) Aqueles salários e pensões nunca mais voltariam, pelo menos por inteiro. O Governo ia dizendo que eles seriam repostos gradualmente após 2015, o que significa que se iriam esfarelando na lima invisível da inflação. Quando fossem totalmente repostos, valeriam muito menos. E isso é uma redução salarial de facto. A contabilidade salarial é sempre mal contada: os portugueses não são privilegiados que recebem 14 salários em 12 meses; têm, sim, um salário anual que é dividido por 14 e não por 12. Tirar dois subsídios não é cortar mordomias, é baixar o salário em 14,3%. (…)
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Quando se está enterrado num buraco, acontecem duas situações:
A profundidade do buraco permite que de um salto seja possível sair;
A profundidade do buraco já não permite que seja possível saltar para fora.
Ora como já estamos no segundo caso, já não interessa a profundidade do buraco, porque de dentro dele só saímos se alguém nos atirar uma corda.
Contudo, como nos têm atirado com cordas esquecendo-se de um pormenor importante, que é fixar uma das pontas da corda, nós nunca conseguimos sair do buraco.
Portanto a solução será escavar até encontrar um tronco para fazer um escadote.
E rezar para que não apareça água, pois então não seria possível escavar mais, porque corríamos o risco de morrer afogados.
Poderá ser até que ao escavar se consiga cruzar com o grande buraco alemão, o único buraco que possui umas escadas em caracol.
Neste buraco alemão quando começar a faltar o ar, será ligado um elevador de alívio quantitativo mais potente que o britânico.
Se conseguirmos entrar no buraco alemão pode ser que haja lugar no elevador para Portugal!!!
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João Miranda,
Excelente post. Mas, como se sabe, certas pessoas são “demasiado inteligentes” para entenderem as coisas mais simples e têm “demasiada consciência social” para se preocuparem com o futuro dos outros, dedicando o seu tempo a tentar arranjar formas de disfarçar os sintomas dos problemas no curto-prazo.
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JM, veja se escreve coisas mais simples ; por exemplo, como esta:
(…) os portugueses não são privilegiados que recebem 14 salários em 12 meses; têm, sim, um salário anual que é dividido por 14 e não por 12. Tirar dois subsídios não é cortar mordomias, é baixar o salário em 14,3%. (…)
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JAL, a situação é dizer-se que as actuais medidas e a actual meta de defice são exequiveis, coisa que não é certa.Temos um compromisso para cumprir e não se está a arranjar dinheiro para cumprir isso.Se a receita está a cair, então vai ter que se buscar o dinheiro a outro lado.Isto é saber matematica!
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Faltam duas variáveis, interdependentes, na fórmula: a presença de agentes Relvas entre os decisores políticos e a proximidade/distância das próximas eleições.
Pois se os agentes económicos estão representados no decisor político, qualquer corte na despesa só vale até os agentes decidirem “adaptar” o decisor trocando-o por outro mais compreensivo.
Entre estes agentes saliento os que na prática fazem com que um político seja eleito: os media e quem financia o partido/campanha.
Esta versão da fórmula tem a vantagem de ter sido testada e comprovada ao longo dos últimos 30 anos.
Cumps,
Buiça
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Para os comentadeiros que nunca aprenderam economia, nem querem aprender: “read these words”, não adianta pôr o Estado a gastar à tripa forra. Um dia vai ter que cortar, porque a economia resolve não pagar a conta com impostos e a finança resolve deixar de emprestar.
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“enquanto o efeito recessivo é de curta duração”
Importa-se de definir “curta duração”?
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rr,
Creio que não percebeu o meu comentário. Eu referia-me aos “inteligentes” que advogam que se gaste mais dinheiro, não que se vá buscar a outro lado. Devo dizer que, para minha surpresa, alguns desses “inteligentes” sentam-se no Conselho de Ministros.
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Depende JM, depende. Se o estado incorrer em despesa para, por exmplo, fazer uma central nuclear, as receitas serão obvias. Se o estado cortar nas gorduras e desperdício os benefícios serão óbvios.
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Mas se o estado cortar salários a coisa já não êh assim.
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Se vc corta 1000 euros nos salario, este vai comprar menos cebolas. O merceeiro vai comprar menos ao agricultor. O agricultor vai comprar menos rações. A fabrica de rações vai ter de despedir mais pessoas. Esta cadeia recessiva motivada pela quebra na procura que derivou no corte da despesa do estado êh a RECEiTA de alguém. Esta cadeia de menos negócios tem um efeito multiplicador nas receitas do estado. O estado não recebia apenas 50% em impostos por uma transação. Recebia impostos em cada fase do ciclo económico e em crescendo derivado ao facto dos agentes terem lucros em crescendo. Acresce ainda que cada fase da cadeia retrai-se e despede pessoas. Pessoas que geravam receita ao estado.
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Rb
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em http://ventosueste.blogspot.de/2012/07/re-falacias-argumentativas-no-debate.html o Miguel MAdeira escreveu:
«O João Miranda parece estar a esquecer-se de uma coisa – a teoria que diz que a despesa tem efeitos “multiplicadores” (porque se se gasta 1000 euros em qualquer coisa, a pessoa que ganhou esses 1000 euros vai gastar parte noutra coisa qualquer, e a pessoa que ganhou esses, digamos, 700 euros irá gastar 500 noutra coisa, e que recebe esses 500 vai gastar uns 300 ainda noutra coisa, de forma que temos um aumento de rendimento de 1000 + 700 + 500 + 300 + ….) considera que essas efeitos só se verificam quando a economia está a funcionar abaixo do pleno emprego. Portanto, a tentativa de redução ao absurdo de JM não faz sentido – se a teoria do multiplicador estiver correcta, um governo só conseguiria taxas de crescimento chinesas gastando muito se o desemprego fosse altíssimo (e mesmo assim esse crescimento apenas duraria até ao desemprego ficasse em valores baixos).
Pondo a coisa de outra maneira – há duas formas de fazer crescer uma economia: ou aumentando a produtividade de cada trabalhador, ou pondo mais gente a trabalhar. Os defensores da tese do multiplicador dizem que o que a despesa estimula o crescimento pela via do aumento da mão-de-obra (e dos recursos em geral) empregada, logo é evidente que essa teoria não implica que uma continuada despesa pública elevada leva a um crescimento económico continuado (se o crescimento é suposto ocorrer via diminuição do desemprego, o aumento da despesa só originará cresciment enquanto houver desemprego).»
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