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Conclusões de “OS JOVENS E A POLÍTICA”

27 Abril, 2008

Vale a pena ler as conclusões do estudo da Católica encomendado pela Presidência da República sobre “OS JOVENS E A POLÍTICA“:

1. Quer de um ponto de vista quer absoluto quer comparativo, é notória a insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia, assim como a existência de atitudes favoráveis a reformas profundas ou mesmo radicais na sociedade portuguesa. Contudo, entre os mais jovens (15-17 anos) e os jovens adultos (18-29 anos), essa insatisfação é algo menos pronunciada do que entre os mais velhos, assim como tendem a existir entre eles atitudes mais favoráveis (especialmente entre os mais jovens de todos) a reformas incrementais e limitadas na sociedade portuguesa.

2. De um ponto de vista quer absoluto quer comparativo, os portugueses evidenciam atitudes de baixo envolvimento com a política. A relação entre a idade e o grau de importância dada à (e interesse na) política é curvilinear, ou seja, menor entre os muito jovens e entre os mais velhos. Contudo, as diferenças entre os jovens adultos e o resto da população activa são reduzidas, o que faz com que, comparando exclusivamente, no contexto europeu, os indivíduos com idades entre os 18 e os 29 anos, as atitudes de envolvimento político dos jovens adultos portugueses escapem, do ponto de vista da sua intensidade, aos últimos lugares europeus.

3. Os jovens encontram-se menos expostos à informação política pelos meios de comunicação convencional do que o resto da população. E em geral − e não apenas aqueles que ainda não chegaram à idade do voto − os jovens tendem a exibir menores níveis de conhecimentos políticos.

4. Exceptuando o voto, a população portuguesa tende a ser céptica em relação à eficácia da participação política dita “convencional”, i.e, aquela que se dá através dos partidos e orientada para o processo eleitoral, em comparação com outras formas de participação. Os jovens seguem este padrão, mas com uma nuance importante: em geral – e mais uma vez exceptuando o voto – tendem a ser menos cépticos do que os mais velhos em relação à eficácia de todas as formas de participação política, convencionais ou não. Já no que diz respeito ao voto, a sua eficácia, do ponto de vista dos jovens, sofre a “concorrência” de outras formas de participação, especialmente a ligada ao associativismo e ao voluntariado.

5. Do ponto de vista dos comportamentos participativos, os jovens adultos também não se distinguem particularmente do resto da população activa, ao passo que os indivíduos com menos de 18 anos não se distinguem particularmente dos indivíduos com 65 anos ou mais. Esta curvilinearidade na relação entre a participação e a idade é expectável, mas os níveis de disponibilidade para a participação e de participação real dos mais jovens podem ser vistos como sendo comparativamente elevados tendo em conta a sua posição no ciclo de vida.

6. São baixos, do ponto de vista comparativo, os níveis de pertença a associações e de dedicação ao voluntariado em Portugal (com excepção da participação em associações de cariz religioso). Dito isto, os índices de participação social dos jovens são mais elevados do que os da restante população, facto que não se deve exclusivamente à pertença a associações estudantis ou a grupos desportivos.

7. Os portugueses são claramente favoráveis a medidas que aumentem a presença de mulheres na vida política, criem novos mecanismos de participação, personalizem o sistema eleitoral e introduzam mecanismos de democracia directa ou semidirecta. Esse apoio é mais intenso que no caso espanhol, traduzindo, eventualmente, a maior insatisfação dos portugueses com o funcionamento actual da sua democracia. Os jovens não se distinguem particularmente dos mais velhos a este nível, a não ser ao revelaram-se mais apoiantes da democracia directa.

8. O posicionamento ideológico dos jovens tende a estar mais à direita do que a generalidade da população, mas aquilo que mais claramente os distingue é o facto de percepcionarem menor utilidade das categorias “esquerda” e “direita” na compreensão da vida política. Este maior “desalinhamento” ideológico também se reflecte num maior desalinhamento partidário.

8 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    27 Abril, 2008 10:41

    Vale a pena ler porque nao se entende como conseguiram concluir o que escrevem.

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  2. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    27 Abril, 2008 10:46

    Este estudo deve ter sido feito durante a noite.

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  3. Piscoiso's avatar
    27 Abril, 2008 10:56

    …é notória a insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia…

    Será mesmo com a Democracia ???

    Não será antes com o preço do bife ?

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  4. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    27 Abril, 2008 11:14

    …é notória a insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia…”

    Como sabem?
    Perguntaram: está satisfeito com o estado da democracia?
    O que nao perguntaram, foi porque estao insatisfeitos. E a resposta seria estarem insatisfeitos proque o partido deles perdeu. Sentem assim uma espécie de claustrofobia democrática por nao estarem no poder.

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  5. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    27 Abril, 2008 11:28

    Por mais que tente nao consigo saber no estudo como era constituída a amostra por faixa etária. Alguém me sabe dizer?

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  6. Zé Bonito's avatar
    27 Abril, 2008 11:39

    “Os portugueses são claramente favoráveis a medidas que aumentem a presença de mulheres na vida política, criem novos mecanismos de participação, personalizem o sistema eleitoral e introduzam mecanismos de democracia directa ou semidirecta. Esse apoio é mais intenso que no caso espanhol, traduzindo, eventualmente, a maior insatisfação dos portugueses com o funcionamento actual da sua democracia. Os jovens não se distinguem particularmente dos mais velhos a este nível, a não ser ao revelaram-se mais apoiantes da democracia directa”.

    As conclusões não podem ser as que têm sido feitas por alguma comunicação social e, até, pelo Presidente da República. O que isto quer dizer é que não se acredita muito na chamada democracia representativa e nas suas estruturas tradicionais (nomeadamente os partidos). Agora que há disponibilidade para intervir, usando novas formas de participação mais directa, lá isso há.

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  7. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    27 Abril, 2008 11:53

    ” usando novas formas de participação mais directa, lá isso há”
    nota-se pela participaçao avassaladora nso referendos

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  8. Zé Bonito's avatar
    27 Abril, 2008 18:59

    “nota-se pela participaçao avassaladora nso referendos”

    Mais um excelente exemplo. As pessoas não aderem a causas que não sejam elas próprias a definir. Excelente exemplo, ó anónimo.

    Aqueles que continuam a pensar que a simples gestão de uma freguesia é do domínio das ciências ocultas, só acessível a “eleitos” pelo Altíssimo, vão ter alguma dificuldade em gerir (e, sobretudo, digerir) esta “crise”.

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