Alterações climáticas
Alterações do nível de água no baltico
No tempo de Swedenberg, que escreveu em 1715, observou-se que o nível do Báltico, e do oceano germânico declinava. No meado do século passado houve na Suécia uma acalorada discussão acerca da realidade e causas deste phenomeno. Hellant de Tornea, certificado por seu pae, velho barqueiro, e além disso testemunha ocular por suas experiencias, legou os seus bens á academia das sciencias com a condição de que ella prosseguiria na investigação do phenomeno; a somma era pequena, mas o legado correspondente ao intento. Alguns membros da academia collocaram signaes em rochedos avulsos situados em bahias abrigadas, memorando os dias em que os marcos foram postos, e as alturas que tinham então acima d’agua.
O Báltico facilita muito estas experiencias, porque alli não há marés, nem circumstancias, que influam sobre a sua superfície, excepto uma desegual pressão da atmosphera sobre o seu nível e o do oceano; isto produz uma variação curiosamente exemplificada no lago Malar, junto de Stockolmo. Assim como o barometro sobre ou desce, o Baltico corre para o lago, e o lago para o báltico. Comtudo a variação, que resulta da desegualdade da pressão atmospherica é insignificante. Em sítios abrigados crescem musgos e lichens á borda d’agua, e assim formam um registo natural do nível da mesma. Sobre esta linha de vegetação se poseram signaes, que estão agora em muitos logares dois pés acima do nível d’agua.
Nos annos de 1820 a 1821, Brunerona visitou as antigas marcas, mediu a altura de cada uma acima da linha de vegetação, ficou novas marcas, e fez seu relatório á academia. Com este relatório se publicou um appendix por Halestrom, comprehendendo as medições, que elle e outros fizeram na costa de Bothnia. Destes documentos resulta; 1º que ao longo da costa do Báltico a agua está mais baixa relativamente á terra do que estava; 2º que a variação não é uniforme. Segue-se daqui que ou o mar e a terra tem ambos soffrido alteração de nível, ou a terra somente; a mudança de nivel de mar só não explicaria o phenomeno.
Há vinte e seis annos que Mr. Von Buch declarou a sua convicção de que a superfície da Suécia vagarosamente se levantou desde Frederickshall até Abo, e accrescentou que a elevação provavelmente se estendeu á Rússia. É tão forte a presumpção da verdade desta doutrina, que exige que semelhantes experiencias e observações se instituam, e continuem, por uma serie d’annos em outros países, no intuito de determinar se em mais algumas partes tem paulatinamente acontecido alguma alteração de nível.
A Associação Britannica para o progresso das sciencias já tomou isto a seu cargo, destinando uma commissão para indagar a questão relativamente ás costas da Graã-Bretanha e da Irlanda; e é de esperar que se proceda a semelhantes investigações nas costas da França e da Itália.
in O Panorama, 7 de Abril de 1838

há mais de 50 anos já a capela do Sr da Pedra perto de Espinho só aparecia na maré baixa a 100 metros da praia.
nas fundações do liceu Camões apareceu um osso de mamute da glacialção de há 30.000 anos
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Porque é que a direita tem que ser estúpida?!
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Caramba, os socretinos não dormem, vigiam, sempre.
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Anónimo 2:
E se fosse chamar estúpida à Sr.ª sua avó?
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Sem estudos tão aprofundados, viu-se, nos últimos anos, um assalto do mar às dunas da Caparica, mais precisamente à zona onde se ergueram uns bares. E não irá além de fenómeno passageiro, se, voltando-nos, olhamos a arriba que sustenta o morro de Santo António dos Capuchos, que parece que há uns mil anos, elevado a uns trinta, quarenta metros, o mar desaguava ali, o mar com suas praias amenas, que, a prová-lo, ali deixaram moluscos e conchinhas, e então a ameaça de hoje não passará da voz saudosa de quem diz, há milena ou duas, talvez mais, meu avô beijava aqueles montes, lá acima, rente aos pinheirais.
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O fenómeno em causa resulta do degelo, e já vem desde o fim a última idade do gelo. A terra tende a subir em relação ao nível do mar porque nessa zona da placa continental o peso provocado pelo gelo acumulado diminuiu.
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O Tejo devia subir tanto até afogar aquela fauna do Terreiro do Paço…
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«Sem estudos tão aprofundados, viu-se, nos últimos anos, um assalto do mar às dunas da Caparica, mais precisamente à zona onde se ergueram uns bares. E não irá além de fenómeno passageiro, se, voltando-nos, olhamos a arriba que sustenta o morro de Santo António dos Capuchos, que parece que há uns mil anos, elevado a uns trinta, quarenta metros, o mar desaguava ali, o mar com suas praias amenas, que, a prová-lo, ali deixaram moluscos e conchinhas, e então a ameaça de hoje não passará da voz saudosa de quem diz, há milena ou duas, talvez mais, meu avô beijava aqueles montes, lá acima, rente aos pinheirais.»
Na dinâmica da linha costeira entram outros factores que não o avanço ou o recuo do mar. A construção de barragens nos rios, por exemplo, ao reter sedimentos, promove fenómenos erosivos no litoral; a construção de esporões e a expansão da área urbana na linha do litoral são também factores que acentuam o avanço do mar.
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«No tempo de Swedenberg, que escreveu em 1715, observou-se que o nível do Báltico, e do oceano germânico declinava. No meado do século passado houve na Suécia uma acalorada discussão acerca da realidade e causas deste phenomeno.»
Curioso, estas datas coincidem com a mini-idade do gelo que ocorreu entre os séculos XVII e XVIII, devido a uma diminuição da actividade solar.
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Caro Gabriel Silva,
O texto é muito interessante mas não percebi bem o seu objectivo e o que tem ele com a discussão sobre alterações climáticas.
É claro que sempre houve variação climática. E mesmo que uma variação natural nos levasse a um novo período quente semelhante ao medieval, deveríamos estar preocupados em gerir o problema e não em ignorá-lo (basta pensar numa linha de costa semelhante à do período quente medieval, desenhá-la num mapa e ver a ocupação que hoje tem a parte que ficaria submersa para perceber do que se fala).
A discussão, cheia de incertezas, o que não é o mesmo que dizer de tolices e conspirações, prende-se com o facto de haver muitas evidências independentes, e é importante sublinhar este independentes, que apontam para o caso ser mais sério do que já foi no passado.
Eu aconselho vivamente a leitura destes dois posts (já aqui o fiz várias vezes, mas sobretudo os seus comentários recentes,onde cépticos e não cépticos discutem de forma a que ignorantes como eu possam perceber melhor o que está em cima da mesa):
http://ambio.blogspot.com/2009/12/o-que-aconteceu-com-as-alteracoes.html
http://ambio.blogspot.com/2009/12/climategate-resposta-delgado-domingos_06.html
henrique pereira dos santos
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Pensiero Capítulo XXXIX de Giacomo Leopardi, escrito em 1832: http://www.leopardi.it/pensieri.php
Tradução do Italiano para Inglês feita por http://omniclimate.wordpress.com/2008/02/26/leopardi-1832-onclimate-change/
“I think everybody will remember having heard from his parents several times, just as I remember hearing from mines, that years have become colder than they were, and winters longer; and that when they were younger, already around Easter they would leave the winter clothes for the summer ones; whilst such a change today, or so they say, is only bearable in May, and sometimes in June.
And not many years ago, some physicists seriously searched for a cause to this alleged cooling of the seasons. Some said it was the fault of the deforestation of the mountains, and some others said something else I don’t remember: all to explain a fact that is not happening: because actually, on the contrary, it has been noted, for example, in quotes from ancient writers, that Italy at the time of the Romans must have been cooler than today.
That is wholly believable as experience makes apparent that as the men’s civilization progresses, so the air, in the lands inhabited by them, gets progressively milder: and such an effect has been evident in America where, so to speak, according to memory, a fully-fledged civilization has replaced in part a barbarian state, and in part empty deserts. […]
[One and a half centuries ago Magalotti wrote] in the Family Letters: “It is certain that seasons’ natural order is worsening. Here in Italy it is common saying and lamentation that the half-seasons have disappeared; and in this confusion, it’s without doubt that the cold is advancing. I have heard my father that in his youth, in Rome, on the morning of Easter Sunday, everybody would change into summer clothes. Nowadays whoever can afford not to sell his shirt, I can tell you he’s very careful not to abandon any winter piece of clothing”. This is what Magalotti wrote in 1683.
Italy would be cooler than Greenland, if between then and now, it would have cooled as much as they were saying at the time.
It goes almost without saying that the continuous cooling that is said to be occurring due to intrinsic reasons in the Earth mass, is of no interest whatsoever with the present thoughts, as it is so slow to be impossible to appreciate in tens of centuries, let alone a few years.”
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Poucos sabem que há 18000 anos o mar estava 120 metros abaixo de onde está hoje! No óptimo climático do Holoceno, a subida dos mares foi claramente superior a 1 metro, enquanto no século passado subiu 17cm.
É claro que estas alterações climáticas foram causadas pelas fogueiras dos homens das cavernas!!!
Ecotretas
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Também tu Gabriel?
Desapareceu-me daqui um comentário/boca aos “correctores ornitográficos” que não teriam visualizado o texto do post.
Caramba. Divulguem lá a cartilha pela qual um gajo é autorizado a comentar, pois pelo regulamento (https://blasfemias.net/sobre/) não é.
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. . . sem esquecer os cachimbos dos índios
da América Central.
(e os arrotos dos camaradas após a ingestõ de meio leitâozito por cabeça quando clham passar passar pela Bairrada).
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Agora imaginem como teria sido se as pessoas tivessem entrado em pânico cada vez que um desses fenómenos tivesse acontecido e fossem gastar bilhões de dólares a tentar contrariá-lo!…. Não há dúvida que já não há homens como antigamente.
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A Tina quer casar com uma múmia egípcia.
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Por que é que o meu livro de História do 2º ano do ciclo preparatório (1975) apresentava um mapa de Portugal no tempo de D. Afonso Henriques em que a linha de costa era muito mais para interior do que a actual? Ovar era uma localidade à beira-mar, por exemplo.
.
Por que é que a colónia islandesa não vingou na Gronelândia?
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O # 17
.
ccz
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#17 Porque ainda não tinha a costa algarvia e assim Portugal acabava no Alentejo?
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#17.
Em santa Maria da Feira, na base da colina onde se encontra o castelo; foram encontrados seixos do mar, conchas e outros objectos marinhos, que provam que no passado o mar chegava ali.
Pensa-se que isto acontecia, já Portugal existia. Portanto não é assim tão antigo.
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«Por que é que o meu livro de História do 2º ano do ciclo preparatório (1975) apresentava um mapa de Portugal no tempo de D. Afonso Henriques em que a linha de costa era muito mais para interior do que a actual? Ovar era uma localidade à beira-mar, por exemplo.»
Por 3 motivos, essencialmente:
– em primeiro lugar, durante a Idade Média ocorreu um período de aquecimento global, e consequentemente o nível dos oceanos estava mais elevado;
– em segundo lugar, devido aos processos de erosão naturais, existe a tendência para que os sedimentos transportados pelos nossos rios se acumulem gradualmente ao longo dos séculos nos estuários e na costa;
– em terceiro lugar, a acção humana ao desmatar as nossas serras, conjugada com o carácter torrencial das nossas chuvas terá acentuado a acumulação de sedimentos na costa: grande parte das serras do Norte e Centro do país, bem como a serra de Monchique, no sul, que estavam cobertas pelo carvalho-roble, carvalho-negral e carvalho-de-Monchique, foram desmatados para a utilização da madeira na indústria naval, ao ponto de no final do século XIX estarem quase todas sem vegetação (depois vieram os pinheiros,e a seguir os eucaliptos).
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