A arte independente na era da subsidiodependência III
28 Janeiro, 2008
Augusto M. Seabra sobre Das Märchen:
Lamento, sinceramente lamento, em primeiro lugar pela simples razão “egoísta” de que não gosto de me chatear num espectáculo (e já me tinha bastado o que sofri no Rigoletto), em segundo lugar porque as questões contemporâneas da ópera me interessam como poucas, em terceiro lugar porque tenho o devido respeito e admiração, tantos vezes reiterados, pela obra de Nunes, que venho seguindo de há muito e sobre a qual venho escrevendo faz 30 anos; lamento, lamento sinceramente, mas enquanto objecto-ópera, nos seus próprios termos programáticos, Das Märchen afigura-se-me um desastre muito para além de tudo o que se poderia recear.
12 comentários
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Confesso que estou a ficar curiosa. Será que o raio da ópera é assim tão má como dizem?
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A Lolozinha é apreciadora de ópera!! Tudo bem .Os gostos não se discutem. Mas não se esqueça, Lolozinha, a ópera deveria ser paga na íntegra pelos seus espectadores. Subsidiar a ópera é um disparate. Se não há mercado, então acabe-se com a ópera.
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Parece que este sr Miranda anda a reboque das minhas indicações. Lá foi então ver o blogue de A. M. Seabra, onde entre outras coisas se diz que o primeiro Acto da ópera de Emmanuel Nunes é mucicalmente notável (e o sr Miranda isso não cita).
De qq maneira há aqui uma satisfação sintomática: como estes liberais nada têm a ver com a cultura contemporânea em geral, entram em êxtase sempre que uma obra actual é criticada com maior (H. Silveira) ou menor (Seabra) violência. No fundo, a estupidez deveria ter limites e esta gente deste blogue só se preocupa com dois inconfessáveis temas (ou um só): o subsídio aos artistas e o respectivo retorno em forma de «público» e «audiência» (dinheiro, retorno de custos, etc).
Independentemente da obra em si, o sr deste post, que não sei quem é fora deste blogue, entrou logo em êstase como a debandada de público, depois com algumas críticas. Ou seja, já queria que a coisa corresse mal para o compositor. Porquê?
A estupidez está então em não perceber que o «público» não é um critério do juízo do gosto ou do valor, senão, como disse, Fátima era a maior obra de arte. Quanto ao público, nunca o autor deste post pensou que o público de um artista não é apenas do «presente». Porque é que fico encantado quando vejo um Rembrandt? Na cabeça de Rembrandt, qual era a sua noção de «público»? O do seu tempo estritamente ou uma entidade sem corpo a que chamamos «presente-futuro»? Sem tempo, portanto, e sem contabilidade. Ou com uma contabilidade que estes patetas liberais nunca hão-de perceber. Caramba, isto é difícil de entender?
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Da primeira vez escrevi «êxtase» (está lá) e da segunda é tb «êxtase».
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Mesmo que não fosse Prof, lhe daria meu aplauso.
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Caro Prof cvt,
Porquê bater no mensageiro? Pode ter gostado imenso da ópera mas a crítica é praticamente unânime em dizer que é uma desgraça.
São todos uns estúpidos?
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Como se lê nos meus comentários, o problema não é a qualidade da ópera. É outro. Até agora não disse nada sobre esta obra que, na produção do compositor, até acho uma proposta menos conseguida que outras. Mas o problema é outro. É ler o que eu disse.
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Ou melhor, é ler o que eu me dei ao trabalho de escrever. O sr JMiranda, que não sei quem é, pode nada apreciar o quadrado preto do Malevich ou o «Fountain» de Duchamp (princípios do século XX), pode não gostar nada do financiamento ou subsídios (de estado e outros) à imensa produção teórica sobre as consequências dessas obras. Mas em estética ou crítica de artes não se meta. Limite a sua vida à economia e ao liberalismo económico. Quanto ao resto, não se meta.
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Por mim, se o sr. prof, cvt não quer que me meta eu não me meto. Mas se assim é, tire a mão da minha carteira.
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“Caramba, isto é difícil de entender?”
Não, é facílimo de entender. Claro como água.
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A minha tia do Carmo, tem um enorme prazer em ouvir ópera.
A minha tia Trindade, tem um prazer do caraças em conduzir a sua carripana por essas estradas.
Nenhuma delas agradece ao Estado eventuais subsídios.
O que querem, é coisas boas.
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Rembrant nao tinha subsidios. Tinha encomendas. Com alturas melhores e outras piores. Ha um belo documentario recente do Simon Schama (The Power of Art). Mas com tantas criticas negativas estou a ficar interessado por esta Das Marchem. Alguem que ponha no youtube ?…
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