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Mais CIDADÃOS ou mais ESTADOS?

25 Abril, 2009
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Pergunta o Gabriel “para que serve” o Parlamento Europeu.

 

 1 A resposta implica olhar para o Parlamento Europeu  não isoladamente, mas integrado na dinâmica e na lógica do funcionamento das Instituições da União.  Claro que, de uma forma directa e linear – aquela que interessa imediatamente ao cidadão que também se poderá questionar sobre “para que serve” a Assembleia da República – pode dizer-se que serve para participar, de forma incontornável e vinculativa, na criação de normas. É evidente que – como ilustra o esquema publicado pelo Gabriel – o próprio processo de co-decisão, nesta matéria, não é simples, nem  de percepção imediata.  Mas, o referido processo de co-decisão (cujo âmbito tem vindo a ser alargado cada vez mais) é o processo regra da tomada de decisões, em termos normativos, na União.

 

Agora, porque é que o processo de co-decisão é complexo?   

O processo de co-decisão é complexo, porque ele resulta do equilíbrio possível de alcançar, actualmente, entre três legitimidades:  a dos povos  (que votam directamente para o PE),  a da própria União e também – ainda inultrapassável – a dos Estados. 

A lógica é a da intervenção da Comissão (poder de iniciativa em exclusivo), do PE e do Conselho (poder de aprovar formalmente e  em última instancia os actos). Ou seja, intervém assim a legitimidade democrática directa em equilíbrio com a dos Estados.

 Poderia fazer-se mais para reforçar, neste equilíbrio, a intervenção do PE (ou seja, a legitimidade democrática directa)?  Sem dúvida que sim, mas….ultrapassando a presença dos Estados.  Isso, no estado actual de integração, não é possível. A integração é (também….para muitos e numa certa perspectiva, ainda e sobretudo) uma integração de Estados Ou seja, a resposta á necessidade de tornar o funcionamento das Instituições mais próximo dos cidadãos passa, quer se queira quer não, por um afastamento (relativo) dos próprios Estados! Se se reforça a legitimidade democrática directa, no quadro actual da União, então desvaloriza-se a legitimidade e a presença dos próprios Estados (o que estes não querem, como é óbvio)!

A pergunta que talvez interesse mesmo fazer será: queremos mais cidadãos ou mais Estados?

 

2 – (PS –  O PE intervém também noutro processo: o processo de cooperação,  que, com o alargamento do processo de co-decisão e a sua transformação em método de decisão normal na União, acabou por passar para segundo plano .

Mas o PE, além da intervenção normativa ou legislativa referida,  também serve para controlar a Comissão. Actualmente, a Comissão responde politicamente perante o PE que, para além de ter poder para a questionar e obrigar a tomar posições políticas, aprova ou rejeita a nomeação dos Comissários e do seu Presidente  e pode  – é a única Instituição que o pode fazer! – aprovar uma moção de censura  que leva à queda da dita Comissão. O PE também intervém, de forma incontornável, na elaboração do orçamento da União.  Não são poderes de somenos importância, sobretudo, se os olharmos, em concreto, para a dinâmica do funcionamento das Instituições…..e não de uma forma estática).

 

4 comentários leave one →
  1. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    25 Abril, 2009 13:20

    O Parlamento serve para normalizar, dirigir, onde nos querem formatar. É um local onde se fazem leis que oprimem os Europeus.

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  2. Marafado de Buliquei-me's avatar
    Marafado de Buliquei-me permalink
    25 Abril, 2009 14:32

    OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
    pra mim todo oprimido……..!

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  3. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Abril, 2009 00:49

    Esta posta só pode ter sido escrita por um amigo do Pinto da Costa.

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