Nunca manifestar pesar pela morte de quem não pensava como nós
14 Abril, 2013
Do PCP, do BE e dos fantasminhas dos Verdes não se esperava outra coisa (minuto 5) mas quanto ao PS é que o caso dá que pensar (minuto 5.27)
52 comentários
leave one →

http://www.independent.ie/business/irish/austerity-plan-for-ireland-was-a-mistake-and-counterproductive-ex-imf-official-29189848.html
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Da escumalha extremista não se pode esperar grande coisa.
Democracia e respeito pelas opiniões dos outros é um conceito que de todo não entendem.
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Mas é útil conhecer estas tomadas de posição, assim só os idiotas é que se podem sentir enganados se votarem nesses partidos e quando derem por isso estarem a viver numa Coreia do Norte.
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@Churchill:
E você está a respeitar a opinião dos outros?! looooooooool
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http://www.gfmag.com/tools/global-database/economic-data/10394-public-debt-by-country.html#axzz2QQG3pywU
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Se acabou a hipocrisia do “depois de mortos todos foram santos”, ainda bem. Se voltaram as barreiras ideológicas e, em vez de contabilidade, vamos voltar a discutir política, ótimo. Já agora, convém que a Helena saiba que, mesmo à direita, Margret Thatcher está muito longe de ter avaliação positiva- muito do que estamos a viver, a ela se deve.
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A Helena vai já lembrar o que escreveu quando morreu o Chaves, para provar que com ela é diferente…
Manifestou muito pesar, não foi ??
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A mim dá-me para pensar que quem se absteve não é hipócrita.
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Trinta e três (14 Abril, 2013 at 10:58) : “… mesmo à direita, Margret Thatcher está muito longe de ter avaliação positiva- muito do que estamos a viver, a ela se deve.”
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Efectivamente, mesmo “à direita” ha quem esteja mais proximo da democracia social-cristã (veja-se, por exemplo, Bagão Félix) e da social-democracia (veja-se, por exemplo, Manuela Ferreira Leite) do que do liberalismo, seja ele conservador.
Mas não vejo como, “à direita”, se pode dizer que Margaret Tatcher é responsavel por “muito do que estamos a viver”.
Tatcher nunca defendeu ou praticou o despesismo do Estado e o expansionismo monetario que criaram as bolhas especulativas e as crises das dividas publicas e privadas.
Tatcher nunca defendeu ou praticou o intervencionismo do Estado na economia desequilibrando a afectação de recursos e diminuindo a respectiva eficiencia produtiva.
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querer comparar o legado de Thatcher com a ditadura tresloucada de um louco só faz rir uma pessoa de bom senso. A falta de senso é apanágio dos maluquinhos da esquerda para quem a Coreia Norte é uma democracia e Chavez um grande socialista amigo dos pobres que está no céu tendo sido já santificado pelos maduros que cá ficaram. Julgávamos que o muro de Berlim já tinha caído mas em muitas cabecinhas da esquerda os muros continuam a florescer.
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A bruxa , os seus amigos e Mandela .
‘The ANC is a typical terrorist organisation … Anyone who thinks it is going to run the government in South Africa is living in cloud-cuckoo land’ – Margaret Thatcher, 1987
‘How much longer will the Prime Minister allow herself to be kicked in the face by this black terrorist?’ – Terry Dicks MP, mid-1980s
‘Nelson Mandela should be shot’ – Teddy Taylor MP, mid-1980s
A bruxa e Pinochet
The ‘Iron Lady’ maintained a close relationship with the Chilean dictator following his 17-year reign.
Margaret Thatcher, the “Iron Lady” of Britain who adamantly defended and praised her friend, former Chilean dictator Augusto Pinochet for “bringing democracy to Chile,” died following a stroke on Monday. She was 87.
RIP Margaret Thatcher: Milk Snatcher with Iron Balls
Ding Dong the bitch is gone!
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Há resmas de chefes de Estado falecidos que não tiveram voto de pesar na AR.
Quando a maioria é de esquerda, há votos de pesar por dirigentes de esquerda.
Quando a maioria é direita, há votos dos de direita.
Depois ainda há o(a)s sexistas, que fazem um voto de pesar por a falecida ser mulher.
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Ha’ mais de 13 deputados do PS que vieram da “escola” marciana. Mas andam “camuflados”.
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Va’-se la’ saber porque…….
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A. Trigueiro
Posted 14 Abril, 2013 at 11:08 | Permalink
A Helena vai já lembrar o que escreveu quando morreu o Chaves, para provar que com ela é diferente…
Manifestou muito pesar, não foi ??
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Chávez era uma besta, logo . . .
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Duarte
Posted 14 Abril, 2013 at 12:06 | Permalink
A bruxa , os seus amigos e Mandela .
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E atá há (pelos vistos) quem lamente (e chore)
Stalin não estar já entre nós . .
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E amaldiçõe Gorbachov não ter tido mão de ferro
para deter o processo democrático na Rússia, agora
conspurcado pela merdosa dupla Putin (ex-Pide, KGB) – Medvedev.
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Gostava de saber se a Helena também recebeu convite para o funeral da amiga de Pinochet. Segundo li, foram feitos dois mil convites. Digamos que o liberalismo também já não é o que era: dez milhões de euros no funeral pago pelo Estado e dois mil convidados.
Até disto o capitalismo mais selvagem que Thatcher conseguiu promover e beneficiar se conseguiu livrar. Que pague o povo como sempre pagou.
Com a diferença que o povo que sempre pagou tem, desde Thatcher, muito menos com que pagar.
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Que a esquerda se abstenha, acho muito bem. Votar contra tenho algumas reservas. Há quem a defenda dizendo que não era possível ela prever as consequências das asneiras que fez. Então, não era grande política, porque imensa gente foi capaz de prever o desastre que ela e Reagan provocaram. Vinha tudo explicado nos jornais da época. A pobreza de espírito não é boa conselheira.
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Fernando S:
As histórias devem ser contadas até ao fim. Foi ela uma das grandes defensoras da desregulaçāo bancária que fez sobressair o que de mais mafioso existe na esfera da economia. Ninguém de direita, se for honesto, defende uma coisa dessas.
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O caldo tinha cebola?
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A Helena enganou-me. E não se engana assim um cavalheiro. 😉
Ao ver o vídeo reparei que todos os deputados fizeram o minuto de silêncio, quando poderiam ter saído, e vi também que apenas treze deputados do PS se abstiveram. Não tinha antes ligado aos pormenores da votação.
Afinal, a santinha da direita ultraliberal não foi assim tão maltratada pela esquerda. Pelo menos, não foi tão maltratada como os maus-tratos que deu à maioria dos ingleses e à quase totalidade do planeta.
PS: sempre achei uma treta pensar-se que sem ela e Reagan, o outro Tsunami dos povos, excetuando o capitalismo predador e apátrida, os países de leste não se reformariam. O cavalheirismo de Gorbachev e a subserviência de Lech Walesa contribuem para o mito. Quanto ao apoio a essas reformas, não foi só dado por aquele par.
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Que asco de gente, ainda há pouco aqui só faltou abrir o champanhe quando o Chávez morreu. Tenham tino, seu senis.
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Trinta e três (14 Abril, 2013 at 14:12),
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Essa é a tese das esquerdas : acusar os mercados livres dos desequilibrios que resultam antes dos excessos intervencionistas dos Estados !
Também é verdade que uma parte da “direita” politico partidaria, social-democrata e neo-keynesiana, a partilha. Mas não deixa de ser a tese das esquerdas !
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Fernando S:
Rótulos e mais rótulos é a única coisa que a direita instalada consegue. De “esquerda”, porquê? Há algum ideal de direita que apoie os escândalos financeiros a que assistimos? Claro que não. Vigarice, é o único adjetivo correto e os que defenderam a desregulação bancária foram cúmplices. Mesmo que involuntariamente.
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Fernando S:
Já agora, ainda mais esta. O que se passou com a especulação financeira, nada tem que ver com o ideal de livre mercado. Pelo contrário, estrangulou-o.
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ha quem esteja mais proximo da democracia social-cristã ”
Sim Fernando.Provavelmente o Cds-pp todo e diria até o primeiro ministro e o seu nucleo.Uns mais , outros menos, tenho de admitir que o Luckylucky tem razão: é um governo social-democrata.
Atenciosamente
Silver
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Fair-play, decência, elevação, são atributos que não existem nem da esquerda para a direita, nem da direita para a esquerda. Só boçalidade, falta de educação, maneiras. Ser “educado” com os “amigos” é natural, não se esperaria outra coisa. Tratar os adversários com decência é que faz a diferença, a qual em Portugal não existe. É por isso que a Europa nos olha (e sempre olhou) como feios, porcos e maus…
A leitura de muitos comentários neste blogue – e outros – é bem elucidativa daquilo que estou a falar. Por uma questão de “equilíbrio” convém referir que nos dias que correm a tendência para a baixeza de carácter e maneiras, está mais presente nos blogues de direita, do que nos da esquerda. Esses são um pouco mais indiferentes e com menos manias de perseguição em relação aos opositores. Desconheço as causas desta diferença, talvez mais perceptível para quem não alinha por qualquer dos lados. Quem alinha está, à partida. “contaminado” e perde a capacidade perceptiva… 😉
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Muito bem Luis FA.
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Trinta e três:
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De “esquerda”, porquê? Há algum ideal de direita que apoie os escândalos financeiros a que assistimos?
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Trinta e três o que é para si “a direita”? As ideologias estadistas, nacionalistas, anti-liberais, anti-capitalistas, corporativistas como o fascismo, o nacional-socialismo ou o nosso salazarismo ou o liberalismo de Thatcher?
É que o que hoje acusam a Thatcher era o mesmo que Hitler acusava aos seus antecessores no seu Mein Kampf (embora custe a engolir o nazismo era uma ideologia socialista):
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Antes da guerra, a internacionalização dos negócios alemães já estava em andamento, sob o disfarce das sociedades por acções. É verdade que uma parte da indústria alemã fez uma decidida tentativa para evitar o perigo, mas por fim foi vencida por uma investida combinada do capitalismo ambicioso (…)
No momento em que escrevo estas linhas, espera-se o êxito da tentativa de passar os caminhos-de-ferro da Alemanha para as mãos do capitalismo internacional (…)
O ponto a que essa “dissipação” da economia alemã tinha chegado vê-se claramente no facto de, depois da Guerra, um dos guias da indústria nacional, e sobretudo do comércio, declarar que só a economia do país estava em situação de poder levantar a Alemanha (…)
a França, nas suas escolas, deu todo destaque à educação sobre bases humanistas para evitar o erro de confiar a existência da nação e do Governo a motivos económicos e não aos eternos valores ideais (…)
O único objectivo (da imprensa liberal) é quebrar as forças de resistência da nação, preparando-a para a escravidão do capitalismo internacional (…)
o exército foi caluniado, odiado, combatido por todos os indivíduos sem valor, mas foi temido. Se a fúria dos aproveitadores internacionais em Versalhes se dirigia contra o antigo exército alemão é porque este era o último reduto das nossas liberdades na luta contra o capitalismo internacional
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Pergunto-lhe: porque cataloga o nacional-socialismo e o liberalismo com o mesmo rótulo de “direita”?
Eu explico-lhe: porque não tem conhecimento suficiente daquilo que fala e porque se limita a reproduzir as patranhas que lhe introduziram nessa cabecita.
Trinta e três, menos, menos um bocadinho. Primeiro leia e estude um pouco.
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O politicamente correcto é próprio dos hipócritas, assim como a falta de honestidade intelectual é – no mínimo -, própria dos hipócritas politicamente correctos. Não é de “pensamento diferente” que se trata, é de “príncípios, valores, ética”, e confundir tudo isto com o “pesar” vazio de razão e de sentido, pode ser falta de honestidade intelectual ou a hipocrisia elevada ao expoente máximo da cobardia. Que haja quem goste de prestar vassalagem póstuma em forma de homenagem a criminosos e racistas, não pode servir para julgar quem o não faz por defender o anti-racismo e condenar o crime. Essa senhora terá alguma relevância histórica pelos piores motivos, como o seu amigo Pinochet – aliás eles já se prestaram mutuamente os louvores que se merecem em vida – foi justo e recíproco. De qualquer maneira, há que reconhecer a coerência da direita no tributo aos seus “santos” guias ideológicos.
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Helena, o que escreveu sobre Chavéz demonstra que a senhora não é nada diferente da extrema esquerda portuguesa.
Também acho que manifestar pesar pela morte pela parte do PCP e BE seria um ato de hipocrisia mesquinha. Quanto ao PS, sim, é verdade, dá que pensar. Eles têm de manter a boa figura, mas não se podem esquecer de que ainda são um partido socialista (totalmente oposto teoricamente a Tatcher).
Já agora, quando o Saramago (o único nobel da literatura português) morreu, Cavaco Silva (o presidente da república portuguesa) também não manifestou pesar pela sua morte. Com isso, demonstrou apenas não ser hipócrita, um gesto que lhe ficou bem. Não é só a esquerda que demonstra as suas opiniões Helena, a direita (a começar por si) também as demonstra.
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Ó Pinto, felizmente a humanidade tem gente iluminada como você. Mas tem que apreneder a ler e, sobretudo, a conhecer a História para além dos resumos da Reader’s Digest. É que não é nada disso que se critica à “dama de ferro”, até porque, na situação presente, um dos problemas foi o terreno perdido pela indústria, devido à transferência massiva dos capitais para a especulação financeira. Este é o problema. Nosso e de quase toda a Europa e para isso contribuiu a senhora. Por acaso, podia ter ido ao período anterior à guerra e encontrar paralelismos- bastava atravessar o Atlãntico. Mas isso não deve estar no fascículo que você leu. Já agora: eu assumo-me como de direita. Mas não sou estúpido e muito menos instalado. Estou ligado à indústria (que ainda vai existindo), daquela exportadora e de alto valor acrescentado, como muitos dos comentadores que por aqui andam, gostam de dizer que defendem. Só que depois, defendem precisamente o que a mata. Talvez por estarem mais ligados aos setores resguardados da nossa economia, altamente protegida pelo Estado, como, historicamente, sempre foi do agrado da nossa “vanguarda” empresarial.
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Trinta e três (14 Abril, 2013 at 16:34) ,
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A “desregulação” dos anos 80 consistiu na liberalização de sectores e mercados, internos e internacionais.
Assim sendo, é natural que as esquerdas, por definição contrarias à liberdade de mercado, se demarquem e critiquem radicalmente alguém como Margaret Tatcher.
Como o Trinta três parece de resto acabar por reconhecer, os “escandalos financeiros” não teem nada a ver com a liberdade de mercado. São simplesmente casos de policia e justiça. Digamos que sempre existiram e sempre existirão, mesmo quando a economia é fortemente regulada e intervencionada. Melhor, teem ainda mais condições para existirem tirando partido de burocracias e privilégios que limitam e condicionam a livre concorrencia.
A bolha especulativa que rebentou na crise financeira de 2008 não foi uma consequencia da maior liberdade nos mercados financeiros mas sim do contrario, da persistencia de praticas intervencionistas por parte de governos e Bancos Centrais. A começar pelos EUA. Por um lado, a Federal Reserve, satisfazendo solicitações e pressões do governo e da propria sociedade, interveio nos mercados financeiros no sentido de favorecer o crédito abundante e barato. Por outro lado, os governos federais limitaram por lei as reservas obrigatorias dos Bancos no sentido de os forçarem a conceder mais crédito e criaram duas enormes instituições financeiras para-publicas, Fannie Mae e Freddie Mac, destinadas a adquirir e a comercializar nos mercados titulos de crédito concedidos pelos Bancos sem ou com fracas garantias reais (os famosos “produtos tóxicos” ao nível mais primário). Tudo isto foi o resultado de uma excessiva e má regulação nos mercados e não de uma falta de regulação !
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Luis FA disse:
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“…..baixeza de carácter e maneiras, está mais presente nos blogues de direita, do que nos da esquerda. Esses são um pouco mais indiferentes e com menos manias de perseguição em relação aos opositores. ”
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Tem toda a razao e pode-se ver por aqui, no Blasfemias, de que lado vem a boçalidade “comentadeira”….
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Quanto aos blogues canhotos terem “menos manias de perseguiçao em relaçao aos opositores”, estamos falados…
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Longa vida a quem escreve neste blog e aos comentadores. Daqui a uns anos veremos e sentiremos todos na pele os efeitos do que defendem agora e assistiremos às piruetas que farão para explicar os resultados. Também pode acontecer que rodem 180º e esqueçam tudo o que defenderam.
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Morreu a bruxa má, rais a parta, pa diabo !
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Morreu a bruxa, diz a canção e a dança, viva !
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A crise que nos afecta foi iniciada pela dama de ferro. Deve anos á terra
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Trinta e três (14 Abril, 2013 at 19:21) : “… na situação presente, um dos problemas foi o terreno perdido pela indústria, devido à transferência massiva dos capitais para a especulação financeira. Este é o problema. Nosso e de quase toda a Europa e para isso contribuiu a senhora [Tatcher]. (…) [A] indústria (que ainda vai existindo), daquela exportadora e de alto valor acrescentado, como muitos dos comentadores que por aqui andam, gostam de dizer que defendem. Só que depois, defendem precisamente o que a mata. Talvez por estarem mais ligados aos setores resguardados da nossa economia, altamente protegida pelo Estado, como, historicamente, sempre foi do agrado da nossa “vanguarda” empresarial.”
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Gostaria de comentar este assunto consigo.
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Eu até concordo bastante com a parte final deste seu comentario, que interpreto deste modo : a industria, em particular a exportadora, foi prejudicada por politicas publicas que protegeram e beneficiaram certos sectores da economia. Noutros termos, e avançando na analise, estes sectores são fundamentalmente os de bens não-transaccionaveis, virados sobretudo para o mercado interno e preservados da concorrencia externa. Sabemos onde estão principalmente : comércio, serviços, construção, restauração, farmaceuticos e clinicos, lazer, energias, telecomunicações, financeiros e bancarios, etc, etc. Alguns destes sectores beneficiaram de protecções e ajudas publicas na forma de limitações da concorrencia e de subsidios directos e indirectos (energias, por exemplo). Mas, ainda mais importante, todos eles beneficiaram sobretudo, directa ou indirectamente, do despesismo do Estado, gastos e investimentos, do despejar de dinheiro para a economia, não para a economia em geral mas sim para estes sectores de actividade, mais fornecedores directos do Estado ou mais fornecedores de empresas e familias cujos rendimentos são de algum modo mais dependentes da acção e dos gastos do Estado.
Para gastar o que gastou, ou seja, mais do que o pais estava em condições de assegurar, o Estado endividou-se fortemente, internamente e face ao exterior. Foi o caso de Portugal. Mas foi também o caso de muitos outros paises europeus, essencialmente da Europa do Sul. Esta foi a primeira causa da crise das dividas soberanas, que afecta o nosso pais e varios outros paises da Zona Euro.
Um dos sectores que também mais beneficiou com o despesismo do Estado, com o crescimento artificial e desequilibrado do poder de compra das familias e da actividade das empresas não-transaccionaveis, foi precisamente … o sector bancario. O sector bancario, bastante protegido internamente pelos governos portugueses e pelas entidades de regulação, encontrou um mercado em crescimento e com apetencia pelo crédito facil, abundante e barato. A começar pelo proprio Estado, titulando junto dos Bancos nacionais uma parte da sua divida. E continuando pelas empresas e pelas familias, que acima referi, estimuladas pelo aumento regular da despesa publica. O endividamento publico e o endividamento privado conjugaram-se para fazerem do nosso pais um pais a crédito. Crédito interno que, na falta de recursos proprios suficientes (a poupança interna passou em 3 décadas de uma das maiores na Europa, cerca de 25% do rendimento, para uma das mais baixas, cerca de 12%), acabou por ser alimentado pelo endividamento externo. A divida portuguesa representa hoje cerca de 240% do PIB, sendo metade publica e metade privada. Ou seja, o sector bancario nacional financiou sobretudo o Estado e os agentes economicos, empresas e familias, dele mais dependentes.
Este desenvolvimento dos sectores mais virados para o mercado interno, artificial porque alimentado a crédito sem sustentabilidade real, acabou por pesar negativamente sobre os restantes sectores, os de bens transaccionáveis, sujeitos à concorrência externa, as actividades exportadoras e/ou susceptiveis de substituir importações. Falamos aqui sobretudo da industria, mas também da agricultura, que apesar das limitações naturais que tem no nosso pais, poderia ter tido um peso maior no mercado interno e na exportação. O sector não-transaccionável, Estado e privado, captou uma parte muito significativa dos financiamentos da Banca, aumentou preços respondendo a procuras mais elevadas e garantindo margens mais confortáveis , pagou melhores salários captando a mão-de-obra mais qualificada, por sua vez constituiu uma procura interna sustentável para alguns dos sectores produtores de bens e serviços produtivos (energia, combustiveis, logistica, serviços e bens de equipamento e intermédios, etc) fazendo subir os preços finais destes produtos relativamente a outros. No final, todos estes indicadores acabaram por desviar recursos e capitais e por agravar os custos de produção e de contexto dos sectores de bens transaccionáveis, isto é duma boa parte da industria e da agricultura. Esta evolução desequilibrada dos dois grandes sectores da economia nacional, não-transaccionáveis e transaccionáveis, é a principal razão para a perda de competitividade da economia nacional face ao exterior, para a decadência da nossa indústria e da nossa agricultura. A “transferência de capitais” (e recursos em geral) a que o Trinta e três se refere tem sobretudo a vêr com esta evolução, que acabou por marcar o modelo económico que vingou no nosso país nas últimas duas ou três décadas.
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No fim de contas, esta evolução interna a Portugal, e a outros paises europeus, tem pouco a vêr com a evolução mais geral da economia internacional que conduziu à crise de 2008 (e que, por sua vez, resultou sobretudo dos factores que referi num comentáro anterior). Certo, a crise internacional acabou por agravar a situação da economia portuguesa e, sobretudo, por pôr a nu os seus desequilibrios estruturais. Mas importa notar que estes desequilibrios já existiam antes da crise. Sem a crise internacional é muito provável que a situação económica portuguesa pudesse ter continuado ainda durante algum tempo relativamente sustentada graças ao financiamento externo. Mas não poderia continuar assim por muito mais tempo : por um lado, os niveis de endividamento continuavam a aumentar ; por outro lado, a competitividade e o crescimento médio da economia nacional continuavam a declinar. Este modelo era insustentável e estava condenado a entrar em crise, mais cedo do que mais tarde.
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Não concordo consigo quando considera a Senhora Margaret Tatcher responsável pela crise actual. No plano internacional, pelas razões que já referi, e que poderiam ser mais desenvolvidas e aprofundadas noutra altura. No que se refere a Portugal porque, para além da Senhora Tatcher não ter tido obviamente nada a ver com a governação em Portugal (nem sequer indirectamente através da CEE e da UE, por razões sobejamente conhecidas), não foram certamente as ideias por ela defendidas que trouxeram o nosso país para a situação dificil em que se encontra hoje. Antes pelo contrário. Com maior ou menor sucesso, no Reino Unido e na Europa, Margaret Tatcher procurou sempre combater o excesso de intervencionismo e de despesismo do Estado na economia. Se em Portugal nos tivéssemos inspirado mais nas ideias e convicções de Margaret Tatcher não estariamos hoje no buraco em que nos encontramos !…
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se fosso deputado teria votado contra aquele voto de pesar; pelos sindicatos ingleses, pelos operários mineiros e pela Irlanda.
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Trinta e três, você é que faz a crítica sucinta da carreira política da senhora – sem que eu tenha pronunciado uma palavra nessa matéria note-se – numa compilação de clichés gastos e vem-me acusar de ler resumos.
Você lá sabe o que é direita e esquerda. Lá sabe quem foi Thatcher. Cresça e apareça.
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esqueçam o comentário das 21:25 … aqui vai com o OA e tudo.
se fosse deputado teria votado contra aquele voto de pesar; pelos sindicatos ingleses, pelos operários mineiros e pela Irlanda.
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Fernando S:
Eu não “acabei por reconhecer” que as vigarices eram contrárias ao funcionamento do mercado. Eu SEMPRE disse que aquelas “matavam” este. Mas se, por vigarice se intitulam as avarias “madoffianas” ou as nossas do BPN, já todo o processo que provocou o desfecho do Lehman Brothers se encara como o “risco inerente ao investimento” ou às pressões que refere e a que a situação militar vivida nos EUA não é alheia. Chamo, no entanto, a sua atenção, para as opções feitas pelos bancos (e deixo de lado situações menos claras que também houve): imobiliário, setor que para além de muitos outros problemas, espreme o mercado interno até ao limite, fator entretanto agravado pelo modo como foi facilitado o crédito ao consumo (e aqui, sim, podemos encontrar algum paralelismo com o que aconteceu na crise de 29). Não era previsível o desfecho da história? Claro que era e são muitos os alertas entretanto publicados. Porque é que não foram escolhidos outros setores de investimento? Devido à rapidez de rentabilidade que refere, mas também devido à situação vivida na indústria ocidental com a abertura incondicional dos mercados ao oriente. Lembra-se do argumento então avançado pela União Europeia para se fazer isto? Em poucos anos, a China seria um modelo de democracia. Pois… hoje dá vontade de rir. Concluindo: é verdade, como diz, que houve pressões políticas em todo este processo, mas não são os governos, sujeitos a variações conjunturais, quem deve fazer regulação bancária.
O que separa a esquerda da direita, não é isto (aliás, tal como há várias “esquerdas”, também há várias “direitas”). E se é verdade que o Keynes tem sido recuperado por alguns setores de esquerda, a verdade é que ele não o era, nem no seu tempo assim foi considerado. Keynes era um defensor da economia de mercado e da propriedade privada, o que não o impedia de reconhecer os perigos de algumas perversões do seu funcionamento. Também as referências que muita esquerda usa dos países do norte da Europa, foram construídas, também, com a colaboração da direita lá do sítio. O que se passa, é que há uma direita para quem a sociedade existe (ao contrário do que era defendido pela senhora Thatcher) e para quem as empresas têm que se submeter a algumas regras que garantam o equilíbrio do seu (da sociedade) funcionamento. Rotularem de “esquerda” quem defende isto, só mostra a pobreza do nosso debate político.
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Pinto:
Obrigado por mais uma brilhante exibição do que de melhor sai do seu argumentário.
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Hoje tive de abrir a minha boca de espanto porque:
1. Luís FA, que entre outras coisas piores escreveu isto “Tratar os adversários com decência é que faz a diferença, a qual em Portugal não existe”, não se apercebeu que houve festas na inglaterra com a morte de Thatcher. Até ao comentário de Luís FA não vi nenhum que fosse festivo nem excessivo. Os meus utilizavam alguns termos, como “santinha dos ultraliberais” apenas como correlação com o “santo” Chavez aqui tão comentado. Fui rever alguns comentários aquando da morte de Chavez e encontrei pior sem que isso escandalizasse ninguém. Admirei-me, por isso, com Luís FA, normalmente muito correto.
2. Fernando S desmente tudo aquilo que disse Greenspan, o grande guru do hiperliberalismo e antigo presidente da reserva federal americana. Ao fim de cerca de 20 anos a defender e a praticar a desregulamentação, concluio que foi um tremendo erro e reafirmou-o, se bem me lembro na comissão do Congresso americano que investigou o assunto.
3. Fernando S disse ainda que muito do que aconteceu são casos de polícia e não falta de regulamentação. Então, que Fernando S diga quantos manipuladores do capital estão presos no planeta Terra e quantas investigações estão em curso.
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Fincapé (14 Abril, 2013 at 22:50),
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2. Greenspan reconheceu que a politica monetaria expansionista seguida durante o seu mandato deu maus resultados e contribuiu para a crise financeira de 2008.
Foi exactamente o que eu disse.
Obviamente que Greespan não tinha nada de um hiperliberal. A posição “liberal” (classica, em sentido europeu) é contraria às manipulações monetarias, para mais expansionistas. Os liberais americanos, em particular os “libertarians”, sempre criticaram a politica da Federal Reserve no tempo de Greenspan. Os mais radicais até propõem a extinção do Banco Central.
Que Greenspan, depois de ter feito as asneiras que fez (mas não foi o unico responsavel, longe disso), tivesse vindo depois dizer outras asneiras sobre os perigos do capitalismo desregulado apenas mostra que ele lamentou não ter sido ainda mais intervencionista do que foi. Se o tivesse feito teria sido ainda pior a emenda do que o soneto !
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3. Não sou nenhum especialista sobre criminalidade financeira. Nem pretendo que o combate a este tipo de criminalidade seja sempre eficaz. Como acontece com tantos outros tipos de criminalidade, de resto. O que é certo é que as ilegalidades financeiras são precisamente isso : o desrespeito da lei, das regras estabelecidas. Mais regulação não resolve em si o problema da ilegalidade. Quando muito, aumenta-la-ia ainda mais. Talvez até, nalguns casos, sem razão e sem sentido. Por sinal, nos Estados Unidos, um dos paises onde a actividade economica, incluindo a financeira, é menos condicionada por uma regulamentação excessiva, é também um dos paises onde as aldrabices financeiras são mais drasticamente e eficientemente combatidas e sancionadas. O exemplo mais recente e simbolico é nem mais nem menos o de Madoff, que esta por detras das grades para o resto da sua vida !
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entretanto, com a “subida para baixo” das exportações, o import-export A-C está desaparecido em combate!
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Trinta e três (14 Abril, 2013 at 22:12) : “… há uma direita para quem a sociedade existe (ao contrário do que era defendido pela senhora Thatcher) e para quem as empresas têm que se submeter a algumas regras que garantam o equilíbrio do seu (da sociedade) funcionamento.”
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Mas o que é que o meu amigo quer dizer com esta frase ?
Onde é que a Senhora Tatcher, ou quem quer que fosse, da direita à esquerda passando pelo centro, alguma vez defendeu que “a sociedade [não] existe” ??!!
Quando e onde é que a Senhora Tatcher alguma vez defendeu que “as empresas [não] têm que se submeter a algumas regras que garantam o equilíbrio do seu (da sociedade) funcionamento.” ??!!
Tirando meia-duzia de “liberais de pacotilha”, que contestam a utilidade da existencia do proprio Estado (tipo “anarco-capitalistas”), a generalidade dos liberais de todos os tempos reconhece que os individuos, as empresas, os mercados, e tudo o mais, existem em sociedade e que nesta devem existir regras, Estado, Direito, etc … Mais : para os liberais a propria ideia da liberdade dos agentes economicos, do mercado livre, é perfeitamente inconcebivel e irrealizavel sem regras, sem instituições, sem Estado, sem Direito …
No caso especifico da Senhora Tatcher, que não é sequer um liberal “classico” mas sim um “conservador”, a ideia de que a liberdade individual (e por maioria de razão, a das organizações como as empresas) é inseparavel da existencia dum efectivo e activo Estado de Direito é algo de ainda mais acentuado e indiscutivel.
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Esquerda, direita, de quem é a culpa da crise, da ‘desregulação neoliberal’ ou do ‘despesismo socialista’? Nada disso, caríssimos, nada disso, não vivemos uma crise financeira, nem sequer económico, o problema é muito mas muito mais grave, vivemos uma crise demográfica. Os chineses, indianos, brasileiros e indonésios começaram a comer e a produzir mais barato, muito mais barato, e ou lhes fechávamos os mercados, o que seria continuar uma enorme injustiça que acabaria muito mal, ou deixávamos que viessem cá vender as suas comidas, roupas e bugigangas, muito mais baratas. A crise é nossa, da Europa, mais da Europa do sul, mas é da europa toda. Quem pensa que isto tem saída está muito enganado. A prosperidade da ‘europa’ foi-se com direita com esquerda com o ladrão e aldrabão que quiserem.
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Fernando S:
Para os seus arquivos: http://kdfrases.com/frase/130619
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Trinta e três,
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Fui ver o site que indica.
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A tal frase de Margaret Tatcher é então : ““Não existe essa coisa de sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos.”
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Mas, por sinal, mesmo por cima aparece outra frase dela : “A cadeira pretende ensinar que o capitalismo tem uma base moral e legal e que não é simplesmente a lei da selva.”
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Não, não são contraditorias.
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A segunda frase diz que o tipo de sociedade que Margaret Tatcher defende, a capitalista, tem também ela valores, regras, leis – “não é simplesmente a lei da selva”. Uma frase clarissima e que não deixa lugar a quaisqueres duvidas.
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A primeira frase situa-se noutro plano, bem distinto. O que Margaret Tatcher diz aqui pode parecer algo simplista à primeira vista mas é apenas o recordar de uma evidencia primaria : fisicamente, materialmente, em carne e osso, com vida, necessidades, sentimentos, vontades, racionalidade e irracionalidade, comportamentos, decisões, acções, etc, etc … a “sociedade” não existe. O que existe em carne e osso são os individuos, as pessoas reais. Isto não significa que cada individuo exista isolado dos outros. Com a esporadica excepção dos Robinson Crusoes (e mesmo estes !…), os individuos existem em relacção uns com os outros, em sociedade. A “sociedade” são as relacções entre os individuos. E, para Tatcher, como ela diz na segunda frase, estas relações entre individuos devem ter uma base moral e legal. Mesmo no capitalismo. Sobretudo no capitalismo !
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O Fernando S,
É um bocadinho teimoso. Ontem pesquisei dezenas de sites onde estava esse discurso de Thatcher que eu, aliás, vi na TV. Se bem me lembro, até é dita também no filme “A Dama de Ferro”.
Era para colocar aqui, mas depois achei que é melhor para as pessoas viverem nas ilusões que criaram à parte da realidade. Por isso não coloquei. Vê como me preocupo consigo, Fernando? 😉
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Fincapé,
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Agradeço a sua preocupação comigo…. 🙂
Mas não percebo este seu comentario. Parece que saltou alguns comentarios …
A tal frase da Tatcher foi entretanto linkada pelo Trinta e tres e eu ja comentei aqui em cima.
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Fernando S,
“A tal frase da Tatcher foi entretanto linkada pelo Trinta e tres e eu ja comentei aqui em cima.”
Desculpe, escapou-me. 🙂
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“Agradeço a sua preocupação comigo…. :-)”
Não necessita de agradecer. Está-me no sangue. 🙂
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