a culpa é do de gaulle, senhora candidata
A Dra. Maria de Belém, a candidata presidencial do PS que António Costa nunca quis, veio hoje dizer, na sequência da declaração de ontem do Presidente da República, que este «não pode condicionar a actuação do Parlamento» nas suas decisões sobre a formação do governo. Pois não, Dra. Maria de Belém, de facto, não pode. Como, também, o Parlamento não pode condicionar a actuação do Presidente na indigitação do primeiro-ministro, como o tentaram fazer os líderes do PS, do PCP e do Bloco. Caso não saiba e já que se candidata ao exercício de tão elevadas funções, o governo, em Portugal, carece simultaneamente de legitimidade parlamentar e presidencial. Chama-se a isto semipresidencialismo, uma invenção de um senhor chamado De Gaulle, que outro senhor chamado Duverger teorizou. É, provavelmente, o sistema de governo democrático mais propenso à conflitualidade política e institucional, e foi por esse mesmo motivo que os constituintes de 75 e 76 o escolheram como modelo para o governo de Portugal. Na altura, a ideia era deixar o governo ao poder civil e a presidência ao poder militar, para que este nunca perdesse o controlo da revolução. Hoje, quase quarenta anos depois da aprovação da Constituição e de sucessivas revisões que atenuaram a função presidencial, a formação e subsistência do governo continuam a carecer do apoio presidencial. Quem não gostar que apresente queixa aos autores. Muitos deles ainda por aí andam e a maioria na orla do Partido Socialista.

Prezado «rui a.»
permita-me que lhe deixe:
«Uma anedota medieval ilustra a dificuldade que pode haver em mentir aos outros sem o fazer a si próprio. É a história do que aconteceu uma noite numa cidade: uma sentinela estava postada na guarida noite e dia para prevenir as pessoas da aproximação do inimigo. A sentinela era um homem dado às brincadeiras de mau gosto e naquela noite tocou o alarme apenas para causar algum medo às pessoas cidade. Teve um sucesso espantoso: toda a gente se lançou para as muralhas e a nossa sentinela acabou por fazer o mesmo. Por outras palavras, quanto mais um mentiroso tem êxito, mais verosímil é que seja vítima das suas próprias invenções. De resto, o brincalhão preso na sua própria mentira, que embarca no mesmo navio que as suas vítimas, parecerá infinitamente mais digno de confiança que o mentiroso de sangue frio que permite saborear a sua farsa do exterior.»
In: ARENDT, Hannah – Verdade e política. Lisboa : Relógio d’Água, 1995. p. 46
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Muito bem, muito bem, vejo que já começou com as leituras. E não começou nada mal. Parabéns e prossiga!
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Tens que ler as outras páginas, pá. Só a 46 não chega.
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A google books só permite a leitura gratuita de algumas páginas. Por isso é que este Tone não conhece a enchada do Catão. lol
Um caga-livros que nem sequer lê a sério aquilo que anda por aqui a citar, armado em intelectual de merda. 😉
Ó Tonio, cite mais uns chouriços, se faz favor. 🙂
http://canais.sol.pt/photos/puroveneno/images/2380290/original.aspx
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arzinho intelectual 😀
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Intelectual mas burro. gente fina é outra coisa. 😉
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Caro AntonioF,
Os meus sinceros parabéns pela forma como caracterizou António Costa. Brilhante.
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Caro «Democrata com Larga Experiência ― Vende-se»,
atendendo ao pânico que esta direita tem sobre aquilo que acham que vão fazer ao seu Primeiro-Ministro: Passos Coelho, falta somente saber para quanto é que se convoca uma manifestão de apoio, para que ele possa saudar os apoiantes. Tal e qual como Mário Henrique Leiria escreveu:
«MANIFESTAÇÃO DE APOIO
A multidão invadira a praça, rodeando a estátua que lá em cima apontava, imperativa, a grande glória da pátria. Espezinhando canteiros, inundando ruas adjacentes, vociferante. A manifestação.
Os gritos indicados. Guinchos. Várias crianças à procura da mãe e do pai.
Era o apoio. Incondicional, ininterrupto, ao primeiro-ministro.
Ali, na praça enorme e paciente.
O primeiro-ministro olhou por uma das janelas, no terceiro andar antiquíssimo do Paço Ministerial. Sorriu levemente. Apalpou a cara, passou uma das mãos pela lapela do casaco, numa carícia inconstante. Acenou com a cabeça, discreto, um pouco irónico, ao ministério perfilado no fundo da Sala dos Actos.
Dirigiu-se à varanda alta, sobre a praça apoplética.
Abriu a janela num gesto amplo e paternal e deu um paço em frente.
Ouviu-se um som murcho e abafado, uma espécie de paff das bandas desenhadas, lá em baixo no empedrado decorativo que circundava o Paço.
Alguém tirara a varanda. Toda.»
LEIRIA, Mário Henrique – Novos contos do gin, seguido de Fábulas do próximo futuro. 2ª ed. Lisboa : Estampa. 1978. p. 195
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Rui a.:
Independentemente do gozo fugaz que lhe deu o discurso do Cavaco, certamente já percebeu que apenas contribuiu para radicalizar o ambiente e permitir que o Costa conseguisse um primeiro objetivo: que o PS cerrasse fileiras. O discurso de Maria de Belém (que, como se sabe, não morre de amores pela linha actual do PS) e a votação para presidente da AR são sinais disso.
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“apenas contribuiu para radicalizar o ambiente”
ah! ah! ah! De repente, aquele a que muitos chamam múmia, passa a ser catalogado de incendiário. Estavam as Catarinas, as Mortáguas, os Jerónimos na sua vida tranquila e veio o bully do Cavaco provoca-los.
Muito bom.
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as fileiras do PS ficam cerradas por mais seis meses. Ou até ao congresso.
Há 4 anos que andavam cerradas sem qualquer tipo de colaboração ou ajuda para resolver o problema que criaram. Aliás, com reiterados insultos institucionais e pessoais a Cavaco.
Desde que a Troika cá aterrou foi possível contar com o PS para alguma coisa ?
Qual é a diferença antes e depois do discurso de Cavaco?
E quanto mais o PS nestes proximos dias radicalizar, mais fácil é a Cavaco deixar em gestão e em duoidécimos o governo chumbado.
Mais vale controlar o deficit a criterios de 2015 do que deixar as catarinas a gastar dinheiro à parva conforme era o plano.
Façam lá a adopção gay, acabem com os exames da 4ªclasse, confiram personalidade jurídica aos cães, façam lá todas essas coisas modernas e culturalmente avançadas.
Não me gastem é a massa.
Não houve por aqui qualquer gozo fugaz com o discurso de cavaco. O que houve foi o ferrolho a correr na porta onde se guarda o dinheirinho da malta.
Até 4 de Abril aprovem todas as leis modernas e avançadas que puderem. Depois voltaremos á realidade.
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“Até 4 de Abril aprovem todas as leis modernas e avançadas que puderem. Depois voltaremos à realidade.”
E acha que voltaremos à normalidade com essa leis modernas e avançadas? Acha que será possível revertê-las? Eu não quero que gastem a massa nem que se ponham a fazer experiências sociais…
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Vladomiro,
Vamos por partes:
Há um sector onde a esquerda já prejudicou o País até aos meus netos e convém evitar que vá até aos bisnetos. Esta parte não constava nos programas eleitorais. A Esquerda está a enganar o eleitorado, travá-los é patriotismo.
Na outra parte – adopção gay, por os cães a falar, etc.- constava nos programas eleitorais que foram a votos. Se existe uma maioria de deputados para aprovar essas matérias – concorde eu ou não – é a democracia a funcionar.
Nestas matérias a Esquerda é que nao é democrata, pois que, quando não concorda, na primeira oportunidade vai reverter o que antes foi aprovado de forma legítima. Mas isso é o que distingue a maturidade da canalha.
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Não acho. A intervenção da Maria de Belém é apenas para ir buscar votos ao PS. Quanto a quem pressiona quem, como qualifica o que andaram a fazer ao PR para que ele nomeasse imediatamente o Costa? Desde quando é que «não perder tempo» é um fundamento constitucional ou politicamente sério?
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Rui a.:
Não acredito que não esperasse umas abstenções, hoje, na AR. Quanto à Maria de Belém ir buscar votos ao PS, deste modo, implica perdê-los numa área onde tem mais possibilidades (embora, mesmo aí, poucas): o centro-direita. Não se esqueça que a estratégia socialista é desvalorizar as presidenciais, até porque sabem que não ficam mal servidos com o Marcelo.
Quem pressiona quem? Era evidente que, após a análise dos resultados eleitorais, qualquer dirigente do PS se confrontava com um problema: a perda de votos para a esquerda. Penso ter escrito um comentário a esse respeito aqui no Blasfémias em que previa que, na ponta final da campanha, o Costa teria que radicalizar o discurso, caso não quisesse perder votos para o BE. Não foi a tempo. Agora, o Cavaco não é (não devia ser) um dirigente partidário. Tudo o que fez, podia tê-lo feito com um discurso diferente, que não sectarizasse uma parte importante da sociedade portuguesa. Ao optar por aquela via fez, em minha opinião, um grande favor ao PS. Todos sentem simpatia pelas “vítimas”…
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Tem em muito boa parte razão no que diz. Mas dissesse o que dissesse o Cavaco, o tom das críticas seria sempre elevadíssimo e certamente que você sabe disso. Desta vez, disse-se que nomear o Passos não tinha sido o problema, que o problema tinha sido o tom do discurso e as pressões sobre os deputados do PS. Se o tom tivesse sido cordato, o problema passaria a ser a nomeação do Passos. O PS não está de boa fé neste processo, desde o seu começo, e esse é o problema: não esteve de boa fé nas negociações com a PaF e não estaria nunca numa solução que não passasse pela nomeação imediata do Costa. Agora, que isto vai dar para o torto, vai, embora, de duas uma: ou as coisas correm bem ao governo PS/PC/BE ou, se correrem mal, o único que se salva será o PC.
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Se o Cavaco é uma múmia, é inaceitável “que seja uma múmia”.
Se o Cavaco é intervém, é inaceitável porque chantageia…
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Sim, sempre é melhor obter a informação em autores conceituados, seja esta que indiquei seja o Oliveira Marques que anteriormente já referi, ou outros. Agora fazer o conhecimento através dos escritos de um qualquer «badameco» é, por si só questionável, válido somente para quem tem «necessidade de entreter».
Senão veja:
«Entre aqueles que procuram informar-se, o meio mais comum é a comunicação social, em especial a televisão e os jornais. Mas, tal como os políticos e empresários, também os jornalistas têm as suas preferências pessoais, posições ideológicas e, claro, a necessidade de cativar audiências que garantam a receita publicitária de que vivem. É complicado para um meio de comunicação social sobreviver apenas dando informação independente e imparcial que não atraia audiências. Para muitos, a necessidade de entreter é maior do que a de informar, daí a tentação para chocar e criar narrativas com a informação. Nestes casos, em vez de contribuir para tornar o público mais informado, a imprensa arrisca-se a desenvolver o seu material informativo de forma a ir de encontro aos preconceitos do público, contribuindo para os aprofundar, em vez de os corrigir.»
In: MONIZ, Miguel Botelho [et al.] – O economista insurgente : 101 perguntas incómodas sobre Portugal. 1ª ed. Lisboa : A Esfera dos Livros, 2014. p. 203
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Oh Toino F,
Quando te elogiaram estavam a ser sarcásticos, pá.
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Oh pá, é preciso fazer-lhe um desenho, meu ignaro!
Eu faço: para além de lhe apelar para que não seja um «badameco», apelo para que não leia «badamecos»!
Oh «estólido», não vês que estava a ser sarcástico, pá!
Oh meu «tardo», andas a processar a informação com ronceira, desta autora e deste livro, como o próprio – ou talvez não -verificou, já tinha «postado»:
P.S.: Peço desculpa pelo tratamento na segunda pessoa, mas só pretendi ser coerente com o seu comentário!
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Oh ToinoF,
não vale a pena baralhares e dares de novo.
Cavalgas a onda de um sarcasmo convencido que recebeste um elogio.
Ainda por cima, depois de recentemente te teres armado em pedante com o autor do Poste e ele ter-te respondido de uma maneira que ficaste em sentido 10 horas e enfiaste a viola no saco.
Ponto final. Toda a gente viu.
O resto da malta nem te lê.
Eu próprio só leio a parte extra-citação para te caçar os erros ortográficos que é o único interesse que os teus comentários me suscitam.
Um gajo que vem para aqui com uma tremenda arrogancia intelectual, a inferiorizar os outros, reclamando-se Professor e depois calinando no verbo HAVER ?
Oh meu rico menino, vira para cá o cúzinho que ainda vais levar mais tau-taus.
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lol
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Haverá eleições em Maio.
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Por culpa do Cavaco, diz a esquerda (sim, a mesma que vai chumbar o governo).
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O défice orçamental caminha para fechar o ano abaixo dos 3%:
“No período de janeiro a setembro de 2015, o saldo das Administrações Públicas (AP), apurado na ótica da Contabilidade Pública (i.e., dos recebimentos e pagamentos), situou-se em -3.156,5 milhões de euros ao qual correspondeu um saldo primário de 2.460,6 milhões de euros. Considerando o universo comparável , o saldo global das AP registou uma melhoria face ao período homólogo de 899,9 milhões de euros, explicada pelo efeito combinado do aumento da receita e da diminuição da despesa. ”
in http://www.dgo.pt/execucaoorcamental/SintesedaExecucaoOrcamentalMensal/2015/outubro/1015-SinteseExecucaoOrcamental_setembro2015.pdf
E quanto tudo caminhava para um brilharete Português na Europa, eis que os parasitas de esquerda querem destruir o país.
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O intelectual de pacotilha continua com as suas citações enfadonhas. Não é possível exterminá-lo ? Arre pá, pensa pela tua cabeça, ou pensas que estás a escrever alguma tese ?
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DEPOIS DE UMAS VALENTES BEBEDEIRAS DE POLITICA A MARTELO COM ALTA GRADUAÇÃO VOU ENTRAR EM ABSTINÊNCIA ATÉ ISTO DAR EM TER QUE BATER COM A CABEÇA NAS PAREDES COM NOVA POMADA PROMETIDA. isto da letra grande é dos copos.
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“Caso não saiba e já que se candidata ao exercício de tão elevadas funções, o governo, em Portugal, carece simultaneamente de legitimidade parlamentar e presidencial.”
Permita-me um acrescento
… e da vontade do povo expressa nas urnas
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América “Latrina”
Vai o Evo cocaleiro
Em terceira eleição
Na Bolívia o dinheiro
Não se dispersa em vão:
Muda-se a Constituição
À vontade do Patrão.
Já na chácara do Maduro
Tudo vai de vento em popa:
Vai-se a ver no futuro
Quem à miséria se poupa.
Do Chávez morto, a filha
Recolhe milhões em pilha.
Na Argentina a Cristina
Acumula, mata, rouba:
Anda aos berros e desatina
A fingir de mulher proba.
E o Povo dando-lhe votos
(Mas que tolos laparotos)
Só pr´a ele uma ilhota
Está em Cuba destinada
Ricaço em grande rota
E o Povo não diz nada.
Porque se a tal ousar
À cadeia vai parar.
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Oh Licas:

o ToinoF Quer falar Do Alfredo Pimenta:
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http://www.causanacional.net/index.php?itemid=215
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Estes tipos da “frente popular” não se enxergam. Há bocado ouvi o vate oficial do regime Manuel Alegre dizer que se devia alterar a Constituição porque, tal como está, não prevê a destituição do Presidente da República. Só faltava mais esta dos “donos” do regime. Tudo para nós e nada para os outros.
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Não está “alegre”, mas bêbedo.
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É perto. Sobe-se a calçada da Estrela, apanha-se a Infante Santo, Tenente Valadim, N6 sempre a esgalhar, vira-se para a Praça Afonso de Albuquerque, rua de Belém, vai-se à florista, está quase lá. Venceu.
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veja lá a revisão constitucional de 1982. santana lopes até tem um livro sobre o assunto. na dúvida pergunte a eanes o que é que achou à época.
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Muito bom post: lúcido, bem articulado e inteiramente justo e informado. Com uma fina ironia envolvente.
Chapelada!
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