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José Manuel

28 Maio, 2009

A reeleição de Durão Barroso (que o PS «assina por baixo»…..), é argumento utilizado na campanha por parte do PSD. Faz algum sentido? Só se for para evitar que ele volte de Brulexas para a política nacional…. Agora a sério, que hipóteses tem Durão de ser reeleito?

Se por um lado tem o apoio da maioria dos governos, (os que verdadeiramente escolhem os candidatos) e poderia contar com uma renovada maioria favorável no PE (PPE + Lib/Dem), há contudo sinais de que as coisas não serão assim tão simples.
duraoCom efeito, vários partidos do leste europeu, membros do PPE tem vindo a crescer nas suas criticas à Comissão em especial acusando Barroso de estar demasiado ao serviço ou dependente dos dois grandes países: Alemanha e França. Ou seja, se tiverem alternativa, prefeririram outro candidato.Em segundo lugar, muitos membros do PSE tem feito campanha contra Barroso recordando o seu papel na era Bush, a questão da Cimeira dos Açores e um alegado «neoliberalismo» (seja isso o que for), recordando que se os EUA já mudaram, ficaria bem à UE dar também sinal de mudança. Bem trabalhado e com alguma insistência, mesmo no PPE, tal argumentário poderá ter o seu efeito.
Em terceiro, é sabido que o partido Conservador britânico se vai desligar do PPE e criar o seu próprio grupo parlamentar juntamente com checos, polacos e mais alguns pequenos partidos, sendo que nenhum deles é propriamente grande fã de Barroso, pelo contrário.
Por fim, o grupo parlamentar Liberal/Democrata pretende vir a obter a presidência do PE, meta apenas alcançavel com uma boa dose de negociação. Assim, os Lib/Dem poderiam eventualmente apoiar Durão se lhes fosse garantido pelo PPE a presidência, o que não se afigura fácil uma vez que já há dois candidatos do PPE , sendo um italiano e Berlusconi não parece disposto a ceder sem receber nada em troca. Uma alternativa para os Lib/Dem seria juntarem-se à oposição no PE e chumbarem em bloco Durão, garantindo a presidência do parlamento. É cenário que se afigura bastante plausível, sobretudo se simultaneamente aceitarem que o presidente da Comissão seja à mesma do PPE (contentando este), mas não Durão. É que os parlamentares de todos os partidos gostam (e eventualmente necessitam face às opiniões públicas internas) de «mostrarem que mandam», face ao Conselho de Ministros. Obrigarem a ser apresentado um outro candidato seria uma prova de força que certamente muitos não rejeitariam. E tem bom argumento até, para além das críticas a Durão: a previsível entrada em vigor do Tratado de Lisboa poderia servir de justificativa para uma mudança, refrescamento e «novo começo» na Comissão.

Assim, quer-me parecer que o argumento de votar psd é votar num português para presidir à comissão, é, para além de rasteiro, oco e provinciano, altamente provável que se esteja a enganar o eleitorado. Melhor seria se apostassem em argumentos sérios, sei lá, temas europeus…..

Nota suplementar: Barroso teria também dois «pequenos» problemas a resolver: O Tratado de Nice, em vigor, prevê obrigatoriamente que o número de comissários seja inferior a 27 (sem fixar número). A negociação de quem fica e quem sai será dura…. Por outro lado, provavelmente o novo presidente da comissão apenas será escolhido depois da entrada em vigor do Tratado de Lisboa ( se tal acontecer até ao final do ano). É que este prevê expressamente que o presidente da comissão deverá ser «eleito» pela maioria dos membros que compõem o Parlamento Europeu e não simplesmente «aprovado» como até aqui.

(também publicado no eleicoes2009)

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