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Soluções de curto prazo -> problemas a longo prazo

17 Setembro, 2008

Qual é então a solução para a crise financeira? João Pinto e Castro quer taxas de juro mais baixas. Miguel Frasquilho quer taxas de juro mais baixas.

As taxas de juro mais baixas são paliativos de curto prazo com custos de longo prazo. Sendo a crise financeira um problema sistémico e não um problema conjuntural, porque é que, João Pinto e Castro e Miguel Frasquilho não fazem uma análise de ciclo das medidas que defendem? Se calhar ainda teriam que concluir que a causa dos problemas sistémicos é precisamente manipulação das taxas de juro por razões curto prazo.

5 comentários leave one →
  1. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    17 Setembro, 2008 14:52

    Como funciona a economia neo-liberal:
    Uma vez, num lugarejo, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos por €10 cada. Os aldeões, sabendo que havia muitos macacos na região, foram à floresta e iniciaram a caça aos macacos.
    O homem comprou centenas de macacos a €10 e então os aldeões diminuíram o seu esforço de caça.
    Aí, o homem anunciou que pagaria €20 por cada macaco e os aldeões renovaram os seus esforços e foram novamente à caça. Logo os macacos foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram desistindo da busca. A oferta aumentou para €25 e a quantidade de macacos ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça. O homem então anunciou que agora compraria cada macaco por €50! Entretanto, como iria à cidade, deixaria o seu assistente cuidando da compra dos macacos.
    Na ausência do homem, o assistente disse aos aldeões:
    – Olhem todos estes macacos na jaula que o homem comprou. Eu posso vender-vos por €35 e, quando o homem voltar da cidade, vocês podem vender-lhe por €50 cada.
    Os aldeões, muito espertos…, pegaram nas suas economias e compraram todos os macacos do assistente.
    Nunca mais viram nem o homem nem o seu assistente, somente macacos por todos os lados.
    E viva o liberalismo!…

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  2. jcd's avatar
    17 Setembro, 2008 15:12

    Só vejo uma solução para isto. É preciso criar um Instituto de Regulação do Comércio dos Macacos que crie meia dúzia de regulamentos para evitar estes casos de burla.

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  3. Desconhecida's avatar
    17 Setembro, 2008 16:03

    Muito interessante este post, os dois posts de JPC e MF e por último, a estória elucidativa do comentador Pi-Erre.
    Miguel Frasquilho sempre demonstrou ter um perfil agressivo em termos de novos paradigmas económico-financeiros. Foi favorável à redução de impostos numa altura em que reconhecidos economistas (incluindo MFL) manifestavam opinião contrária, e partilha agora da política de redução das taxas de juro, por oposição às linhas condutoras do BCE, nessa matéria.
    Eu até concordo com o seu ponto de vista. O Euro sobrevalorizado não é favorável às exportações: o motor do crescimento economico. No entanto, o dólar ao encontrar-se numa fase de depreciação, a UE consegue comprar o crude a preços mais vantajosos, podendo, assim, beneficiar a actividade económica no seu todo, as exportações em particular.
    Mas, infelizmente, a economia possui também um efeito moralizador na sociedade, e, é através dela que se corrigem os desajustes em relação à realidade objectiva – que é aquela com que nos defrontamos agora -, provocados pela ganância das instituições financeiras em querer tudo e mais alguma coisa…

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  4. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    17 Setembro, 2008 17:23

    As baixas das taxas de juro foram uma das razões que fez aumentar os pedidos de crédito…

    “provocados pela ganância das instituições financeiras em querer tudo e mais alguma coisa…”

    Pensava que tinham sido os clientes a pedir crédito para comprar não deixando margem para uma subida das taxas.

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  5. Desconhecida's avatar
    17 Setembro, 2008 19:35

    «Pensava que tinham sido os clientes a pedir crédito para comprar não deixando margem para uma subida das taxas»

    E o aliciamento dos cidadãos por parte das entidades de crédito que utilizam estratégias de marketing, aparentemente à prova de cidadão indefeso, possuidor de todo o tipo de carências e, em alguns casos, declaradamente, um consumista compulsivo?

    É dever da entidade financeira fazer uma análise de risco séria e rigorosa sobre a capacidade de liquidez do seu cliente, presente e futura. É o mínimo que se pode exigir dos operadores bancários face aos investidores que neles depositaram a sua confiança.

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