A condescendência com a utopia marxista
Caroline Fourest escreve no Le Monde um texto sobre os dissidentes do Islão. Vale a pena sem dúvida ler este texto que nasce no meio da polémica instalada entre a França e a Holanda a propósito de Ayaan Hirsi Ali.
Não deixa contudo de ser desconcertante ler o início deste artigo: «Soljenitsyne refusait de faire la distinction entre utopie marxiste et totalitarisme communiste. Etait-ce son rôle ? Il a servi un camp contre un autre. Pouvait-il en être autrement ? Fallait-il boycotter L’Archipel du goulag, ne pas entendre son cri sous prétexte de certains excès ?»
Para Fourest Soljenitsyne recusava-se a distinguir o gulag da utopia marxista. Mas será que devia distinguir? Porque será que a utopia marxista goza dessa desmaterialização? Podemos falar de utopia nazi? Aceitaríamos com a mesma tolerância que Fourest acusasse aqueles que escreveram sobre os campos nazis de se recusarem a separar a utopia nazi da realidade dos campos de concentração? Que se dissesse, como quem lastima, que tinham servido um campo contra outro? Quando acabará a condescendência com a “utopia marxista”?

A diferença (enorme) é que no marxismo ainda se pode vislumbrar aquilo que ainda pode em teoria ser considerado um conjunto de boas intenções (impraticáveis – e ainda bem). O nazismo é horrendo por natureza dê por onde der.
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Deve ser assim parecido com o conseguir distinguir a igreja católica da inquisiçao ou das cruzadas. Para alguns é dificil, para outros fácil.
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Existe muita muita literatura sobre as maravilhas prometidas ao operariado no universo socialista do reich. Convém não esquecer que os nazis se reivindicavam socialistas e da sua propaganda faz parte um acervo muito significativo de textos que muitos não hesitariam em definir como “um conjunto de boas intenções”. O nazismo ou nacional-socialismo foi denunciado. A outras utopias continua a dar-se o benefício do “conjunto de boas intenções”
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Entre a utopia marxista, utopia desenhada por um burgues e a colocação desse modelo no terreno a que nos leva a mais sangrenta ditadura no mundo comtemporaneo – em que bastava uma , como aqui ja se tem visto, denuncia ou suspeição, para ir desterrado para Gulag e por la morrer – foram milhões – o que me enojoa como é que em Portugal se pratica,. essa denuncia e suspeita e se bata palmas – digamos que a ortodoxia comunista casa-se com outro feroz tema , a Inquisição, que tambem se vai praticando por cá.
Estou a gostar dos seus temas, companheira
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Essa é boa Pedro Sá! Ainda fala do ridículo quando se sabe que todos os países (TODOS!) que adoptaram a doutrina marxista degeneraram rápida e completamente.
Obviamente não defendo nenhum dos regimes mas peço-lhe que pense em quantas pessoas morreram na Rússia de Estaline. E continue pelo bloco de leste.
Boas intenções…pois.
“Early researchers attempting to tally the number of people killed under Stalin’s regime were forced to rely largely upon anecdotal evidence. Their estimates ranged from a low of 3 million to as high as 60 million.[68][69] When the Soviet Union collapsed in 1991 however, evidence from the Soviet archives finally became available. The archives record that about 800,000 prisoners were executed (for either political or criminal offences) under Stalin, while about 1.7 million died in the GULAG and some 389,000 perished during kulak forced resettlement — a total of about 3 million victims.
Debate continues, however, since some historians believe the archival figures to be unreliable. For example, some argue that the many suspects tortured to death while in “investigative custody” were likely not counted amongst the executed. Also, there are certain categories of victim which it is generally agreed were carelessly recorded by the Soviets — such as the victims of ethnic deportations, or of German population transfer in the aftermath of WWII.
Thus while some archival researchers have estimated the number of victims of Stalin’s repressions to be no more than about 4 million in total, others believe the number to be considerably higher. Russian writer Vadim Erlikman, for example, makes the following estimates: executions, 1.5 million; gulags, 5 million; deportations, 1.7 million (out of 7.5 million deported); and POWs and German civilians, 1 million — a total of about 9 million victims of repression.
Some historians have also included the 6 to 8 million victims of the 1932–1933 famine as victims of repression. This categorization is controversial however, as historians differ as to whether the famine was a deliberate part of the campaign of repression against kulaks or simply an unintended consequence of the struggle over forced collectivization.
Regardless, it appears that a minimum of around 10 million surplus deaths (4 million by repression and 6 million from famine) are attributable to the regime, with a number of recent books suggesting a likely total of around 20 million. Adding 6–8 million famine victims to Erlikman’s estimates above, for example, would yield a total of between 15 and 17 million victims. Pioneering researcher Robert Conquest, meanwhile, has revised his original estimate of up to 30 million victims down to 20 million Others, however, continue to maintain that their earlier much higher estimates are correct.”
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A história é escrita pelos vencedores…
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A historia é para os investigadores e este não tem nada a haver com os derrotados ou vencedores – pode é ter pontos de vista difererentes – hoje muitos investigadores ingleses estão no terreno – estão a demonstar o perfil do gato com Bigode, sapateiro como profissão
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“distinguir a igreja católica da inquisiçao ou das cruzadas”…
Tem nada a ver. Na época medieval, a crueldade e morticínios em massa e por espécie, era fenómeno vulgar nas guerras permanentes pela conquista do domínio. Carlos Magno, o fantástico conquistador, o que fez realmente, quando chegava a um sítio que queria conquistar?
O extermínio de grupos e etnias é apanágio do nazismo, apenas e de modo a indentificar essa actuação em registo antonomásico?
As cruzadas, expedições para manter a Terra Santa sob domínio cristão, diferem muito das guerras actuais, no mesmo sítio, para manter a mesm Terra sob domínio judaico-cristão?
O problema com o marxismo e os gulags, é simples de enunciar: o comunismo era uma utopia que se valia do marxismo como muleta de análise social. Muleta que ainda hoje é válida. Ao contrário do nazismo cujo Mein Kampf é maldito, ( e com razão), o Das Kapital é um dos livros-farol da cultura ocidental…
O Mein Kampf não tem nada a esconder: os judeus são logo tratados abaixo de cão. No Das Kapital, o capitalismo trata-se com pelo do mesmo cão: muda-se em capitalismo de Estado é está feito. Vital Moreira, ainda hoje acha que é assim, com uma ou outra nuance.
Essa diferença no entanto, não confundiu Soljenitsine que escreveu o Arquipélado com o mesmo espírito com que os comunistas lidam com o Tarrafal. A diferença, aliás, é quase nula. E onde o não é, a vantagem é do Tarrafal. Os comunistas detestam esta linguagem.
E a prova é o que vem aí já a seguir.
Porém, para escrever sobre isto, temos sempre o leitor deste blog, Rui Tavares…
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Do anónimo das 9:03:
“Deve ser assim parecido com o conseguir distinguir a igreja católica da inquisiçao ou das cruzadas. Para alguns é dificil, para outros fácil.”
Não sou marxista nem católico, e não tenho uma resposta certa à pergunta enunciada no Post, mas a pos~ição de cada um tem muito a ver com as “crenças” de cada um. O Comunismo foi um fracasso tenebroso mas a ideologia era “bondosa”? A intolerância religiosa que levou à inquisição está ou não fortemente impregnada no catolicismo actual? Claro que é muito fácil responder “não tem nada a ver…”. Quanto a mim, Soljenitsyne tem razão: O PCP não mudou, repetiria hoje os mesmo erros do passado, a Igreja católica não mudou, só não estão ainda hoje acesas as fogueiras porque a sociedade laica não o permite.
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Em parte tem razão -, por outro, escrevia sobra a inquisição e não propriamente sobre a expansão do cristianismo – a meu ver são 2 coisas diferentes – falo da inquisição ao tempo das fogueiras na Praça do Comercio e as torturas no palacio da inquisição que era mesmo ao lado do Palacio real. – aind la estão os 2 edificios – um ,em frente da ginginha, largo d São Domingos, e o outro,de frente para o Rossio – podiamos, hoje falar, do Chade, por exemplo.
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Calma aí: a Igreja Católica mudou. Só um organismo mutante, se adapta aos tempos e sobrevive.
A Igreja do ano mil, de Carlos Magno, não é exactamente a mesma de hoje, excepto num ponto: continua a ter como ponto fulcral a crença na existência de Deus e do seu Filho que veio á Terra para salvar o Homem. Esta crença é a essencial. O resto, são circunstâncias do Tempo e do Modo.
A Inquisição não foi obra da Igreja ou dos Dominicanos, apenas. Foi obra do Tempo da época. Aliás, quem executava e torturava não eram os frades: era o poder secular, dos reis. No caso da Espanha, os chamados Católicos.
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Concordo com o que está a dizer Ouriço Caixeiro.
Só um reparo: nunca houve, ao que se sabe, um auto-de-fé na Praça do Comércio. A célebre gravura representa um acto fictício. Um dos sítios habituais era, de facto, a actual praça D. Pedro IV, onde se situava o palácio da Inquisiçao, no local onde hoje se ergue o Teatro Nacional.
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Quem acredita que Deus existe e sempre existiu e que é uma Santíssima Trindade, cujo Filho encarnou como humano, no seio da Virgem Maria, para redimir o género Humano, aceita que haja um Papa, uma Igreja hierarquizada e uma organização de bispos, padres etc, que servem como sacerdotes dessa crença.
Os papas actuais, não são o mesmo que Clemente VI, o Bógia de Valência que mandava matar ou permitia o incesto entre os própios filhos, como se conta em romances e historicamente tem algo de sério.
O Papa Bento XVI não é a mesma coisa que o Papa de Avignon.
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Cara Helena Matos,
Uma pergunta de um não-marxista convicto, que reconhece algo (humanismo, solidariedade, etc.) no marxismo e no catolicismo, que não reconhece ao nazismo:
– Será que podemos falar de uma “utopia católica”, ou seja desacoplar a Inquisição (que fez muitos mais mortos que o nazismo) da religião católica das nossas igrejas de hoje?
A minha resposta é sim para o catolicismo e sim para o marxismo. Mas a minha resposta é não para o nazismo. Mas aceito outras respostas devidamente fundamentadas.
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utopia significa lugar nenhum. tá tudo dito
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Não vou discutir com o José a bondade da Igreja actual. Apenas pergunto: alguma coisa distingue a desculpabilização da Igreja da descupabilização do marxismo? Não são uma e a mesma actitude: a crença (cega?) na bondade dos princípios fundadores?
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“atitude”, sorry
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Há uma atitude que diferencia a Igreja do marxismo: a Igreja, mesmo considerando que é a comunicade dos crentes, também é uma organização. O marxismo é um movimento intelectual. Não tem organização. Tem apenas crentes. A não ser que incluamos os regimes comunistas, o que operacionalmente dá jeito.
Assim, a Igreja, arrependeu-se de algumas coisas, como a Inquisição, tal como o comunismo se arrependeu no tempo de Krutschev, do estalinismo e do terro das purgas e assassínios em massa. Pudera!
Uma coisa é verdade: as crenças nos princípios fundadores é sempre o cimento das utopias e das grandes esperanças. Mas isso não é só válido para a Igreja ou para o comunismo-marxismo. Vale também para o von Mises e os liberais…
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Vale para todos, sem duvida – nada melhor que um descrençad, já o Jose não pode dizer o mesmo, julgo eu
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Ouriço:
Por isso é que também vale a asserção: “O meu mundo não é deste reino”, ou, na versão original: “”O Meu Reino não é deste mundo”. Dizer isto, após os filósofos da Grécia antiga, tem muito que se lhe diga. E foi assim mesmo.
A crença não se pode explicar muito, para além do contexto em que nasce. Mas é bom ser crente em alguma coisa. Preferencialmente que não faça mal aos outros, de modo grave e irreparável.
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Vale para os dois quando dá jeito para a desculpabilização da “ultima utopia”. (Todos os meios são bons para justificar os fins, mais uma vez aplicados).
Porque será então que todas as outras são consideradas utopias tenebrosas e devidamente culpabilizadas dos seus erros, desmandos e fracassos e nesta ainda se encontra uma suposta moral altruista?
Basta voltar ao primeiro paragrafo e temos a resposta.
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É parte inerente e indissociável da utopia nazi a aniquilação ou pelo menos a escravização sistemática dos mais fracos. Isto significa que as barbaridades cometidas nos países ocupados, como Polónia URSS etc, são a realização directa da utopia nazi. Tal como o Holocausto.
As barbaridades cometidos pelos marxistas Estaline e consortes, não ficam de facto, nem no que respeita a sua desumanidade, nem em quantidade, aquém das dos nazis. Mas elas são instrumentais. E isto é uma diferença importante, no plano moral. Pois significa que um adepto da utopia nazi aceita inevitavelmente, acreditando nela, na legitimidade e necessidade destas barbaridades. Um adepto da utopia marxista pode sê-lo com toda a coerência, e recusar liminarmente as barbaridades perpetradas pelos marxistas.
Isto é tão claro que só não vê quem não quer ver.
Também é claro que um apoiante do marxismo real, que tem conhecimento das barbaridades por este perpetrados, é moralmente responsabilizavel por elas. E também é claro que, com as experiências que fizemos com esta ideologia, ela nós conduz à bancarota moral e humana, de que o GULAG é só um exemplo eloquente.
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A destruição do outro faz parte do maxismo. Pretender aniquilar uma classe não é diferente de pretender destruir um grupo religioso ou étnico. O que começa na URSS logo com Lenine é a definição dos grupos que há que destruir. E aquilo que a prática marxista nos mostra é que os conceitos de burguês, intelectual, revisionista, divisionista, fraccionista… se desmultiplicam alargando cada vez mais o número daqueles que devem ser aniquilados.
A aniquilação do outro faz parte do marxismo. E não se deixa de ser burguês simplesmente porque se passa a ser pobre. O lavantamento minucioso dos traços degenerados da pertença social não são diferentes nos seus objectivos das catalogações raciais do nazismo
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Helena:
Esqueceu o grupo mais importante: os fascistas! Os fassistas, em versão abreviada e de corruptela.
E por cá, o que não falta por aí, aqui e em qualquer lado, são “anti-fascistas”.
António Vilarigues? Está por aí?
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A minha tia Letícia, está a traduzir estes comentários para letão.
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Cara Helena Matos,
“A destruição ou aniquilação do outro” – referimo-nos à aniquilação física – não faz parte do marxismo, a revolução ou a luta de classes não toma necessariamente esse carácter. No entanto, no nazismo a aniquilação física faz parte do NORMAL funcionamento do sistema, é isso que faz da Shoah um evento único na história mundial, 10 mil mortos por dia,… Nem o catolicismo nem o estalinismo nos seus piores dias chegaram a números tão aberrantes. No nazismo, a aniquilação física não é um meio para atingir um fim (como seria o caso de uma revolução marxista sangrenta ou das cruzadas no caso do catolicismo), a aniquilação no nazismo é um dos objectivos, um dos fins do sistema.
É certo que a aniquilação física fez parte da história da URSS, tal como durante as cruzadas (a aniquilação do infiel) e durante a Inquisição a aniquilação física era acto banal em nome de Deus. Mas se esse é o seu entendimento, já percebeu certamente o terreno escorregadio em que se meteu: a Helena Matos será obrigada a condenar mais o catolicismo do que o nazismo, a rejeitar as igrejas, as universidades, a família cristã, tudo o que tem o lastro de milhões de mortos que nem nazismo e nem estalinismo juntos e somados atingem.
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A prática comunista da Rússia pouco se distinguiu da prática nazista. Isto parece hoje claro. Essas políticas ideológicas faziam a exaltação de um fim exclusivo e último que se traduzia na crença da terra prometida. A diferença é que enquanto o comunismo marxista tem um carácter optimista o Nazismo tem que tem carácter pessimista.
Pois, o marxismo recupera a ideologia messiânica, só que agora é o proletariado que tem um papel profético e redentor. O proletário tem assim o papel de eleito e mensageiro, que se traduzirá numa vitória do bem sobre o mal – o paraíso está ao alcance dos homens.
Já o Nazismo assenta num discurso escatológico baseado no mito racista da mitologia germânica. Ou seja eliminam-se os valores cristãos, e concentra-se a espiritualidade na raça assente na crença da pureza dos seus antepassados. O resultado de tudo isto é uma batalha final entre os seus Deuses e as forças demoníacas, mas que dela nascerá um mundo novo. Só que nesta batalha todos perderão a vida !
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Rui Curado da Silva, a inquisiçao matou mais que o nazismo?, aonde é que leu isso? Vá estudar alguma coisinha está bem?… Que imbecil.
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Tadinho ele fez contas ás porporções demograficas mais uma potencia qualquer (n?). Pena que a não tenha feito para a expançao islamica anterior com a mesma potencia.E muito menos fez as contas ao marxismo chines e seus sucedaneos asiaticos somando os africanos.
Então é que nem com a potencia n ele chegaria lá.
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Vocês têm razão, durante a Idade Média a Igreja não matou ninguém, não esteve envolvida em guerras religiosas nenhumas entre estados europeus, durante cada uma das cruzadas não mataram ninguém por todos os sítios da Europa e da Palestina por onde passavam, não mataram ninguém na tomada, defesa e perda de Jerusalém, a igreja não matou ninguém durante a caça às bruxas na Europa Central, a igreja não matou ninguém na evangelização dos povos colonizados de todo o mundo, a igreja não matou ninguém na guerra contra o protestantismo, a igreja não matou ninguém em regimes teocráticos opressores e guerreiros como foi o caso do antigo Vaticano, a igreja não matou ninguém, obviamente ninguém, durante a Inquisição…
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Helena Matos Diz:
15 Fevereiro, 2008 às 12:55 pm
“A destruição do outro faz parte do maxismo”
Será que esta senhora leu Marx? Não acredito.
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Quem diz que não se pode distinguir a utopia marxista dos regimes estalinistas, são as mesmas pessoas que depois não se cansam de elogiar a tradição liberal dos países anglo-saxónicos, mas que ao mesmo tempo se esquecem da História desses mesmos países, marcada pela escravatura, pelo genocídio dos índios, pelo McChartismo, pela ausência de direitos civis dos negros, pelo colonialismo, pela promoção e apoio de «ditaduras amigas», etc, etc. Coisas «pequenas» de desrespeito pelo outro – algumas das quais nem 100 anos têm – que, dirão os «novos liberais» como a Helena Matos, são distintas dos ideais e princípios liberais, propriamente ditos. Isto apesar dos sempre elogiados textos constitucionais e fundadores desses países anglo-saxónicos terem mais de 100 anos.
Mas se os «Tocquevilles» eram tão «condescendentes» com a grande «democracia americana», por que é que os seus discípulos não haveriam de o ser, também? Talvez porque enquanto andarem preocupados com a resolução dos seus complexos politicos edipianos, não se ocupam com a crítica às suas próprias convicções.
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É mesmo conversa de idiota a tua ó Rui da Silva Mal-Curado, conversa de garoto, esses mortos que falas foram há séculos e nao chegaram aos números do nazis (nem perto), e os romanos mataram muita gente n mataram ó imbecilóide? e os mouros? e o estado portugues por exemplo? e os teus amigos de ateus de esquerda?
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o bushismo tem sido denunciado, as suas práticas conspirativas de de mentira também, como assim as de roubo descarado de piratas assassinos, a que acrescem tantos actos de arresto, prisão e tortura discricionária, como não se acharia possível num país dito democrata, em pleno século XXI…
e facto é que não falta aí gente formada, pretensamente inteligente, mas escravizada ao som da trombeta bushiana de abusos, de uma forma acintosa, vesga, qual helena de matos, e é isto possível, ainda, meus senhores!
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em minha opinião,
a helena Matos é tola
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Temos razão sim………
Todos os imperios mataram e muito..desde a antiguidade
Persas, mongois, romanos,arabes, europeus e americano…. Com muitos deles foi levada ideologia ou crenças que ajudaram a matar ainda mais.
O que está em causa não é propriamente isso.
Quando se fala do morticinio marxista/comunista levado a todo o planeta pelo imperialismo russo( porque ele não se restrigiu ao sol da terra, a mae russia)o argumentario não pode ser de desculpabilizaçao pelos outros morticinios.
Eles são perfeitamente comparáveis,todos moralmente reprováveis.
Assim como, aquilo que a HM põe em questão.
Porque é que um islamico pode expandir a sua fé conquistando matando e escravizando, um cristão pode expandir e por questão de fé fazer as cruzadas usando os mesmos metodos,um nazi o pode fazer erigindo alvos como a raça e todos são criticáveis (diria até á medula dos ossos-e bem) e quando se chega ao marxismo tudo é relativizado com as anteriores e mais…..relativizado nas suas bases ideológicas profundas.
Quer dizer se for um cruzado cristão da idade media crente que a fé no Deus cristão e que a salvaçao está na conversão dos infiés (se não se converterem mato) … está profundamente errado…mas se for um crente no marxismo e não conseguir converter os povos á minha ideologia por causa dos contra-revolucionariso fassistas burgueses e afins e os matar estou a fazer um bem a humanidade (?).
Desci a argumentação a este nivel apenas porque me parece que algum comentario aqui precisa de começar pela simplicidade da coisa.
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Utopias marxistas, Estalinismo, nazismo, todas estas coisas, fizerem milhões de mortos, sem nenhum beneficio para a sociedade humana.
O que è ridiculo, è que continuamos a ter blocos de esquerda, comunistas, que repetem à saciação as mesmas parvoices, convenci
dos, que tem algum futuro……….e o mais curioso, è que passam
um esfregão pela história e julgam que a não ser um grupo de pobres idiotas, que enganam, os segue…….
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Quem diz “Ama o proximo como a ti mesmo”, quem dá a outra face à humilhação e ao ódio, quem convida à tolerancia e abre a Sua mensagem a todos os homens, não pode confundir-se com outro que incita à revolução armada para a “aceleração da história”, ao ódio à burguesia, à luta violenta entre classes, ao colectivismo (que não se faz sem força, que prescreve a Ditadura do Proletariado como solução procedimental.
Jesus Cristo afirmou “o meu Reino não é deste mundo”; o seu projecto era um projecto de salvação espiritual, de redenção da alma pela palavra. Marx desenhou um projecto político de salvação material, terrena, de redenção das sociedades, dos homens, pela acção de outros homens. Ainda por cima atribuía ao seu projecto um craácter científico. Esta diferença é fundamental para se perceber de uma vez por todas que Cristo NÃO foi o primeiro marxista como gostam de dizer os “gualters” deste mundo. A perfeição a que apela Cristo é absolutamente individual, diz respeito a cada um de nós, e por isso é que cada homem vale na mensagem cristã. No projecto de marx é uma peça da engrenagem; não vale por si. O projecto de MArx, ao sintetizar o seu idealismo criador – a sociedade perfeita – e um horizonte material, histórico, é intrinsecamente destrutivo e o seu móbil nao pode ser outro que não o ódio e a violência. A luta de classes a que apela Marx é, na práctica, o mesmo que uma guerra civil, destinada a extinguir uma parte da sociedade, um conjunto de homens. Como muito bem diz a Helena Matos, o conceito de burguês não se limita a uma dimensão material, às posses dos individuos. Marx, Lenin, Trotsky, Estaline, etc, etc, etc… sabiam bem que não acabam com um burguês por lhe tirarem os campos e as propriedades; os “modos de vida burgueses” não acabam por se acabar com os seus protagonistas. Por isso é que Marx previu a ditadura do proletariado, e por isso é que todos os ditadores comunistas, ao tentar construir o “amanhã da história”, tiveram de recorrer a ela.
A extinção de classe, da burguesia, não contempla simplesmente o fim da propriedade. O que se procurava era redefinir o homem, a sua propria condição, ensinando-o a não querer, a não ambicionar, a não desejar outra coisa que não um estado de igualdade absoluta e fraternidade terrena. A mensagem de Cristo cnvida cada um de nós a procurar isto no dia a dia, apela a uma felicidade individual que não esqueça o outro e um sofrimento que muitas vezes nos é prximo; éo apelo da caridade cristã. O marxismo impõe isto como obrigação política e por essa razão é estruturalmente coercivo e punitivo. É um projecto de denúncia constante, alimenta-a com a inveja.
A Igreja, através dos estados, matou nas cruzadas numa altura em que a atitude passiva, por exemplo aqui na península, significava o recrutamento de escravos dos reinos cristão pelos líderes árabes do norte de africa. A Inquisição foi um claro atropelo da doutrina cristã precisamente porque representava a Igreja como instituição política, em que a redenção se concretizava pela força. Imiscuiu-se no “reino” a que Cristo disse não pertencer. O apostolado e a evangelização que pediu Cristo concretiza-se na acção dos homens e das instituições, inevitavelmente, mas faz-se pela palavra e o seu horizonte é espiritual, é a redenção da alma.
Posso demarcar a Igreja da Inquisição recorrendo à mensagem de Cristo, fundador da Igreja através de Pedro. Posso dizer que a inquisição foi um desvio porque nunca Cristo defendeu a cnversão à força e o ódio. Além do mais, a própria Igreja chegou a pedir o perdão daqueles povos que noutra altura perseguiu. No entanto, não posso demarcar Marx das consequencias do seu socialismo porque ele foi o primeiro a advogar a materialidade da sua teoria ao concebe-la como proposta científica. A colectivização, a perseguição religiosa, a luta de classes, a ditadura do proletariado, a violencia revolucionaria, está tudo previsto no “manifesto”. Lenin ou Estaline puseram em prática a receita de Marx. O facto de que o fim não tenha sido atingido não significa que não se tivessem aplicado as fórmulas. É como dizer que o nazismo nunca existiu porque os judeus não foram todos eliminados.
É do domínio patológico olhar a realidade contingente, os factos verificados, repetidos, inerentes mas incómodos para a teoria, como critério de ratificação e não de retificação da própria teoria. Intensificar os meios de implementação de um projecto político em vez de os corrigir e atenuar assumindo o erro quando a realidade das coisas os contradiz e lhe resiste, é próprio da conduta obsessiva e sobretudo é o resultado natural de uma proposta que já de si é degenerada. A materialização histórica do comunismo era uma ambição de Marx. A operacionalização do seu projecto no tempo e no espaço decorre da natureza política da sua proposta e da filiação científica que presumiu para ela. O comunismo imaginado por Marx edifica-se sobre a violência sistemática dos seus procedimentos. Portanto é inevitável o confronto entre o projecto e a realidade, entre o projectado e o realizado, entre a utopia e o gulag.
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Queria vincar um ponto que a Helena Matos referiu a propósito do desdobramento da categoria “burguês” no âmbito da acção do poder concentracionário marxista. O conceito de burguês é sociológico. Rousseau definiu-lhe esses contornos quando o reinventou no discurso sobre as ciencias e as artes e Marx captou-o e introduziu-o como tal no seu pensamento. Um burguês não é o mesmo que um rico. Nem todos os burgueses são ricos nem todos os ricos são burgueses. É nessa ambivalência que se denuncia o potencial de violência do marxismo, e foi sobre essa ambivalência que actuou o terror comunista. Ou seja, para o regime soviético, o latifundiário russo em 1919 era tão burguês como o camponês miserável que resistia à colectivização e aos kolkozes.
Para MArx, o advento do comunismo era uma inevitabilidade sustentada numa interpretação científica das leis da história, representava a emancipação da maioria oprimida e o fim de todas as formas de autoridade e portanto, só lhe resistiria quem fosse irracional ou quem estivesse interessado em defender interesses egoístas de classe. É invariavelmente nestas duas qualificações que converge a ideia do burguês no discurso marxista, e é invariavelmente sobre elas que se estrutura a visão que a esquerda tem da direita ainda hoje.
No âmbito da acção política dos regimes comunistas, identificava-se como burguês quem se enquadrasse num dos dois retratos ou em ambos. Os milhões de camponeses desgraçados que morreram por resistirem à colectivização das suas hortas eram burgueses e, logo, “inimigos do povo”, porque ignoravam e atrasavam a marcha da história rumo à perfeição do comunismo.
O elemento mais tenebroso do marxismo é justamente, e por contraditório que pareça, a convicção “científica” no seu idealismo. Como se assume a priori a bondade intrínseca do projecto socialista, toda a oposição é marginalizada para o domínio do delírio ignorante e irracional ou da maldade interessada.
A revolução marxista trará a sociedade perfeita, um mundo novo onde o antigo, todas as suas normas, instituições e estruturas de autoridade não têm lugar. O extermínio de todos os que se oponham explica-se tanto a partir de uma perspectiva moral como científica. Moral porque se trata de eliminar os “inimigos do povo”, da perfeição igualitária e fraterna que o comunismo traz. Centífica porque a evolução da história rumo a essa etapa é imparável e explica-se pelas suas próprias leis.
Os marxistas não reconhecem os padrões normativos e as relações de autoridade tradicionais. Definem-nos como modalidades históricas de enquadramento do conflito pela “superestructura”; como arranjo orgânico da minoria opressora e capitalista para distender a tensões sociais e evitar a luta de classes. Por essa razão, a repressão comunista justifica-se sempre numa base emancipatória, pretensamente lógica. A oposição integram-na os renegados, os erros históricos, os irracionais, os alienados, os “porcos capitalistas”. A sua eliminação justifica-se assim sob todos os pontos de vista. Qualquer juízo moral sobre a repressão comunista deve ser exercido de uma perspectiva póshistórica e não segundo os cânones tradicionais porque essa moralidade tradicional – burguesa -, essa ética cristã é um instrumento de dominação do poder instituído.
É esta síntese entre historicismo determinista, idealismo presumido e relativismo positivista que facilita uma visão instrumental dos milhões que morreram pela foice e pelo martelo e que lhes nega até o estatuto de inocentes, quanto mais a glorificação póstuma. Para a esquerda, as vítimas do comunismo hão-de ter sempre uma resquiazinha de culpa pela sua própria morte. Nunca terão o estatuto das vítimas do holocausto porque se opuseram ao Bem anunciado que a sociedade quer e que é comum, ao sublime comunismo. Como a morte dos “burgueses”, ricos ou donos de campos de milho transgenico, é necessária à concretização de um objectivo maior, mais alto, vale metade que a dos judeus mortos em Auschwitz. Deve ser por isto que a esquerda tem tantos equívocos nestas contabilidades…
Desculpabilizar os morticínios e o terror comunista como “meio” ou “instrumento” é um exercício infame de profundo desprezo pela dignidade de cada ser humano. O simples facto de se recorrer a ele é em si elucidativo sobre a miséria da proposta. E deveria ser suficiente para perceber que nenhum enunciado político fundado explicita ou implicitamente na violência e no extermínio de homens tem justificação ou exorcismo possível.
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Realmente não sei quem meteu as igrejas cristãs ao barulho. A questão era de comunismo e de nazismo.
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Artigo sobre as Cruzadas e suas causas http://timedecristo.wordpress.com/2010/05/21/as-cruzadas-resposta-contra-invasoes-muculmanas/
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