Guerra total
Sun Tzu aconselhou “deixar a um inimigo cercado uma saída por onde fugir”. O autor prossegue: “é essencial demonstrar aos sitiados haver uma possibilidade de sobrevivência”. Esta máxima, uma das mais importantes de “A arte da guerra”, encontra aplicações práticas todos os dias.
Quem não tiver em conta as opiniões de Sun Tzu, arrisca-se a cair nos raciocínios de C. von Clausewitz, para quem “A guerra nada mais é do que um duelo em grande escala”, acrescentando este autor que “a guerra é um acto de violência levado aos seus máximos limites; como um lado dita a lei ao outro, cria-se uma espécie de acção recíproca que, logicamente, terá de conduzir a um extremo”.
Vêm estas considerações a propósito da evolução recente no panorama político português, o qual tem assistido a uma escalada de intensidade cénica. A esse propósito, distinguem-se dois marcos de registar: o caso do estatuto dos Açores e o caso do e-mail.
No primeiro, embora o sentido do gesto fosse claro, encontravam-se verificados os pressupostos de Sun Tzu. Existia uma saída, desde logo, através do recurso ao Tribunal Constitucional. Sobre o ambiente que poderá ter existido em 2008, dei já conta em texto anterior.
Já no segundo caso não existia saída, e as “acções recíprocas” de von Clausewitz entraram em cena, aliás com grande espalhafato.
Sempre que tivermos em conta as sábias palavras de Sun Tzu, é possível uma paz honrosa para as duas partes. Pelo contrário, num cenário de guerra total, uma das partes tem que perder, se não perderem, na verdade, as duas.
José Pedro Lopes Nunes

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