Mais CIDADÃOS ou mais ESTADOS?
Pergunta o Gabriel “para que serve” o Parlamento Europeu.
1 – A resposta implica olhar para o Parlamento Europeu não isoladamente, mas integrado na dinâmica e na lógica do funcionamento das Instituições da União. Claro que, de uma forma directa e linear – aquela que interessa imediatamente ao cidadão que também se poderá questionar sobre “para que serve” a Assembleia da República – pode dizer-se que serve para participar, de forma incontornável e vinculativa, na criação de normas. É evidente que – como ilustra o esquema publicado pelo Gabriel – o próprio processo de co-decisão, nesta matéria, não é simples, nem de percepção imediata. Mas, o referido processo de co-decisão (cujo âmbito tem vindo a ser alargado cada vez mais) é o processo regra da tomada de decisões, em termos normativos, na União.
Agora, porque é que o processo de co-decisão é complexo?
O processo de co-decisão é complexo, porque ele resulta do equilíbrio possível de alcançar, actualmente, entre três legitimidades: a dos povos (que votam directamente para o PE), a da própria União e também – ainda inultrapassável – a dos Estados.
A lógica é a da intervenção da Comissão (poder de iniciativa em exclusivo), do PE e do Conselho (poder de aprovar formalmente e em última instancia os actos). Ou seja, intervém assim a legitimidade democrática directa em equilíbrio com a dos Estados.
Poderia fazer-se mais para reforçar, neste equilíbrio, a intervenção do PE (ou seja, a legitimidade democrática directa)? Sem dúvida que sim, mas….ultrapassando a presença dos Estados. Isso, no estado actual de integração, não é possível. A integração é (também….para muitos e numa certa perspectiva, ainda e sobretudo) uma integração de Estados. Ou seja, a resposta á necessidade de tornar o funcionamento das Instituições mais próximo dos cidadãos passa, quer se queira quer não, por um afastamento (relativo) dos próprios Estados! Se se reforça a legitimidade democrática directa, no quadro actual da União, então desvaloriza-se a legitimidade e a presença dos próprios Estados (o que estes não querem, como é óbvio)!
A pergunta que talvez interesse mesmo fazer será: queremos mais cidadãos ou mais Estados?
2 – (PS – O PE intervém também noutro processo: o processo de cooperação, que, com o alargamento do processo de co-decisão e a sua transformação em método de decisão normal na União, acabou por passar para segundo plano .
Mas o PE, além da intervenção normativa ou legislativa referida, também serve para controlar a Comissão. Actualmente, a Comissão responde politicamente perante o PE que, para além de ter poder para a questionar e obrigar a tomar posições políticas, aprova ou rejeita a nomeação dos Comissários e do seu Presidente e pode – é a única Instituição que o pode fazer! – aprovar uma moção de censura que leva à queda da dita Comissão. O PE também intervém, de forma incontornável, na elaboração do orçamento da União. Não são poderes de somenos importância, sobretudo, se os olharmos, em concreto, para a dinâmica do funcionamento das Instituições…..e não de uma forma estática).

O Parlamento serve para normalizar, dirigir, onde nos querem formatar. É um local onde se fazem leis que oprimem os Europeus.
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OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
pra mim todo oprimido……..!
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Esta posta só pode ter sido escrita por um amigo do Pinto da Costa.
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