Redondos vocábulos*
Icebergue- O caso BPN era a ponta do icebergue da corrupção no mundo da banca. No Apito Dourado, só conhecíamos a ponta do icebergue dos podres do futebol. O processo Casa Pia era a ponta do icebergue dos abusos sobre menores. A Noite Branca era a ponta do icebergue do mundo da vida nocturna. O advogado de Manuel Godinho entendeu por bem dizer que o seu cliente é “a face visível de um icebergue“. Se inventariarmos todas as pontas de icebergue que têm vindo à tona nos últimos anos, e tendo em conta que a ponta do icebergue representa apenas dez por cento da massa real do icebergue, teremos de perceber que já não existe espaço para o país propriamente dito e nem sequer para nós, pois está tudo ocupado pelos icebergues. Paulatina, mas inexoravelmente, os icebergues ocuparam todo o país e nós fomos ficando com a alma gelada.
Inverdades – A palavra mentira foi banida. Aliás, as pessoas deixaram de mentir. Quando muito, dizem inverdades, conceito que está para a verdade como o cinzento-escuro está para o cinzento-claro: é tudo uma questão de tonalidade do mesmo cinzento. Logo, podemos falar mais verdade, menos verdade, inverdade. Mas são tudo variantes da verdade. A mentira e os mentirosos deixaram oficialmente de existir.
Números – A ideia de que os números representam algo de aferível está ultrapassadíssima. Os números tornaram-se sim na expressão de estados de alma e não num retrato que se procura o mais exacto possível. Por exemplo, a última greve da função pública teve uma adesão de 80 por cento para os sindicatos e de 13 por cento para o Governo. Por outras palavras, não se sabe o que fizeram ou não fizeram nesse dia 67 por cento dos funcionários. Na verdade, podiam ser estas percentagens ou outras quaisquer, pois os números tornaram-se numa espécie de bibelots que compõem as frases. Ninguém os confirma e muito menos se averigua o que significam: ao certo, o que quer dizer o anúncio pelo Governo de que até 2020 serão criados cem mil postos de trabalho na área das energias renováveis? Isto se nos ativermos ao mês de Fevereiro, porque, no início de Março, os 100 mil passaram a 120 mil e, entretanto, já vão em 130 mil. O que de mais parecido alguma vez existiu em Portugal com esta fantasia numérica são aqueles capítulos da Peregrinação sobre as guerras no Oriente: dos elefantes aos homens, passando pelas lanças e pelos jarrões, tudo se contava por milhares. A prosseguirmos nesta estranha forma de vida e ainda mais estranha forma de contar, poremos rapidamente as agências de rating no index, pelas heresias que produzem sobre esta religião dos milhões que em Portugal substituiu a realidade.
Pedofilia – Nesta terminologia, a pedofilia é um crime hediondo quando praticado por sacerdotes católicos e o encobrimento dos autores destes actos por parte do Vaticano merece toda a condenação. Se os autores dos actos pedófilos forem políticos, e muito particularmente políticos que saibam esgrimir com perícia os redondos vocábulos, deixa de ser adequado usar o termo pedofilia. Estamos perante casos prescritos, coisas que não interessam ou, no limite, cabalas. Por fim, se for praticada por artistas, a pedofilia deixa de ser crime, tornando-se num detalhe sem relevância no percurso sempre notável do dito artista.
Problemático – Um bairro problemático não é, como se poderia pensar, um espaço cujas casas têm problemas nos alicerces ou nos telhados, mas sim um conjunto habitacional que, regra geral, saiu muito mais caro do que o previsto, foi inaugurado por detentores de cargos políticos que discursaram sobre o esforço necessário à concretização daquele projecto e cujos residentes tiveram acesso a essas casas em condições muito favoráveis. Um bairro torna-se problemático quando, após a festa da inauguração, volta a ser notícia por ali se tolerarem situações que nos outros bairros e ruas deste país são consideradas crime. Assistentes sociais, ONG e muitos gabinetes municipais fazem o enquadramento nestes bairros e as soluções propostas passam sempre por pedir mais assistentes sociais, mais dinheiro para as ONG e mais gabinetes municipais agora dotados da novel figura do mediador cultural, para assim continuarem a fazer o acompanhamento dos bairros problemáticos, que, por sua vez, se desdobram em escolas problemáticas e famílias problemáticas. Política e profissionalmente, o problemático é um território de grandes oportunidades para gente com ambições.
Tecnológico – Ninguém conseguiu explicar o interesse pedagógico da distribuição dos Magalhães na escola primária ou, noutro campo etário, a utilidade de computadores nas mesa dos deputados no plenário da AR. A tecnologia pela tecnologia é como os óculos de sol que umas pessoas espetam na cabeça nos dias mais nebulosos: não se sabe para que servem, mas dão estilo
*PÚBLICO

os exemplos acima são ressabiamento, quando não conseguem lavar a loiça partem-na numa demonstrando falta de fairy play. a carcaça também se recusou a cumprimentar o pão pela vitória.
GostarGostar
Gostei especialmente dos temas “bairro problemático e avanço tecnológico” não se sabe o porquê mas sabe-se para quê, ganhar milhões pois então o que é que haveria de ser, mais do mesmo desde 1974 e antes também.
GostarGostar
só não percebo como é que o belarmino.com lhe continua a pagar para divulgar o pensamento da velha, terá sido o último escrito da série ou faz parte da nova série que o merceeiro foi negociar a belém?
GostarGostar
Excelente.
GostarGostar
Brilhante!
GostarGostar
Belisquem-me. A Zazie escreveu “Excelente”?
GostarGostar
com certeza quereria dizer “excedente” … senão o fim do mundo está próximo.
GostarGostar
Colaborador – No fundo é um trabalhador. Mas esse conceito está ultrapassado, as pessoas não trabalham, colaboram.
Empregador – No fundo é o patrão que dispõe como lhe apetece da vida do trabalhador, mas ele não abusa, emprega.
Cessar colaboração – No fundo é ir para o olho da rua, ser despedido, depois de ter sido explorado, mas ele não é despedido…apenas deixa de colaborar.
GostarGostar
O piscoiso ainda não apareceu aqui a dizer mal? que é mais um artigo do público…
Como recebeu o RSI esta semana, o piscoiso deve estar a cozinhar qualquer coisa, ou então com uma intoxicação alimentar, diarreia ou a recuperar de uma grande bebedeira com vinho a martelo com que costuma acompanhar a sopa azeda que come.
GostarGostar
#6 – “A Zazie escreveu “Excelente”?”
óbvio, bota-a-baixo e branqueamento de pedofilagem tem rating zzz+
GostarGostar
Branqueamento fazem v.s dos pedófilos da Casa Pia.
Vergonha na cara, seus porcos.
GostarGostar
Sim, escrevi excelente, porquê, JCD.
Eu não sou facciosa. Se a HM escreveu um bom post, porque é que não haveria de o felicitar?
Isto aqui é html- estou-me pouco lixando para fulanizações do que quer que seja.
Escreva v. qualquer coisa de jeito que sou capaz de fazer o mesmo.
O seu problema é que não funciona assim- funciona como os facciosos e julga toda a gente igual a si.
E já linkei posts da HM. Um deles até brinquei com o facto.
GostarGostar
E este texto até merece aplauso por ter sido escrito no jornal.
GostarGostar
Magnífico!Parabéns,Helena.
Uma foto da podridão que a escória política cultiva nesta desoladora época da vida da nação.
GostarGostar
zazie disse
28 Março, 2010 às 3:02 pm
Isto aqui é html-
Não é html, é hfm
GostarGostar
a coisa pia foi um grande êxito zz top, mas já não vende, os tubes são assim mesmo.
GostarGostar
O plano tecnológico foi/é um negócio. Não dá só estilo, dá dinheiro a quem a ele está ligado.
GostarGostar
#11 Zazie
“Vergonha na cara, seus porcos.”
Vergonha na cara e no corpo todo. É coisa que Pedófilos S. não sabem o que é.
GostarGostar
Estes tipos gostavam era de ser sodomizados pelos xuxas entalados da Casa Pia.
Há gente que mete nojo. Aquele Luís Rainha é um deles. Fez um post hipócrita depois de andar anos a chamar cabala a toda a acusação da Casa Pia.
GostarGostar
Os cabrões têm mais fézada nos gurus do que eu sou capaz de ter na Igreja.
E não tenho problemas em dizer que considero que a Igreja sempre teve tendência para a hipocrisia em matéria sexual.
GostarGostar
Mas os gajos defendem os entalados tugas. Com que moral podem agora fazer campeonato de bola contra a Igreja armando-se em muito ofendidos com casos que nem conhecem, se nos conhecidos que temos entre portas são capazes de dizer que os jovens mentiram.
GostarGostar
Há por aí outros sinónimos, ou “outras maneiras de dizer”
1. Deixou de haver “mau”. Passou a haver “menos bom”.
Quando uma equipa da bola faz uma exibição miserável diz-se que jogou mal? Não! Jogou “menos bem”.
2. Quando o PM, (ou, mais raramente, outro tipo da situação) é apanhado em mais uma tramóia como se chama a isso? – “fuga ao segredo de justiça”. Quando PGR foi apanhado a mentir e a mentira denunciada nos jornais, o PGR levantou-lhes inquérito por “calúnia”? Não! “”fuga ao segredo de justiça”
GostarGostar
Comigo levam corrida de 3 em pipa. Um que me apareceu no Cocanha a cobrar a pedofilia dos padres, apenas por eu não ser ateia, ainda deve estar a lamber as fridas da coça que levou.
Porque quem tem “solidariedade” com partidos e gente eleita que aparece acusada por esses crimes, até está em melhores condições para perceber o encobrimento de outros que, apesar disso, confessam e castigam-nos.
Eu cá, nunca tive “solidariedade” com porcarias e não funciono com 2 pesos e duas medidas.
Doa a quem doer, a posição que tenho é sempre válida e aplicável por si mesma.
GostarGostar
Qualquer dia ROUBAR vai ser substituido por «mudar de mãos» ou «subtarair».
Grande cambada de ladrões e trafulhas são esta nova praga de «filósofos e politólogos sociais»!
GostarGostar
A cãozoada das televisões enche o papo a bater nos padres pedófilos.Agora não há “alegados”.
Os alegados estão todos à beira da prescrição,para gáudio da escumalha da comunicação e dos adeptos da bola,como diz a Zazie.
Por mim,colocava os padres pedófilos e os políticos da mesma estirpe,todos juntos numa sala fechada,a ver quem engravidava e paria primeiro.
GostarGostar
Em primeiro lugar.
PARABÉNS pelo post.
GostarGostar
Em segundo lugar.
Mas aprenda a escrever.
GostarGostar
Deixa muito a desejar. Má escrita.
GostarGostar
Portugal = peadophiles (and corrupts) paradise
http://www.criticademusica.blogspot.com/search/label/Casa%20Pia
Entrevista Dr Pedro Namora à SIC
GostarGostar
Depois de ontem baixar o petróleo lá fora a Galp aqui aumentou-o hoje.
Até aqui o pretexto era porque aumentava lá fora, agora baixou e aumentam na MESMA!!!
Será que pedir o livro de Reclamações muda algo?
Neste blog já nem há um post sobre estes constantes aumentos desde a Guerra da Crimeia.
GostarGostar
Tenho pena que a Helena Matos se dedique a escrever post pseudo.ironicos como este. Poderia eventualmente utilizar essa pseudo.criatividade para coisas bem mais interessantes – talvez conseguisse.
Gosta muito de pegar em temas para atacar os “esquerdalhas” os clichés da esquerda! Tenho pena, pq o faz é exactamente o mesmo, no “cliché” da direita.
Tudo isto podia-se resumir ao “tem bom corpo para trabalhar” por ex.
Acho absolutamente vergonhoso a forma como desculpabiliza a atitude da igreja utilizando o escândalo casa pia, furtando-se por isso a um juízo de valor sobre o facto em si. A isso chama-se desonestidade intelectual – conceito que a si lhe assenta como uma luva.
Percebe-se que viva numa realidade completamente bipolar, do binómio Bom Vs Mau; do 8 vs 80; Já estamos habituados…n se pode criticar por ex. as politicas de Israel pq se está a defender Terroristas…errado! Qd alguém como a Helena Matos utiliza argumentos desses, está a fazer uma coisa de mto mau, está a comparar-se com esses assassinos, e eu n me gosto de comparar com esses!
Já se sabe do que a casa gasta…infelizmente!
GostarGostar
“Ninguém conseguiu explicar o interesse pedagógico da distribuição dos Magalhães”
Como explicar o interesse de algo se, nos poucos casos onde foi experimentada a introdução de PC em sala de aula com adolescentes (atenção, adolescentes e não crianças como no magalhães), os resultados escolares obtidos pelos alunos foram muito piores e os projectos foram imediatamente abandonados ?
E o que fez a comunicação social nesta e em outras matérias?
…
GostarGostar
# 31
Sabe ler?
GostarGostar
#30
É a táctica do falso engº para aumentar impostos aos bandalhos que há anos atrás,no governo PSD,rosnavam por um aumento de um escudo,após muitos meses de estabilidade nos preços.
Agora metem a língua no cu!
Onde estão o camarada Jerónimo e o Anacleto Louçã? Caíu-lhes a língua há cinco anos?
Bandalhos!
GostarGostar
#33
Deve saber juntar as letras,mas está-lhe a fugir o pé para a dança,com música do partido pedófilo.
GostarGostar
O Eduardo é mais outro a precisar dos serviços de estado do Carlão.
GostarGostar
O gajo é histérico; só pontos de exclamação. Liga ao Carlão que ele acalma-te.
GostarGostar
Aquele CD de “aprenda a escrever” deve ter sido escrito por qualquer idiota que aparece por aqui (são tanto(s) que nem vale a pena tentar adivinhar).
Mas reafirmo, excelente definição destes (ridículos) tempos.
GostarGostar
No entanto o palerma que disse “aprenda a escrever” deve estar em plenas “novas opurtunidades” a aprender a escrever em Magalhães (tal como os ministros do Sócrates).
GostarGostar
Oh Zazie, olhe que fica mal à direita essa atitude de insulto! É demasiado esquerdilha sabe?
E sendo eu uma individualidade do sexo masculino, imaginar comportamentos Homossexuais com um tal de “carlão” ia ferir susceptibilidades! Não erA? Iria ofender a sua Moral e os seus Bons Costumes!
Dps iria rir-se muito quando a Helena Matos escrevesse outro Post com “Casamento – agr tb serve para os Bixas”. Iria ver isso no computador (não dado pelo Estado, isso não que é de esquerdalha) no intrevalo do concurso televisivo do Malato que vê dps de limpar o chão de sua casa (qual cheiro a lixivia que se cheira aqui) e levar na tromba do marido! E está com sorte, ele é ele que lhe “bota” o comer na mesa!
GostarGostar
Demasiado uso da batedeira
GostarGostar
Brilhante como sempre Helena.
Esses novos vocábulos estão por todo o lado.
GostarGostar
Carlão Rebenta,te pego,cara!
Você roubou meu noivo.
GostarGostar
Os seus artigos deviam ser( como opinava o Craft, mas noutro contexto..) , “gratuitos e obrigatórios”.
V. , através da inteligência, do conhecimento – e da gramática…- presta um verdadeiro Serviço Público à massa de compatriotas que acreditam firmemente na “modernidade”, nos “planos tecnológicos”, nas “novas oportunidades” e nos “zézitos bacharéis” que lhe vendem por aí, dia sim, dia sim.
Pelo menos , e isso já é formidável,mostra-lhes, e demonstra-lhes, que o “rei vai nú”.
GostarGostar