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16 Maio, 2008

Legislar a ortografia? por Pedro Machado.

21 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    16 Maio, 2008 10:26

    A ortografia já está legislada.

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  2. LPedroMachado's avatar
    16 Maio, 2008 11:02

    Obrigado pela menção.

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  3. RV's avatar
    16 Maio, 2008 11:14

    Bom texto. Discordo da mudança arbitrária deste acordo mas reconheço a necessidade da padronização. Não precisa de ser imposta mas pode ela mesmo impor-se, pelo reconhecimento dos que a usam.

    Quanto ao que aqui se refere sobre a língua inglesa e, acrescentaria eu, sobre o alemão, falta um aspecto fulcral para explicar porque não precisaram de nenhuma academia de letras para padronizar a língua. Refiro-me ao facto da bíblia ter sido impressa em inglês, no inglês corrente da época, o que serviu como a referência linguística de facto.

    Leituras:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Luther_Bible
    http://en.wikipedia.org/wiki/William_Tyndale
    http://en.wikipedia.org/wiki/Early_Modern_English

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  4. RV's avatar
    16 Maio, 2008 11:21

    “RV Diz: O seu comentário aguarda moderação. ”

    Que giro 🙂

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  5. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    16 Maio, 2008 11:37

    RV,
    o sistema do wordpress que usamos, quando detecta vários links num comentário, e por forma a evitar spam suspende o comentário até o mesmo ser aprovado.
    É um medida preventiva, automática, sem nossa interferência, a não ser o desbloqueio, que tem de ser manual.

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  6. RV's avatar
    16 Maio, 2008 11:46

    Imaginei que fosse isso, obrigado pelo esclarecimento. Num contexto liberal, achei giro 🙂

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  7. tina's avatar
    16 Maio, 2008 14:37

    Como é que se pode comparar as diferenças ortográficas que existem entre o inglês e o americano por exemplo, com as que existem entre o português e o brasileiro? O exemplo que o Pedro mencionou do “colour” é o exemplo que todos mencionam porque realmente é dos muito poucos que há!… No nosso caso é uma verdadeira selva ortográfica, cada segunda palavra é diferente. Para mim, esta falta de rigor é inaceitável e por isso concordo com o acordo ortográfico. É por isso que também defendo a ideia de uniformização do novo vocabulário tecno-científico que surge constantemente. Assim como está, cada um inventa os seus vocábulos ou deixa em inglês. Seria mais do que bem-vindo também um acordo na área do vocabulário. Todas as novas palavras são bem-vindas mas que sejam traduzidas da mesma maneira. Só quem trabalha na área tecno-científica é que se apercebe bem do problema existe.

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  8. Desconhecida's avatar
    Inculto permalink
    16 Maio, 2008 20:52

    “No nosso caso é uma verdadeira selva ortográfica, cada segunda palavra é diferente.”

    Sim? E qual é mais importante escrever acção/ação (ortografia) ou betão/concreto?
    A ortografia é uma pequena parte das diferenças que existem. Vamos também passar a usar mais o gerundio? Coitado do Camões que não teve ningém para retirar qualquer selva ortográfica da sua obra…

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  9. tina's avatar
    16 Maio, 2008 21:19

    A mais importante é sempre no sentido de simplificar. Ação melhor do que acção; concreto, betão sendo as duas possíveis, porq.

    “A ortografia é uma pequena parte das diferenças que existem”

    Mas a ortografia pode considerar-se correcta ou incorrecta enquanto as outras são estilos adoptados. Não sei como era no tempo de camõesquanQuanto à língua antiga, essa já era.

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  10. tina's avatar
    16 Maio, 2008 21:21

    Take II

    A mais importante é sempre no sentido de simplificar. Ação melhor do que acção; concreto, betão sendo as duas possíveis, porq.

    “A ortografia é uma pequena parte das diferenças que existem”

    Mas a ortografia pode considerar-se correcta ou incorrecta enquanto as outras são estilos adoptados. Não sei como era no tempo de Camões, se havia várias maneiras de escrever as mesmas palavras.

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  11. Sofia Ventura's avatar
    16 Maio, 2008 23:05

    Dúvidas quanto à votação? Conta-se, mais ou menos assim:

    http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=93570

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  12. LPedroMachado's avatar
    17 Maio, 2008 06:39

    «O exemplo que o Pedro mencionou do “colour” é o exemplo que todos mencionam porque realmente é dos muito poucos que há!…» (Tina)

    Isso não é verdade. Mencionei só esse porque não era necessário dar mais exemplos. Se tivesse seguido o link que pus lá, veria que não é assim. Eis um link melhor:

    http://en.wikipedia.org/wiki/American_and_British_English_spelling_differences

    Por acaso, seria interessante que alguém medisse essas diferenças (tendo em conta a frequência das palavras, claro!) para ambas as línguas.

    Mas ainda ninguém mediu a variação da divergência gráfica com e sem Acordo. Relembro que muitas palavras que até agora se escrevem da mesma forma cá e lá passariam (recuso-me a dizer passarão) a escrever-se de forma distinta: aspecto, concepção, etc. Também ainda não vi números acerca das novas divergências. E além disso, o Acordo não acaba com a tal “selva”. Simplesmente diz que agora já não é errado escrever facto no Brasil e fato em Portugal e que as duas formas serão correctas em todo o “império lusófono”… A isto chama-se chico-espertice. Facto continuará errado no Brasil e fato (em vez de facto) continuará errado cá. É que isso de certo e errado não é a lei que determina, por mais que o queiram.

    Mas o mais ridículo são mesmo os argumentos a favor do Acordo. Imaginam que a língua portuguesa vai ter mais projecção mundial porque deixará de haver algumas divergências gráficas. Não é essa divergência gráfica que prejudica a comunicação, o intercâmbio e a projecção da língua. O mais preocupante é que há gente que acredita mesmo nisso. Vivem num conto de fadas.

    «Seria mais do que bem-vindo também um acordo na área do vocabulário.»

    Isto é mais grave do que eu pensava. Agora também quer uma lei a impor que palavras vamos usar? Orwell não imaginaria melhor…

    Mas acha mesmo que isso funcionaria? Acha que em França as pessoas dizem “courriel” e “logiciel”? Já estou a imaginar as medidas: multas para quem prevaricar e usar uma palavra ausente da nomenclatura…

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  13. LPedroMachado's avatar
    17 Maio, 2008 06:45

    «Não sei como era no tempo de Camões, se havia várias maneiras de escrever as mesmas palavras.»

    No tempo dele a ortografia estava longe de se estabilizar. Na edição original d’ Os Lusíadas pode ver-se uma grande oscilação da grafia duma mesma palavra. Também o léxico era mais pobre. Devemos a Camões a existência de muitas palavras. É por isso e não só que se considera como moderno o Português a partir de Camões.

    Aliás, o próprio Camões contribuiu para alguma estabilidade gráfica, por causa do prestígio da obra. A estabilidade gráfica é uma consequência do uso, do estudo e das obras de referência. Foi o que aconteceu com o Inglês por causa da Bíblia, como disseram ali em cima. Decidir administrativamente as soluções gráficas não é garantia das melhores escolhas, é inútil e ilegítimo.

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  14. tina's avatar
    17 Maio, 2008 09:11

    “Isto é mais grave do que eu pensava. Agora também quer uma lei a impor que palavras vamos usar? Orwell não imaginaria melhor…”

    E é também grave que o Pedro fale tanto e não faça a mínima ideia da bagunça que se passa a nível do vocabulário tecnológico. Como é que a este nível pode haver duas palavras diferentes a significar a mesma coisa sem uma parte fazer minimamente ideia do que a outra esteja a falar a não ser que se inclua também o vocábulo em inglês entre parêntesis?

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  15. tina's avatar
    17 Maio, 2008 09:21

    “Por acaso, seria interessante que alguém medisse essas diferenças (tendo em conta a frequência das palavras, claro!) para ambas as línguas.”

    Eu sei por experiência própria que há poucas divergências ortográficas entre o inglês de várias nações comparado com o português e brasileiro. Li sempre muitos artigos científicos em inglês de várias nacionalidades e nunca me senti confrangida como quando leio artigos em brasileiro. É por isso acho que nós precisamos de uniformização enquanto eles não. Com o fim precisamente de preservar a língua portuguesa e acrescentar a beleza que advém do rigor.

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  16. tina's avatar
    17 Maio, 2008 09:38

    As pessoas são conservadoras por natureza e custa-lhes ter que escrever “ação” em vez de “acção”. Mas imaginem quando ainda se escrevia “pharmacia” em vez de “farmácia”. Não parece agora disparatada a primeira palavra? Pois, é o que vai parecer às gerações vindouras a palavra “acção” comparada com “ação”.

    Para mim é uma razão de orgulho que a língua portuguesa vá mudando e evoluindo, mostra um espírito aberto. O acordo ortográfico é mais um passo nesse sentido.

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  17. Desconhecida's avatar
    Inculto permalink
    17 Maio, 2008 10:51

    “Para mim é uma razão de orgulho que a língua portuguesa vá mudando e evoluindo, mostra um espírito aberto.”

    Grande orgulho que se mude por decreto. Uns tipos acharam que era melhor mudar a grafia de algumas palavras e fez-se luz (lei). Agora todos mudam até aos próximos tipos acharem o que é melhor mudar outra vez. Daqui a pouco estamos a adoptar o esperanto!

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  18. LPedroMachado's avatar
    17 Maio, 2008 12:23

    «E é também grave que o Pedro fale tanto e não faça a mínima ideia da bagunça que se passa a nível do vocabulário tecnológico.»

    Qual bagunça? Pode dar exemplos? E se houver essa bagunça, porque é que a comunidade afecta ao tal ramo onde há essa bagunça não se entende? Quer pôr deputados a escolher a melhor palavra técnica para isto ou para aquilo? Já pensou mesmo no que está a dizer? Esse problema é fácil de resolver sem a ajudar (perniciosa) de políticos.

    «Li sempre muitos artigos científicos em inglês de várias nacionalidades e nunca me senti confrangida como quando leio artigos em brasileiro.»

    Os artigos que leio em Inglês costumam vir com mistura de variantes, a não ser quando são escritos por nativos do mesmo país. Essa impressão que sente ao ler brasileiros deve-se provavelmente mais a diferenças não-ortográficas. Eu estou habituado a ler brasileiros e as diferenças gráficas não me incomodam nada. Mas não se esqueça que mesmo com o Acordo essas diferenças gráficas não desaparecem.

    «É por isso acho que nós precisamos de uniformização enquanto eles não.»

    Nós precisamos é de juizinho e de mais liberdade.

    «Não parece agora disparatada a primeira palavra?»

    Não vejo onde está o disparate.

    «Pois, é o que vai parecer às gerações vindouras a palavra “acção” comparada com “ação”.»

    É sempre o mesmo argumento: as pessoas acabam por se habituar… Esse argumento serve para tudo. Felizmente, o ser humano adapta-se a tudo. Mas a adaptação tem muitos custos. Para quê tanto esforço por causa duma coisa que não vai trazer benefícios significativos? Os custos do Acordo são muito maiores do que os eventuais benefícios.

    «Para mim é uma razão de orgulho que a língua portuguesa vá mudando e evoluindo, mostra um espírito aberto.»

    A língua portuguesa (i.e., a gramática e a fonologia) tem mudado e “evoluído”. Mas deixá-la em liberdade é o melhor caminho para que evolua, especialmente de “espírito aberto”…

    «O acordo ortográfico é mais um passo nesse sentido.»

    Até ser “preciso” proceder-se a nova reforma… Escrevi sobre isso hoje, aqui:

    http://departeincerta.blogspot.com/2008/05/legislar-ortografia-ii.html

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  19. RV's avatar
    17 Maio, 2008 13:32

    «Acha que em França as pessoas dizem “courriel” e “logiciel”?»

    Dizem. Pelo menos aqueles com quem trabalho! E também dizem octet (byte) e ordinateur (computer). Ao contrário do que cá se faz, os franceses têm uma entidade que adapta os neologismos ao francês antes deles entrarem na língua do dia-a-dia. Exactamente ao contrário do que cá se fez com dossier e croissant e do que se quer fazer com este acordo.

    O acordo ontem aprovado pelo parlamento (parlamentares a discutirem a língua como se fosse um acto político! – ainda se fossem exímios no uso da palavra…), dizia, o acordo de ontem não uniformiza nem simplifica. Portanto, é inútil. Muda por decreto, tal como esse que mudou “pharmacia” para farmácia. A diferença é que então sabiam ler e escrever uns milhares de portugueses e agora serão milhões.

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  20. tina's avatar
    17 Maio, 2008 17:53

    “Ao contrário do que cá se faz, os franceses têm uma entidade que adapta os neologismos ao francês antes deles entrarem na língua do dia-a-dia.”

    É exactamente isso que nós estamos a precisar. O Pedro pediu-me para dar exemplos e aqui vão. Do livro de Engenharia Genética, Princípios e Aplicações, até à página 29 encontrei estes vocábulos todos deixados em inglês ou que exigiam explicações complicadas em português só porque não existe uma tradução directa para o português: frameshift, primer, leading chain, mismatch repair, patched products, spliced products, crossing-over, branch migration, nonsense, missense, anti-sense, codão stop. Isto cobre apenas 10% do livro. Em biologia deve haver umas 500 palavras a precisar de tradução. Em informática ainda mais. Todas as novas tecnologias estão completamente às escuras em relação a que palavras adoptar.

    Ninguém disse que seriam os políticos a tratar disso. Mas deve ser uma entidade estatal responsável pela língua portuguesa a nomear cientistas para esta tarefa preferivelmente em conjunção com autoridades brasileiras. Os brasileiros publicam muito mais do que nós e inventam muito mais já que a língua portuguesa actual está completamente inadaptada aos tempos que correm.

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  21. tina's avatar
    17 Maio, 2008 17:57

    “Mas deixá-la em liberdade é o melhor caminho para que evolua, especialmente de “espírito aberto”…

    É precisamente assim que se criam várias línguas e se formam dialectos.

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