O fim de um ciclo
Batista Bastos no DN:
A consciência de que terminou um ciclo do capitalismo tem passado ao lado daqueles eventualmente mais apetrechados para descodificar e proceder à reformulação das grandes categorias económicas.
[…]
Já se viu a falência do “socialismo real” e estamos a assistir à queda da infausta experiência do “neoliberalismo”. […]
O fim de um ciclo. A queda do neoliberalismo. José Sócrates chama-lhe um momento histórico. Há aqui a crença de que conseguimos identificar “fins de ciclo”, “momentos históricos” e quedas disto e daquilo no preciso momento em que estão a acontecer. Para uma perspectiva ligeiramente diferente recomendo a leitura deste post:
But instead of reading histories of the Great Depression, suppose we went into the archives of the newspapers of the time — the “Wall Street Journal,” the “New York Times” — and, say, from 1929 to 1935 read the stories, day-by-day, the analysis and the commentaries and interpretations of what was happening and where it was leading.
I would suggest that virtually no one knew where the process was leading. Because it depended upon the “complex phenomena” of individual decisions, political policy choices, ideological influences, and everyday actions based on the expectations held at each moment in time.
And these intersecting actions and events generated the unique path-dependent process that we call the history of that time.
All of our analysis, expectations and predictions should be implicitly framed with the inescapable humility of what our limited minds can know about the workings of our world.

Fim do Ciclo…
…banks in China have issued tens of millions of credit cards in recent years. Today, more than 100 million are in circulation among China’s 1.3 billion people, up from just 3 million in 2003, according to analysts and bankers.
Unlike American credit card companies, which are cutting back because of rising delinquencies, Chinese banks are stepping up their marketing of plastic. In the next five to 10 years, analysts say, China could issue 1 billion new cards, largely to a mass market that has little experience with credit…
http://www.chinapost.com.tw/china/c_business/2008/10/27/180571/Chinese-credit.htm
Por falar “Momento Histórico” já estou a ver um sketch Monthy Phytonesco com cada frase do PM e um coro a dizer “Momento Histórico”.
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E relacionado com a capacidade de analisar tendências está este curioso artigo do TheGuardian sobre as suas próprias notícias acerca de Hitler no início dos anos 30 :
http://www.guardian.co.uk/education/2007/nov/14/research.highereducation
In an article on September 21 that year, the Observer echoed the widely held belief on the left that Hitler was the creature of big capital. It saw the real dangerman not as Hitler, but as the media tycoon and leader of the German National People’s party, Alfred Hugenberg. The “Hugenberg manoeuvres”, it stated, had aimed to promote both Communists and Nazis as a vehicle to weaken the organised working classes. “Hugenberg, and not Hitler, will ultimately call the Nazi tune.”
A week later, the newspaper dismissed Hitler as “dramatic, violent and shallow”, and “a lightweight”, seeing him as “not a man, but a megaphone” of the prevailing discontent, fronting a militarist reaction, which would mean the destruction of peace. The newspaper went on to claim, remarkably, that Hitler was “definitely Christian in his ideals”, and, even more strangely, that these matched the ideals of German Catholics.
The Guardian thought on September 25 1930 that the exclusion of the Nazi party from Reich government, given its electoral success, was not in the best interests of German democracy and that their involvement would “in the long run … help to perpetuate this democracy”.
…
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E as taxas do FED devem vir para 1% hoje…Continua-se a tentar apagar o fogo com mais fogo…
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E a casinha da Câmara? Foi entregue ao carenciado Baptista Bastos pelo socialismo real ou pelo neoliberalismo?
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Pois… ao fim e ao cabo tudo é sempre muito complicado. Só para a cabeça de alguns é que que tudo é simples…
Por exemplo, “Não se regule os mercados financeiros, que eles hão-de funcionar sozinhos em salutar concorrência”. É simples não é?
Mais simples do que isto não há, caro JM.
Outro exemplo de simplicidade – os bancos, com a desculpa de não darem sinais de qual é que possa estar em maiores dificuldades, decidem “concertar” posições e aceder, todos, às garantias dadas pelo governo.
Graças a Deus que temos entidades reguladoras que estão atentas.
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O JM ainda nao conseguiu comprender que o capitalismo nao só nao ruiu senao que anda em um dos momentos mais “brilhantes” da sua historia, só tem que cambear a direçao da sua mirada (Vg. China, India)e ver como a gente anda talvez com demasiada premura para apontarse…
Mas é quando paresce numantino em continuar perseverando e na defensa de creenças que desafortunadamente a avaricia de uns poucos deu no traste dessa “aventura” neoliberal/global do capitalismo. E só cambear de leituras para “iluminarse”.
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“Graças a Deus que temos entidades reguladoras que estão atentas.”
Ai esse humor 🙂
Uma nota sobre este post… o que mais se vê por aqui é mesmo humildade, mesmo quando estão errados em toda a linha.
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««Por exemplo, “Não se regule os mercados financeiros, que eles hão-de funcionar sozinhos em salutar concorrência”. É simples não é?»»
Duvido que o anónimo consiga explicar a teoria liberal sobre a regulação. Olhe que não é tão simples como pensa.
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terá sido o neo-liberalismo ou o socialismo real que deu a casinha ao “artista” ?
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Money talks, bullshit walks.
Ontem, o Dow, o S&P 500 e o Nasdaq subiram 10%. Exactamente, 10%. Para muita gente, foi o “fim da crise”.
Como Jorge Palma, “deixa-me rir”!
A festa vai durar muito. Não sei se muitíssimo.
Quanto ao fim do capitalismo ou do liberalismo, lembro-me logo dos pólos Ralph Lauren do Miguel Portas! Consta que o Miguel portas não compra na “boutique – alcofa”, vulgo na feira dos ciganos!
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repeti 4 , não tinha visto
mas de facto é o que salta logo quando se vê mais um arauto dos novos tempos e logo o BB da casinha
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altos e baixos nas Bolsas era milho … agora é que anda tudo nervoso … e atento que por uma subida das cotações … a crise acabou … por descida …é a morte do capitalismo.
uma tontice
foram é apanhados na irresponsabilidade de viver acima do que ganham … por credito fácil… e agora … ai , ai , ai , ai … O BAPTISTA BASTO é que SABIA QUE ISTO DE VIVER DO CREDITO ERA MEIO PERIGOSO .
NÃO EMBARCAVA NISSO DE CREDITOS E SUBPRIMES E ARRANJAVA UMA CASITA JUNTO DO PODER POLITICO .
esperto…
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Tenho tb a impressão que agora qualquer pequema oscilação da bolsa , ou constipação numa qq empresa US “é crise do capitalismo”
é preciso é fazer render até ás eleições …
está a candidatar-se a Salazar , um dia faz um plebiscito , ou então vai numa de peronismo e arranja uma evita para dar pão aos pobres
a malta gosta é de assistencialismo, dantes era a igreja , depois o estado novo , agora é o adiantado mental…
não foram previdentes e venderam a Liberdade por um cartão de credito ilimitado que pensavam não ter de pagar … agora aparece o “paizinho dos povos sem computador pessoal ” a prometer ajuda aqueles em dificuldades … realmente Goebells era um amador ao pé desta malta do aumento do salário minimo nesta conjuntura
ainda vão criar uma organização TODT para os trabalhadores e colónias de férias na Frisia , e excursões de paquetes ao Baltico … tudo acompanhado por Magalhães em banda larga
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O Baptista Bastos…..talvez daqui por 10 anos, se livre da mácula da “minha alegre casinha”.
Até lá, bem pode dizer que “está com a classe operária e com os trabalhadores”, que cheira …..a pura indigência intelectual!
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Sim, podem ter sido os socialistas que lhe deram a casinha mas nunca o socialismo!…
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“Há aqui a crença de que conseguimos identificar “fins de ciclo”, “momentos históricos” e quedas disto e daquilo no preciso momento em que estão a acontecer.”
A queda do Muro de Berlim foi identificada no preciso momento em que estava a acontecer.
A queda do comunismo foi prevista muito antes (Emmanuel Todd e váriosoutros.
Só Deus e o neoliberalismo são eternos…
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Mas, também se pode pensar num outro aspecto: a globalização acelerou o liberalismo e portanto temos que voltar à “velha fronteira”.
Só que isso, vai custar muito, se é que é possível.
É que o mundo de hoje, é muito diferente de 1990. A Bélgica tem um peso no FMI superior à China. É verdade. Esta situação tem que mudar. Ou então, há guerra…..Há situações que já não andam para trás!
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O batista com a idade está a ficar mais realista. Há muito pior por aquelas bandas.
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Se é o fim ou não… ninguém sabe !
Apesar do muro de berlim marcar simbolicamente o fim de uma era, o facto é que continuam a militantes ferrenhos comunistas, alguns regimes pouco recomendáveis e uns quantos saudosistas disfarçados de “esquerda séria e progressista”.
Eu arriscaria (qual bruxo!) que daqui a 10-20 anos o neoliberalismo estará na estante, logo a seguir ao Comunismo. Teenagers com tshirts de Friedman! A estocada final.
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Até o Baptista Bastos já descobriu aquilo que já é uma evidência: os mercados (deveria escrever o Mercado?) não se autoregulam.
Sem regulação ou com má regulação, prevalece a Lei do Mais Forte.
Vinte séculos de História já nos tinham ensinado isto, mas em vinte séculos também se esquece muita coisa.
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Caro JM, parece-me que estarmos diante de uma crise financeira envolvendo valores que há muito não se viam, que força os Estados a injectar capital na economia, e leva grandes homens do neoliberalismo (Paulson, Greenspan, etc.) a reconhecer erros e a pedir intervenção administrativa pública na coordenação dos mercados, configura certamente uma circunstância que se destaca de quanto tenha existido nos últimos 30 e muitos anos pelo menos. Ora, um acontecimento que se destaca dos restantes durante um período longo é, por definição, um acontecimento histórico. Inquestionavelmente.
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Então não é que a crescimento dos cartões de credito e do credito em si …na china, é mesmo o fim do capitalismo?
Ahhhh bom…..o cartão de credito é a mais antiga “descobrida” do socialismo…só pode.
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Capitalismo, Neoliberalismo, Comunismo, Socialismo, Keynesianismo, tudo termos “históricos”. Estamos no sec.XXI. Ninguém nos vai tirar o cartão de crédito.
Camaradas liberais, que tal virar a página ?
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Esta história de liberalismos intervencionismo etc, recorda-me a polémica darwinismo (capitalismo), criacionismo (socialismo). Ou estarei a extrapolar?
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“Eu arriscaria (qual bruxo!) que daqui a 10-20 anos o neoliberalismo estará na estante, logo a seguir ao Comunismo.”
Será que quiz dizer 10-20 semanas?
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26,
Não há oposição entre capitalismo e socialismo.
O socialismo é um capitalismo de Estado.
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Como em tudo, há sempre aqueles que costumam ser mais papistas que o papa.
O Greenspan, já enterrou o neoliberalismo. Mas o Joâo Miranda, ainda se recusa a rezar-lhe o responso.
Ao contrário da história de Mark Twain que gozava com a notícia da sua própria morte, Greenspan, deu-lhe o golpe de misericórdia.
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O importante é a malta passar a vítima.Como?Endividar-se muito e depois colocar-se na mão do estado… a gozar dos rendimentos…
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João Miranda está como aquelas viúvas, que depois da morte do marido falam do defunto a toda a gente como se estivesse vivo.
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“J Diz:
29 Outubro, 2008 às 10:34 am
O Baptista Bastos…..talvez daqui por 10 anos, se livre da mácula da “minha alegre casinha”.
Nessa altura já lhe devem ter dado outra casinha, mas no Alto de S. João.
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Gostava de deixar aqui um comentário que Luís Campos e Cunha fez no Sedes.pt. Penso que tem o seu interesse:
“# L. Campos e Cunhaa 29 Out 2008 as 15:46
Estou globalmente de acordo com Egas Salgueiro. A ideia de que se ressuscitou Keynes é de quem pouco sabe de macroeconomia, pois Keynes nunca morreu, foi melhorado. Tal como ninguém esqueceu Einstein, apenas se construiu mais ciência sobre o que ele produziu.
Quanto a mais regulação fico igualmente preocupado: primeiro, ainda nem sabemos tudo o que passou ou vai passar; segundo, quase ninguém tem estudado porque é que as coisas correram mal. Fazer a prescrição sem ver as análises pode ser a morte do paciente.
Já agora, há dias um colega de finanças ensinou-me que os CDO (Collateralized Debt Obligations), que tiveram um papel importante no desenvolvimento da crise, tinham um prospecto de 750 mil páginas ! Ou seja, talvez mais regulação não seja o necessário, talvez melhor e mais abragente fosse melhor ideia. A ver vamos.”
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Em relação ao Baptista Bastos, esta merda das casas já passou e foi explicada, leiam um blog chamado “Africa minha” e umacarta a propósito disto:Ó camionista: és mesmo um F da P que te pariu entre quatro rodas no parque eduardo VII; em relação ao j eu conheço-te e sei que és impotente, o qui pense é literalmente gay frustrado que não assume de extrema direita: não és o “alter-ego” do Portas?!
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