Falência do Estado Social V
10 Março, 2009
Fracasso é abondonar a procura de um maior esbater das desigualdades e da construção de uma maior rede de protecção social. Sendo uma tarefa que naturalmente nunca estará concluída, não se pode falar de fracasso.
A forma garantida de ter sempre sucesso em qualquer empreendimento é nunca definir a priori um critério de fracasso. Dessa forma, as contrariedades que forem aparecendo pelo caminho nunca são sinal de que a nossa abordagem está errada. As contrariedade são sinal de que a nossa abordagem precisa de mais meios. Como é que, através de este método se consegue distinguir uma abordagem errada de uma correcta mas que precisa de mais meios? Não é possível.
26 comentários
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Recorda-me a velha fórmula “De vitória em vitória até à derrota final”… Esquemáticamente o raciocínio estaria certo, mas por vezes é importante introduzir-lhe o elemento “bom senso”.
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eles com uma mão à frente
elas com uma mão atrás
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Mas quando as políticas “certas” dão num trambulhão do tamanho desta crise há muita coisa que fica errada e muita coisa que fica certa.
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Ó João Miranda, a solução é: vai-se fazendo o que se pode. Essas suas dúvidas existenciais são um bocado como o nó górdio: são facilmente desfeitas se forem correctamente abordadas. O João Miranda não pode abordar o “empreendimento” Estado Social como se estivesse a falar dos métodos de gestão de uma empresa. No Estado Social não há, nem pode haver, definição de objectivos rígidos anuais ou plurianuais. A realidade aqui é muito mais complexa e inclui variáveis dificilmente controláveis. “Fracasso”, no caso, é simplesmente não fazer nada.
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Por exemplo, 90 000 euros por reunião, tirava o pessoal todo da miséria!
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Este JM hoje desenmascarouse como amém de antiamericano primario tanto como de perigosso racista.
Nao me diga que nao há em Portugal (nem siquer se lhe ocurriu olhar para aí), um qualquer mulato onde acudir para salvar do caos e da catástrofe ao sistema…
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Ele há formas de racismo muito subtis…
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“O João Miranda não pode abordar o “empreendimento” Estado Social como se estivesse a falar dos métodos de gestão de uma empresa. No Estado Social não há, nem pode haver, definição de objectivos rígidos anuais ou plurianuais. A realidade aqui é muito mais complexa e inclui variáveis dificilmente controláveis.” Caramelo
O facto de a realidade social ser mais complexa do que uma empresa, não é impeditivo de que se estabeleçam objectivos mensuráveis. É que se não for assim nunca saberemos se o dito Estado Social cumpre de facto o papel para que foi criado. E, mais grave ainda, se ele não servirá para esconder uma série de abusos por parte de muito boa gente que, refira-se, a ultima coisa que necessitaria era um apoio social.
Assim, por exemplo, deveria ser estabelecido um compromisso público em relação ao índice de Gini, com as seguintes metas :
2010 – 34;
2011 – 32;
2012 – 30.
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#8 Nusprit: O facto da realidade social ser complexa e incluir variáveis dificilmente contornáveis parece que torna inconsequente, se não mesmo inócuo, o estabelecimento de objectivos mensuráveis. Creio que será sempre um “wishful thinking” querer saber se o dito Estado Social cumpre de facto o papel para que foi criado.
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Nusprit, os tais “abusos” são fiscalizáveis. A lei estabelece quem recebe e porquê. O resto é fiscalização. Obviamente há e haverá sempre abusos e a própria lei não é perfeita. Mas caberá do mesmo modo na cabeça de alguém dizer, por exemplo, que o nosso regime politico comum ocidental é um fracasso, apenas pelo facto de algumas das suas instituições não funcionarem de forma perfeita? Alguma vez se pretendeu que funcionassem na perfeição? Como é aqui a história do fracasso? O regime em que vivemos (e que a maior parte de nós reconhece ser de manter) fracassa pelo facto de não dar felicidade a toda a gente? Eu sei que há quem estique a corda até esse ponto, pretendendo que as esperanças do nosso sistema politico não foram cumpridas…
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“Assim, por exemplo, deveria ser estabelecido um compromisso público em relação ao índice de Gini, com as seguintes metas :
2010 – 34;
2011 – 32;
2012 – 30.”
Há duas maneiras de conseguit tal objectivo:
1. Enriquecendo os mais pobres.
2. Empobrecendo os mais ricos.
Por cá, só se consegue a segunda solução, que tem como consequência um empobrecimento por arrasto de toda a gente.
Além disso, o índice de Gini é uma desgraça.
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O Gini tem de facto algumas limitações.Mas a verdade é que tem que se arranjar uma maneira de sabermos até que ponto Estado Social cumpre a sua missão. O melhor seria então combinar o gini com o o IDH. Este índice mede o desenvolvimento de uma população combinando três tipos de indicadores: rendimento per capita, escolaridade e esperança de vida ao nascer. O IDH tem a particularidade de na sua avaliação da qualidade de vida da população considerar aspectos abrangentes dessa população, pois considera os aspectos económicos, e outras características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade da vida humana.
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Já percebi que para o JCD o PIB per capita basta. Mas o PIB mede o poder de compra, mas não mede a qualidade da saúde, da educação, poesia e a qualidade do ambiente. Exclui ainda o tempo de lazer que os cidadãos têm disponível. Por outro lado o PIB nada diz como é que o rendimento se distribui, podendo acontecer, a riqueza estar toda concentrada, que o PIB nada informa a este respeito. A verdade é que o PIB não é indicador perfeito do bem estar. É bem possível que o Estado Social se correlacione negativamente com o crescimento do PIB. Mas esse até seria um preço justo a pagar se tivéssemos a certeza que o Estado Social funciona realmente. É por isso imperioso arranjar formas de o medir.
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Caro João Miranda,
dou-lhe os meus parabéns (sinceros) por colocar os seus comentadores à procura de critérios de sucesso (ou insucesso) para o Estado Social. Não quer contribuir para esta tarefa?
Eu vou contribuir.
Um critério de fracasso é “todos os Portugueses estarem amanhã abaixo do limiar da pobreza”. É tão fácil definir critérios …
Claro que se for um partido da oposição podia antes definir um critério do tipo: “todos os Portugueses amanhã vivem acima do limiar de pobreza.”
E agora que já definimos critérios, o que se passa a seguir?
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António Carlos
“todos os Portugueses amanhã vivem acima do limiar de pobreza.”
Esse é um excelente critério. Atinge-se empobrecendo toda a gente.
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Caro JCD,
já chegou a alguma conclusão sobre qual o melhor critério para avaliar o sucesso/insucesso do Estado Social Português?
É que lendo o post de JM parece uma tarefa fácil. Claro que conversa de café/táxi do tipo “os serviços não prestam para o que pagamos”, “isto está tudo pior”, “antigamente é que era bom”, “lá fora é que é bom”, … não serve.
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Já agora podia sugerir os crítérios que colocavam a Islândia como o melhor país para viver há um ano atrás. Esses sim é que eram critérios!!!!
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“já chegou a alguma conclusão sobre qual o melhor critério para avaliar o sucesso/insucesso do Estado Social Português?”
Tocar-lhe para ver se está vivo. Se ainda respirar, liquidá-lo de imediato. É que me chateia à brava andar a pagar um balúrdio em impostos para a “escola inclusiva” e pagar depois por fora explicações para que os meus filhos aprendam aquilo que não aprendem lá.
Pagar para um Sistema de Saúde que, quando cá em casa alguém teve uma doença gravíssima, só não foi a correr para Espanha porque as cunhas permitiram passar à frente de muita gente. Um sistema de saúde pago com o meu dinheiro que deixa pessoas à espera em doenças gravíssimas, mas que abre as pernas e dá tudo a tempo e horas a quem quer fazer um aborto.
Parece que é mais “chique” fazer um aborto do que uma mastectomia para extirpar um tumor.
Eu tenho a absoluta certeza que fazia melhor com o dinheiro que me tiram, do que os burocratas bem intencionados que querem fazer “estado social” com o dinheiro dos outros.
Um sistema de reformas que saca 23% ao empregado e ao patrão mas que se o rapaz morrer antes da reforma, é dinheiro perdido para o estado, e os seus filhos que se amanhem.
Preferia não o ter. O dinheiro que o estado me leva, seria investido em vários fundos ou depósitos, de vários bancos e se eu morresse iam para os meus descendentes.
Metam o “estado social” no sítio em que estão a pensar e usem a cabeça. Isto é apenas a maneira de fazer com que quem se esforça pague o sustento dos calões… e os votos para os partidos que “dão subsídios”
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Lidador, queres acabar com o Estado Social? Queres pagar os serviços que o estado te presta (muitos ou poucos) a preços reais de mercado? Ou essa farronca toda e so garganta?
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O Lidador é um radical invejoso. Não queria para meu amigo.
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Teste. Vamos a ver se ainda continua bloqueado.
É que não é por causa do IP, ainda hoje tentei de outro computador e nenhum comentário entra.
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Confirma-se: estava bloqueada pelo site e pelo e.mail. Desde sábado que não entrava um único comentário.
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Cá no burgo “empobrecem-se os mais ricos”! JCD, serve para a ideia mas não serve para a verdade!Atão, o país não se tornou mais desigual?exactamente porque os mais ricos ficaram mais ricos?Ai,JCD, assim não vale!
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“já chegou a alguma conclusão sobre qual o melhor critério para avaliar o sucesso/insucesso do Estado Social Português?”
Pagamos 50% da riqueza que criamos e veja o que recebemos em troca. Uma tragédia.
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Não sei se se tornou mais desigual. Sei que recebemos dezenas de milhares de imigrantes que foram parar à parte baixa da escala de rendimentos, contribuindo para a festa das declarações sobre o aumento das desigualdades. Sei que há cada vez menos investimento, cada vez mais impostos e cada vez mais gente a necessitar de ajuda. Sei que temos leis do trabalho que puxam os rendimentos para baixo e que promovem o desemprego e o trabalho precário. E sei que se fazem muito menos ricos dos que os que se fariam se Portugal não fosse um país tão pronto a bloquear o investimento e a inibir a criação de riqueza.
Não me importava nada de ter um país mais desigual se essa desigualdade promovesse o aumento de rendimentos de toda a população. Irrita-me o combate à desigualdade que se faz pela via da não criação de riqueza.
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Se você se lanca num empreendimento é porque têm um objectivo em vista. Se nao o atingir, o empreendimento fracassou.
Por isso o fracasso está sempre definido à partida.
E se não houver objectivo não há empreendimento.
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