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Cuidado que a forma está quente

30 Dezembro, 2008

É frequente ouvir pessoas dizer que foram mal tratadas no Serviço Nacional de Saúde. Tempos de espera elevados, pessoal médico antipático e mesmo bruto, médicos que não explicam ao doente o que é que lhe estão a fazer e o que é que ele tem. As pessoas resignam-se. Quando as mesmas pessoas são mal tratadas num restaurante, não se resignam. Retaliam. Nunca mais lá voltam. Consideram a situação inadmissível. Se calhar é por isso que as lojas de fast food têm padrões de atendimento ao cliente superiores aos do Serviço Nacional de Saúde.

46 comentários leave one →
  1. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    30 Dezembro, 2008 13:06

    O post é pertinente, porque toca num ponto essencial. A falta de alternativa dos utentes do SNS. Mas daí a dizer que “as lojas de fast food têm padrões de atendimento ao cliente superiores aos do Serviço Nacional de Saúde.” vai alguma distância.

    Desde logo, porque na maioria dos casos , aos utentes do SNS é servido filet mignon e não um hamburger com batata frita e um molho rasca. Para além do tipo de serviço que é prestado ser totalmente diferente. E sobretudo o estado emocional de quem recorre a um SU ou a uma consulta num Hospital, muitas vezes fragilizado por uma doença. que o torna mais vulnerávela tudo. Até a irritar-se com a espera ou com o atendimento.

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  2. jojoratazana's avatar
    30 Dezembro, 2008 13:31

    Sr. João Miranda
    É muito feio falar do que não se conhece.
    O SNS não é aquilo que o Sr. pensa que é.
    Mal dos Portugueses se um dia lhes falta o SNS os serviços de saúde privados são só um bocadinho piores.
    Não seja alarmista nem boateiro.
    JOJORATAZANA

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  3. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    30 Dezembro, 2008 14:07

    “…é por isso que as lojas de fast food têm padrões de atendimento ao cliente superiores aos do Serviço Nacional de Saúde.”

    Sendo assim, quando alguém estiver doente deve ir à loja de fast food mais próxima.

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  4. Piscoiso's avatar
    30 Dezembro, 2008 14:16

    Well… se um paciente fosse ao SNS só para pedir uma dose disto ou daquilo, era fixe.
    Experimente pedir às empregadas do McDonalds um diagnóstico aos seus testículos.

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  5. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    30 Dezembro, 2008 14:22

    Vocês estão de tal forma baralhados que até conseguem defender que o grau de especialização e o grau de importância da saúde são justificações para que as pessoas sejam mais mal tratadas num hospital que numa pizzaria.

    És saudável e tens apenas fome, então é natural que te tratem bem.

    Estás debilitado, vulnerável, doente e não consegues tratar de ti próprio, então é natural que te desrespeitem.

    Que confusão vai nessas cabeças.

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  6. Desconhecida's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    30 Dezembro, 2008 14:28

    Deus nos livre de ter de recorrer aos médicos .
    Mas quando tiver de ser que seja num sistema que providencie assistência médica generalizada e tendencialmente gratuita.
    QUE PELO MENOS PARA ISSO SIRVAM OS IMPOSTOS … NO MINIMO PARA ISTO .

    No privado que sirvam lá aquelas cirurgias de aumentar mamas e retirar badochas … quero lá saber.

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  7. Piscoiso's avatar
    30 Dezembro, 2008 14:36

    Para o JM, parece que é só uma questão de atendimento.
    Que se resolveria se os hospitais contratassem as empregadas do McDonalds para atenderem os doentes.
    Oferecendo uma folha de alface enquanto esperam.

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  8. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    30 Dezembro, 2008 15:00

    Eu acho que os médicos devem tratar bem as pessoas e que quando os médicos não tratam bem as pessoas, estas devem reclamar. E pronto, não estou a ver de repente que outro comentário possa ser feito sobre o assunto. Quanto às alternativas, há por aí montes de excelentissimos Doutores MacDonalds.

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  9. Desconhecida's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    30 Dezembro, 2008 15:04

    ALERTA TÓTÓ

    MOTAENGILADA EM CURSO

    Medida aplicada de forma excepcional nos próximos dois anos
    Obras públicas até cinco milhões de euros podem ser feitas por ajuste directo
    30.12.2008 – 14h31
    Por PÚBLICO
    Nos próximos dois anos, as obras públicas cujo valor não exceda os 5,15 milhões de euros podem ser atribuídas a uma empresa ou consórcio de empresas por ajuste directo, aprovou hoje o Conselho de Ministros.

    Igual procedimento pode ser adoptado para a compra ou locação de “bens móveis ou compra de serviços”, desde que os contratos celebrados não ultrapassem os 206 mil euros.

    O Governo justifica estas medidas com a necessidade de acelerar os procedimentos da contratação pública e de ver concretizados, mais rapidamente, os projectos idealizados pelo Estado, que hoje podem demorar o triplo do tempo para serem implementados.

    Assim, os prazos dos procedimentos burocráticos das obras públicas passam dos actuais 103 para 41 dias na fase de negociação e de 96 para 36 dias quando o anúncio seja preparado e enviado através da Internet.

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  10. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 15:05

    Há poucos anos, o meu pai, com cerca de 80 anos, foi parar às urgências, por causa de desequilíbrios e perda de flexão no pé direito. Já sofria antes de DEPOC ( deficiência respiratória crónica).

    Os exames diagnósticos que lhe fizeram, apontaram inexoravelmente para um…AVC. Passadas cerda de duas horas cheguei ao hospital para saber o que se passava e procurei falar com o médico que o atendera e diagnosticara. Confirmou: AVC. perguntei se o poderia ver. Que não, porque era arriscado no estado em que estava e que voltasse mais tarde. E insisti: e onde está, agora? Lá em cima, no piso X. Saí do cubículo e parei no corredor. De repente ouvi uma voz lá ao fundo, por entre as diversas macas alinhadas pelo muro do corredor das urgências: Zé!

    Vi o meu pai com a cabeça levantada e depois a contar-me o que lhe tinham feito. Estava sozinho e tinha em cima da maca, um molho de papéis que comecei a folhear. Dali a minutos, saiu de nenhures um tipo de bata verde e diz-me secamente que não podia estar a ler aquilo. Retorqui-lhe que o doente era meu pai que estava ali parado há mais de uma hora e vira perfeitamente que estava a ler o que lhe dizia respeito. Arrancou-me secamente as folhas da mão. Claro que o caldo não entornou logo ali, porque o meu pai me pediu para nada fazer.

    Foi para cima, para o tal piso de cuidados e horas depois voltei ao lugar.

    O médico neurologista, meu conhecido e colega de liceu, aparece-me com os papéis, na enfermaria colectiva ( três camas) a dizer: “Era um artefacto”, ipsis verbis. Ou seja, não havia AVC. Tinha sido falso alarme.

    Em resumo: se fosse um AVC, o meu pai, tinha embarcado. Esteve mais de uma hora no corredor das urgências à espera que um enfermeiro o levasse ao sítio certo. O tipo, não fez o que devia fazer, enganando o próprio médico que julgava o meu pai já noutro sítio.

    Depois disto, que mais poderia fazer? Uma queixa ao MP? Pois sim. Eu sei como funciona o MP.

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  11. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    30 Dezembro, 2008 15:11

    “Experimente pedir às empregadas do McDonalds um diagnóstico aos seus testículos.”

    Isso é feito na Pizça Hut.

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  12. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    30 Dezembro, 2008 15:15

    “Eu acho que os médicos devem tratar bem as pessoas e que quando os médicos não tratam bem as pessoas, estas devem reclamar.”

    Principalmente se estiverem em estado de coma.

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  13. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 15:24

    O bem mais importante que cada um tem,é a vida. Não é o património.

    Logo, quem trata desse bem supremo, tem responsabilidades acrescidas e deve ser responsabilizado pela negligência no exercício da sua profissão.

    A violação das legis artis, em medicina, pode gerar responsabilidade penal, mas a responsabilidade civil, é o principal factor de obrigação à atenção ao doente.

    Em Portugal, é raro, um médio ou enfermeiro serem condenados por negligência na profissão.

    E é raro, porque os colégios de especialidade, são muito avaros em reconhcer deficiências na actuação dos pares.

    Corporativismo? Absolutamente.

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  14. Pedro C.'s avatar
    30 Dezembro, 2008 15:35

    O nosso SNS não fica barato aos contribuintes. Há até quem diga que há congéneres que têm uma melhor relação preço/qualidade. Tratando-se de um serviço público – não presta favores a ninguém – como todos os serviços públicos, tem obrigação de tratar toda a gente a que ele recorre com decência, urbanidade e, talvez não seja exigir muito, com competência. Contudo, a qualidade do relacionamento em Portugal, face ao episódio do Estatuto dos Açores, é o que se vê. E, como diziam os militares, o exemplo deve sempre vir de cima; o que, pelos vistos, não está a acontecer, nem em cima, nem em baixo!

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  15. Spartakus's avatar
    30 Dezembro, 2008 15:55

    Será tudo isso mas, cuidado com as generalizações e veja-se sempre caso a caso.
    Exemplo pessoal:
    Um serviço dito de ” excelência “, cardiologia, HUCoimbra, tem elevados padrões de sucesso porque só opera casos com elevada probabilidade de sucesso.

    Como estava a morrer e tinha, ( tenho ), data de validade, o Santa Maria, ( sem condições nenhumas, é verdade ), arriscou: uma equipa pouco falada que em 10 horas fez o que era ” impossível “. 4 dias depois estava em casa e os 6 meses a um ano que tinha de prazo, já são 4 anos.

    Verdade. Apesar de até me terem arranjado depois dos CI um espaço mais privado, da comida ao pessoal, o serviço era péssimo.Excepção: felizmente aos médicos, excelentes, juntava-se uma data de pessoal de enfermagem…espanhol. O inferno era apanhar os portugueses.

    Pequenos aparentes nada que explicam só de si, muita coisa. Não é só um problema do Sistema, mas de quem faz o dito e como o faz.

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  16. Piscoiso's avatar
    30 Dezembro, 2008 15:56

    …médicos que não explicam ao doente o que é que lhe estão a fazer e o que é que ele tem. “

    O médico pode dizer que está a fazer uma biopsia, porque ele (paciente) tem uma neoplasia.
    Se o hospital estiver bem apetrechado, até mostram um vídeo a explicar.

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  17. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    30 Dezembro, 2008 16:15

    “…médicos que não explicam ao doente o que é que lhe estão a fazer e o que é que ele tem…“

    Gostava de ver quantos clientes o macdonalds, e a pizza hut tinham se explicassem aos clientes como fazem os hamburguers e as pizzas…

    .. se não gostares da pizza hut, vais à telepizza, se não gostares do restaurante x , vais ao Y, ….
    Se não gostares do SNS, onde arranjas equivalente pelo mesmo preço? O que concorre com o SNS, pelo mesmos utentes? O SNS?

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  18. Nuspirit's avatar
    Nuspirit permalink
    30 Dezembro, 2008 16:21

    O post toca num ponto muito pertinente. È um “pequeno” exemplo, mas traduz toda uma mentalidade, que, diga-se, muito nos tem prejudicado. Eu até arriscaria dizer que é a principal causa do nosso atraso. Pelo que percebi, o post não põe em causa a existência do se um serviço de saúde público. Apenas questiona a mentalidade instalada no funcionalismo público, que se julga superior ao comum dos cidadãos, quando são justamente estes a razão de ser daqueles. A este propósito Pedro Arroja tem uma série de postas muito boas.

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  19. Piscoiso's avatar
    30 Dezembro, 2008 16:23

    É assim a modos de um sem-abrigo ir à sopa dos pobres e exigir que lhe digam os ingredientes da sopa.

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  20. Nuspirit's avatar
    Nuspirit permalink
    30 Dezembro, 2008 16:27

    Aqui vai um post de Pedro Arroja encontrado ao acaso:

    “Em Portugal, chamam-se genericamente contribuintes e a linguagem legal, que é ainda pior, designa-os por sujeitos passivos do imposto. Onde existem sujeitos existem também senhores e estes são os homens que, em cada momento, exercem funções na administração fiscal.

    Esta relação senhorial, na área fiscal como em outras, é até a matéria em Portugal de uma ciência – na realidade, da maior farsa intelectual que no país passa por ciência -, a qual regula as relações de domínio e sujeição – a ciência do direito administrativo.

    No Canadá, chamam-se genericamente taxpayers e a linguagem legal, que é muito melhor, designa-os por clients. O termo subject – sujeito – não tem utilização na linguagem comum canadiana e só é utilizado pelos historiadores quando se referem a certas sociedades antigas. Nem poderia ser de outro modo. Numa democracia, todos os cidadãos são iguais, independentemente das funções que, a cada momento, desempenham na sociedade. Não existe lugar à distinção entre sujeitos e senhores.

    O Estado é visto no Canadá como o fornecedor de um conjunto de bens e serviços à população – educação, saúde, transportes públicos, justiça e segurança, etc. Estes bens e serviços possuem um custo e, por isso, também um preço que é cobrado à população de uma forma composta e sob a designação de taxes. (A designação portuguesa de impostos, do verbo impôr, invoca a relação senhorial; esta invocação não existe na designação anglo-saxónica de taxes).

    Em Portugal, então, a relação entre os homens que trabalham na Administração Fiscal (Direcção Geral das Contribuições e Impostos – repare-se na designação) e os contribuintes (sujeitos passivos do imposto) é uma relação entre senhores e súbditos – e, portanto, uma relação de domínio. Pelo contrário, no Canadá, a relação entre os homens que trabalham na Canada Revenue Agency (repare-se na designação) e os taxpayers (clients) é uma relação entre fornecedores e clientes – e, portanto, uma relação entre iguais.”

    Para quem não saiba, o CAA não gosta da parte do post referente ao direito administrativo.

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  21. Acção Directa's avatar
    Acção Directa permalink
    30 Dezembro, 2008 16:57

    #21.

    No ponto exacto.

    Alás como na Alemanha com proveitos impossíveis de comparar com os nossos.
    Até na fuga aos impostos.

    O problema português é o funcionalismo público continuar assente numa mentalidade corporativa, salazarenta, onde o funcionário do Estado, seja ele qual for, a começar no PR ou no PM, não consegue perceber que ele é um assalariado do contribuinte. A relação de trabalho está invertida e viciada. ” Heranças “, reforçadas aliás por esta República onde a máquina comunista depressa ” recuperou ” em 75 as estruturas da ditadura. Não por acaso, a força sindical deles assenta na FP.

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  22. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:05

    Claro que o Salazar serve para muita desculpa, nestas perversões de Abril.

    No tempo de Salazar, os impostos eram reduzidos e a carga fiscal nem tinha comparação com a de agora. É verdade que não havia Segurança Social como hoje, mas no tempo de Marcello Caetano, começou o verdadeiro Estado social, com o 13º mês, a semana inglesa e a intervenção social mais alargada.

    O funcionalismo público, no tempo de Salazar era outra coisa, também.

    Havia as Juntas Nacionais de várias actividades que eram exemplares. Havia a célebre “décima” e havia o Banco de Portugal, os Correios, os Caminhos de Ferro, a TAP, para além das forças policiais e dos tribunais.

    Nas Câmaras, não era o que vemos hoje, com um funcionalismo público cujo melhor exemplo é o da CML, com os seus inúmeros assessores pagos principescamente e os seus mangas de alpaca que hoje trabalham das 9 ás 5.

    Enfim, haja algum pudor ao comparar a função pública como ela deveria ser e que no tempo de Salazar era exemplar e a de agora, pervertida pelo forrobodó da corrupção mais desenfreada.

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  23. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:08

    A tese de doutoramento de Vital Moreira, até foi sobre uma dessas juntas do fassismo: a do vinho do Porto.

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  24. SG's avatar
    30 Dezembro, 2008 17:09

    Em relação a este ponto, remeto-o para o livro de Boaventura Sousa Santos “A Saúde e a doença em Portugal”, no qual é apresentando um interessante estudo de opinião sobre a percepção que os portugueses têm do seu SNS.

    Em resumo “resumido” (o livro tem centenas de páginas…), diria que as pessoas foram divididas em dois grupos: as que já utilizaram e as que nunca utilizaram o SNS (eles ou familiares, bem entendido).
    Os resultados são, no mínimo, curiosos:

    – Os que já utilizaram estão 80% satisfeitos
    – Os que NUNCA utilizaram estão 20% insatisfeitos

    No comments….

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  25. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:16

    Boaventura?

    É o mesmo que anda a fazer um estudo sobre a Justiça em Portugal, particularmente sobre o novo CPP. Lá para Março teremos novidades que já podem ser anunciadas: tudo no melhor dos mundos do sr Bonaventura.

    Não há quem lhe dê um bilhete de avião de ida, para a California, onde tem lá um parente?

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  26. Piscoiso's avatar
    30 Dezembro, 2008 17:22

    Caro José, com o devido respeito, o funcionalismo público no tempo de Salazar era uma bufaria.
    A minha tia Rosarinho nunca foi promovida a chefe do departamento porque era mulher.

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  27. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:25

    Nihil osbtat. Era isto. Tinha a coerência de um regime de ditadura branda. Dura para com os comunistas, mas apenas para alguns, os mais afoitos.

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  28. Desconhecida's avatar
    agonia permalink
    30 Dezembro, 2008 17:25

    A vaca sagrada do SNS continua a mamar entre pastos verdejantes. Os argumentos citados para a bagunça continuar são conhecidos.
    O mais engraçado é aquele do seviço muito bom, não se sabe muito bem onde. Se os serviços passassem a privados, com a ganância conhecida, é fácil de imaginar os resultados. Haveria no entanto maneira de ter parte dos serviços geridos por seguradoras devidamente vigiadas pelo estado, papel que lhe compete. Com a promiscuidade entre o estado e as grandes empresas, nada feito. A possibilidade do estado pôr o SNS a funcionar mesmo também deveria existir. Com gente inepta nem pensar. O grupo que tudo controla – Psi 20+banqueiros têm o probleam resolvido há muito, de modo que nada se fará, neste campo como em muitos outros, para além de uns decretos ridículos em que de repente se estabelece o tempo de espera das consultas nos centros de saúde e das intervenções cirúrgicas que ninguém vai sequer verificar. Para já ninguém parece perceber que 90% do que se faz nos centros de saúde portugueses poderia ser feito por enfermeiros com vantagem para os doentes disponibilizando os doutores para outras tarefas. Preferem continuar com a falácia da falta de médicos o que a mais elementar aritmética exclui à partida.
    Os emigrantes na idade da reforma, esses já sabem que o melhor a fazer é ficar onde estão. Os tugas não têm salvação possível.

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  29. ordralfabetix's avatar
    30 Dezembro, 2008 17:26

    “Logo, quem trata desse bem supremo, tem responsabilidades acrescidas e deve ser responsabilizado pela negligência no exercício da sua profissão.”

    De acordo. E já agora, diga lá: em função das responsabilidades acrescidas de que fala, como é que deve ser remunerado?

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  30. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:26

    “A bem da Nação”. Quem não conseguia escrever isto, sem engolir um sapo vivo, tinha problemas. É de criticar? E nos regimes comunistas, precisamente aqueles que os mesmos queriam, como era?

    A mesma coisa? Não. Muito pior.

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  31. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:28

    30.

    Deve ser bem remunerado para o país que temos e somos. Podemos comparar com Espanha, França e Itália.

    Os médicos portugueses do SNS saem a ganhar, parece-me.

    A perversão reside nisto: ganham mal, no salário base. E por isso vêem-se obrigados a fazer perninhas nas urgências ou a acumular “na privada”.

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  32. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:31

    Mas se formos para um director de serviços, vemos que já não ganham assim tão mal.

    Porém, se o compararmos com os administradores hospitalares de cartão parridário e que podem ser desenhadores técnicos ou coisa assim ( não estou a brincar, há disso), então devem os médicos protestar que têm toda a razão.

    Por outro lado, o pessoal de enfermagem é um fenómeno.

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  33. ordralfabetix's avatar
    30 Dezembro, 2008 17:37

    “Há poucos anos, o meu pai” esteve gravemente doente. Teve uma destruição massiva da massa muscular e mal se consegui mexer. Em consequência dessa doença fez uma pneumonia bilateral e entrou em coma por choque séptico. Esteve às portas da morte, duas semanas em coma, 4 semanas nos cuidados intensivos mas lá se salvou. Na seuência dos exames (TAC, Ressonâncias, endoscopias, e o diabo aquatro) para despistar um carcinoma oculto foi detectado um aneurisma da aorta abdominal. Como o seu estado geral era miserável não pode ser submetido à cirurgia convencional e foi-lhe implantada uma prótese endovascular.

    Em todo este processo a despesa, que nós todos pagamos para financiar o SNS, passou a centena de milhar de euros. Mas o meu pai salvou-se graças a profissionais excelentes e a meios técnicos de excelência. Tudo isto se passou no Hospital de São João, no Porto.

    Eu acho que valeu a pena. Porque é meu pai. e hoje, quatro anos passados, está vivo e em boa forma. E vocês acham que valeu a pena gastar cem mil euros para salvar o meu pai?

    Imaginam quantos casos como este acontecem todos os anos nos Hospitais portugueses?

    IOmaginam quantas dezenas de milhares de euros custam alguns tratamntos de quimioterapia para prolongar a vida a doentes com cancro? Imaginam quantos milhares de euroas pode custar um tratamento salvar um doente que,sem ele, se esvairá em sangue?

    Se imaginassem, penso que não se afligiriam tanto com os custos da Saúde.Por isso é que acho que todo o utente atendido no SNS devia levar para casa )mesmo sem a pagar) a factura da sua despesa hospitalar.

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  34. ordralfabetix's avatar
    30 Dezembro, 2008 17:41

    “ganham mal, no salário base.”

    Um especialista com 20 anos de carreira ganha 2000€/mês num horário de 35 horas, já com 12 horas de SU.

    Não são obrigados a acumular nada. Mas nalgumas especialidades, os médicos mais procurados, ganham esse valor numa tarde de consultas e o quintúplo desse valor numa sessão de cirurgia.

    Os mais procurados serão, na lógica de mercado do JM, os melhores. O que acha que eles devem fazer? Abandonar o SNS e trabalhar só na privada? Muitos já o fizeram. Alguns, cada vez menos vão resistindo. Seja por espírito de missão ou de loucura.

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  35. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:46

    34. A função dos médicos é mesmo essa: salvar vidas, no exercício da sua profissão.

    Nesse caso, as boas notícias, não são notícia, porque é assim que deve ser.

    Notícia, são os casos de malpractice. Que também são muitos. Como exemplifiquei com o caso do “Há poucos anos, o meu pai”.

    Por cada boa notícia, a reportar, há várias más, a lamentar. Não só dos médicos, mas do pessoal hospitalar no seu conjunto e do sistema em si mesmo.

    O caso do S. João, no entanto, parece-me dos melhores segundo dizem.

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  36. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 17:48

    Assentemos então: os médicos do SNS estão mal pagos, em relação a outras profissões. Mas não se queixam muito porque arranjam as tais “perninhas”.

    É esse o problema.

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  37. ordralfabetix's avatar
    30 Dezembro, 2008 18:04

    “É esse o problema.”

    O problema José não são as perninhas. O problema é que os melhores estão a sair do SNS para os Hospitais Privados. Lisboa tem 3 grandes Hospitais Privados: Luz (grupo BES), HPP (CGD) e CUF Descobertas (grupo Mello). O Porto já tem Arrábida (BES), HPP e terá em 2010 o Hospital Cuf (O Grupo Mello já tem o Instituo cuf mais vocacionado para cirurgia ambulatória.)

    E pagam muito melhor que o Estado. Pelo que os melhores médicos,que esses grupos sabem quem são e convidam, escolhem cada vez mais o Privado.

    Acontece que há técnicas e cirurgias que são tão caras que é quase impossível fazê-las no Privado.
    Por um lado, poruqe sendo tão caras ultrapassam os plafonds das seguradoras. Segundo, porque se forem raras os privados não investem em tecnologia para as tratar porque deles não vão ter retorno. Não digo que os privados não investem, pelo contrário, e hoje fazem-se técnicas no privado ainda não disponíveis no público. Mas regem-se pela lógica do lucro.

    Dou-lhe um exemplo: em Lisboa os melhores especialistas em Neonatologia abandonaram o público e foram para os Hospitais Privados que atrás referi. Acontece que os bebés prematuros ao fim de alguns dias nas unidades de Neonatologia dos Hospitais privados ultrapassavam o plafond das seguradoras. E tinham de ser transferidos para os Hospitais do SNS. Onde ~´a falta de médicos para os tratar.

    Isso é bem mais grave que pôr alguém fungoso à espera num SU.

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  38. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 18:11

    Se esse é o problema, porque é que ninguém fala nisso, em modo geral?

    Será mais importante o problema dos Açores e os poderes do PR?

    O que escreve é sintoma de um desnorte na Saúde que dura há muito e que parte de equívocos. Constitucionalmente, temos o direito à saúde. A Maçonaria conseguiu implantar um SNS “à maneira”. Agora está a ser esfrangalhado.

    E como é? Quem é que estuda e dá soluções?

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  39. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 18:20

    Eu sou um dos fungosos que de há dois dias a esta parte, aguento uma gripe com aspirinas ( duas por dia no máximo e de 400 mg). Durmo um bocado, abafo-me, abifo-me e avinho-me com água e aspirina.
    É claro que não me parece grave para ir à urgência pedir remédios e radiografias ao tórax.

    Mas acho que as pessoas que têm direito ao SNS devem poder contar com um serviço de qualidade mínima. Que não tem.

    Vou contar outra história sobre a “privada”.

    Há uns anos, a minha filha mais nova, com meia dúzia de anos, acordou com uma rigidez no pescoço. Não se podia mexer um centímetro sem que lhe doesse. Peguei nela, ao colo, pu-la no carro e fui a um hospital da privada.

    Antes disso encontrei um pediatra meu conhecido e descrevi-lhe os sintomas, com a sugestão que já suspeitava: torcicolo.
    O ortopedista da privada mandou primeiro tirar uma radiografia. Não lhe chegou e mandou tirar uma ecografia. Também não foi suficiente. Por último e a conselho do especialista da imagiologia ( um sabidolas local que foi obrigado pelo hospital público a ficar rico), mandou tirar a prova dos nove: a ressonãncia para determinar que era…um torcicolo.

    Depois de ter pago os exames ( cada um deles mais caro que o primeiro e comparicipados pelo SNS), fiquei a perguntar se aquilo é prática correcta da legis artis.

    Estou convencido que o colégio de especialidade da OM diria que sim. Mas eu penso que não.

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  40. ordralfabetix's avatar
    30 Dezembro, 2008 18:30

    “Eu sou um dos fungosos que de há dois dias a esta parte, aguento uma gripe com aspirinas”

    Também eu. Por isso estou aqui a teclar em vez de estar a trabalhar.

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  41. Spartakus's avatar
    30 Dezembro, 2008 18:31

    A equipa que me operou em Stª Maria trabalhava em exclusividade no Público.
    Um dos médicos, que entretanto já tinha aceita uma passagem para o privado, na Suíça, ainda estava eu lá, já estava afastado pelo chefe de equipa do bloco operatório.

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  42. ordralfabetix's avatar
    30 Dezembro, 2008 18:33

    41. Se a história é como conta não recorreu a médicos mas a comerciantes. Também os há.

    Hoje usa-se e abusa-se de meios auxiliares de diagnóstico. Na maior parte dos casos não pelas razões da sua história. Mas pelo medo de deixar passar alguma patologia. E ser acusado de negligência.

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  43. Desconhecida's avatar
    José permalink
    30 Dezembro, 2008 18:46

    43.

    O problema parece-me mais complexo. Os hospitais privados, precisam de pagar aos seus profissionais e amortizar os investimentos. Como vão fazê-lo?

    Á custa do dinheiro público, voilà. E os estratagemas dão a conta calada das dívidas do nosso Orçamento da Saúde.

    Ninguém sabe disto? Claro que sabem. E o que fazem para mudar ou melhorar? Ora, nomeiam a Ana Jorge para ministra, com um processo ás costas por causa disso mesmo.

    Vivemos num pais de doidos.

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  44. ordralfabetix's avatar
    30 Dezembro, 2008 19:10

    “Ora, nomeiam a Ana Jorge para ministra, com um processo ás costas por causa disso mesmo.”

    Mas foi a mesma Ana Jorge, que o Tribunal de Contas acusa de pagamentos indevidos ao Amdora Sintra enquanto presidente da ARS-Lisboa, que tirou à José de Mello Saúde a gestão do Amadora Sintra. E olhe que a José de Mello Saúde não gostou nada que lhe tivessem tirado a sua jóia da coroa.

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  45. nunocalvin's avatar
    nunocalvin permalink
    31 Dezembro, 2008 16:09

    Mas o senhor faz alguma ideia das reclamações, das cenas de agressividade verbal que os médicoe e enfermeiros sofrem? Faz ideia das cenas de porrada (desculpe a expressão) que acontecem num serviço de urgência? Dos maus modos? De rasgarem receitas à nossa frente? De nos atirarem radiografias à cara? De me insultarem a mãe?

    E ainda diz que se resignam? Já viu alguma destas coisas num restaurante? Por amor de Deus!

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