Unidose (diária de conhecimento económico)
O que é que o cliente compra quando compra uma caixa de medicamentos? Compra sobretudo 3 coisas:
1. Conhecimento: Alguém estudou uma doença complicada, alguém descobriu uma cura, alguém descobriu uma forma de produzir a cura de uma forma económica.
2. Disponibilidades: Alguém mobilizou o conhecimento e o capital necessário para produzir a cura e colocá-la no mercado antes de o cliente ficar doente.
3. Segurança: Alguém montou, de forma económica, os processos de controlo de qualidade que garantem que o medicamento que está na embalagem é aquele que o cliente quer comprar.
O que é que o cliente não está normalmente a comprar?
1. Quantidade. O preço é pouco sensível à quantidade pelo simples facto que os custos do conhecimento, da disponibilidade e da segurança são muito maiores do que os custos da produção de um comprimido adicional.
Portanto, uma farmacêutica está interessada em amortizar os custos fixos em que incorreu para produzir o medicamento. E isso faz-se cobrando um custo fixo por doente e não um custo pela quantidade consumida. A farmacêutica tenderá a usar o serviço de disponibilidade que presta, e que não pode ser comprado a mais ninguém, para se fazer pagar pelo serviço e não pela quantidade.
Qualquer modelo de negócio que se baseie na revenda de unidoses a partir do fraccionamento de caixas de medicamentos terá que resolver 2 problemas:
1. A segurança. O processo de fraccionamento e rotulagem das caixas originais tem problemas de segurança cuja resolução envolve custos elevados. Não basta conseguir um processo seguro, é necessário que esse processo possa ser certificado. O que implica ainda custos burocráticos elevados. Como se pretende implementar a unidose ao nível da distribuição, poucas são as empresas com escala para ser bem sucedidas neste negócio.
Para quem acha que a segurança não é um problema, uma palavra basta: Avastin.
2. Mesmo que o modelo de negócio consiga resolver o problema da segurança, a empresa produtora pode reduzir o tamanho das embalagens e aumentar o preço, levando facilmente à falência quem se dedique ao negócio de fraccionamento.

A ler João com muita atenção..
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No caso dos comprimidos, ou cápsulas, já têm embalagem individual segura.
No caso dos xaropes já é mais complicado.
Pode vender-se à colher, como nos tascos vendem vinho ao copo.
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Sugiro ao JM,
1- Mande uma cópia do post para os hospitais, para eles desistirem das unidoses.
2- Traduza para inglês e mande para os EUA, vai fazer furor.
3- Pense numa utilidade para as vacinas (não utilizadas) da famosa gripe A.
4- O seu último parágrafo é redundante – todos sabemos que quando alguém vai à falência é o mercado a funcionar
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Outra coisa,
É sabido que qualquer alteração aos usos e costumes portugueses levará sempre a um subida dos preços.
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Da próxima vez que for à farmácia, vou tentar comprar 3 quilos de aspirina, e ver se me sai ao preço de uma caixinha apenas…Se não for, espeto-lhes com este post em cima, para eles ficarem “sabedores”!
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Não sei se já repararam que nas farmácias também vendem sapatos, que só vendem aos pares.
Quem tenha só um pé, vai ter a possibilidade de comprar só um sapato.
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Mas se é assim tão fácil criar um medicamento porque é que esses iluminados não deram a sua colaboração á Bial que diz que para criar o seu primeiro anti-pirético levou 15 anos e um investimento de 300 mil euros?
Com estes “quimicos” portugas o preço baixaria em flecha.
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“Portanto, uma farmacêutica está interessada em amortizar os custos fixos em que incorreu para produzir o medicamento. E isso faz-se cobrando um custo fixo por doente e não um custo pela quantidade consumida.”
Um pouco de conhecimento económico então: Isto é falso. Pode-se cobrar por 1. 2. e 3. com um preço por quantidade. O facto de haver custos fixos não implica que se tenha de cobrar um preço por cliente. Num mercado de concorrência monopolista, basta que o preço por quantidade seja pelo menos igual ao custo médio e está tudo feito. As empresas têm lucro e os consumidores compram por quantidade. Aliás, montes de mercados que satisfazem o 1. 2. e 3. o fazem: brinquedos, aparelhos electrónicos, etc.
Segundo o João Miranda, o que as farmaceuticas estão a fazer é discriminação de preços de forma a apropriarem-se duma parte maior de lucro económico (com uma tarifa a duas partes: http://en.wikipedia.org/wiki/Two-part_tariff). Isto é uma prática anti-competitiva aque apenas redistribiu lucro económico dos consumidores para as empresas. Não tem nada de eficiência. (na verdade, eu acho que o que as farmaceuticas estão a fazer tem mais de bundling – juntar unidades de produtos – que de two part tariffs, mas se é para usar argumentos económicos mal amanhados para falar de política económica, isto basta.)
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Caro JM, olhe que na Inglaterra funciona. Não consta que o SNS seja inferior ao português.
As caixas vendem-se melhor que as unidoses e dão mais lucros ás farmaceuticas. É isso que está em causa. Vender mais unidades mesmo que o tratamento possa ser feito por unidoses.
Não é por acaso que em Portugal, os doentes t~em autênticas farmácias em casa. Porque será? E será assim tão normal?
Caro JM, às vezes mais vale não pensar demasiado no assunto sem procurar saber realmente as verdadeiras causas. O sector farmaceutico é bastante corrupto.
anti-comuna
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Há tempos uma grande personalidade disse que não se podia mandar as low-cost para Montijo porque era impossível gerir em termos de controlo três aeroportos tão perto ou seja Montijo, Portela e Alverca.
E por isso os americanos fecharam os três importantes aeroportos da área de New York.
Aqui o problema é o mesmo.
Dado que não pode funcionar em Portugal a Inglaterra vai mandar dois ou três peritos a Portugal para saberem o que é que eles estão a fazer mal lá na Albion e levar de volta o senhor João Miranda.
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Anti-Comuna,
Só por curiosidade, como sabe que em Inglaterra funciona?
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Porque comigo funcionou e não consta que o SNS seja mais fraco que o nosso.
anti-comuna
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««Segundo o João Miranda, o que as farmaceuticas estão a fazer é discriminação de preços de forma a apropriarem-se duma parte maior de lucro económico (com uma tarifa a duas partes: http://en.wikipedia.org/wiki/Two-part_tariff). Isto é uma prática anti-competitiva»»
Discriminação de preços é uma prática anti-competitiva? Porquê? Desde quando é que uma empresa tem que vender tudo ao mesmo preço e a todos os clientes?
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E até lhe vou dizer mais, caro JM.
Todos nós já tivemos experiências, do género, leva uma caixa de produto XYZ e vá tomando. Se se sentir melhor pode parar. Se não, venha cá, que eu receito-lhe outra.
Por outro lado, como Vc. é racional, também sabe que os estudos são feitos para a média do utente mas que cada utente tem necessidades especificas próprias, atendendo ao seu caso. Um doente não tem necessáriamente as mesmas neecssidades que outro. Se assim não fosse, o médico escusava de receitar medicamentos e apenas fazia o diganóstico. O farmaceitico tratava do resto.
O que o JM sabe ou devia saber, é que a maioria dos nosso médicos vendem-se ás farmaceuticas. E outros, mesmo não vendendo-se por benesses, vendem-se como prostitutas, porque sabem que estão a receitar medicamentos em excesso.
O JM sabe disto também como eu. Mas lá está, toma sempre a posição a favor dos interesses económicos, crente que está a defender o capitalismo. Pois.
anti-comuna
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««O facto de haver custos fixos não implica que se tenha de cobrar um preço por cliente. »»
Pois não. Tal como o facto de fazer negócios também não implica que se pretenda maximizar o lucro ou ter práticas racionais. Mas como as empresas não são instituições de caridade, tenderão a fazer-se cobrar pelos custos fixos cobrando por utilização e não por quantidade.
««Num mercado de concorrência monopolista, basta que o preço por quantidade seja pelo menos igual ao custo médio e está tudo feito.»»
Pois. Mas não é assim que os agentes racionais pensam. Os agentes racionais pensam que se conseguirem cobrar um preço ajustado à capacidade de pagar de cada cliente, ganham mais.
Por outro lado, a unidose permitiria aos clientes pouco frequentes serem free riders dos custos fixos (que são os principais). Os doentes crónicos passariam a subsidiar os doentes ocasionais.
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anti-comuna,
Não percebi. Como é que o anti-comuna sabe que, após a introdução da unidose, as farmacêuticas não aumentaram os preços?
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Creio que os preços são tabelados.
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“Como é que o anti-comuna sabe que, após a introdução da unidose, as farmacêuticas não aumentaram os preços?”
Porque são negociados pelo Estado, que os compra e depois distibui.
As farmaceduticas têm medo destas práticas. Porque quem compra por atacado tem mais poder económico (e neste caso legislativo) para enfrentar monopólios temporários.
Mas depois, se quiser até podemos discutir os erros nos estudos, que mais não são que mera aberrações estatísticas, que depois são consagradas como efeito estatístico evidente de um tratamento eficaz, que não passa de meros placebos. É claro que isto que estou a falar já é ainda mais profundo, porque põe em causa todo a ci~encia farmaceutica ocidental.
O problema é que as farmaceuticas, como Vc. reconhece, move-se pelo lucro e maximiza-o quanto pode. Uma das formas é vender medicamentos que nada mais são que placebos, mesmo após os efeitos que possa ter no tratamento das doenças.
anti-comuna
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#18 Exemplo típico do que o Anti-comuna fala são os “medicamentos” para aumentar rendimento cerebral, concentração, memória, etc. tão usados por estudantes.
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Mas o facto de se introduzir a unidos implica que se deixem de ver medicamentos às caixas (é que não vejo qual pode ser a incompatibilidade)? Os doentes crónicos continuariam a comprar caixas de medicamentos para evitar deslocarem-se repetidamente às farmácias e qualquer pessoa que necessitasse de um par de ben-u-ron’s não seria obrigado a comprar 20.
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Leia-se unidoses onde se lê “unidos”
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De forma análoga se poderia falar das revisões do carro. Um valor típico são os 15000 quilómetros. Asseguram assim as marcas que praticamente todos os carros terão os travões, óleo, etc. em bom estado. Na realidade a maioria poderia rodar 20000 sem problema nenhum. Assim todos estão cobertos e maximiza-se o lucro. É por isso que não faço revisões na marca após os 45000. Todos os eventuais defeitos já terão aparecido até essa altura e não preciso mais da garantia.
Sei de um caso de dois carros iguais em que um ia à marca e outro não. O que ia à marca pedia sempre os componentes substituídos que eram usado no outro carro que andou…400.000 até ser vendido e sem problemas.
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#22.
A mim já me aconteceu estacionar o carro, depois de mudar o óleo, em frente à farmácia, e ser multado.
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««Os doentes crónicos continuariam a comprar caixas de medicamentos para evitar deslocarem-se repetidamente às farmácias e qualquer pessoa que necessitasse de um par de ben-u-ron’s não seria obrigado a comprar 20.»»
As farmacêuticas venderiam caixas mais pequenas e mais caras.
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“As farmacêuticas venderiam caixas mais pequenas e mais caras.”
Ó JM, as farmaceuticas têm um monopólio temporário, para poderem amortizarem a I&D, mas têm que negociar preços com o Estado. Logo, não podem vender mais caro. Excepto os de venda livre.
Por amor de deus, eu por vezes espanta-me a sua argumentação.
anti-comuna
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João Miranda volta a apresentar argumentos válidos para defender nacionalizações, desta vez da indústria farmacêutica e de distribuição e venda de medicamentos. Segundo JM todos pagaríamos menos.
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“Segundo JM todos pagaríamos menos.”
Exactamente. Se o número de medicamentos vendidos conta para a variação dos preços, logo o Estado nacionaliza as farmaceuticas, crente que assim até garante melhores preços.
Ou se quisermos, os medicamentos passarem a ser distribuidos pelo Estado, que os compra todos. E que depois dá a cada doente a necessária dose, como já se faz nos hospitais. E nós deixavamos de pagar pelos medicamentos, a não ser pela via dos impostos.
eehehheehh
Se levarmos a sério os argumentos do JM, também podem servir para este tipo de ideologias.
anti-comuna
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Well…
Não havendo o estado para controlar os preços, ou ter qualquer interferência na venda dos medicamentos, vendiam-se na net, como aliás já se faz.
Teríamos uma Amazon dos medicamentos.
As receitas eram conseguidas no site do HOUSE MD.
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««João Miranda volta a apresentar argumentos válidos para defender nacionalizações, desta vez da indústria farmacêutica e de distribuição e venda de medicamentos. Segundo JM todos pagaríamos menos.»»
Pagariam menos até se esgotar a mama do investimento feito. Farmacêuticas quando investiram em investigação e desenvolvimento tomaram a decisão supondo liberdade de vender a quem quisessem como quisessem. Se as nacionalizam depois dos investimentos feitos, não contem com mais investimento em I&D.
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««Ó JM, as farmaceuticas têm um monopólio temporário, para poderem amortizarem a I&D, mas têm que negociar preços com o Estado.»»
O seu argumento de que o Estado pode impor preços nada tem a ver com a discussão das unidoses. O Estado pode impor preços quer existem unidoses quer não existam.
Se quer o estado a impor preços, vai pagar mais tarde porque isso é um desincentivo à inovação.
Se o estado impuser preços às farmacêuticas, o argumento contra as unidoses continua válido. O estado não tem qualquer interesse em cobrar pela quantidade consumida. Unidose faria com que os custos pesassem excessivamente sobre os doentes crónicos.
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#24.
Porquê, se o preço já depende de um acordo com o Estado? Reconheço que poderá haver ajustes, mas duvido que possa acontecer o cenário catastrófico que preconiza só porque alguém resolve introduzir uma medida que até comporta algum senso-comum.
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As revisões do carro são uma forma de as construtoras de automóveis cobrarem preços diferentes a clientes diferentes. Os pobres pagam apenas o carro. Os ricos pagam o preço do carro e um preço acrescido na revisão. Se as oficinas de marca não existissem, os carros seriam mais caros para toda a gente.
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“Se quer o estado a impor preços, vai pagar mais tarde porque isso é um desincentivo à inovação.”
Nada disso, meu caro JM. É que as farmaceuticas gozam de uma prrogativa que é vedada normalmente: monopólio temporário.
O Estado, teoricamente em nosso nome, combate monopólios. Ao permitir um, tenta estabelecer limites dentro desse monopólio.
E ao contrário do que Vc. diz, os laboratórios já sabem que quando investigam um produto, a sua venda não será livre e será condicionada pelos clientes.
O que Vc. está a preconizar é simples: o Estado passa a comprar todos os medicamentos e depois distribui pelos doentes.
A partir daí, as farmaceuticas ficam dependentes do Estado. Que pode impingir aos laboratórios o seu poder monopolista na aquisição.
No dia em que o Estado diz, eu só compro este medicamento e até determinado preço. Quem quer vender, vende. Quem não quer, pode dedicar-se a outras actividades. O Estado até pode dizer que dá liberdade aos laboratórios para ganharem dinheiro: sejam eficientes e vendam-me a X. T~em aqui um cliente garantido para N unidades.
É isso que preetnde, caro JM?
anti-comuna
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««Porquê, se o preço já depende de um acordo com o Estado? »»
Porque as farmacêuticas teriam interesse nisso e seriam exigentes na negociação. As farmacêuticas não são totalmente desprovidas de armas nesta guerra. Em último recurso, deixam de investir. Uma coisa é garantida, não deixarão de se fazer pagar pelo serviço que prestam.
««comporta algum senso-comum»»
Comporta senso comum que só é aplicável a produtos em que o custo é proporcional à quantidade. Não é o caso dos medicamentos. No caso dos medicamentos, o produtor quer fazer-se pagar pelos custos de I&D. Se o preço passa a ser proporcional à quantidade, passa a haver um desincentivo para investir em I&D. O Estado até teria medicamentos mais baratos, mas teria menos medicamentos no futuro ou seria forçado a investir mais em I&D.
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“As revisões do carro são uma forma de as construtoras de automóveis cobrarem preços diferentes a clientes diferentes.”
ehheheheh
E pronto. E andamos nisto. lolololol
anti-comuna
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««E ao contrário do que Vc. diz, os laboratórios já sabem que quando investigam um produto, a sua venda não será livre e será condicionada pelos clientes.»»
O que o anti-comuna defende é que se aumentem esses condicionamentos. A consequência óbvia é que diminuem incentivos ao investimento.
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“As farmacêuticas não são totalmente desprovidas de armas nesta guerra.”
Pois não são. Compram políticos, administradores hospitalares, médicos, etc.
É fora o que mais elas fazem.
anti-comuna
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“A consequência óbvia é que diminuem incentivos ao investimento.”
Não. eu estou a usar a sua argumentação para provar que Vc. está usar maus argumentos, que até podem servir para que o Estado condicione mais o mercado.
O que o Jm defende é que as farmaceuticas garantam lucros acima dos mercados concorrenciais, com práticas que nada têm a ver com as médicas, mas simples predação sobre o pobre desgraçado do doente.
anti-comuna
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Já agora, anti-comuna, porque é que acha que a Galp tem um cartão de descontos? Pelo mesmo motivo. O cartão de descontos tem um custo burocrático: perde-se tempo a preencher papeis, a verificar o cartão, a controlar os prazos a que expiram os pontos etc. Desta forma a GALP consegue identificar os clientes sensíveis ao preço: são normalmente os que não se importam de perdem tempo com as burocracias do cartão. Assim consegue cobrar mais aos que não se importam de pagar mais e menos aos sensíveis ao preços. O resultado é um preço médio maior e mais clientes. As farmacêuticas fazem a mesma coisa com o tamanho das embalagens.
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««está usar maus argumentos, que até podem servir para que o Estado condicione mais o mercado.»»
Claro que servem. Como os socialistas são insensíveis às consequências do preço no investimento, é óbvio que isso pode ser usado por eles.
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A diferença é que eu compro na Galp se quiser. Se estiver doente sou obrigado a pagar pois não tenho alternativas.
Existe a Galp, a Shell, blá, blá, blá.
Em último caso, eu poderia dizer, não viuolando a liberdade de ninguém, que o Estado pode comprar patentes. Do género: o Estado abre concuros públicos para a compra de patentes, tipo, príncipio activo eficaz no combate aos diabetes. E comnpra, digamos, por 500 milhões de Euros. E depois os laboratórios deicidiam se valia a pena investir no seu negócio original: I & D.
Em nada isto violava as regras capitalistas, as tais que Vc. pensa estar a defender.
Se o Estado já faz na compra dos seus vários produtos e serviços que adquire, porque não patentes?
anti-comuna
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Caro ANTI…É necessária muita subtileza e tolerância para estar para aqui a argumentar com o JM!!!
Sabe…nem sempre concordamos Anti…mas encontro lucidez no seu pensamento…no pensamento de JM só encontro “mais-valia”, lucro, capitalismo, individualismo e demasiada ignorância!!!
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“Como os socialistas são insensíveis às consequências do preço no investimento, é óbvio que isso pode ser usado por eles.”
Vc. não percebe nada de capitalismo, o tal que julga defender.
Olhe lá, quando num mercado livre alguém compra algo, está interessado em garantir lucros a alguém? Ou maximizar ao máximo o seu poder aquisitivo? Quer é garantir que compra ao mais baixo preço possível. Isto é capitalismo. Como cliente, quero lá saber das patentes, marcas, lucros das empresas. Eu quero garantir que compro ao mais baixo preço, por qualidades similares.
Vc. é que está a usar argumentos esquisitos, que até viram-se contra si.
anti-comuna
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O JM faz-me lembrar aqueles pequenos accionistas da EDP, que ficam felizes, todas as vezes que a EDP aumenta os preços da electricidade, porque ela vai mais mais lucros anuais, logo, teoricamente, dar mais dinheiro a ganhar a esse tolinho.
Mas depois, o que paga a mais pela electricidade, não cobre eventuais lucros obtidos pelo investimento na EDP.
Mas isto eu vi milhentas de vezes, durante largosd anos. Nabos, contentes com as subidas de preços que iam pagar nos produtos e serviços que adquiriam, porque eram pequenos accionistas das empresas em questão. aahahhaahah
Mas o cérebro humano é assim, não é?
anti-comuna
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Este Exmo. Sr. vem para aqui argumentar com a expressão grupal “socialistas” (que fica sempre bem neste blog) com desdêm e dissabor mas esquece-se (não, não esquece, ignora, chuta para canto!) que quando defende a remuneração esotérica de gestores de empresas público-privadas nada mais faz que concordar e invejar à distância os vencimentos surrealistas destes compadres, “econo-messias” que “ele” tanto aprecia na sombra!
João Miranda, cada um escolhe o caminho a trilhar, Vc. é livre de escolher o seu, não aceito é o seu conceito de vida, sentido de ética!…seja feliz no seu admirável mundo novo, enclausurado na perfeita redoma!
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“O Estado até teria medicamentos mais baratos, mas teria menos medicamentos no futuro ou seria forçado a investir mais em I&D.”
Ora como o Estado já tem faculdades de Medicina e Farmácia, cujos docentes fazem doutoramentos, etc. poderia, como se diz agora, potenciar sinergias. Além disso possui hospitais, ou seja, doentes para investigar. Portanto o Estado tem tudo para produzir medicamentos se nacionalizar a indústria. Como pode definir o lucro na venda dos medicamentos e aplicá-lo no que bem entender, pode aplicá-lo em I&D. Ao ser todo aplicado em I&D e não em I&D e dividendos produz mais e melhores medicamentos novos. Além disso os docentes das faculdades podem investigar e ao ter o mercado dos seus hospitais garantido o sucesso é certo. Tudo com menores custos para o utente.
É isto que JM defende? É que os utilizadores/pagadores dos medicamentos podem definir isso através do voto num partido que o proponha.
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O João abusa de duas teses com fundamentos frágeis: que as farmacêuticas têm poucas armas (o que é manifestamente falso, porque são das indústrias com mais poder negocial e político do mundo e das que têm os bolsos mais fundos) e que a investigação em I&D no caso das farmacêuticas é um caso tão excepcional na indústria em geral que condiciona todo o funcionamento de uma venda a retalho, desde a produção ao embalamento até à distribuição ao consumidor final.
Mas a verdade é que o negócio das farmacêuticas assenta no facto de terem fortíssimas armas, dado que controlam produtos tão essenciais como os bens alimentares, com a desvantagem de não existirem alternativas naturais para quem não esteja contente com o sistema vigente. Não satisfeitas com esse peso que arrastam para a mesa de negociações, são das empresas que mais investem em Mktg (porque são empresas que pelo tipo de negócio têm geralmente uma imagem negativa junto da sociedade, com exemplos repetidos a justificá-la) e na “compra” daqueles que podem prescrever, regular, aprovar ou estudar os produtos que desenvolvem. Donde não se percebe a posição de fragilidade a que o JM confina as farmacêuticas.
No que concerne o I&D, cada molécula descoberta assegura, em média, a reposição dos custos de investigação e um balão de oxigénio financeiro que dura aproximadamente dez anos. O João acredita que uma soma dessa envergadura sai beliscada pelo conceito de unidosagem? Só se quisermos discutir acerca de tostões num negócios que envolve trilhões.
A verdade é que a unidosagem parece ter uma importância muito maior para o consumidor final do que para a indústria farmacêutica, tanto em valor como em percentagem.
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# 13
“Discriminação de preços é uma prática anti-competitiva? Porquê? Desde quando é que uma empresa tem que vender tudo ao mesmo preço e a todos os clientes?”
Temos que concordar sobre o que é Concorrência Perfeita antes de continuar esta conversa. E estou com receio, porque não concordamos no que as farmaceuticas fazem. (Que é bundling e não é a mesma coisa que descriminação de preços). De resto, pelo que percebo o João Miranda pode muito bem ser um Economista Austríaco, e nesse caso, nem faz muito sentido falar disto, provavelmente não acha que existam práticas anti-competitivas. Resta-nos que para muita gente Liberdade Económica e Concorrência Perfeita não são a mesma coisa, e que Bundling num Cartel é um exemplo de desvios de Concorrência Perfeita. E rapidamente a autoridade da unidose (de conhecimento económico) se vai.
Há duas questões interessantes: se há ganhos de eficiência por ter unidose (se os beneficios de não ter medicamentos a mais por casa superam os custos de fazer a unidose – a existirem esses custos…) e se os consumidores estão a pagar mais devido a um conluio das farmaceuticas feito através do bundling. A primeira pode levar a desperdício de medicamentos e a situações de auto-medicação, a segunda a menos transacções: para alguns consumidores não vale a pena comprar a caixa de medicamentos.
Note-se que introduzir a unidose não resolve o problema de conluio. Pode ajudar, porque torna o conluio mais complicado, mas resolve sempre o primeiro destes problemas.
De resto eu não fico convencido pelos argumentos logísticos explicados pelo João Miranda. E em relação ao free riding? De certeza que não é por isso que as Farmaceuticas fazem bundling. Aliás, segundo o argumento do João as empresas não têm de se preocupar com isto. Esta questão é relevante mas é completamente ortogonal ao que se estava a discutir antes. Ninguém tem solução para isso: quem deve pagar mais, um doente crónico ou um doente ocasional?
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O JM usa argumentos que se viram contra aquilo que ele julga estar a defender.
Por exemplo, se o custo de I&D é fixo, como ele diz, e é amortizado pelo número de unidades vendidas e quantas mais, mais barato fica produzir o dito cujo medicamente, o Estado pode então exigir que os laboratórios provem os seus custos de I&D, e quantas unidades vendidas, para avaliar qual o verdadeiro custo por unidade. Com os mercados cada vez maiores, os custos por unidade da I&D estão a baixar cada vez mais, mas os laboratórios evitam baixar os preços. tentam maximizar o seu monopólio e, claro, os lucros.
Como neste sistema existem sempre interesses antagónicos, e como é um sector muito especial, lá está, a prrogativa do monopólio permitida pelo Estado, aqui não se pode pensar em mero mercado livre e de concorrência. O Estado permite um determinado lucro anormal aos laboratórios em troca de beneficios ao doente. (Em teoria seria assim, se o Estado não defendesse interesses próprios e não a saúde geral.)
Senão, acabe-se com as patentes monopolistas e dê-se cabo do surgimento de inovações. O JM não quer isso e nem eu. Por isso tolero determinados monopólios temporários, e seus lucros correspondentes, em troca de um produto.
Mas ás vezes, com determinadas argumentações, eu apetece-me dizer: faça-se capitalismo a sério: não há patentes para ninguém. Safa-se aquele que souber vender um produto ao mais baixo preço. O risco passa quase todo para o laboratório. E os respectivos lucros.
anti-comuna
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O problema é que não se pode considerar a questão da unidose como bundling. os laboratórios podem sempre dizer que, nos seus estudos, o doente médio precisa de x unidades, para garantir a eficácia do medicamento.
E aqui iriamos depois para a eficácia dos medicamentos e seu controlo de qualidade, por entidades independentes e de confiança dos consumidores.
E saber quais são mesmo as doses necessárias para o tratamento da doença ou maleita.
O problema é que, isto é complicado, cada doente é um caso. E depois, cada doença e seu respectivo estado de desenvolvimento também é outro. Daí que, até a questão da eficácia do número de doses é completamente arbitrária.
O mercado do medicamento é mesmo complicado, porque não é tão simples como o é, por exemplo, a venda de combustiveis. Que até tem mais ofertas e concorrentes, produtos substituição, etc. que não existem no sector da medicação. Sem falar nas questões meramente científicas, que complicam ainda mais.
Mas o JM quer aplicar uma lei geral sobre todo o tipo de mercados e produtos. E até acredita que existe conhecimento suficiente para atestar da validade dessa lei geral. Em último caso é uma questão de fé.
anti-comuna
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Uma postada inodóra e insapiente e mesmo assim…quando o Pastor aponta ou grita…a manada/carneirada resmunga ainda primeiro e caminha em contra-passo no trilho do cajado.
TRISTEZA! AI PORTUGAL PORTUGAL DO QUE É QUE TU ESTÁS À ESPERA ?
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Se bem entendi a lógica (?) do JM, então uma caixa de 30 comprimidos, deveria custar exactamente o mesmo que uma caixa de 10 ou 60. Certo ?
Contudo, sabemos que o mercado não funciona assim.
Mas se eu só preciso de x unidades do fármaco Y, o qual, por sua vez até tem um prazo de validade, porque razão terei de comprar, e pagar, o triplo do que necessito, e deitar o resto para o lixo (no pressuposto que não volto a necessitar do mesmo fármaco, ou que o mesmo esgote o prazo de validade )?
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Se as oficinas de marca não existissem, os carros seriam mais caros para toda a gente.
Pode vir a ser o tema de debate económico do ano.
Eu por mim faço num “agente” que trabalha num quintal aos sábados e não passa factura.
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Se não apagassem os comentários só porque não gostam do nick, saberiam que, neste momento, o número de unidades por embalagem é definido, por defeito, pela União Europeia, o que pode ser alterado pelo Infarmed.
Este número é calculado tomando em conta vários elementos, mas especialmente visando o mais económico para o tipo de doença a que se destina.
Se uma determinada tipologia se alterou ou está mal calculada, o Infarmed pode mandar alterar essa quantidade.
O que é que a Ministra e o João Miranda sabem, que o Infarmed não sabe?
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fado alexandrino disse
Eu por mim faço num “agente” que trabalha num quintal aos sábados e não passa factura.
E as folhas de couve no radiador e cenouras no cano de escape não prejudicam o rendimento?
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Não fales em cenouras no cano de escape que o meu primo não se contém!
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Eu sou partidário do liberalismo e capitalismo à moda do Oeste antigo.
Com pistolas, coldres, salloons e cavalos, de preferência…
Puta que pariu o Estado e quem mama os nossos impostos!
Abaixo o estado social que enriquece os ricos e explora os pobres!
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Se calhar o João não vai ler isto, mas mais importante que o ridículo da unidose é perguntar-se e tentar responder à pergunta “O que vende uma farmaceutica?”
Esta vende ilusões. Sugiro-lhe que proponha que cada medicamento diga na embalagem, qual a probabilidade de ter efeito, para além do efeito placebo. Esta sim é a informação relevante que o utente não sabe. Por exemplo, qual a percentagem para além do efeito placebo de uma aspirina, e no caso de ser uma aspirina XPTO caríssima quando pagamos o triplo ou dez vezes mais como se traduz tal custo em aumento de probabilidade?
É aqui que está o busilis da questão, que o meu caro João Miranda ignora no seu gabinete E206…
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“Ninguém tem solução para isso: quem deve pagar mais, um doente crónico ou um doente ocasional?”
Mirwalk, Jonh; preconisa o utilisador pagador, como nas scut.
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“Ninguém tem solução para isso: quem deve pagar mais, um doente crónico ou um doente ocasional?”
Mirwalk, Jonh; preconiza o utilisador pagador, como nas scut.
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“Ninguém tem solução para isso: quem deve pagar mais, um doente crónico ou um doente ocasional?”
Mirwalk, Jonh; preconiza o utilizador pagador, como nas scut.
dass…não faço mais correções. Pela quantidade de erros que se lê por aí mais uns quantos não tera mal. 🙂
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50.anti-comuna disse
8 Abril, 2010 às 3:40 pm
Parece que o conseguiu calar.
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