Não chateiem
Costa quis transformar uma derrota sua e do PS em «vitória das esquerdas anti-austeridade». Muito bem. O PC até lhe deu o beijo de Judas ao dizer «conte cá com a gente». Está inaugurado o parlamentarismo nesta 3ª República agonizante: governa quem conseguir maioria na AR. O que até devia a todos parecer algo de normal. Excepto para os achacados do costume: Ferreira Leite, Marques Mendes, Portas tem um chilique só de pensar na ideia de que se podem fazer maiorias no parlamento. Inventam logo uns golpes e umas falsas legitimidades a preceito. O verniz democrata salta à primeira… E voltam uns à carga com a ideia peregrina que «não foi isto que os eleitores votam. Se soubessem..». Ora, batatas! Os eleitores não deram maioria a nenhum partido/coligação, portanto, carta branca para negociarem e fazerem os cozinhados que forem necessários. Ou o parlamento português é diferente de qualquer parlamento na Europa? O Cavaco ainda foi desencatar uns dogmas do «euro, nato , UE, lusofonia». E logo os papagaios fizeram eco. Mas que raio, está escrito em algum lugar que «os compromissos internacionais» se sobrepoem à vontade do eleitorado e dos seus representantes? Algum desses «compromissos» foi sufragado livremente? Ou é por «natureza» eterno? Não? Então, são negociáveis, como é próprio em democracia. Já não há pachorra para tanto disparate dos últimos dias.
Quanto a Costa, na sua fuga para a frente, e face às reticências dos seus parceiros da dita esquerda, tem agora oportunidade soberana de lhes retorquir: «se não aceitam um acordo para 4 anos, é vossa a responsabilidade de Passos voltar a ser PM». Mas duvido que tenha os devidos fructus solani lycopersici para tal.

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