Há uma frase dele que registo.
Depois do regresso a Inglaterra, perguntaram-lhe certa vez do que tinha mais gostado no Porto.
Respondeu com a desenvoltura que lhe era peculiar:
“Do peixe assado no forno.”
Descanse em paz; os clubes por onde passou em Portugal não o mereceram, empresários de meias leca-Sporting- alternadeiros -Porto.
Este era de outra galáxia ..um gentleman…talvez um dos últimos no mundo cada vez mais bosta do empresariofutebol….acho que apesar de tudo partiu na hora certa , pese a dornça…estes tempo de trogloditas futebolmongramas é o futuro…Até um dia …
Caros Blasfémos, Como “lagarto” sempre me envergonhou a forma como este Senhor (que acrescia a esta qualidade saber de futebol e liderança de jogadores)foi tratado em Alvalade; Porque razão não é possivel responsabilizar alguns aventureiros que vão, a seu belo prazer e com custos incalculáveis, deixando as suas marcas(quinhas…)por onde vão passando?
Paulo
Os sócios dos clubes é que podem e devem(!) responsabilizar esses aventureiros. Nas assembleias gerais e nas eleições.
Mas também é verdade que a maioria dos sócios e simpatizantes nada querem saber das vidas dos seus clubes para além do pontapé na bola…
Más gestões ? Péssimas contratações ? Inaceitáveis despedimentos de bons treinadores e venda a pataco de óptimos jogadores ? Condenáveis representações institucionais ? Roubos ? Peculatos ? Fraudes eleitorais ? — a maioria assobia para o lado…e se ajudada a não pensar, ou seja, se anestesiada por constantes manchetes de jornais…
Amei Lisboa, a cosmopolita, e admirei o Porto, cidade à inglesa» LONGE vão os dias em que Bobby Robson, banhado em múltiplas glórias no futebol inglês e vencedor de dois campeonatos da Holanda pelo PSV, aceitou um convite do Sporting para rumar a Lisboa e assumir a direcção técnica do futebol em Alvalade. Foi em Julho de 1992. Visitámo-lo então na sua casa de Constitution Hill, em Ipswich, e testemunhámos o seu entusiasmo por vir trabalhar em Portugal, num dos principais clubes do nosso país. Com 59 anos, Robson estava certo de que aumentaria o brilho da sua carreira profissional, apresentando-se na primeira fila onde nomes famosos do futebol português se perfilavam. Longe vão esses dias, de facto, tal como está distante a passagem pelo FC Porto. Hoje, o tempo correu e Robert William Robson, a contas com uma doença terminal, disse-nos que esta entrevista seria possivelmente a última.
Em conversa telefónica, Bobby Robson recorda o início da sua ligação a Portugal, país que o encantou, que adoptou mais tarde, já a vida o levara para outras paragens, como destino de férias, como palco de golfe, uma das suas grandes paixões.
— Não hesitei perante o convite do Sporting. Sabia que ia trabalhar para um grande clube. A minha esposa tinha as suas dúvidas. É uma inglesa conservadora que não contemplava sem reflectir uma partida para esse país estranho que é o dos portugueses, onde as coisas se vivem com imensa paixão. Eu, pelo contrário, oriundo do Norte de Inglaterra, nunca tive dúvidas. Trabalhar em Portugal era uma alteração drástica na minha carreira. Mas convenci-me, rapidamente, de que essa alteração seria no melhor sentido.
— E foi?
— Tudo correu da melhor forma possível. O Sporting alugou-me um apartamento na zona de Carnide. Era um 9.º andar. Mas, das varandas, o que via eu? Nada mais, nada menos, o Estádio da Luz. Senti-me logo agradado com a atmosfera portuguesa. O Estádio da Luz era conhecido no mundo inteiro. Não podia sentir-me estranho à magia que o envolvia. Para mais, entre os portugueses, o meu clube era o Benfica. Entretanto, pensei que pertencia ao rival mais directo. E as pessoas diziam-me que o clube tinha a sua maneira especial de estar na vida. Foi formado por aristocratas e abriu-se, gradualmente, à classe média e, depois, ao mundo dos trabalhadores. Era um clube de todo o povo. Senti, então, que o meu novo clube era o Sporting. No fim de contas, também fui trabalhador. Nasci na zona operária de Durham e trabalhei nas minas de carvão como electricista. Mas a vida deu-me oportunidades e ultrapassei as diferenças de classe. Assim, sem problemas, o meu clube, agora, era o Sporting.
Dois anos mais tarde, Bobby Robson tinha atravessado o deserto, em Lisboa. Em Dezembro de 1993 a sua equipa andava na frente do campeonato português, mas a eliminação frente ao Casino Salzburgo, na Taça UEFA, faria perder a paciência ao presidente do clube, Sousa Cintra.
— Nunca na minha vida tinha sido despedido, nem quando trabalhei na indústria mineira, nem no futebol. Criaram-me uma situação insólita no clube. O pagamento dos meus honorários era protelado todos os dias. Marcavam-me reuniões. Eu estava preparado para deixar o Sporting e reorganizar a minha vida, rapidamente, desde que me pagassem o que me era devido. Estávamos no Outono de 1993 e tornava-se-me, particularmente, doloroso abrir as portas da varanda do meu apartamento, olhar o Estádio da Luz e pensar: Eis o clube onde devia estar, o glorioso Benfica, aquele que sempre admirei.
Gratidão a Portugal
Finalmente, o Sporting pagou-lhe. Bobby Robson, assim, ficou livre, mas não foi para a Luz, antes para o FC Porto. Com ele seguiu alguém que, além das funções de tradutor que tinha em Alvalade, já manifestava qualidades de condutor de homens e de especialista do treino, José Mourinho.
Honra inglesa
— Qual o momento mais emocionante e honroso que viveu na sua movimentada carreira?
Bobby Robson pára a conversa um pouco para pensar. Pelo espírito passavam-lhe, certamente, grandes momentos de futebol vividos no caudal dos grandes jogos, dos grandes acontecimentos. Mas, de repente, a inquietação que o atormentava diluiu-se e conheceu a realidade. «Foi quando me foi outorgado o título de sir e fui escolhido como um dos melhores do meu país.»
«Olha, se calhar vamos para o Benfica…»
Depois de Sporting
e FC Porto rumou a Barcelona, mas apenas um ano depois, quando deixou o comando técnico da equipa catalã e assumiu o cargo de director desportivo, o regresso a Portugal esteve perto. Para o Benfica. A seu lado teria vindo José Mourinho:
— A candidatura de Abílio Rodrigues à presidência do Benfica estava oficializada, em 1997, e tinha negociado comigo a minha ida para Lisboa para assumir o cargo de treinador principal do futebol benfiquista. Provavelmente, levaria comigo o José, a quem já tinha informado do destino para o qual me perfilava. Olha que, se calhar, vamos para o grande Benfica! Mas a verdade é que, feitas as eleições, o candidato que me escolhera não foi escolhido pelos votantes e, assim, uma vez mais, o destino afastou-me do clube em que tanto ambicionara trabalhar. Sem dúvida alguma, escolhi o cavalo errado. A minha aposta em Abílio Rodrigues falhou, tal como o seu projecto. Obviamente, teria sido sensacional. Seria um dos poucos na História do futebol português a ser treinador dos três principais clubes portugueses. Não acha que seria brilhante? É que o nome do Benfica põe brilho nas coisas…
Bobby Robson foi homenageado, recentemente, pela BBC, que lhe ofereceu o Prémio anual reservado à Personalidade Desportiva do Ano, na presença dos sobreviventes das equipas do Ipswich que venceram a Taça de Inglaterra e a Taça das Taças em 1978 e em 1981. Foi-lhe oferecida, também, uma diferente versão daquele Prémio com a qual a BBC só havia distinguido até agora Alex Ferguson, George Best e Pelé no futebol, Ian Botham no cricket e Martina Navratilova e Bjorn Borg no ténis.
É curioso como a clubite distorce a biografia de um grande homem.
O comentário #19. é disso exemplo.
Vejam lá que o defunto sempre fez tudo para ir para o Benfica, “que põe brilho nas coisas”, sem nunca o ter conseguido.
Sobre o que efectivamente ganhou em Portugal, não reza a estória de tais comentadores, pois ganhou dois títulos nacionais, uma Taça de Portugal e três Supertaças… ao serviço do Porto.
Homenagem merecida. Descanse em paz.
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Esse também foi uma vitima durante uns tempos. Diziam que fazia parte do grupo dos que não podiam dar sangue.
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agora temos dose dupla, paneleirice & bola.
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Sempre que morre uma pessoa dá o fanico à página da wikipedia respectiva.
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Um homem com H
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Há uma frase dele que registo.
Depois do regresso a Inglaterra, perguntaram-lhe certa vez do que tinha mais gostado no Porto.
Respondeu com a desenvoltura que lhe era peculiar:
“Do peixe assado no forno.”
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Obrigado Sir pelos momentos que me destes no Sporting.
Descansa em paz.
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Um gentleman. Extraordináro treinador. Um sábio do futebol.
Um mito, que teria dado o título ao Sporting não fosse a precipitação de Sousa Cintra, e que Pinto da Costa soube aproveitar.
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# 6, pelos vistos ele gostava de peixe e de carne, estarás em condições de responder?
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Descanse em paz; os clubes por onde passou em Portugal não o mereceram, empresários de meias leca-Sporting- alternadeiros -Porto.
Este era de outra galáxia ..um gentleman…talvez um dos últimos no mundo cada vez mais bosta do empresariofutebol….acho que apesar de tudo partiu na hora certa , pese a dornça…estes tempo de trogloditas futebolmongramas é o futuro…Até um dia …
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O Sócrates nem categoria para lamber o cu deste homem.
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nem categoria tem…
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«I am going to die sooner rather than later. But then everyone has to go sometimes and I have enjoyed every minute.», Bobby Robson
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Justa homenagem a um gentleman.
Cavalheiro, profissional competente, irónico, franco, dedicado e fiável…enfim, um perfeito “sir”.
Deixa muitas saudades em Portugal, pois tentou levantar o Sporting quando este era roubado e desrespeitado por todos, e foi o homem do tri lá no FCP.
Um Senhor do mundo.
Estamos todos de luto.
Digo eu…
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Caros Blasfémos, Como “lagarto” sempre me envergonhou a forma como este Senhor (que acrescia a esta qualidade saber de futebol e liderança de jogadores)foi tratado em Alvalade; Porque razão não é possivel responsabilizar alguns aventureiros que vão, a seu belo prazer e com custos incalculáveis, deixando as suas marcas(quinhas…)por onde vão passando?
Paulo
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Para mim o melhor treinador de todos os tempos.
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Mr. Paulo Barata, 15
Os sócios dos clubes é que podem e devem(!) responsabilizar esses aventureiros. Nas assembleias gerais e nas eleições.
Mas também é verdade que a maioria dos sócios e simpatizantes nada querem saber das vidas dos seus clubes para além do pontapé na bola…
Más gestões ? Péssimas contratações ? Inaceitáveis despedimentos de bons treinadores e venda a pataco de óptimos jogadores ? Condenáveis representações institucionais ? Roubos ? Peculatos ? Fraudes eleitorais ? — a maioria assobia para o lado…e se ajudada a não pensar, ou seja, se anestesiada por constantes manchetes de jornais…
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Meu Tributo,
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Amei Lisboa, a cosmopolita, e admirei o Porto, cidade à inglesa» LONGE vão os dias em que Bobby Robson, banhado em múltiplas glórias no futebol inglês e vencedor de dois campeonatos da Holanda pelo PSV, aceitou um convite do Sporting para rumar a Lisboa e assumir a direcção técnica do futebol em Alvalade. Foi em Julho de 1992. Visitámo-lo então na sua casa de Constitution Hill, em Ipswich, e testemunhámos o seu entusiasmo por vir trabalhar em Portugal, num dos principais clubes do nosso país. Com 59 anos, Robson estava certo de que aumentaria o brilho da sua carreira profissional, apresentando-se na primeira fila onde nomes famosos do futebol português se perfilavam. Longe vão esses dias, de facto, tal como está distante a passagem pelo FC Porto. Hoje, o tempo correu e Robert William Robson, a contas com uma doença terminal, disse-nos que esta entrevista seria possivelmente a última.
Em conversa telefónica, Bobby Robson recorda o início da sua ligação a Portugal, país que o encantou, que adoptou mais tarde, já a vida o levara para outras paragens, como destino de férias, como palco de golfe, uma das suas grandes paixões.
— Não hesitei perante o convite do Sporting. Sabia que ia trabalhar para um grande clube. A minha esposa tinha as suas dúvidas. É uma inglesa conservadora que não contemplava sem reflectir uma partida para esse país estranho que é o dos portugueses, onde as coisas se vivem com imensa paixão. Eu, pelo contrário, oriundo do Norte de Inglaterra, nunca tive dúvidas. Trabalhar em Portugal era uma alteração drástica na minha carreira. Mas convenci-me, rapidamente, de que essa alteração seria no melhor sentido.
— E foi?
— Tudo correu da melhor forma possível. O Sporting alugou-me um apartamento na zona de Carnide. Era um 9.º andar. Mas, das varandas, o que via eu? Nada mais, nada menos, o Estádio da Luz. Senti-me logo agradado com a atmosfera portuguesa. O Estádio da Luz era conhecido no mundo inteiro. Não podia sentir-me estranho à magia que o envolvia. Para mais, entre os portugueses, o meu clube era o Benfica. Entretanto, pensei que pertencia ao rival mais directo. E as pessoas diziam-me que o clube tinha a sua maneira especial de estar na vida. Foi formado por aristocratas e abriu-se, gradualmente, à classe média e, depois, ao mundo dos trabalhadores. Era um clube de todo o povo. Senti, então, que o meu novo clube era o Sporting. No fim de contas, também fui trabalhador. Nasci na zona operária de Durham e trabalhei nas minas de carvão como electricista. Mas a vida deu-me oportunidades e ultrapassei as diferenças de classe. Assim, sem problemas, o meu clube, agora, era o Sporting.
Dois anos mais tarde, Bobby Robson tinha atravessado o deserto, em Lisboa. Em Dezembro de 1993 a sua equipa andava na frente do campeonato português, mas a eliminação frente ao Casino Salzburgo, na Taça UEFA, faria perder a paciência ao presidente do clube, Sousa Cintra.
— Nunca na minha vida tinha sido despedido, nem quando trabalhei na indústria mineira, nem no futebol. Criaram-me uma situação insólita no clube. O pagamento dos meus honorários era protelado todos os dias. Marcavam-me reuniões. Eu estava preparado para deixar o Sporting e reorganizar a minha vida, rapidamente, desde que me pagassem o que me era devido. Estávamos no Outono de 1993 e tornava-se-me, particularmente, doloroso abrir as portas da varanda do meu apartamento, olhar o Estádio da Luz e pensar: Eis o clube onde devia estar, o glorioso Benfica, aquele que sempre admirei.
Gratidão a Portugal
Finalmente, o Sporting pagou-lhe. Bobby Robson, assim, ficou livre, mas não foi para a Luz, antes para o FC Porto. Com ele seguiu alguém que, além das funções de tradutor que tinha em Alvalade, já manifestava qualidades de condutor de homens e de especialista do treino, José Mourinho.
Honra inglesa
— Qual o momento mais emocionante e honroso que viveu na sua movimentada carreira?
Bobby Robson pára a conversa um pouco para pensar. Pelo espírito passavam-lhe, certamente, grandes momentos de futebol vividos no caudal dos grandes jogos, dos grandes acontecimentos. Mas, de repente, a inquietação que o atormentava diluiu-se e conheceu a realidade. «Foi quando me foi outorgado o título de sir e fui escolhido como um dos melhores do meu país.»
«Olha, se calhar vamos para o Benfica…»
Depois de Sporting
e FC Porto rumou a Barcelona, mas apenas um ano depois, quando deixou o comando técnico da equipa catalã e assumiu o cargo de director desportivo, o regresso a Portugal esteve perto. Para o Benfica. A seu lado teria vindo José Mourinho:
— A candidatura de Abílio Rodrigues à presidência do Benfica estava oficializada, em 1997, e tinha negociado comigo a minha ida para Lisboa para assumir o cargo de treinador principal do futebol benfiquista. Provavelmente, levaria comigo o José, a quem já tinha informado do destino para o qual me perfilava. Olha que, se calhar, vamos para o grande Benfica! Mas a verdade é que, feitas as eleições, o candidato que me escolhera não foi escolhido pelos votantes e, assim, uma vez mais, o destino afastou-me do clube em que tanto ambicionara trabalhar. Sem dúvida alguma, escolhi o cavalo errado. A minha aposta em Abílio Rodrigues falhou, tal como o seu projecto. Obviamente, teria sido sensacional. Seria um dos poucos na História do futebol português a ser treinador dos três principais clubes portugueses. Não acha que seria brilhante? É que o nome do Benfica põe brilho nas coisas…
Bobby Robson foi homenageado, recentemente, pela BBC, que lhe ofereceu o Prémio anual reservado à Personalidade Desportiva do Ano, na presença dos sobreviventes das equipas do Ipswich que venceram a Taça de Inglaterra e a Taça das Taças em 1978 e em 1981. Foi-lhe oferecida, também, uma diferente versão daquele Prémio com a qual a BBC só havia distinguido até agora Alex Ferguson, George Best e Pelé no futebol, Ian Botham no cricket e Martina Navratilova e Bjorn Borg no ténis.
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O PdC já pagou o que devia ao SIR?
Ao menos pague agora à fundação Bobby Robson que luta contra o cancro
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Olá!
Estou com esta homenagem.
Parabéns e bom fim-de-semana.
David Santos
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É curioso como a clubite distorce a biografia de um grande homem.
O comentário #19. é disso exemplo.
Vejam lá que o defunto sempre fez tudo para ir para o Benfica, “que põe brilho nas coisas”, sem nunca o ter conseguido.
Sobre o que efectivamente ganhou em Portugal, não reza a estória de tais comentadores, pois ganhou dois títulos nacionais, uma Taça de Portugal e três Supertaças… ao serviço do Porto.
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É duro eu sei COiso…. mas aquilo foi o Sir que disse, não foi nenhum comentador..
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