Eleições, eleitores e figurantes*
Cada um lê o que pode ou deve. E a mim, no dia das eleições para o Parlamento Europeu, calhou-me andar às voltas com o discurso feito em Fevereiro de 1975, no Sabugo, pelo então primeiro-ministro, general Vasco Gonçalves, numa sessão do que então se designava como dinamização cultural. Para quem viveu ou estuda o PREC, esta intervenção é fundamental porque, entre muitas outras coisas, comprova-se aí que as eleições eram já assumidas não como uma fonte de legitimidade do poder, mas sim como uma espécie de confirmação tutelada desse poder, que no caso se reivindicava revolucionário: “Nós não vamos perder, por via eleitoral, aquilo que tanto tem custado aos portugueses. “Meses depois viu-se bem como o general Vasco Gonçalves e sobretudo quem o apoiava não estavam de facto dispostos a perder por via eleitoral tudo aquilo que, na sua opinião, se ganhara pela via revolucionária. Lidas hoje, estas afirmações ou outras do mesmo teor como as proferidas por um titular da pasta do Interior em 1931 (Lopes Mateus) a propósito da realização de eleições no Estado Novo – “Se o Governo caminha espontaneamente para o acto eleitoral (…) é porque tem a certeza da vitória” – não diferem nada, mas mesmo nada, da doutrina que está actualmente subjacente à UE: só podemos votar para confirmar o que já está superiormente decidido. Logo, os eleitores são uma espécie de figurantes festivos no discurso sobre a Europa. Nada que não tenha acontecido antes, como se vê pelas frases citadas, mas é sempre espantoso que voltemos a cair no mesmo erro.
*PÚBLICO, 11 de Junho

Nós não vamos perder, por via eleitoral, aquilo que tanto tem custado aos portugueses
E quem disser que o PCP tentou estabelecer uma ditadura em Portugal, mente.
E é este partido, com as suas actuais ramificações (BE, MRPP,etc.), que obteve mais de 20% dos votos!
Conhecem mais algum país na Europa onde a extrema-esquerda tenha tamanha projecção?
Eu conheço alguns países, mas não são europeus: Venezuela, Bolívia, etc.
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Helena,
Olhe que depois de ler “Nós não vamos perder, por via eleitoral, aquilo que tanto tem custado aos portugueses” era capaz de lhe perguntar se viu o discurso de Capoulas Santos a dias das eleições europeias. Passou despercebido a muita gente.
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“Eu conheço alguns países, mas não são europeus: Venezuela, Bolívia, etc.”
Nós não somos europeus, estamos apenas na Europa.
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#1
Desde quando é que o MRPP é uma ramificação do PCP ?
Deve ser do tempo em que o PSD é uma ramificação da ANP !!
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Sócrates não devia ter seguido a ideia de Durão Barroso , Cavaco Silva, e Merkel, Sarcozy e outros todos e devia mesmo ter pedido eleições mesmo que perdesse. Agora atacam Socrates e votam nos outros todos.
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«os eleitores são uma espécie de figurantes festivos no discurso sobre a Europa»
Não só, miss Helena, não só.
É tambem assim com o País.
O habitual.
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Marafado de Buliquei-me disse
12 Junho, 2009 às 6:14 pm
#1
Desde quando é que o MRPP é uma ramificação do PCP ?
Desde 1970
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Há alguns anos, estive em Brazaville, cidade que havia sido devastada, pouco antes, por uma terrível guerra civil motivada por eleições.
As partes envolvidas tinham ‘slogans’ um pouco diferentes:
«Não vamos perder por via eleitoral o que ganhámos com a guerra!» – diziam uns;
«Não vamos perder por via da guerra o que ganhámos com as eleições!» – retorquíam os outros.
Ou vice-versa, já não me recordo…
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# Anda muito mal informado !!
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#1
Fundado em 18 de Setembro de 1970, o MRPP – Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado defendia que o Partido Comunista Português adoptara uma ideologia “revisionista”, tendo deixado de ser o “partido do proletariado”. Para a prossecução da revolução era necessário reorganizá-lo – daí o nome escolhido.
Teve como Secretário-Geral Arnaldo Matos. O seu órgão central foi sempre o “Luta Popular”, cuja primeira edição foi lançada em 1971 (ainda no tempo da ditadura). O MRPP foi um partido muito activo antes do 25 de Abril de 1974, especialmente entre estudantes e jovens operários de Lisboa e sofreu a repressão das forças policiais, reivindicando como mártir Ribeiro Santos[1], um estudante assassinado pela polícia política durante uma manifestação ilegal em 12 de Outubro de 1972.
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#1, Mais uma informaçãozita…
O MRPP – e depois o PCTP/MRPP – ganhou fama com as suas grandes e vistosas pinturas murais. Continuou uma grande actividade durante os anos de 1974 e 1975. Nessa altura tinha nas suas fileiras membros que mais tarde vieram a ter grande relevo na política nacional, como José Manuel Durão Barroso e Fernando Rosas, entretanto expulsos.
Logo a seguir ao 25 de Abril, o MRPP foi acusado pelo Partido Comunista Português (que desde sempre foi “eleito” como o seu maior inimigo, apelidado de “social-fascista” – uma prática fascista disfarçada por um discurso social), de ser subsidiado pela CIA, acusação destinada a “desmascarar” um partido que se mostrava incomodativo. Essa acusação terá tido como motivo uma crença baseada, em parte, na cooperação entre o MRPP e o Partido Socialista, durante o chamado “Verão quente”, por serem ambos os partidos contra a via comunista (“revisionista” segundo o MRPP) defendida pelo PCP para Portugal.
A partir de 26 de Dezembro de 1976, o MRPP, após Congresso, passou a designar-se Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses – PCTP/MRPP[3]. O seu líder histórico é Arnaldo Matos. O primeiro director do “Luta Popular”, na fase legal, foi Saldanha Sanches, a quem sucedeu Fernando Rosas. O jornal chegou a ser diário, durante um curto período[4].
O actual líder é Luís Franco, mas o membro mais conhecido é Garcia Pereira.
Este partido não celebra o 25 de Abril.
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Marafado de Buliquei-me disse
12 Junho, 2009 às 6:29 pm
#1
Fundado em 18 de Setembro de 1970, o MRPP (…)
Está a ver como sabe a data da ramificação. Ou acha que foi fundado por pessoas que nunca tiveram qualquer ligação ao PCP?
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Marafado se me responder com textos da Wikipédia, mande-me só os link’s. Não perca tempo.
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#8 – “Ou vice-versa, já não me recordo…”
les uns et les autres, ou seria versa-vice. não perdes oportunidade de
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Pois…a História repete-se sempre. O Romântismo leva sempre a tal coisa, Obama foi mais um sinal que o entusiasmo acrítico devasta tudo á sua passagem.
Podemos ainda adicionar as “Eleições” no Irão, que eu digo criou a última grande inovação na Política – o voto condicionado ao Regime. Com todos os Jornalistas a darem o aval legitimador a umas “eleições” que se fossem em Portugal seriam para escolher entre a Manuela Ferreira Leite* o Marques Mendes* e o Passos Coelho*.
Aí se a União Soviética tivesse pensado em tal coisa…
*substituir por membros destacados de outro partido.
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#13
Afinal , não era ignorância ………… era má fé… !!!!
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Meus Caros
Apenas me quero pronunciar sobre a alocução de Vasco Gonçalves no Sabugo
A frase de Vasco Gonçalves está fora do contexto, logo a sua interpretação fica prejudicada. Na altura em que foi dita – uma altura em que se temia a desforra da direita (Kaulzas e outros – nestes outros entram Spinola e os seus “conselheiros” civis – o que a frase queria dizer é que mesmo que a direita ganhasse as eleições a democracia manter-se-ia. É bom não esquecer que em Setembro já tinha havido tentativa de golpe (o chamado golpe Palma Carlos, mas que na realidade é de Sá Carneiro e de Spínola)visando uma “democracia” musculada e, além disso, no imaginário da esquerda o golpe chileno de Pinochet estava permanentemente presente.
Aliás, por aquelas ou outras palavras, no seu livro “No Interior da Revolução”, Vasco Lourenço diz o mesmo.
Cumprimentos
JMC Pinto
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Na versão da UE há dois tipos de consultas: as que corroboram as “doutas” opiniões de Bruxelas; as que as recusam.
No 1.º caso; os votantes “europeus” são seres “iluminados”, que até percebem o que nem os burocratas do sistema são capazes de compreender; no 2.º caso; os votantes “anti-europeus” são pseudo-atrasados, agarrados à História das suas nações; com um fascínio desmesurado pelos seus Países, que não percebem coisa alguma do que quer que seja.
A minha resposta é esta:
Não sou “anti-europeu”, porque não sei o que é ser “europeu”. Sou europeu porque a minha Pátria se situa neste continente e nada mais. Tivesse nascido umas centenas de quilómetros a Sul e seria, sem dúvida, africano. Não me considero atrasado seja no que for por pensar de maneira diferente do vulgo. Sou Português e sê-lo-ei sempre. Peço a Deus que me deixe morrer em Portugal e como Português! Percebo muito bem o que querem os “europarvos”: querem fazer dos outros “euroburros!”
“No pasarán!”
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JMC Pinto, a sua interpretação fze-me lembrar este vídeo:
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Kolchak recuse usar a narrativa dos Unionistas. Eles têm a lição bem estudada mas não lhes deixemos monopolizar a palavra Europa.
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Ao sermos nós portugueses governados pelos burocratas sem rosto de Bruxelas, ficamos mais esperançosos na nossa sorte.
Isto é ao sermos governados por desconhecidos, permanecemos com o benefício da dúvida!
Os desconhecidos podem ser bons ou maus, já no que diz respeito às elites que governam Portugal! Não há dúvidas variam entre o muito mau e o péssimo.
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17 – A farse não está de modo algum fora de contexto e o contexto não é nada o duma vitória da direita no sentido chileno em que o refere. Aliás direita nesta fase começava no PS. O PACTO MFA- Partidos é isto mesmo que Vasco Gonçalvez diz passado para uma forma institucionalizada.
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Vasco e outros tinham tanta certeza no que diziam e queriam fazer realmente até os pais das esquerdas que cantam, onde o sol brilhava mais alto, ali onde não havia injustiças sociais, mãe de todas os direitos ás autodeterminações lhes ter tirado o tapete trocando este cantinho mal amanhado e mal frequerntado por todas as riquezas e posições estratégicas africanas que Vasquinho e camarilha lhes ofereceram.
Esse é o contexto
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OBS- não esquecer o pai da pátria MS
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helenafmatos adora ler sua claque de octodontídeos!
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Pinto, a sua excelente entrevista de Hitler faz lembrar esta:
Hitler ensaiou infrutiferamente obter financiamentos na blogosfera
Refugiado num bunker em Berlim, dias antes da data do seu suicídio, a 30 de Abril de 1945, Hitler é confrontado pelos seus generais com o fracasso total do seu blog, donde esperava receitas suplementares que lhe permitissem prolongar a guerra.
No auge do desespero, Hitler dispara em todas as direcções e nem sequer poupa os outros bloggers, revelando-se especialmente virulento com o Blasfémias, o Arrastão, o Causa Nossa, etc.
Vídeo legendado em português
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Pois , é isso. E querem repetir referendos até o resultado ser o que a eles lhes convém , tipo a cena da Irlanda em que , coitados , os figurantes representaram mal. isto da democracia representativa é uma utopia ao nível das outras todas. chatice os humanos não serem robots bem comportadinhos seguindo o guião dos génios pensantes. o factor humano , que merda ,ainda não se rendeu à matemática e estraga tão belas equações ! . Deviamos ser todos lobotomizados para ficarmos bué bem nas fotografias.
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Se andasse às volts com os discursos de Churchil verificaria que também dizia a mesma coisa
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Creio que no Governo tristemente vamos ver, por muito tempo, seres humanos sem moral. É triste a realidade mas já estamos a ficar habituados! E como nenhum de nós com ou sem trombetas conseguirá trazer de volta o que realmente importa… porque são os novos palhaços de Portugal…
Assim querem confiança… para se rirem das nossas caras. Mas não importa, porque na ilusão não existe realidade, eles são a realidade. Pra eles o que dizemos é exagero, bem, eles são ilusão mascarada. Dar nomes a este circo político português dá muita pena.
Desculpem, mesmo assim sou confiante. Mas confiança com ilusão não sintonizam… Há que ver com olhos nus!
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O Zeca Afonso tinha uma musica das dele, salvo erro os “Indios da meia praia”, em que dizia:
das eleições acabadas
do resultado previsto
saiu o que tendes visto
muitas obras embargadas
Estas músicas tentavam legitimar Vasco Gonçalves.
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Apostem no futuro : nos vossos filhos , sobrinhos , netos. Eduquem-nos para a cooperação e não para a competição. Digam-lhes que almejar Poder e Dinheiro é pobreza de espirito , um ser humano ridículo , credo! , totalmente a evitar. Político vindo da Jota ? cuspir em cima.
Digam-lhes que small is beautiful , top da gama parolo , assim de impotente , e pecado ambiemtal ainda por cima …estigmatizem sinais exteriores de desperdicio. minimalismo bué cool ( quanto menos há lá em casa , menos há que limpar , podem começar por aqui ). Viver feliz com o menos e mais barato possível ? o máximo!!
è tudo uma questão de cultura..transmitida de geração em geração. capisce?
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A polícia ideológica sempre alerta à caça de gambuzinos.
Nunca falta aqui.
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#1 Pinto
“E quem disser que o PCP tentou estabelecer uma ditadura em Portugal, mente.
E é este partido, com as suas actuais ramificações (BE, MRPP,etc.), que obteve mais de 20% dos votos!
Conhecem mais algum país na Europa onde a extrema-esquerda tenha tamanha projecção?”
Claro que mente. Como é que alguém poderia pensar uma coisa dessas!
Foi só no verão quente de 1975 que a ala comunista tentou fazer valer as suas ideias à força. Foi só Vasco Gonçalves que determinou que o MFA tinha legitimidade para implementar na totalidade o chamado Socialismo Democrático, criando associações e assembleias populares que determinariam as políticas a serem seguidas, inutilizando assim a existência de partidos políticos e ignorando assim totalmente as eleições de Abril de 75 em que o PS teve à volta de 38% e o PSD 26%.
Mas nada disso interessava.
Os “20%” do PCP e suas ramificações têm sempre, na cabeça de fanáticos, uma benção dos deuses e por isso valem mais que o resto.
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” … não diferem nada, mas mesmo nada, da doutrina que está actualmente subjacente à UE …”
Com o devido respeito pela Helena Matos, que aprecio e com quem estou muitas vezes de acordo, acho que nesta conclusão ha muito exagero e alguma demagogia instrumental !
Apesar de tudo, são situações diferentes !…
Num caso, no do “Estado Novo” e do “PREC”, são doutrinas e praticas ditatoriais que excluem eleições verdadeiramente livres e pluralistas na escolha dos governantes.
No outro caso, o da UE, por mais que se discorde dos procedimentos de consulta dos cidadãos europeus num longo e complexo processo de construção supra-nacional, tudo se passa num contexto fundamentalmente democratico.
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Levy disse
13 Junho, 2009 às 12:31 am
ou seja, já nesse tempo havia cabalas e campanhas negras…até com a música!
tão divertida esta direita.
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“Num caso, no do “Estado Novo” e do “PREC”, são doutrinas e praticas ditatoriais que excluem eleições verdadeiramente livres e pluralistas na escolha dos governantes”
Um pouco de seriedade sff!
Para além do PREC – que vos ficou atravessado – não ter excluido nenhuma eleição, era de bom tom não ficarem assanhados com 21% do BE+CDU.
Afinal em que ficamos? “eles” são contra eleições e vossas senhorias estão nervosos por causa de 1/5 dos eleitores?
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“Para além do PREC – que vos ficou atravessado – não ter excluido nenhuma eleição,…
36. Portela Menos 1
Durante o PREC houve uma luta entre os que, como o PC e a extrema esquerda, trabalhavam para implantar em Portugal uma “democracia popular”, e aqueles que, do PS a Antonio Spinola passando pelo PPD e pelo CDS, queriam um pais livre e com uma democracia pluralista.
As declarções citadas de Vasco Gonçalves ilustram bem o projecto da ala “revolucionaria” do MFA : impor pela força aquilo que os portugueses não aceitavam pela via eleitoral.
O 25 de Novembro de 1975 foi precisamente a derrota deste projecto.
O PCP e o BE são hoje tão simplesmente os herdeiros e os defensores dos sectores “revolucionarios” do PREC e de um projecto anti-democratico e totalitario !
A democracia “burguesa” é que lhes “ficou [e continua] atravessada” !…
Actualmente, como o contexto não é favoravel a aventuras revolucionarias e totalitarias, estes sectores não teem outro remédio senão sujeitarem-se ao jogo da democracia e à prova das eleições livres.
Felizmente, os 21% dos votos que conseguem obter (e o mais provavel é que em eleições legislativas, com uma taxa de abstenção menos importante, esta percentagem diminua) não são suficientes para uma qualquer tomada e monopolização “leninista” do poder !
Infelizmente, o aumento da percentagem eleitoral da esquerda totalitaria, mesmo continuando a ser largamente minoritaria, traduz o peso excessivo das influencias negativas das suas ideias e práticas iliberais sobre sociedade portuguesa.
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É muito dificil falar com reaccionários primários…
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“É muito dificil falar com reaccionários primários…”
Brilhante !!…
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