Estimular as importações II
23 Fevereiro, 2009
A falta de capacidade produtiva em Portugal é geral. Essa falta de capacidade reflecte-se no défice da balança comercial. Consumimos mais do que produzimos, pelo que temos que importar grande parte do que consumimos.
Isto também implica que Portugal está sob estímulo ao consumo há anos. Anos e anos de défices orçamentais funcionaram como estímulo ao consumo e esgotaram a capacidade produtiva da economia.
O que Sócrates pretende fazer é adicionar um novo estímulo ao que já existe . O problema é que quando se estimula uma esconomia que vive acima das suas possibilidade, o efeito não é um aumento da produção interna. Se a produção interna pudesse aumentar, já teria aumentado há anos. O efeito é sobretudo um aumento de importações.
15 comentários
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Correia de Campos chamava aos “críticos” do actual Regime político-constiotucional, de “masoquistas”.
Correia de Campos inovou, ao não lhes chamar “bota-abaixo”, como é política oficial do seu Líder, Sócrates.
Felizmente, que a verdade, com masoquismo ou não, vem sempre ao de cima.
Eduardo Lourenço previa no Sábado, na RDP, uma revolta social, a partir de Novembro de 2009.
Aqui vamos nós para os abismos. O Regime não é sustentável, porque a teia empresarial-estatal vive da especulação imobiliária e da negociata.
Os exemplos do actual Regime não são o trabalho, o esforço e a dedicação.
Os exemplos do actual Regime político Constitucional são Jorge Coelho e Dias Loureiro.
Em Novembro de 2009, lá estaremos na frente de batalha. Para o que der e vier.
Por Portugal. Pela verdade.
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Caro João Miranda,
Estou genericamente de acordo com este post mas não em concreto em relação à água quente solar. A razão está descrita no link que deixei e que suspeito que não foi lido: uma coisa é apoiar o consumo que gera problemas no futuro (por exemplo, um preço artificialmente baixo da electricidade na venda aos consumidores e artificialmente alto na compra aos produtores, que é o que explica parte do sucesso da produção de energias renováveis em Portugal que é feito à custa de um imposto escondido no tarifário eléctrico) outra coisa substancialmente diferente é o estímulo ao consumo de instrumentos de poupança, como acontece à água quente solar que se traduz em poupança de energia nos próximos vinte anos (e que é, sem apoios do Estado para além do que já existe, de sete ou oito anos, ao que me dizem, sendo os restantes 12 da vida útil dos equipamentos poupança pura e dura).
Confesso que não percebo como é que alguém diz que todos os leitores não percebem um post e acha que a responsabilidade é dos leitores. Como o outro que era o único com o passo certo na formatura.
henrique pereira dos santos
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henrique pereira dos santos,
O post era sobre o efeito do estímulo na economia. O programa de energias renováveis foi criado com a intenção declarada de estimular a economia. Ora, esse efeito de estímulo só ocorreria se:
1. já existisse capacidade produtiva instalada
2. se essa capacidade produtiva não estivesse a ser utilizada
Ora, estas duas condições são muito implausíveis porque ninguém cria capacidade instalada se não tiver procura. A minha conclusão é que nâo há efeito de estímulo nenhum. Acontecerá uma de 3 coisas:
1. aumento das importações
2. arrastamento no tempo do programa
3. subsidio a instalações de painéis que seriam feitas de qualquer das formas
Nunca me pronunciei sobre a eventual racionalidade do investimento neste tipo de equipamentos. Esse é outro problema.
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Caro João Miranda,
Não sei em que se baseia para dizer que é implausível a existência de capacidade instalada. A informação de que disponho é mesmo a de que existe capacidade instalada. Os objectivos a longo prazo dos programas nacionais a este respeito eram muito mais ambiciosos que o que efectivamente está a acontecer, para lém de ser racional o uso de paineis mesmo olhando para a questão de uma forma estritamente financeira, sendo por isso razoável admitir que os empresários se prepararam para uma procura tendencialmente crescente, com ou sem estímulos. O problema está nas opções deste programa em concreto mas não pelas razões que invoca, parece-me a mim.
henrique pereira dos santos
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««Não sei em que se baseia para dizer que é implausível a existência de capacidade instalada. »»
Baseio-me num raciocínio simples: ninguém vai instalar capacidade para produzir 65 mil painéis/ano quando não existe procura para tal ou quando a procura é procura de pico criada por decisões políticas ad hoc. Sobretudo quando é muito mais fácil e barato importar para responder à procura de pico.
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Não é exactamente ‘baixa capacidade produtiva’, o nosso problema é de… produtividade baixa. Produzimos pouco para o que ganhamos, o custo fixo já existe (salários).
– Ou se aumenta a produção sem aumentar o custo fixo,
– Ou reduz-se o custo fixo (redução de salário) para adequar-se à baixa produção
– Ou permite-se que o custo fixo se torne variável (flexibilização e despedimentos)
– Ou abandona-se o euro e voltamos à situação de podermos fazer política cambial, de forma a podermos desvalorizar a moeda para obter competitividade
Com a legislação vigente, vamos continuar a ver pessoas que param para fumar ou tomar café, a incompetência do costume, a preguiça, o baixo envolvimento com os objectivos da empresa, etc. Não há medo de despedimentos. Talvez seja o único país do planeta onde é melhor ser empregado do que patrão.
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Acho imensa piada a estes posts do João sobre os resultados esperados dos estímulos governamentais.
Plenamente de acordo quanto à situação de importador líquido (importa mais do que aquilo que exporta).
Mas perfeitamente em desacordo quanto à menção à incapacidade de produzir. Temos uma das taxas de rentabilidade dos factores de produção mais baixas da europa o que só por si significa que podemos aumentar significativamente a nossa capacidade produtiva.
Por outro lado diz o João que tantos incentivos ao consumo esgotaram a capacidade produtiva da economia, concluindo que Sócrates mais não está a fazer do que a alargar o problema.
Em conclusão, não vale a pena criar incentivos porque está mais do que provado (pelo João) que esgotámos a nossa capacidade produtiva e que, em consequência, qualquer incentivo ao consumo implicará um aumento significativo das importações e pauperiza a situação financeira do estado e dos portugueses em geral.
Vá dizer isto aos empresários portugueses (não sei por onde vagueia aquele ajuntamento de dirigentes de empresas (falsamente apelidados de empresários) que tanto defenderam em tempos a necessidade de manter em Portugal os centros de decisão. Para quê? Segundo o João já atingiram os limites da capacidade produtiva e não fazem cá falta nenhuma… venham outros que produzem mais e melhor, mesmo sendo estrangeiros.
E, João, essa teoria de ver cada um dos estímulos à economia do governo actual como um puro estímulo ao consumo chumbava em qualquer universidade… mesmo na do Socas!
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“Talvez seja o único país do planeta onde é melhor ser empregado do que patrão”.
Depende de que “empregado” está a escrever. Será dos que não sabem o que é um “contrato de efectivo”? Ou dos que trabalham há vários anos, quase décadas a “recibo verde”?
Cuidado com as pedras que se atira!
Até porque, há muitas falências fraudulentas, e muitos patrões que nem sabem escrever uma frase em português! Já para não falar em Patrões que consideram que o IVA não é para pagar ao Estado!
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««Mas perfeitamente em desacordo quanto à menção à incapacidade de produzir. Temos uma das taxas de rentabilidade dos factores de produção mais baixas da europa o que só por si significa que podemos aumentar significativamente a nossa capacidade produtiva.»»
Mas então porque é que não a aumentamos já? Repare que o problema da economia portuguesa não é a existência de meios de produção subutilizados. Se fosse, o estimulo à procura via défice já tinha resolvido há muito tempo. O problema da economia portuguesa é estrutural. Baixa produtividade, falta de capital, desadequação do tecido produtivo à procura. Nada disto se resolve com estímulos à procura.
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“essa teoria de ver cada um dos estímulos à economia do governo actual como um puro estímulo ao consumo chumbava em qualquer universidade”
Tirando Nouriel Roubini, da Stern de NY, as Universidades de Gestão (Management) andam pelas ruas da amargura….
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««Vá dizer isto aos empresários portugueses (não sei por onde vagueia aquele ajuntamento de dirigentes de empresas (falsamente apelidados de empresários) que tanto defenderam em tempos a necessidade de manter em Portugal os centros de decisão. Para quê? Segundo o João já atingiram os limites da capacidade produtiva e não fazem cá falta nenhuma… venham outros que produzem mais e melhor, mesmo sendo estrangeiros.»»
Claro que a política de defesa dos centros de decisão nacional é uma estupidez. Só serve para manter empresas com baixa produtividade em actividades protegidas da concorrência externa.
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««E, João, essa teoria de ver cada um dos estímulos à economia do governo actual como um puro estímulo ao consumo chumbava em qualquer universidade… mesmo na do Socas!»»
Para perceber este debate terá qe perceber que a justificação dada para esses estímulos é serem um estímulo ao consumo. Não sou eu que a dou. É o governo.
Mas tenho a certeza que o JCP me vai conseguir justificar os estímulos. Para que é que eles servem afinal? Se não servcem para aquilo que Sócrates diz que servem, servem para quê?
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Pois João mas a maior parte das empresas são privadas…
o que pensa o governo e, neste caso tenho que admitir, mais ou menos bem, é que qualquer incentivo mesmo que dirigido ao consumo terá um efeito imediato sobre a oferta e proporcionará aos empresários portugueses a necessária procura dos seus produtos e uma eventual situação de “market shortage” nos mercados tradicionais de exportação.
A balança comercial pode sofrer inicialmente mas, enquanto se mantiver a crise internacional, as empresas portuguesas poderão manter os seus níveis de produção, ou eventualmente alargá-los, o desemprego não desce tanto como poderia ser o caso na ausência de tais medidas e os níveis de produtividade poderão até ser aumentados.
Concordo que possa sentir-se um determinado nível de artificialidade nas medidas mas julgo que, em termos económicos, será difícil encontrar alternativas.
Problema acrescido pela notória falta de sentido de oportunidade do nosso tecido empresarial tanto no que respeita ao planeamento das suas actividades e insersão numa situação de crise como quanto à sua incapacidade para prever tempos de crise e não consequente implementação de planos de contingência adequados (na maior parte dos casos nem sequer existem – ver bom exemplo da Jerónimo Martins).
Mas já alguém acima escreveu sobre a estrutura do tecido empresarial´…
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Um dos maiores estímulos seria feito se o Governo conseguisse slavar a Qimonda… não há nada dentro dessa empresa, nada mesmo que não seja importado…
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Desde 1966, quando entrei no mercado de trabalho o problema era o mesmo
“A falta de capacidade produtiva em Portugal é geral. Essa falta de capacidade reflecte-se no défice da balança comercial. Consumimos mais do que produzimos, pelo que temos que importar grande parte do que consumimos”
E estávamos a suportar uma guerra em três frentes
Mas vivíamos muito melhor ????
Parque Mayer, vida, muita vida nos teatros e cinemas da baixa de Lisboa, cervejarias cheias, bjecas a escorrer, gambas a saltar, pregos a correr e a guerra à nossa espera
Hoje
Parque Mayer não existe
Santana Lopes anda por aí
Cinemas na baixa poucos
João Soares salvou alguns
A guerra acabou – dass….
A pide dissolveu-se (?)
E eu envelheci
Estou no whisky de 12 / 15 anos com iva baixo, haja deus
Uns bares, por ali e acolá
Não há movimento nas ruas
Um carro de vez em enquanto
Ar fresco na cara para atenuar os efeitos do alcool
Dódó, e amanhã logo se vê o humor da companheira
Tudo muito triste
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