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Retornados, a palavra possível* (II)

12 Março, 2010

Os recentes acontecimentos de Moçambique e outros que se lhe possam seguir, devemo-los considerar como esporádicos, meramente emocionais, acção duma minoria que aproveita a falta de informação ou a informação desvirtuada em que o anterior regime deixava as populações das colónias.” – Datada de 15 de Outubro de 1974, esta Informação de Serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros/Comissão Nacional da Descolonização contém as linhas mestras da atitude do Estado português sobre o que nesse mesmo período acontecia nos territórios sob sua administração em África e na Ásia. Ou seja, oficialmente não acontece nada que não esteja previsto e controlado. Tudo o que não coubesse nesta moldura era apresentado como o resultado duma minoria emocionalmente descontrolada e de forma consciente ou involuntária afecta ao regime anterior. É também este paradigma que vamos encontrar nas pequenas notícias que até ao início de 1975 vão dando conta do “êxodo dos brancos”; da “fuga injustificada” e do “alarmismo temporário” dos colonos. Não interessa que os primeiros retornados não tenham sido maioritariamente brancos, pois se por retornado se entender aquele que abruptamente muda o seu local de residência para o sítio onde nasceu constataremos que os primeiros retornados não são brancos mas sim os negros dos musseques de Luanda que em Julho e Agosto de 1974 deixam a capital angolana rumando a Malanje e demais terras de origem; os mais de mil cabo-verdianos que nesse mesmo período são levados numa ponte aérea de Angola para o seu arquipélago; os nunca quantificados trabalhadores cabo-verdianos que no Verão de 1974 são embarcados em Lisboa com direcção a Cabo Verde, e ainda os comerciantes de origem libanesa que nesse mesmo Verão deixam a Guiné-Bissau. É certo que pelo mesmo tempo milhares de brancos começavam então a enviar os seus bens por via marítima e a tratar dos papéis para que os seus automóveis pudessem circular nas pequenas estradas daquilo a que chamavam metrópole, mas até Setembro de 1974 esse “retorno” em direcção a Lisboa ainda não é por eles encarado como definitivo. Do ponto de vista informativo os retornados são vítimas de vários preconceitos, mas aqueles que não “retornaram” para Portugal mas sim dentro de África e que para cúmulo não eram brancos nem sequer são mencionáveis. No desacerto que os retornados eram, os negros e mestiços eram um desacerto ainda maior. Retratados pelos governantes e jornalistas de então como “homens desejosos de viver num mundo que acabou”, grupo “que quer manter privilégios”, pessoas que entraram em pânico sem qualquer razão e “gente que não porfia”, aos portugueses de África não só não foi permitida a expressão da sua vontade como, muito mais grave, foi-lhes proibida, sobretudo em Moçambique, a simples manifestação de opiniões contrárias ao que Lisboa decidia ou dizia que decidia. A legislação aprovada pelo Alto-Comissário português em Moçambique, Vítor Crespo, só é equiparável à dos países totalitários: a 28 de Outubro de 1974, Vítor Crespo assinava o Decreto-Lei n.º 8/74 que estabelecia que “Todo aquele que dolosamente propalar notícias falsas ou tendenciosas que possam alterar a ordem ou a tranquilidade pública, paralisar as actividades económicas e profissionais, causar a intervenção desnecessária das autoridades públicas, ou por qualquer modo causar injustificado alarme público será punido com pena de dois a oito anos de prisão maior.” Dias depois, a 2 de Novembro, novo Decreto-Lei, o n.º 11/74, endurece ainda mais a repressão: não só os chamados crimes contra a descolonização têm as penas de prisão aumentadas como “os indivíduos suspeitos da prática de crime contra a descolonização ficarão sob a custódia das autoridades militares até à decisão com trânsito em julgado dos respectivos processos”. No mesmo dia, 2 de Novembro, outro decreto, o n.º 12/74, depois de considerar que certas garantias individuais “só podem realizar-se inteiramente num clima de completa estabilidade social” determina que os detidos suspeitos da prática de crime contra a descolonização não beneficiarão de habeas corpus. Na prática podia prender-se quem se quisesse, porque na definição de crime contra a descolonização cabia tudo, desde a expressão de ideias numa esplanada até produzir menos vegetais numa fazenda. Podiam também colocar-se os detidos em parte incerta pelo tempo que se quisesse e entregá-los a quem se considerasse que exercia a autoridade militar, estatuto que em 1974/1975, em Moçambique, era perigosamente difuso. Aliás os portugueses de Moçambique, pelo menos aqueles que desempenhavam cargos na administração pública, correram ainda o sério risco de terem um estatuto próximo do de trabalhador forçado em país estrangeiro pois o Alto-Comissário português naquele território tentou impedir a transposição do decreto que previa o Quadro de Adidos, figura legal que permitia aos funcionários públicos nas ainda colónias pedirem a transferência para Portugal. Como explica num telegrama que envia para Lisboa, Vítor Crespo teme que a promulgação do decreto dos Adidos “implique saída mais ou menos imediata todos os funcionários”, o que segundo ele violaria os acordos de Lusaka. Impedir os funcionários públicos de deixar Moçambique torna-se a alternativa que chega a estar em cima da mesa: 4 de Novembro de 1974, a Comissão Nacional da Descolonização discute, em Lisboa, a proposta de se “estabelecer a obrigatoriedade de serviço pelo espaço de tempo de dois anos” aos funcionários públicos de Moçambique. Valeu a estes últimos uma intervenção de Almeida Santos explicando aos presentes que era impossível obrigá-los a ficar. Assim, quando a sua fuga se torna um facto incontornável e apesar de tudo se passa a admitir que alguns têm razões para fugir, os retornados passam a ser vistos como um problema político, como se percebe por este texto incluído no Boletim Informativo das Forças Armadas quando em Maio de 1975 aborda finalmente esta questão: “Não menos graves serão para Portugal as consequências dum afluxo significativo a partir de Angola: aumento da taxa de desemprego para um valor crítico, com o consequente aumento da instabilidade social; enfraquecimento dos laços culturais, políticos e económicos a estabelecer com Angola, de imediato e primordial interesse para a revolução portuguesa; redução das possibilidades de ligação ao terceiro mundo; inserção na sociedade portuguesa de população traumatizada e talvez couraçada contra a revolução, que identifica como causa dos seus males; e, finalmente, o aproveitamento que a reacção interna e internacional não deixará de fazer, na tentativa de desacreditar a descolonização e, por ela, todo o processo revolucionário português e o MFA.” Na mesma linha de precaução contra esta gente “couraçada contra a revolução” que se recusa a ficar em África para fortalecer os laços culturais com o terceiro mundo temos tomadas de posição contra a sua integração por parte das estruturas sindicais: o Sindicato dos Delegados do Procurador da República manifesta-se contra o decreto que permitia “o ingresso indiscriminado dos magistrados judiciais e do Ministério Público das colónias na magistratura portuguesa”. O caso dos professores é ainda mais grave: chega a ser convocada uma greve para protestar contra a decisão do Ministério da Educação de integrar os professores provenientes das colónias. Como o politicamente correcto não existia na época, ficaram também registadas as decisões de comissões de moradores e juntas de freguesia contra a inclusão dos “regressados de Angola” nos bairros sociais. Mas mais uma vez as palavras pouco podiam contra os factos: os retornados existiam. E tal como apareceram muito antes de se admitir que existiam também vão terminar muito depois: até 1977 eles vão continuar a chegar. A todos os concelhos de Portugal chegaram retornados. Muitos transportaram para Portugal o espírito de auto-emprego que praticavam em África e abriram negócios nos mais adormecidos locais deste país. À falta de reconhecimento oficial, os cafés Nova Lisboa, as oficinas Cabinda, as mercearias Bilene, as pensões Mussulo… são o testemunho das suas histórias e que por causa da História não nos deu jeito ouvir.

*PÚBLICO

35 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Retornado permalink
    12 Março, 2010 10:57

    Obrigado, Helena.

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  2. Desconhecida's avatar
    anónimo permalink
    12 Março, 2010 11:18

    ganda filão, homílias para brancos da banana.

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  3. Desconhecida's avatar
    anónimo permalink
    12 Março, 2010 11:20

    é desta que o público vai dar dinheiro com o cantinho do retornado às cestas.

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  4. joao's avatar
    joao permalink
    12 Março, 2010 11:52

    Em suma, os portugueses de Africa foram abandonados pelas autoridades, expulsos pelo clima “morte ao branco” instalado pelas novas autoridades africanas marxistas ( Frelimo e MPLA ) e mal recebidos em Portugal onde a solidariedade, com raras excepções, era limitada ao núcleo familiar. Mas, apesar de tudo, conseguiram levantar a cabeça e retomar a sua vida.

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  5. Papai Noel's avatar
    Papai Noel permalink
    12 Março, 2010 11:54

    Naturalmente o cagão das sopas de cavalo cansado não entende.

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  6. zeparafuso's avatar
    zeparafuso permalink
    12 Março, 2010 12:04

    Parabens Helena! Haja Deus! Alguem precisa de saber o que na realidade foi aquilo, a que chamaram descolonização exemplar e defesa dos direitos e bens dos portugueses, tão insistentemente falada no RCM, pelo próprio Vitor Crespo, e mesmo Almeida Santos que aconselhava calma, que a vida iria melhorar, para conter o exodo dos portugueses, e de cada vez que se passava no CFM, caixotes com destino a Lisboa, pertencentes a Almeida Santos, eram mais que muitos. (Dizia-se em Moçambique nessa altura :”Caixotes de AM, com destino a Lisboa é Mato”. Se a isto é chamar à razão e à calma os portugueses que ainda lá estavam….. alguns, os que ainda acreditaram em AM, acabaram por ficar ainda algum tempo. Eu fiquei até 1976. Isto quer dizer que depois de 14 anos em África cheguei a Portugal com menos do que tinha chagado a África 14 anos antes. Assisti aos festejos da Independência de Moçambique, incluindo o desfile que os moçambicanos fizeram na antiga Av. do Brasil, com carros alegóricos e tudo. Festa bonita. Vim-me embora quando já não me deixaram viver mais, numa terra que eu adorava. A sensação que tive ai vir embora, foi a de ter perdido um familiar querido.

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  7. DesconfiandoSempre's avatar
    DesconfiandoSempre permalink
    12 Março, 2010 12:08

    Então Helena, está a derivar! Esqueceu-se do Sócrates?
    A Helena é retornada?

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  8. Papai Noel's avatar
    Papai Noel permalink
    12 Março, 2010 12:12

    João.
    Não sendo procurador deles posso lhe acrescentar:
    Não foram tão somente abandonados. Foram cirugicamente acossados pelas novas autoridades portuguesas que fizeram deles o bode expiatório da mama económica de que a metrópole vivia á conta das matérias primas a preço da uva mijona.Emprenharam a propaganda salazarenta que ainda hoje percorre muita cabecinha e que acha que foram lá defender os colonos quando o que estava em causa era defenderem todos os produtos que alimentavam a porcaria da “industria” portuguesa além de outros minerais.
    Depois criaram uma lei da nacionalidade criminosa em que os tugas não nascidos na santa terrinha comprovadamente tinham de provar até quase à segunda geração a nacionalidade desses ascendentes.
    Creio até que no caso de Moçambique apesar do marxismo-leninismo-maoismo da Frelimo não era intenção deles perseguir dessa forma os colonos, mas foram instigados pela vanguarda revolucionária tuguesa de quanto pior melhor.
    Nesse campo as responsabilidades podem ser apontadas ao alcoolico do Vitor Crespo e a essa “eminência” do Almeida Santos.

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  9. Desconhecida's avatar
    Olho de Boi permalink
    12 Março, 2010 12:21

    Queriam fazer sua a terra dos outros?
    Lá porque alguns lá nasceram chamaram sua à terra dos indígenas. O quê ou quem lhes deu esse direito?
    Gostaria de ver a reacção dos Franceses caso os emigrantes portugueses ou os seus flhos nascidos em França, um dia, decidissem que França em vez de francesa fosse portuguesa.

    Palhaços

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  10. LR's avatar
    12 Março, 2010 12:22

    Para se ter uma ideia do que foi essa época, vale a pena ler o livro “Os dias do fim” de Ricardo Saavedra. Faz uma análise e um retrato muito interessante desse período e do branqueamento que a revolução fez de alguns episódios pouco explicados, como o massacre de Wiriamu. Interessante ainda a tese do autor que coloca Costa Gomes como o verdadeiro cérebro do 25A, acima de Melo Antunes.

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  11. Papai Noel's avatar
    Papai Noel permalink
    12 Março, 2010 12:32

    Olho de cu de boi.
    Deve ser filho, neto ou bisneto de terra de árabes muçulmanos que andaram a matar para ocupar a terra deles. Lá porque uns nasceram nas berças acharam-se nesse direito e foi o cruzado do henriques matar á tripa forra depois de ter roubado um condado.
    Os filhos dos tugueses me França já são franceses faz décadas cu de boi. se não o foram ou não o são é porque são tão ignorantes e burros como tu.
    Neste momento quem nasce nesta cloaca de boi é portuga por direito e quem está cá seis anos também e os cus de boi vão balbuciar o hino ao Liedson.

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  12. mesquita's avatar
    mesquita permalink
    12 Março, 2010 12:49

    Helena,

    Por favor,volte para lá, defenda a sua terra!

    Bem haja.

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  13. Desconhecida's avatar
    anónimo permalink
    12 Março, 2010 12:52

    tá bém e quantos serviços militares obrigatórios morreram para defender os bananeiros?

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  14. Cáustico's avatar
    Cáustico permalink
    12 Março, 2010 12:56

    É sempre a mesma história.
    Estão sempre de um dos lados da barricada:
    – ou dessa besta que nos governou durante mais de 40 anos e escondeu a cabeça na areia quando a guerra fria chegou a África;
    – ou dos usurpadores de Abril que se empenharam em acabar de destruir o país que estava adiado.

    Haja clareza de espírito e distanciamento.

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  15. JJPereira's avatar
    JJPereira permalink
    12 Março, 2010 13:02

    “…
    Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência.Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.
    Quanto à descolonização, havia trunfos para a realizar em boa ordem e com vantagem para ambas as partes: o Exército Português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cul tura portuguesa…………
    … As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem,isto é, escalonada, ordenada e honrosa.
    Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militare portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir.”…

    Excerto de artigo de António J.Saraiva ,de Jan 79.

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  16. Kianda's avatar
    Kianda permalink
    12 Março, 2010 13:23

    Naqueles tempos era cada um por si, brancos e negros a fugir pela vida. Os que deixaram tudo para a última, só trouxeram a roupa que tinham no corpo ou morreram. Só não saiu quem não pôde e quem tinha a faca e o queijo na mão – os senhores da guerra.

    Dos fracos não reza a História, os brancos que tiveram que fugir eram estrangeiros, pulas, racistas. Todo o branco era colonizador. Quanto aos negros, não queriam eles a liberdade? Se morriam era “culpa deles, que se arranjassem”.

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  17. Desconhecida's avatar
    Semelha permalink
    12 Março, 2010 13:43

    Ehehehehehe !!

    A Dª Helena é retorna ?
    Tá tudo explicadinho…

    Uma vez, vi um branco dar um arraial de porrada num preto, porque este não queria carregar a camioneta por 10$00 ( Angolares ) e era trabalho para um dia inteiro…, naquela época, uma imperial e um prego no pão custava 20$00.
    Abençoados colonizadores !

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  18. Jorge Paulo's avatar
    Jorge Paulo permalink
    12 Março, 2010 13:48

    Helema Matos essa é uma dolorosa ferida da nossa história recente, que na maior parte dos casos já sarou, embora deixando grandes cicatrizes. Eu fui obrigado a abandonar Angola, onde estava desde 1972, em meados de 75, e olhando para trás, tenho que reconhecer que aquela armadilha estendida aos angolanos brancos para se virem embora, foi muito bem montada. E nós todos engolimos o isco e o anzol, e as coisas acabaram como nós sabemos. A maior parte dos responsaveis já morreram, embora outros com enormes responsabilidades ainda por aí andem. Espero que durmam mal.
    Para mim que me vi obrigado a deixar a terra que tinha escolhido para viver, e na qual ainda penso todos os dias passados 35 anos, não são os portugueses brancos que me deixam mais pena, porque embora tenham perdido tudo o que tinham, em Portugal ou noutras partes do mundo puderam recomeçar outra vez as suas vidas. São os milhões de angolanos pretos e mulatos que nós abandonamos à sua sorte, e que morreram, da guerra ou de fome, ou ficaram estropiados, e sem futuro. Mas o que me deixa verdadeiramente uma grande pena, é que no anos 70 do seculo passado, nós estavamos a conseguir construir a primeira verdadeira sociedade multiracial da História. Já havia uma classe media de pretos e mulatos, e bastava ir às escolas e liceus de Angola, para ver que todos os anos o numero de alunos pretos e mulatos aumentava em grande percentagem. Penso que esse facto tambem estava a assustar muita gente politicamente correcta.
    Mas apesar disso tudo, os artifices da descolonização exemplar, não conseguiram destruir os laços que 500 anos de relacionamento com aquelas terras, e aquelas gentes forjaram. Basta lá ir para confirmar isso mesmo.

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  19. zeparafuso's avatar
    zeparafuso permalink
    12 Março, 2010 13:56

    #9. olho (do cu) de boi!
    Sabes por que é que só podes ser olho de cu? Porque é o único que não vê! Nem deveria ser necessário estar a explicar mais nada. Só que, como não sei fazer desenhos, tenho que dizer que em história és analfabeto. Mas a culpa não é tua, porque pela tua ordem de ideias, a culpa é de Afonso Henriques. Não tinha que usurpar a terra dos mouros. Hoje tu não eras português (se é que o és mesmo) e não estavamos aqui a falar de coisas que tu não sabes!!!!!!

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  20. Desconhecida's avatar
    Retornado permalink
    12 Março, 2010 14:12

    “Os militare portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir.”

    Os *chefes dos militares*, porque honra seja feita, muitos militares choraram por ter de baixar os braços e assistir ao caos que se instalava. Os soldados juram sobre a bandeira de Portugal, mas também eles foram atraiçoados pela cadeia de comando que abandonou o povo português em África.

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  21. Jorge Paulo's avatar
    Jorge Paulo permalink
    12 Março, 2010 14:24

    Quando se fala dos militares portugueses durante a descolonização, é preciso separar as aguas: os que lá estavam antes do 25/4, e os que chegaram depois imbuidos do espirito de Abril. Foram esses que se borraram de medo, e foram sujeitos aos maiores vexames como um batalhão que entrou na antiga Nova Lisboa, hoje Huambo, praticamente de cuecas, porque lhes montaram uma emboscada na estrada, e depois roubaram-lhes tudo: armas, fardas, viaturas, mantimentos, etc. Esses é que envorgonharam a farda que vestiam, e a bandeira que tinham jurado.

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  22. Falcão Peregrino's avatar
    Falcão Peregrino permalink
    12 Março, 2010 14:38

    9.Olho de Boi disse
    12 Março, 2010 às 12:21 pm
    Queriam fazer sua a terra dos outros?
    Lá porque alguns lá nasceram chamaram sua à terra dos indígenas. O quê ou quem lhes deu esse direito?
    Gostaria de ver a reacção dos Franceses caso os emigrantes portugueses ou os seus flhos nascidos em França, um dia, decidissem que França em vez de francesa fosse portuguesa.

    Palhaços

    16.Kianda disse
    12 Março, 2010 às 1:23 pm
    Naqueles tempos era cada um por si, brancos e negros a fugir pela vida. Os que deixaram tudo para a última, só trouxeram a roupa que tinham no corpo ou morreram. Só não saiu quem não pôde e quem tinha a faca e o queijo na mão – os senhores da guerra.

    Dos fracos não reza a História, os brancos que tiveram que fugir eram estrangeiros, pulas, racistas. Todo o branco era colonizador. Quanto aos negros, não queriam eles a liberdade? Se morriam era “culpa deles, que se arranjassem”.

    QUEM FEZ O 25 GARANTIU NO PROGRAMA DO MFA QUE TODOS OS POVOS IRIAM SER CONSULTADOS.UMA SEMANA DEPOIS O MÁRIO SOARES REQUEREU CARTA BRANCA.O PCP E EXTREMA ESQUERDA FIZERAM O RESTO.COLHERAM A DOUTRINAÇÃO QUE TINHAM FEITO(COMO HOJE FAZEM AINDA) NAS UNIVERSIDADES.
    TUDO PASSOU.MAS OS MESMOS AGORA COLONIZAM-NOS COM OS FILHOS DOS QUE EXPULSARAM OS PORTUGUESES.E SEM BENS.MAS ANDAM POR AÍ A VIVER POR CONTA.OS DESCOLONIZADORES AGORA COLONIZAM.COM OS MESMOS DE SEMPRE A PAGAR.E AFINAL AOS NOVOS PORTUGUESES NEM SEQUER O HINO É REQUERIDO QUE CANTEM…
    SE NÃO VIREM TRAIÇÃO NISTO TUDO…

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  23. Falcão Peregrino's avatar
    Falcão Peregrino permalink
    12 Março, 2010 14:42

    TEMOS AQUI BONS MOTIVOS PARA RAPIDAMENTE FICARMOS XENÓFOBOS E COM URGÊNCIA.TODOS OS QUE NÃO FOREM BRANCOS AFINAL NÃO DEVEM TER DIREITOS PORQUE AFINAL SÃO DOUTRO CONTINENTE.O RACISMO PRETO A VER A LUZ DO DIA CÁ PORQUE LÁ JÁ SE SABIA E NEM ERA PRECISO VISITAR O ZIMBABWE…

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  24. Confucio's avatar
    Confucio permalink
    12 Março, 2010 15:31

    # 11 Papai Noel
    «Neste momento quem nasce nesta cloaca de boi é portuga por direito e quem está cá seis anos também e os cus de boi vão balbuciar o hino ao Liedson.»

    São portugas os tomates! Quem fez esta lei da nacionalidade devia levar com uma enxada nos cornos.

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  25. Papai Noel's avatar
    Papai Noel permalink
    12 Março, 2010 15:41

    Tendo terminado a roubalheira desenfreada no Brasil restou a estes badamecos do Minho ao Allgarve ficar a roubar o café, o açucar, o sisal, o carvão, o ouro, os diamantes, o algodão etc etc de Africa.
    Só mandando para lá os seus filhos morrer é que podiam assegurar a porcaria de industrias que aqui havia também explorando a mão-de-obra cá.Além do mais os territórios coloniais eram o mercado exlusivo dos poucos e maus produtos que produziam tais como o vinho, o azeite e texteis,(estes beneficiando de matéria prima de borla).
    Estes mafarricos, velhos e novos, trinta e tal anos passados a chular a europa, ainda repetem as loas do botas que dizia que iam defender os tugas colonos.
    Por aqui se vê que o estado mental e de informação é igual ao que havia nos idos anos 50 do século passado em que achavam que Angola era longe mas que Luanda ficava mais perto.

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  26. antonio's avatar
    antonio permalink
    12 Março, 2010 16:54

    A verdade é que depois da independencia os movimentos africanos iniciaram uma guerra civil ( mais de um milhão de mortos em Angola e Moçambique durante 20 anos..se isto não é um genocidio ? o que será), que levaram à destruição daqueles países( Moçambique ascendeu ao 1º lugar de nação mais pobre do planeta em poucos anos). Mais ainda que os retornados foram os africanos que sofreram na pela a guerra, a miséria e a pobreza. Afinal os colonos não foram assim tão maus como os pintavam…..

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  27. Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
    Alexandre Carvalho da Silveira permalink
    12 Março, 2010 17:40

    #25 Papai Noel disse

    Santa ignorancia. Se a estupidez pagasse imposto…

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  28. Falcão Peregrino's avatar
    Falcão Peregrino permalink
    12 Março, 2010 17:41

    Reparem ainda que a propaganda esquerdista a soldo dp antigo Moscovo dizia que só com a independência das colónias(a madeira e os açores tiveram sorte de não terem pretos) os “trabalhadores” poderiam ter bons níveis de vida e o país desenvolver-se.O mal eleito foram mesmo as colónias.Mas passados 35 anos o que se vê na actual propaganda?Para África e em força… isto se calhar para disfarçar o tal milhãozinho que os 3,5 milhões de contribuintes obedientemente vão pagar…
    Vão para África vão…que ainda serão esfolados uma 2ªa vez.
    Portugal tem 580000 desempregados mais 400000 RSI´s.Se fizerem uma ponte aérea e colocarem em África todos os pretos que cá temos acaba a crise…

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  29. Falcão Peregrino's avatar
    Falcão Peregrino permalink
    12 Março, 2010 17:42

    E se meterem no meio deles quem os defender então passamos a país desenvolvido…

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  30. rosa r's avatar
    rosa r permalink
    12 Março, 2010 19:35

    Helena Matos como nos tem vindo a habituar ,escreveu uma excelente peça jornalistica.Infelizmente temos a memória curta, não sendo retornada de lado algum ,recordo esses tempos e recordo-me também de várias pessoa que estiveram nessas condições e que quando se viram forçados a regressar o fizeram sem bens alguns e com perseverança construiram uma vida nova e claro sem apoios de governos ou de”fundações”. Vir aqui falar em usurpadores de terra alheia é xenofobia.Acaso os africanos que de lá “sairam” deveriam ser expulsos de Portugal porque os seus filhos já cá nasceram? Porque aqui se sentem seguros e aqui criaram raizes? Acho mesmo que se criou a moda de atacar os seus artigos ; é bem para os pseudo-intelectualoides de extrema esquerda(alguns com o roupeiro cheio de familiares retornados…)

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  31. Rogério's avatar
    12 Março, 2010 20:19

    É de mim, ou a Helena Matos fica à frente da Inês Pedrosa e da Joana Amaral Dias?

    Já faz um bom par de anos que leio esta moça, e gostava de a encontrar na rua e cumprimentá-la.

    É qualquer coisa esta mulher… tomem nota.

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  32. fado alexandrino's avatar
    12 Março, 2010 20:33

    Lá porque alguns lá nasceram chamaram sua à terra dos indígenas. O quê ou quem lhes deu esse direito?

    Tem que explicar isso aos milhares de cabo-verdianos que nasceram aqui em Portugal e já agora ao Liedson.

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  33. tina's avatar
    tina permalink
    12 Março, 2010 22:01

    “É de mim, ou a Helena Matos fica à frente da Inês Pedrosa e da Joana Amaral Dias?”´

    Mas o que é que Joana A Dias tem a ver com Helena Matos ou Inês Pedrosa? Sim, você deve ter algum problema…

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  34. Saloio's avatar
    Saloio permalink
    13 Março, 2010 04:04

    Parabéns, Helena Matos.

    Convém ir recordando ao pagode que a coisa não foi fácil.

    E obrigado aos que vieram, malta rija e empreendedora, pois foram eles que tiraram isto (continente) do marasmo e atraso imbecil tradicional, que durava há 800 anos.

    Mais mal que bem, lá conseguimos dar mais uma lição ao mundo, ao recebermos e integrarmos quase dois milhões de irmãos do ultramar.

    Por isso, e sem demagogias, acho bem que a HM (e muito poucos mais)vão recordando aqueles momentos muito difíceis, e os que lá ficaram assassinados e na miséria.

    OBRIGADO

    Digo eu…

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  35. salomao mario almeida santos e vasconcelos mendes's avatar
    salomao mario almeida santos e vasconcelos mendes permalink
    19 Maio, 2010 02:31

    olá,nasci em moçambique em 1966 vila pery,vivia na beira,em 1977 perdi os meus pais(faleceram) e vim sem nada para portugal sem conhecer a metropele com 11 anos e cresci em uma casa para rapazes durante 2 anos,vivi na rua passei fome e nao tinha familia e sou portugues,nunca ninguem me ajudou em nada,estive 10 anos sem saber dos meus 3 irmaos que nos separamos,em moçambique ficaram bens,contas bancarias,tudo… até hoje nada sei,tenho 44 anos e só peço que os meus filho não tenham que passar por o que eu passei.

    Agradeço ajuda sobre informaçoes ou a quem me derigir, remontam aos anos de,sensivelmente +/-1974 a 1977. Trata-se de contas bancarias em moçambique no nome dos meus pais e possivelmente também em meu nome e dos meus irmãos.Acho ter havido transferencia para portugal.na altura eu era uma criança que ficou orfã de pai e mae, tendo eu agora 44 anos.Os meus pais chamam-se:
    Salomão de Almeida Santos Mendes e Maria Rosa de Passos da Rocha e Vasconcelos Mendes
    Filhos: Manuel João de Almeida Santos e Vasconcelos mendes, Francisco Luís de Almeida Santos e Vasconcelos Mendes, António Alexandre de Almeida Santos e Vasconcelos Mendes e eu
    Salomão Mário de Almeida Santos e Vasconcelos Mendes
    tlm 916346420
    Caso exista referencias a esta cituação,agradeço orientação e ajuda.
    atentamente
    salomão mário mendes

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