Sobre o método de eleição do Presidente do PSD.
Os partidos políticos visam influenciar a evolução do país. Para o fazer, a situação ideal consiste em ganhar as eleições e formar governo. Tal como no mundo desportivo, também no campo político/eleitoral interessa relativamente menos o que as outras equipas fazem, devendo as atenções centrar-se na actuação da própria equipa. E é exactamente neste plano que as notícias são más para o PSD, uma vez que, tal como em 2005, também em 2009 o partido ficou abaixo dos 30%, em termos de votos expressos nas urnas em eleições legislativas.
Existem sinais claros no sentido de ser o eleitorado particularmente sensível, não apenas às ideologias e às medidas propostas em cada eleição, mas também às pessoas em concreto que encabeçam cada projecto. As ideias de cada candidato, o seu curriculum, a sua capacidade de gerar confiança, a sua capacidade de gerar entusiasmo, todos estes aspectos são fundamentais na hora de contar os votos. Desde a eleição de JFK, e como notou Boorstin, a imagem do candidato é, de igual forma, determinante.
Vem isto a propósito do método de eleição do Presidente do PSD, o qual, como é sabido, decorre actualmente através de uma única votação, sendo o corpo eleitoral constituído pelos membros do partido. Sempre que existam mais do que dois candidatos, o Presidente pode ser eleito por menos de metade dos votos expressos. Sou de opinião que esta situação é negativa para o PSD e carece de correcção.
Duas razões fundamentais concorrem para esta apreciação. A primeira, e mais substantiva, é que pode ser eleito internamente um candidato menos capaz de ganhar as subsequentes eleições nacionais, uma vez que não se aproveita totalmente o potencial do método democrático (ou método da sabedoria das multidões). Para quem acredita, tal como é o meu caso, que várias cabeças pensam melhor do que uma, forçoso será concluir que será mais fácil atingir uma decisão mais correcta quando a escolha tenha sido feita por mais de metade das pessoas, do que na situação inversa.
A segunda razão prende-se com a esfera do simbolismo. De facto, se, no plano formal, um Presidente eleito por menos de metade dos votos tem, nas actuais circunstâncias, toda a legitimidade para representar o partido, não é isso que ocorre no plano simbólico. Nesse plano, a eleição ficará sempre prejudicada por uma imagem de “chefe de facção”, e não de verdadeiro líder do conjunto.
Será, portanto, e logo que possível, de colocar os olhos na concorrência: “Quando não se verifique na primeira volta a maioria referida no número anterior, realiza-se uma segunda volta entre as duas listas ou os dois candidatos mais votados, sendo então eleita a lista ou o candidato que obtiver a maioria dos votos expressos.” É que será difícil bater a concorrência com ferramentas de pior qualidade.
José Pedro Lopes Nunes

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