Retórica ambiental – o caso da União Europeia (posts para ler em 2020)
A União Europeia foi muito celebrada por ter decido baixar as suas emissões de CO2 em 20%. Os celebrantes não prestaram muita atenção aos detalhes. A redução tem como ponto de referência o ano de 1990. Desde 1990 até ao presente, as emissões europeias caíram 8%, sobretudo graças reestruturação industrial do Leste Europeu. Restam 12%. Destes, 3% podem ser reduzidos através e projectos de desenvolvimento de energias limpas em países sub-desenvolvidos. Restam cerca de 9%. Como cada país pode ultrapassar a sua meta em 5 pontos percentuais, na prática os países europeus comprometeram-se a reduzir as emissões actuais em 4%. Estes 4% podem ser facilmente obtidos graças aos ganhos tecnológicos e de interligação das redes europeias. Ou seja, os europeus comprometeram-se a fazer aquilo que de qualquer das formas iria acontecer. Por outro lado, o acordo enfraqueceu desde já a posição negocial da UE perante o resto o mundo. Isto porque a União Europeia já se comprometeu a reduzir as suas emissões em 30% (o que corresponde a 14% das emissões actuais) se houver um acordo mundial. Não se percebe como é que um grupo de países que fez um enorme esforço para reduzir as emissões em 4% vai conseguir reduzir as emissões em 14%. A não ser que a posição da UE seja puramente retórica.
