Kos
Evidentemente, o Kosovo tem todo o direito de se separar e ser independente. Na medida em que tal corresponda à vontade politica da sua população e seja efectuada por meios pacíficos, não vejo porque não. Nem se vê o que outros tenham a ver com o assunto.
Simplesmente, também não vejo porque deva a União Europeia, os seus estados e os seus contribuintes serem os contribuintes líquidos do suporte de tal independência. Afinal, que teremos nós com isso? Nada. Recorde-se que em 1999 tropas da Nato e de vários países da União Europeia invadiram o Kosovo e ocuparam-no militarmente. De acordo com os padrões utilizados por alguns para outras situações, de forma totalmente ilegal. E com os resultados desastrosos que se conhecem: um protectorado onde se permitiram internamente todos os desvarios de limpeza étnica, de violência, de corrupção organizada e institucionalizada. Por mão também da UE. E não satisfeitos com a «obra», insistem no erro, financiando, incentivando e agora mandando pessoal técnico e polícia.
O Kosovo é ainda um território militarmente ocupado por 15 mil soldados da Nato (K-FOR). Ali funciona também um missão da ONU, (UNMIK), a qual tem legalmente responsabilidades de administração do território. A UE pensa enviar 3 mil pessoas, entre policias e pessoal técnico nos próximos dias. Mas falo-á ao abrigo de que norma internacional? A convite do novo país? Mas então irá desrespeitar os poderes legais das NU? Ou deriva tal apenas da sua iniciativa, assumindo um papel de intervenção externa nos assuntos de outros estados? A UE, na sua ânsia imperialista de se tornar militarmente relevante parece começar-se a especializar em criar situações impossíveis e conivências com os piores padrões políticos.

De certo modo e com as devidas proporções e contingências, faz-me lembrar Timor. Uma nóvel nação ocupada por forças militares “a convite”, porque instável e insegura.
Oxalá tudo decorre em plena paz na região e na Europa.
Quanto aos custos (para os quais contribuimos), serão futuramente “trocados”, recuperados, por posicionamentos políticos e territoriais. Não tarda, será mais um país “ocidentalizado”.
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Errata:
Segundo parágrafo, “”decorra”.
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Se calhar estava na altura do Porto se transformar enfim numa naçao. eheh
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Estou para ver qual vai ser o primeiro país da europa a reconhecer a independencia do Osovo. Desconfio que nenhum vai ter coragem de liderar. Ou vao falar todos ao mesmo tempo.
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Parece que entrámos na idade das independências “pret-à-porter” – mas depois chega-se à conclusão de que as medidas estão (definitivamente)erradas…
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Of topic
mas para mim uma das notícias mais extraordinárias dos ultimos dias
A Lienchestein connection
http://www.spiegel.de/international/business/0,1518,535768,00.html
O governo alemao pagou a um individuo uma nota preta para obter informaçao de uma lista de pessoas que tinham contas no país para fugir ao fisco. É um escandalo monumental com gente muito rica e poderosa. Inclusive o chefe do deutch post.
Quem mais irá acontecer.
Se até os alemaes!! Quanto mais os pobres portugueses.. lol
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Infelizmente, a independência do Kosovo está longe de corresponder apenas ao desejo do “seu” povo. Não esquecer que foi a Alemanha quem primeiro reconheceu, unilateralmente, a independência da Eslovénia. E, atrás dela a Croácia. O Imperialismo Alemão não morreu, longe disso.
Os Balcans sempre estiveram na mira dos imperialismos europeus.
A Europa está muito descançada, enquanto a Alemanha cresce.
Os “galarós” dos franceses ainda pensam que vão participar no festim. Mas, quando a Alemanha quizer … puf! vão ao ar.
Esta é a opinião de uma fumadora, por isso podem não acreditar. Mas a nicotina é um estimulante de cérebro. Faz ver melhor e mais longe.
Tirem as palas, e olhem à roda. E, sobetudo, dêm uma vista de olhos pela História.
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Puxa para o html. Coisa irritante que fica um buraco no meio.
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19.000 homens, estão com armas na mão a guardar o Kosovo de quê?
São independentes, tem uma assembleia, que a vi às 15 horas todos a abraçarem-se e a bater palmas, o que fazemos ali?
O Guterres meteu-nos no sarilho, como se fosse uma grande medida!
Deixem os kosovares sózinhos, porque depois de tantos anos continuarem-se a matar è um problema deles! qunto custou até agora o Kosovo a Portugal com a tropa e aqueles indios, que vinham para aqui e depois fugiam para a Alemanha?
Acorda S…..ocrates…….
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Eh, se arranjássemos assim uma tropa fandanga pa nos defender de Lisboa, nós poíamos armar um parlamento ali na bolsa do Porto ou na sé de Braga e receber directamente de Bruxelas das couves o carcanhol que nos pertence.
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O “efeito dominó” segue dentro de momentos.
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Uma situação preocupante: A União Europeia constrói-se a “todo vapor” sem sequer se referendar em cada um dos seus Estados membros. Entretanto, a tendência de desagregação de vários Estados europeus cresce de maneira vertiginosa e antinómica em face da suposta Europa unida. Repare-se nos exemplos: da Sérvia; da Espanha; da Bélgica ou do Reino Unido.
Hipótese ficcional: “Durante os anos 60, passaram a fronteira cerca de 3 milhões de galegos, instados pelas autoridades portuguesas. Instalaram-se nos arredores de Guimarães, cidade tida como berço da Pátria. Para a semana que vem, será proclamada a independência do Minho! Os independentistas de origem galega desfilam, diariamente, pelas ruas da cidade com bandeiras dos Estados Unidos, da União Europeia e da Espanha. Os portugueses, minoritários no Minho desde há 20 anos, não têm qualquer apoio internacional”.
O que fazer?
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António Lemos Soares Diz:
17 Fevereiro, 2008 às 6:46 pm
Então e o bantustão da amadora/sintra?
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E a região demarcada do Queijo da Serra ?
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Não há desagregação nenhuma. O que se passa é que há povos que encontram na UE uma identidade agregadora que os 1eva a darem o sa1to que sempre quiseram dar!
É como o casamento.Quando encontramos uma nova paixão há sempre a tentação de desatar o nó nupcia1…
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António Lemos Soares,
«Entretanto, a tendência de desagregação de vários Estados europeus cresce de maneira vertiginosa e antinómica em face da suposta Europa unida. Repare-se nos exemplos: da Sérvia; da Espanha; da Bélgica ou do Reino Unido.»
mas qual o problema?
Se tal resultar da vontade dessas populações, não vejo onde esteja a questão.
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Efectivamente.Mas como habitual, atendendo a vertente religiosa dos novos habitantes do Estado Islâmico do Kosovo, não vai haver crise.
Caso houvesse … na ONU os habituais “verdes das cimitarras” lá se uniriam para defender os convertidos á força á há 700 anos.Janizaros e merdas do genero.
Afinal Londistan não fica muito longe…
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«todo o direito de se separar e ser independente»
Correcta a primeira parte, incorrecta a segunda (independente).
Para Portugal SA, vai ficar um pouco menos caro,
devido à redução do contingente de segurança, da mili para as polícias.
Ainda assim, e à semelhança de Timôr, para quê?
Fazer o frete à Alemanha e aos USA?
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«Ainda assim, e à semelhança de Timôr, para quê?»
talvez para que as pessoas lá da zona decidam como querem viver, sem que outros venham dizer se o podem fazer ou não. Por vezes, a tal acto chama-se exercício da liberdade.
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Gabriel Silva;
O problema é que estas desagregações não se fazem, por norma, através de acordos. Ocorrem, sim, através de guerras violentíssimas.
Olhe o exemplo dos Estados Confederados do Sul. A vontade da maioria dos habitantes do Sul era a separação dos Estados Unidos: O que é que aconteceu?
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«O problema é que estas desagregações não se fazem, por norma, através de acordos. Ocorrem, sim, através de guerras violentíssimas.»
Acha que haverá guerra na Bélgica? Ou na Escócia quando se decidir ser independente? Nem sequer existiu na URSS, imagine-se. Nem tão pouco na Checoslováquia.
Sucedeu sim na Jugoslávia.
Repare, mesmo que suceda por forma violenta, o que não se deseja, a questão do direito permanece: tem ou não essas comunidades direito a viverem como entenderem? Porque deverão ser forçadas a fazer parte de uma comunidade onde não desejam estar?
Sinceramente, não consigo ver qual o problema. Nem consigo perceber porque tanta gente se opõe a tais processos. Parece que desejam estabilidade a todo o custo, mas se a mesma for forçada não criará também ela conflitos?
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“O problema é que estas desagregações não se fazem, por norma, através de acordos. Ocorrem, sim, através de guerras violentíssimas.”
Mas, neste caso, a guerra violentissima já ocorreu, não?
“Olhe o exemplo dos Estados Confederados do Sul. A vontade da maioria dos habitantes do Sul era a separação dos Estados Unidos”
Não tenho tanta certeza disso. Os escravos representavam quase 40% da população dos “CSA”. Atendendo a que John Breckenridge (o candidato da ala separatista do Partido Democrata) tinha ganho os estados sulistas com votações pouco superiores a 50%, é muito duvidoso que existisse uma maioria demográfica no Sul a favor da separação.
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E qual é a real alternativa à independencia do Kosovo ? Continuar a fazer parte da Sérvia ? Os sérvios e os kosovares odeiam-se e não se vão entender no seio do mesmo pais. A esmagadora maioria dos kosovares são albaneses e não querem voltar a ser governados pelos sérvios. O governo sérvio diz que daria uma grande autonomia a uma região kosovar. Então porque não a independencia ? Pelo menos não há ambiguidades, que podem sempre relançar o conflito entre as partes. Na verdade, o verdadeiro problema são os cerca de 150 mil sérvios que ainda estão no Kosovo. Claro que devem poder continuar no Kosovo e ver os seus direitos cívicos e as suas condições de segurança salvaguardados. Mas será que a defesa dos interesses de uma minoria étnica justifica a manutenção da maioria debaixo de uma dominação sérvia, mesmo que institucionalmente limitada ? Para mais conhecendo-se o peso considerável dos sentimentos nacionalistas na Sérvia. Pelo seu lado, as autoridades kosovares independentistas também dizem que garantem os direitos da minoria sérvia. Claro que estas proclamações de princípio valem o que valem, ou seja, pouco. Mas aqui o papel de garantia e supervisão da “comunidade internacional”, em particular “Ocidental” (Estados Unidos e União Europeia), por imperfeito e problematico que seja, continuará a ser necessário e decisivo. Seja como for, de um modo ou do outro, os problemas entre as duas partes não desaparecem e as relações entre a Sérvia e o Kosovo terão mesmo de continuar sob tutela externa. Compreendo que não seja do agrado de muitos, eu incluído, mas não vejo alternativas viáveis e aceitáveis. Deixar os albaneses kosovares e os sérvios lidarem sózinhos com a situação é a pior das saídas. Desde logo do ponto de vista da estabilidade na região e dos grandes equilíbrios internacionais (não nos esqueçamos da permanente tentação da Rússia actual para intervir na região em apoio das exigências nacionalistas dos “irmãos” sérvios). Mas também em termos da obrigação moral que as democracias devem ter no sentido de evitar o acender ou o agravamento de conflitos que podem ter (já tiveram …) consequências trágicas.
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Gostava que os defensores da independencia do Kosovo (uma parcela territorial da Sérvia), tivessem o mesmo critério para com o País Basco, Irlanda do Norte, Madeira, Sardenha, Tchechénia..etc etc.
O facto da ONU ter ocupado militarmente parte da Sérvia, não lhe dá o direito de interferir nos destinos daquela parcela.
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Gabriel Silva;
A Europa é, como sabe, uma verdadeira manta de retalhos: étnica, religiosa e cultural. Se, como se prevê, a independência do Kosovo for reconhecida pela maioria dos Estados do mundo, o precedente é gravíssimo e abrirá portas a todas as aventuras.
Exemplos: A Lituania é independente desde finais do século passado, depois de décadas de ocupação soviética, tem, contudo, uma população minoritária de russos. Se estes decidirem ser independentes dos lituanos? A Alsácia e a Lorena, têm população maioritária alemã ou francesa? E as outras minorias como os bascos e os catalães na Espanha?
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Gabriel Silva,
“A Lituania é independente desde finais do século passado, depois de décadas de ocupação soviética, tem, contudo, uma população minoritária de russos. Se estes decidirem ser independentes dos lituanos”
Só pode estar no gozo, não é?
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Por definição, um territorio que se torna independente de outro era antes … uma parcela deste !….
Que eu me tenha apercebido, o ciclo das independencias, embora possa tornar-se cada vez menos activo, ainda não foi definitivamente encerrado !… Se é que alguma vez o será !…
Cada caso é um caso !…. Julgo que um critério aceitável é o da vontade livremente expressa e assumida por uma maioria significativa da população do território. A existência de uma certa homogeneidade étnica e de uma certa continuidade territorial é igualmente uma condição importante para que a independência de um território seja algo de operacional e viável.
Por sinal, o Kosovo até reúne varias destas condições. E existem por esse mundo fora muitas independências possíveis. E até desejáveis, se porventura for essa a vontade da maioria da respectiva população. Dois exemplos : o Tibete (China), a Tchechénia (Rússia).
As situações mais complicadas são naturalmente aquelas onde não existe uma maioria clara, onde coexistem várias minorias importantes, onde os diferentes grupos étnicos estão muito misturados em termos sociais e territoriais, etc. É, por exemplo, o caso da Irlanda do Norte.
Quanto ao País Basco (tanto o espanhol como o francês), a Madeira e os Açores (Portugal), a Corsega (França), a Sardenha (Itália), a Álsácia (França), a Galiza (Espanha), o Alto Adige (Itália), a Escocia (Reino Unido), o Quebeque (Canada), e muitos outros terrtórios actualmente integrados em nações com regimes democráticos, a razão principal pela qual não são actualmente independentes é porque as respectivas populações … não o desejam !
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António Lemos Soares,
«Se estes decidirem ser independentes dos lituanos?»
sinceramente, em todos os casos que aponta, não vejo qual seja a dificuldade, ou porque se deva negar tal direito. Porque não podem essas comunidades decidir o seu destino?
Qual é verdadeiramente o problema?
Porque o não poderão fazer, em nome de quê ou de quem?
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Caro Carlos,
eu não defendo a independencia do kosovo, nem o seu contrário. Digo simplesmente que é um direito que lhes assiste e que apenas a eles deverá dizer respeito.
E sim, julgo que tal direito é extensível a qualquer outra comunidade, incluindo as que cita, se assim for a sua vontade.
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“Mas falo-á ao abrigo de que norma internacional?”
Falo-á é um pouco obsceno. Talvez fá-loá, ou quiçá fá-lo-á. 🙂
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Talvez estas civilizadíssimas interpretaçoes ,quanto ao direito dos povos de disporem de si próprios,se tenham esquecido dum pormenor que,creio, o direito internacional não menciona : a relação de forças.
Aconselha-se um exercício,meramente especulativo,quanto ao que irá suceder quando a Santa Rússia tiver a casa devidamente arrumada (o que se está a verificar a uma cadência surpreendente)e os States ,manietados pela indefinição eleitoral e,pior ainda,pelo possível resultado dessas mesmas eleições,se desinteressarem do caso… O Pan-eslavismo terá sido uma mera questão de moda?…E existe algum exército europeu?…
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“Mas falo-á ao abrigo de que norma internacional?”
Falo-á? O verbo haver leva H, não deveria dizer Falo há?
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Zeca
Eu bem sei que amanhã é 2 ªf mas você já está cansado!
Aqui não se trata do verbo Haver.Aqui é “vai fazer a acçaõ ao abrigo …”
Quanto ao “fa1o”é outra coisa…
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Carlos:
e tantas outras que poderia mencionar..
Cabinda, Caxemira, Tibete, Banda Ache,Açores…and so on
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Gabriel Silva,
É natural que não veja, agora, problema algum. O complicado será a partir de hoje. Os Balcãs são uma eterna dor de cabeça para os europeus. “Balcanização” é um termo que diz tudo e que, 90 anos depois da da 1.ª guerra mundial, continua a verificar-se. A Europa perde estabilidade e consciência histórica.
Quando a 1.ª guerra começou, muitos não viram qualquer dificuldade de maior: era apenas mais uma guerra, igual a tantas que tinham ocorrido já. Como se viu, desde 1918 o mundo mudou para sempre e…
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Caro António Lemos Soares,
Como sabe, uma das razões para o início do conflito da I Guerra, era o desejo de vários povos dos balcãs não querem estar sob a dependencia e governo de outros estados. No caso, dos austriacos. Razão directa da morte do Arquiduque, na Bósnia-Herzgovina, anexada á força pelo império austro-hungaro em 1808.
Em parte, o conflito deu-se pela recusa dos impérios da altura em aceitarem esse facto comezinho, de que aqueles povos queriam governar-se a si mesmos.
Não foi a bem, foi a mal.
Provavelmente seria bom que 90 anos depois não se voltasse a repetir tais erros….
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Caro Gabriel Silva;
Espero, com toda a sinceridade, que tenha razão e que seja eu que esteja enganado.
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olha, agora tou a ver a lógica, que o dito Kosovo é uma parcela tomada à Jugoslávia, à Sérvia, pela Nato, uma série de potências com os EUA e a Alemanha à frente, servida ainda por uns subservientes de Portugal, que a certa altura se diz independente, isto é, completa e efectivamente dividida e sacada como o pretendia nacional zocialism do Hitler, só agora conseguido por inesperadas artes de estratégia e do tempo e punto final.
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errata: «anexada em 1908»
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Também eu gostava de ser independente. Tenho vontade, condições físicas e psíquicas, disponibilidade, etc. Só me falta o dinheiro!
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Caro António Lemos Soares,
Note bem que não digo que não haverá conflitos, que alguns não aceitem de boa-fé o principio de que cada comunidade deve poder decidir o seu destino.
Conhecendo-se a história é provável que tal suceda.
A questão é que tal principio é verdadeiro e deve ser respeitado. E julgo difícil defender-se que porque alguns poderão reagir, até por forma violenta, aqueles que pretendam separar-se não tenham tal direito ou o não devam fazer. Seria ceder meramente ao principio da força.
Evidentemente que quem queira tomar tal decisão, de se separar, deverá ser pragmático e perceber o que poderá ocorrer, isto é, tomar consciencia das circunstancias e dos factores favoráveis e desfavoráveis. O que em si mesmo não prejudica o direito á separação, que permanece semrpre, mas poderá afectar a sua exequibilidade. Os kosovares entenderam que nas actuais circunstancias teriam algum sucesso, seja pela perspectiva de ausencia de reacção violenta por parte da sérvia, seja sobretudo pelo facto de a UE, de forma lamentável, ter decidido apoia-los e financiar.
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este post é muito ambíguo: uma no cravo, outra na ferradura. parece que para os portugueses só os timorenses têm direito à auto-determinação, vá lá a gente perceber porquê… e já agora, parece que o território timorense tb foi ocupado por umas forças estrangeiras… a única diferença é que em timor essas forças não estão lá a fazer nada, a julgar pelos últimos acontecimentos.
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Caro Gabriel Silva,
1. Se interpreto bem o seu ponto de vista, creio que concordo plenamente consigo relativamente a uma série de aspectos fundamentais. Nomeadamente :
a) Não sou nem por nem contra a independência do Kosovo. Sou pelo direito moral de cada comunidade, neste caso a dos kosovares, poder decidir livremente sobre o seu destino. Incluindo a independência.
b) A aplicação e o exercício efectivos deste direito podem ser combatidos e impedidos por quem não o aceite de boa-fé. O que pode acontecer até de forma violenta. Neste caso, trata-se da Sérvia, com o altamente provável apoio directo da Rússia e de outros países eslavos.
c) Não se deve aceitar que a actual vontade de independência dos kosovares seja posta em causa deste modo. Pelo menos por duas razões.
d) Uma primeira, de ordem moral, e que é a de considerar ilegítimo que o princípio da força se sobreponha a um direito.
e) Uma segunda, de ordem mais pragmática e realista, que é a de considerar que o não respeito da vontade de independência dos kosovares pode ser um factor de instabilidade regional e internacional mais forte do que uma nova cedência perante as exigências integracionistas da Sérvia. A este respeito, penso que a sua leitura dos acontecimentos históricos da 1ª guerra mundial e das lições práticas a tirar para os tempos presentes está básicamente correcta.
f) Naturalmente que, mesmo admitindo o direito e a vontade dos kosovares à independência, se espera que estes tenham em conta as circunstâncias existentes e se movimentem quando estas circunstâncias parecem ser mais favoráveis.
g) Existe actualmente um conjunto de circunstâncias favoráveis. Em particular : a relativa fragilidade da Sérvia e da Rússia ; o forte apoio dos Estados Unidos e da União Europeia. Apesar dos protestos verbais é muito pouco provável que a Sérvia e a Rússia consigam actualmente bloquear o processo independentista. Sabendo-se que estas condições se podem vir a alterar no futuro, em particular com o reforço da posição da Rússia no plano internacional, a manutenção do impasse anterior poderia vir a ser no futuro um forte factor de instabilidade. Com consequências difíceis de prevêr e controlar.
2. Assim sendo, tenho alguma dificuldade em perceber as suas fortes reservas (utilizou a expressão “lamentável” !) quanto à circunstância de a União Europeia ter estado e continuar a apoiar a possibilidade de um Kosovo independente e minimamente viável.
Deve ou não a União Europeia apoiar um pequeno e frágil território de modo a contribuir para que seja respeitado o seu direito a decidir sobre o póprio destino ? Deve ou não a Uniao Europeia contribuir para uma solução que minimize os perigos de uma nova desestabilização da região ?
Compreendo, e até posso partilhar, algumas das suas críticas ao modo como esse apoio tem sido prestado no terreno. Não sei qual é a verddeira dimensão do problema, mas também li que tem havido um grande desperdício de meios e importantes desvios de fundos ligados à presença da União Europeia, da NATO, e, sobretudo, da ONU. É algo que acontece infelizmente em quase todas estas operações e que se deve certamente condenar e combater. Mas não creio que estes aspectos negativos sejam suficientes para justificar a defesa de uma atitude passiva de União Europeia numa região onde está, para o melhor e para o pior, fortemente envolvida desde há já bastantes tempo.
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Há várias provas empíricas que a ajuda só por si não beneficia os países. Os Moldavos receberam perto de um bilião de $ do Banco Mundial e FMI, o país não evoluiu, corrompeu-se ainda mais. A Europa apoia os Palestinianos, há estudos que indicam correlação entre o crescendo dos ataques Palestinianos(incluíndo o combate entre Palestinianos e não só contra Israel) e a ajuda internacional. http://www.camera.org/images_user/Palestinian%20homicides%20and%20aid.JPG
http://www.camera.org/index.asp?x_context=2&x_outlet=118&x_article=1362
Click to access aid_delegated.pdf
“Aid and the Delegated Fight Against Terrorism, Review of Development Economics, 10(2), 330/344, 2006). Azam and Delacroix are cautious about the conclusions to be drawn, but like the graphs presented above, their correlation raises questions about the effectiveness of aid as a policy to combat terrorism and radicalism.”
O dinheiro pode piorar a situação quando a cabeça não está no sítio.
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“Deve ou não a União Europeia apoiar um pequeno e frágil território de modo a contribuir para que seja respeitado o seu direito a decidir sobre o póprio destino ? Deve ou não a Uniao Europeia contribuir para uma solução que minimize os perigos de uma nova desestabilização da região ?”
Deve. Principalmente quando a população desse território foi vítima de uma tentativa de extermínio em massa. Já toda a gente se esqueceu disso?
ou será que a limpeza étnica no kosovo nunca existiu?
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lucklucky,
“Há várias provas empíricas que a ajuda só por si não beneficia os países.”
Efectivamente ! Eu também conheço, e de perto, alguns exemplos. Em particular, em África. Desde logo porque “só por si” é insuficiente. Mas, sobretudo, porque “só por si” pode ser nefasta e ter efeitos perversos. O de sustentar regimes e nomenclaturas corruptas. O de criar (maus) hábitos assistencialistas nas populações que agravam os problemas em vez de ajudarem a resolvê-los. Não sou de modo nenhum favorável a ajudas generalizadas e sem condições.
Mas não sou contra as ajudas. Penso que, em certos casos e dentro de certas condições, se podem justificar e ser úteis. Para os países e populaçõe que as recebem. Para os países que as dão. Penso que os países “ocidentais” e certas organizações internacionais a elas ligadas e por elas financiadas podem e devem utilizar a ajuda económica para promover e apoiar o desenvolvimento de modelos, políticas, modos de vida e valores característicos de sociedades liberais e de economias de mercado. Porque deste modo favorecem a estabilização e a prosperidade económica dos países beneficiários e das respectivas populações. Sou apenas por ajudas selectivas e condicionadas. Quando os benificiados, sobretudo os governos, não respeitam as condições as ajudas devem ser suspensas. Já foi muito pior num passado não muito longínquo. Mas ainda continua em muitos casos a ser feita em condições inaceitáveis. Que devem ser denunciadas e recusadas.
Falando específicamente do Kosovo, e apesar de todos os disfuncionamentos que se conhecem, admito efectivamente que a ajuda seja actualmente necessária e útil. Como recorda oportunamente o Tales de Mileto, “a população desse território foi vítima de uma tentativa de extermínio em massa”. Não foi assim há muito tempo. A intervenção externa foi necessária para evitar uma tragédia maior e a continuação da escalada desestabilizadora na região. A “comunidade internancional” pode ainda continuar a ajudar o território a ser independente e viável. Mas a ajuda deve ser sempre feita sob condições rigorosas. As novas autoridades devem respeitar princípios rigorosos de “boa governação” e devem garantir efectivamente os direitos da minoria sérvia no território. Se for o menor dos males devem aceitar a existência de zonas sérvias com estatutos especiais e ligados à Sérvia (como é, na prática, o caso actualmente). Que se ajudem os kosovares a serem finalmente independentes do tradicional jugo sérvio. Mas que seja uma independência sob tutela, pelo menos enquanto a ajuda continuar a ser necessária e dada.
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Correcção :
“…os países “ocidentais” e certas organizações internacionais a eles ligadas e por eles financiadas ..”
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