Já terão ouvido falar de custos por m3?
De repente tornou-se moda rasgar as vestes porque as editoras guilhotinam livros. É como se o país estivesse cheio de ansiosos leitores de Ferreira de Castro, Eugénio de Andrade ou Fernando Namora que estão privados de ter acesso às obras desses autores por causa da dita guilhotina. Os mais indignados são aquelas almas que regra geral nem compram muitos livros pela simples razão que as editoras lhos oferecem. Presumo que desconhecem que as editoras pagam custos de armazenamento pelos livros e que as livrarias não disponibilizam espaço para edições mais antigas ou com pouca procura. Resta aos indignados unirem as indignações e abrirem umas livrarias com fundos de catálogo, dedicarem-se ao negócio dos alfarrabistas ou oferecerem gentilmente as suas arrecadações para aí serem depositados os livros que as editoras pretendem guilhotinar.

se me disserem onde estão sou capaz de ir buscar alguns
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#1
Exacto e preciso.
Mas quem, quem é que pode defender a guilhotinagem de livros devido ao custo de ocupação do m3 ???
Não tem espaço ? As livrarias não os aceitam ? OFEREÇAM OS LIVROS CARAMBA !!!
Guilhotina !!! OFEREÇAM OS LIVROS !!! Simples não ???
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Os mesmos autores ou os herdeiros dos seus direitos não achariam provavelmente graça alguma a esse ofertório não tanto por perderem proventos mas sim pela desvalorização simbólica que isso representa.
Por outro lado mesmo a preço muito baixos a verdade é que muitos destes livros não têm procura. É certamente injusto mas a injustiça começa nos leitores. E não se pode esquecer o appel das livrarias para quem o espaço é também um custo.
Existem excelentes autores que hoje não conseguimos encontrar a não ser nos alfarrabistas.
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#2 Não se podem vender porque foram impressos para *serem* vendidos, e falharam no cálculo da tiragem. Mas há por aí tanta biblioteca de escola, de hospital, de lar, de centro social, de freguesia, de… a precisar. O mundo dos negócios é estranho.
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It is what it is. Espero que em Portugal as bibliotecas tenham acesso, de uma forma ou de outra, a todos os livros publicados. Já sei que provavelmente não acontece…
É estranho como nos States as bibliotecas são coisas completamente normais, mas cá ninguém lhes liga… é pena.
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com essa conversa ainda vais a best seller do efémero.
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Entendo HM, no entanto, julgo que como v. discordo da cortante consequência.
Sem demagogias, para mim como autor seria-me muito mais gratificante saber que as minhas obras, textos, pensamentos teriam como fim as mãos de leitores que o acto samurai do hara-kiri. Em última instância, divulgue-se, partilhe-se…
O custo dos livros actualmente é assombrosamente caro. Um luxo de que não abrimos mão , o nosso pequeno luxo que nos toca, que tem aquele cheiro, que nos envolve e transporta para Terras do Nunca. Os web-books são uma anormalidade para mim, mais frios que a gronelândia e não é pela poupança ou fácil acesso que se seduzem.
“Existem excelentes autores que hoje não conseguimos encontrar a não ser nos alfarrabistas.”
Sim, ou na solarenga feira da ladra, também devido a essa eutanásia sem razão.
As “desculpas” das editoras do custo m3 é exactamente isso, desculpas que poderiam ser evitadas e uma imagem de valores…invertidos.
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5. Portugal tem um mecanismo de depósito legal que leva a que tudo o que é publicado se encontre em mais do que uma biblioteca. Estas têm as suas idiossincrasias mas na verddae são como os tais livros que agora todos choram mas não compraram: toda a gente as chama muito importantes mas raramente lhes dá jeito ir lá, sobretudo em Lisboa.
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Publicar um livro nunca foi tão fácil como agora.
Até a Carolina Salgado.
Há resmas de lixo impresso que acabam no sítio certo: o lixo.
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Eu diria que o problema é que os livros impressos estão a passar de moda. Daqui a 20 anos podem até ter deixado de existir sob forma de papel. Por isso, a actual oferta tende a ser cada vez mais excessiva. Releiam o KMarx. Ele explica.
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“7 Outside
“para mim como autor seria-me…”
Guilhotina com o autor, JÁ!!!
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#11
Estas calinadas ortográficas é que arruinaram um outro futuro, menos escuro em mim.
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Helena,
Parece-me a destruição dos livros péssima solução, para além de também custar dinheiro.
A oferta praticamente não teria custos, poderia (e deveria ter sido) ser transformada numa boa acção de marketing, e todos ganhavam com isso.
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A Gulbenkian organiza todos os anos uma feira do livro onde VENDE (a preço muito reduzido) obras muito mais esotéricas que um Eugénio de Andrade, sempre com assinalável sucesso. Mas essa é uma solução gerada dentro do espírito da empresa que a preconiza: que o livro é um bem cultural cujo valor excede o seu preço de capa. Retalhá-los para pasta de papel é o marketing da cultura como fast-food.
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A Helena Maria Antonieta Matos, nestas coisas de guilhotina, devia usar de prudência e não usar colar, já que uma qualquer réplica da La Motte a poderá conduzir ao carrasco.
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E que tal se em vez de os mandarem para a guilhotina, os mandassem para a rua (os livros, claro…)?
http://www.bookcrossing-portugal.com
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se me disserem onde estão sou capaz de ir buscar alguns
Experimente começar por comprar os mesmos.
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É a lei do mercado ponto final parágrafo
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#17 que sabe o meu amigo sobre os livros que compro ou deixo de comprar ? bah
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