Um dos casos de melhor imprensa em Portugal: a I República
A propósito da troca das bandeiras na CML escreve-se no PÚBLICO «A substituição da bandeira municipal (o municipalismo foi, refira-se, um dos projectos do ideário republicano) pode também ser punível com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias, segundo o artigo 332º do Código Penal.» Depois de anos a achar-se que era um acto de coragem, arrojo e liberdade fazer-se isto desde que os protagonistas fossem doutro campo político agora, perante o desconchavo mas de sinal contrário, o embaraço é evidente. Mas o que verdadeiramente me interessa neste caso para lá do ar indiferente do cidadão que passa por ali e que adopta a atitude hoje dominante do “não quero chatices, isto é tudo naturalíssimo” é a fabulosa ideia inscrita neste texto do PÚBLICO sobre o municipalismo. Mesmo dando de barato que grandes ideólogos do municipalismo em Portugal como Garrett e Herculano não tenham sido propriamente republicanos convém não esquecer o percurso do municipalismo propriamente dito: temos um Congresso Municipalista em 1909, outro em 1910 e um outro em 1922. Ou seja dois na monarquia e um no regime republicano e mesmo assim apenas 12 anos após a implantação da mesma república. O primeiro congresso foi organizado em Lisboa, 121 munícipios aderiram, sendo a esmagadora maioria constituída por monárquicos pois, em 1909, apenas existiam doze munícipios com vereação republicana em Portugal, sendo um deles Lisboa que organizava o congresso. Este teve um extraordinário eco na imprensa e mobilizou inúmeras associações da capital. Os congressistas tiveram direito a menu municipalista servido pela Pastelaria Marques: Sopa autonomia municipal; Peru trufado à congressista; Gelados bloco camarário. Os congressistas aprovaram por aclamação as teses sobre a municipalização dos serviços públicos e a lei de expropriação. A proposta sobre a consulta popular para alterar impostos e contribuições foi chumbada. Tudo isto e muito mais se podia saber visitando a exposição que a
Hemeroteca dedicou ao Congresso Municipalista de 1909.
A Hemeroteca Municipal de Lisboa é precisamente aquele edifício ali ao pé da Igreja de São Roque que tem um telhado provisório e um interior neste estado. Pode parecer milagre mas a Hemeroteca tem um atendimento excelente. Os sucessivos presidentes da autarquia devem achar que dá azar fazer ali obras pois só as forças do Além conseguirão explicar que no meio de tanta promessa de cultura aquele edifício se mantenha naquele estado, pondo em perigo a conservação dum património único e em alguns recantos a saúde de quem lá trabalha.

“Mas o que verdadeiramente me interessa neste caso para lá do ar indiferente do cidadão que passa por ali e que adopta a atitude hoje dominante do “não quero chatices, isto é tudo naturalíssimo”
aquilo foi filmado e deu na tv, portantos se não é légau vai tudo dentro, os vaders + os que ficaram à porta.
GostarGostar
As pessoas nem repararam que a bandeira era outra. Não estava vento e a bandeira que lá estava não era a verde e vermelha era a de lisboa. LOgo nem se nota ao longe.
Coragem Coragem era se alguém colocasse lá a bandeira dos piratas. A preta com a caveira.
GostarGostar
No “torrãozinho de açúcar” a boa imprensa tem o caldo de cultura ideal : a militante ignorância dos seus leitores…
GostarGostar
O primeiro link está roto.
GostarGostar
A Hemeroteca terá o primeiro número do Evaristo? ( revista de bd, de 1974, impressa em papel pardo e com desenhos ultrajantes de promessas da bd que nunca se cumpriram a não ser o consagrado Zíngaro).
E terá o jornal Primeiro de Janeiro dos anos sessenta, com o suplemento dos Domingos onde aparecia o Coração de Julieta de Stan Drake e o Príncipe Valente de Hal Foster?
E terá a colecção completa da revista Cinéfilo ( 1ª e principalmente a segunda série que se publicou alguns meses entre 1973 e 74)?
E a colecção da revista Cine-Disco que se publicou desde 1968 até aos anos setenta, depois de ter mudado o título, a partir do número 15 para Mundo Moderno? ( grande título que até me inspirou para um blog com esse título agarrado)
GostarGostar
Sobre as ruínas de Troia, nada.
GostarGostar
Não deixa de ser interessante que o vídeo de divulgação do protesto use como música de fundo o Hino da Carta, só que com uma letra do PREC que tece loas românticas à Patuleia. A letra do Hino da Carta nunca foi aquela, mas para os tontinhos que programaram aquilo isso é um promenor irrelevante.
GostarGostar
Afinal que é tontinha, Calpúrnia? Afinal, pelos vistos é… V-O-C-Ê.
Sabe porquê? Porque antes de escrever, devia ter ido ao youtube (fácil) e escutar o Hino da Carta e depois o Hino da Maria da Fonte.
O Hino da Carta pode ouvi-lo em “Portugal 1826-1910”
O Hino da Maria da Fonte é aquele que ontem (e muito bem, com uma das letras autênticas, que aliás variavam) o 31 da Armada utilizou.
Irrelevante é insultar antes de pesquisar.
GostarGostar