Estranha forma de vida
Declarações de Henrique Figueiredo presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP)
as estruturas sindicais na PSP foram-se multiplicando e cada sindicato, por sua vez, foi ampliando a sua estrutura. Não há qualquer limite ao número de dirigentes que um sindicato pode ter. Podem ser cinco, dez, 50 ou 100. Só depende da criatividade de quem fez o estatuto. E os delegados é a mesma coisa. Há um erro grave na lei: não dizer até que nível pode haver representação. Hoje em dia, na polícia, temos um delegado enfiado em cada gabinete. Actualmente, cerca de 10% de todo o efectivo da polícia tem funções sindicais.
A lei sindical só consagra direitos e não deveres e a dispensa sindical não está sujeita a autorização, só a mera comunicação. O que significa que qualquer pessoa, a qualquer altura, põe uma dispensa e dá cabo de uma escala de serviço numa esquadra que já está a trabalhar com o mínimo. Havendo 2100 elementos na polícia que têm direito a essas dispensas, é evidente que existem esquadras que não têm capacidade para assegurar as suas funções mínimas.
Sei de esquadras onde já aconteceu não se conseguir ter um carro-patrulha a circular porque os polícias estão a gozar dispensas sindicais. Não há, infelizmente, da parte da esmagadora maioria dos dirigentes e delegados sindicais, a preocupação de tentar perceber se o gozo da dispensa sindical vai ou não afectar a esquadra. Goza-se e pronto. Posso-lhe dizer que há elementos que têm folgas em atraso e pedem um dia ao comandante. Se, por questões de serviço, não é possível conceder o dia, então uma dispensa sindical e vão à vidinha. Tudo remunerado. Os delegados têm direito a um dia e meio por mês e os dirigentes a quatro dias. Em cada esquadra, como há 12 sindicatos, acumulam-se delegados e dirigentes.
De tempos a tempos, fala-se da questão de não haver direito à greve na polícia. Mas isto é melhor do que a greve! Porque se um elemento fizer greve, não recebe. Mas se tirar dias do sindicato recebe. Não sei para que é que querem a greve.
Uma vez, enquanto comissário, foi-me apresentado um documento de um dirigente sindical a anunciar que ia gozar um dia. Eu olhei para o cabeçalho da folha e não reconheci o nome do sindicato. Pensei: será que este indivíduo se associou a um sindicato de outra coisa qualquer? Pesquisei na Internet e não encontrei nada. Entretanto pedi a uma pessoa que fez uma pesquisa mais aprofundada e que conseguiu chegar aos estatutos, publicados em 2012. O sindicato tinha um ano e meio. Mais tarde, numa reunião com o director nacional da PSP, perguntei-lhe se ele conhecia o tal sindicato e ele nunca tinha ouvido falar. Mas gozam os dias! Nunca lhe tinham pedido uma audiência, um esclarecimento ou enviado um simples ofício!
E depois a lei sindical não impede que um mesmo agente seja dirigente em três e quatro sindicatos ao mesmo tempo e que tenha direito a acumular os quatro dias de dispensa de cada um. Também é possível ser-se dirigente e delegado sindical ao mesmo tempo. Tenho um elemento na minha divisão que é as duas coisas e tem direito aos quatro dias por ser dirigente e às 12h por ser delegado.
Um elemento do meu serviço contou-me, uma vez, que recebeu um email de uns agentes que começava assim: “Queres ter dias de folga? Vamos fazer um sindicato novo.”
Há delegados que não sabem onde é a sede do sindicato a que pertencem. Estes sindicatos mais recentes… quantos associados têm? O SINAPOL, por exemplo, tem 66 dirigentes. Mais dirigentes do que tem o sindicato mais representativo da polícia! Tem de se impor limites. E se não conseguirmos, impõem-se limites ao número de dirigentes. Se também não for possível, limites ao número de créditos remunerados.

…e continuamos a ouvir de vez em quando que as forcas policiais tem falta de elementos ou que nao ha elementos suficientes para manter a ordem porque estao ocupados com expediente administrativo… Expedientes administrativos e’, de facto, a expressao! (teclado nao PT)
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É a balburdia completa, cada um faz o que quer e sobra-lhe tempo. É a sociedade das amplas liberdades com todos os direitos e sem deveres.Vivemos no reino do absurdo. Quando as autoridades funcionam assim imaginem o resto.
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Pois é, e no meio disto para que serve o diretor geral, e o ministro do interior e os 1ºs ministros ,é usual ver que é o sindicato que fala sempre ás televisões (é também estrela de TV) e o porta voz do comando ou do diretor geral não existe. Enfim é um país muito brincalhão, só as minhas finanças não brincam comigo .
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Obviamente não é só na (zeladora dos costumes) polícia.
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Esta noticia nao passará!!!
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Quando a polícia tem este tipo de comportamento, questionamo-nos se o fim está próximo!
Ainda não batemos no fundo, mas tenho a certeza que estamos lá perto…
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Um verdadeiro caso de policia!!
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É fartar vilanagem!
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Quando o juiz perguntou à Rackham quais seriam suas últimas palavras, ele disse “Quem você pensa que é? Por acaso você é Deus para ter o direito de decidir o meu destino e de meus homens? Pegue suas palavras pomposas e as enfie no lugar de seu corpo em que o sol jamais bate. Encontro você em outra vida. Adeus.”
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Este é mais um exemplo da baderna em que este pobre país vive. Mexer nisto é mexer numa das vacas sagradas do regime: os sindicatos e os (imensos) privilégios dos sindicalistas.
Isto é obsceno, mais a mais tratando-se da policia, mas mais uma vez o PS recusa-se a pôr ordem nisto tudo, e se os policias têm mais sindicatos do um cão vadio tem pulgas, podem agradecer ao futuro salvador da pátria António “Sócrates” Costa.
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Sou louco por chocolates.
Coloquem-me um à mão e é comido num instante.
Aqui é a mesma coisa.
A Vaca-Sagrada da Constituição forjada no colo do PCP permite isto e muito mais.
Enquanto não a rasgarem e fizerem (*) uma nova com dez ou doze artigos nunca passaremos desta tristeza.
(*) Nessa altura todos os constitucionalistas lusos, devem levar uma providência que os proíba de emitir seja que opinião for. Deixem o povo escrevê-la.
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Certamente, que a lei (constitucional)é igual para todos os sindicatos nacionais…
Como em Portugal, temos 453 sindicatos calcule-se os dias de folga!
PQP
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Excelente Post: falta agora adicionar aos comentários que aqui se vêem os antecessores comentários dos mesmos autores sobre uma polícia feita de pessoas muito válidas, zeladoras de seus deveres e nada dadas ao abuso de poderes e privilégios. Entretanto leva-se ao lume a alourar e depois junta-se os antecessores comentários dos mesmos autores sobre uma polícia que vai a manifs e é vândala: a polícia é sempre a mesma, os comentadores têm a farda da ocasião e a virtude da coerência é expurgada do dicionário.
O post cita alguém que na aparente dignidade da denúncia, luta pela sua quinta; valha-lhe o mérito de afirmar a benignidade dos sindicatos e do movimento sindical.
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O socialismo em Portugal é invencível e está tão arreigado na mentalidade popular e nas atitudes das elites como a trafulhice e a imprudência. Os polícias são recrutados entre os piores alunos do secundário. Os professores também. Resultado: o país não consegue parar o caminho para o abismo iniciado há 40 anos pela Revolução de Abril. A única coisa que os governos podem fazer é reduzir a velocidade com que o país caminha para o abismo. Com Costa em primeiro-ministro, a velocidade aumenta. Com Passos, a velocidade diminuiu. Mas a “gloriosa” caminhada não foi travada porque não pode ser travada. As elites não deixam.
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