Criar escassez de canais para viabilizar produção de conteúdos
Uma frequência de televisão é um recurso económico. É apenas um canal através do qual os conteúdos chegam aos telespectadores. Se estiver no mercado e puder ser transaccionada, os operadores do mercado vão descobrir uma forma de a rentabilizar. Nem que um operador já existente (Sic Notícias, por exemplo) a utilize para retransmitir conteúdos que já passam no Cabo.
Mas o sistema de atribuição de frequências funciona ao contrário. A atribuição de frequências é um meio para viabilizar projectos de televisão. Cria-se escassez nos canais de transmissão na esperança de que não entre nenhum novo produtor de conteúdos que ameace a sustentabilidade financeira dos existentes. Note-se que até os canais cabo precisam de autorização para emitir.
Qual é o resultado desta política? O público foge para a internet e para os produtores de conteúdos estrangeiros.

Acho a coisa mais rid´cula do mundo. E não consigo entender como o estado gasta dinheiro em erc , em concursos para um 5º canal para depois chumbar tudo, dizendo que não tem viabilidade económica? Mas qual é o probelma deles se quem concorre acha que tem?!?! Agora ainda vai gastar mais dinheiro em tribunais. É uma sucessão de inutilidades. Só inúteis. Anos e anos e anos de inutilidade. Numa altura de crise em que o jornalismo está em risco de perder empregos, não se pode criar uma nova tv por causa de não haver publicidade para todos?! Que desculpa esfarrapada.
Então se a publicidade está a fugir para a net, vão fechar a net?!?!?
É só corporações agarrados ao seu monopólio e não deslargam.
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Não necessáriamente. Essa opinião teria de ser fundamentada, reconheça…
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Como e frequente em si, a clareza do que pretende expor e sacrificada em detrimento de uma obscura ginastica de palavras intencionalmente pensadas para que a sua opiniao seja mais um “dito” espirituoso, do que um fundamentado ponto de vista. E claro, um dito e inatacavel, porque e apenas um dito, mas sempre pode ser louvavel, se espirituoso.
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Caro RPA,
Ao focar-se na forma, acaba de perder a oportunidade de contestar o conteúdo do post.
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Mas o Miranda não propôs nada.
Apenas disse que o modelo de escassez não resulta.
Mas não resulta em relação a quê? E esse “quê” assumiria que forma?
Posso concordar que o actual sistema é restritivo, mas isso é o mesmo que o Miranda postar por aqui e certa água é demasiado molhada. OK. Tem razão. E depois? O que sugere?
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Uma adenda, será que a tecnologia existente e a natureza das ondas hertzianas podiam tornar o registo de canais ao registo de sites na Internet? Se sim, concordo ainda mais. Se não, as suas dúvidas ficam esclarecidas.
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Exacto, Zé.
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“E depois? O que sugere?”
Parece-me bastante óbvio. Que a utilização de frequências seja livre e gratuita, enquanto houver frequências disponíveis, passando a ser paga quando todas estiverem ocupadas.
Ao que chegámos, quando é necessário explicar que a norma deveria ser a liberdade de iniciativa, e não a excepção.
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Tás mazé maloko…
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Adenda: a única obrigação decorrente da reserva de uma frequência deverá ser, num prazo razoável, a sua efectiva utilização.
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Agradeçam ao Balsemão.
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João Miranda,
A razão do limite de canais abertos (no cabo, a lincença é meramente técnica) resulta de:
1. Haver um limite técnico.
2. O efeito de muitos canais ser a redução do preço da publicidade de que resultaria o fim não do concorrente directo, mas da imprensa e da rádio, incapazes de competir com preços muito baixos de publicidade.
Uma informação: o país onde a televisão perdeu mais gente para Net foi o país com mais canais de televisão: os EUA. Agora pense nisto e chegará a alguma conclusão. Sobre as razões, bem menos simples do que a que supõe, para a fuga de público. E, talvez mais importante, sobre o efeito da concorrência na satisfação do público.
A televisão aberta e concorrencial tenta agradar ao máximo de pessoas com o mínimo custo possível. Quer isto dizer que agrada a menos gente mas com mais retorno. Ainda assim, o efeito tem sido perverso: porque agrada a pessoas com menos recursos (e menos atraentes para a publicidade) e chega a um momento em que o retorno deixa de compensar. Na verdade, e aqui talvez o João Miranda fique baralhado, porque a racionalidade do mercado está longe de estar provada, as televisões têm sido sucidárias nas suas escolhas, como provam os resultados.
Seja como for, com a televisão digital terrestre (que aí virá, apesar de cada vez mais gente ter medo de enterrar dinheiro numa coisa que pode dar em nada) e o cabo (onde as licenças são uma mera formalidade) este deixará de ser um debate.
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@Daniel Oliveira:
Olá Daniel,
Falso. Leitura recomendada: a campanha Open Spectrum.
Na realidade o limite técnico é… financeiro. É muito mais fácil lucrar com escassez artificialmente criada num meio onde a escassez é… virtualmente inexistente.
Imprensa, só leio regularmente os dois principais semanários, e o mais antigo está cada vez pior.
Rádio não ouço, entre playlists e programas de chá-chá-chá já não há pachorra.
Também vejo cada vez menos televisão. Não suporto a publicidade, o que mais gostaria de ver dá a horas inoportunas (tardíssimo, por exemplo) ou de forma irregular dificultando o acompanhamento.
Sinceramente? Temos pena 🙂
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