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E se em vez do grande projecto de investimento mudassem a lei das rendas?

9 Maio, 2010

«O Bloco de Esquerda já tinha sugerido o adiamento, para 2017, da construção do novo aeroporto, dado que o da Portela” ficará “esgotado nessa altura, disse hoje à tarde em Coimbra Francisco Louçã.  No entanto, como “a economia portuguesa não tem nenhum grande investimento – e é isso que justifica o enorme desemprego” -, impõe-se “o esforço de um projeto de investimento na reabilitação de 200 mil casas degradadas“.»

11 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    9 Maio, 2010 11:06

    Quase 90 comentários no post abaixo, e ninguém percebeu mesmo nada.

    O concurso em questão, da ponte, tinha 3 concorrentes, do qual ficaram apenas 2 finalistas. A Mota Engil do Dr.Coelho e os espanhóis da FCC. Acontece que a proposta dos espanhóis é 300 milhões de euros mais barata, ou seja, a proposta arrasou o concurso, pelo que o Dr.Coelho poucas hipóteses teria de vencer.

    E eu sempre disse que acabaria por suceder alguma coisa neste concurso, e sucedeu mesmo. Golpe palaciano.

    No aeroporto sucedeu outra palhaçada. Por causa do PEC o governo teve que adiantar a privatização da ANA fora do negócio da construção do aeroporto. Só que esse negócio assim não interessa ao Banco do sistema, o BES, estes banqueiros e construtores queriam construir um aeroporto recebendo em troca e de graça um apetitoso e valioso monopólio, um verdadeiro negócio da China.

    Como os negócios da China não foram para a frente, acaba-se com os negócios, adia-se, baralha-se tudo de novo a ver se para a próxima já se pode meter a mão no quinhão .

    Quem manda no país não é o 1º ministro, são meia dúzia de banqueiros e construtores.

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  2. Gabriel Órfão Gonçalves's avatar
    9 Maio, 2010 13:02

    (Se o administrador do blogue melhor entender, apaga-se este post e muda-se para um tópico já existente ou a criar, ok? Eu vou guardar no meu computador este texto se o quiser apagar. Esteja à vontade!)

    Belo post, Anónimo!

    Em relação à privatização da ANA, acho que os portugueses não estão suficientemente alertas (aliás, não estão nada alertas) para a TRGÉDIA que isso representaria. O projecto do Governo seria mesmo esse (como quem tem lido as notícias sabe): o concurso é para arremtar a construção do Aeroporto + ANA. Seria um monopólio gigantesco e obsceno.

    Estamos a viver em ditadura: para andar pelas auto-estradas tem de se pagar (o que até é natural), mas não há alternativas, nem boas rodovias, nem boa ferrovia (Portugal, tenho-o dito repetidamente, nunca passou pela Revolução Industrial; Cavaco tem muita culpa no estado da ferrovia actual; é talvez o político mais culpado, porque desactivou linhas; Guterres também é culpado: não fez nada pela ferrovia); e quanto aos aviões, havendo um tal monopólio, as taxas aeroportuárias seriam de tal maneira elevadas que para sair daqui por avião só deixando uma boa maquia aos filhos da mãe que são esses banqueiros e construtores. As low-cost abandonariam Portugal! A operação seria (porque tenho a certeza de que não acontecerá) um total fiasco!!! Seria o maior desastre de exploração aeroportuária do Mundo Ocidental!

    A Portela nunca deverá ser encerrada. O Novo Aeroporto a construir deverá ser não em Alcochete (com todo o respeito pelo Prof. Viegas e pela CIP, Alcochete foi óptimo para destronar a Ota, mas não é o melhor sítio para fazer o aeroporto complementar), mas sim no espaço que é um polígono definido pelos vértices Rio Frio, Faias, Poceirão, Periquita, Pinhal Novo (Ver no Google Earth). (A linha de caminho de ferro que lá passa ou é enterrada (veja-se a nova estação de Aveiro, creio, ou será Ovar?), ou então o aeroporto é construído por cima. Era aliás a solução para a Ota, e vários aeroportos por esse mundo são atravessados por uma linha férrea!) Foi a zona escolhida, e bem, pelo primeiro – e MELHOR, ATÉ HOJE – estudo feito sobre a localização do Novo Aeroporto. Só para vos dizer isto: Marcelo Caetano tinha golpes de génio, apesar dos seus grandes defeitos. Era um Administrativista genial, na teoria e na prática. Que eu saiba, aquilo que vou relatar é caso único em Portugal:

    Abriu-se concurso internacional para consultoras aeroportuárias. Foram seleccionadas umas quantas, e no final hierarquizadas. Mas o estudo não foi adjudicado à primeira qualificada!
    Foi adjudicado à primeira e à segunda, para competirem entre si e sentirem a pressão dessa competição. O resultado foi magnífico.
    Basta dizer que uma das empresas recomendou uma área de 6440 hectares, para exploração até 2000! Para a Ota eles contentavam-se com 1800!!!
    Será que o país entretanto encolheu, apesar de se vir a dizer desde aí, que a Portela está saturada???

    Curiosamente já em ’70 se dizia que a Portela estava saturada. Cómo é que se aguentou até hoje, é de certeza por milagre de Nossa Senhora!

    Ver aqui:

    http://bravosdopelotao.blogspot.com/2007/04/gabriel-rfo-gonalves-analisa-todos-os.html

    «Rio Frio é, das localizações estudadas, a única em que é possível dispor de uma área permitindo a instalação de um aeroporto de grandes dimensões, sem quaisquer restrições para ampliações futuras.»
    «Rio Frio foi também a localização analisada que parece permitir, com menores investimentos, a ligação à rede ferroviária nacional e, por consequência, uma futura ligação por caminho de ferro a Lisboa»
    «P. 26: aparece outro dado interessante. A comissão decidiu contratar as duas empresas de consultoria mais bem cotadas no concurso. Para quê? Para que concorressem entre si, eis para quê.»
    «Embora resultando daqui um acréscimo de custo, pensou-se que valia a pena sofrer esta penalização em face das vantagens substanciais resultantes: possibilidade de aferir a apreciação ulterior dos trabalhos, possibilidade de os dois estudos se complementarem, estabelecimento de competição entre as firmas realizando os estudos e ainda possibilidade de aferir conclusões quer concordantes quer discordantes por ulterior discussão destas últimas.»

    Marcelo Caetano e a sua equipa: geniais!

    Agora a pérola sobre a área: «Ambos os estudos recomendam, porém, a aquisição de área maiores que possibilitem, entre outras coisas, a instalação futura da Comunidade do Aeroporto. Assim, as firmas S.A.R.C./H.N.T.B. recomendam como essencial ou altamente desejável a aquisição de uma área total de 21 780 ha, [não há gralha!] que incluem os 6440 ha destinados ao Aeroporto pròpriamente dito.
    O consórcio I.D.G.W. recomenda a aquisição de 4550 ha para o Aeroporto pròpriamente dito e o estabelecimento da servidão aeronáutica para a protecção do Aeroporto – obstáculos e ruídos – e a aquisição de uma área de cerca de 2000 ha para uma zona habitacional, localizada a sudoeste da Herdade de Rio Frio.»
    «Lembro que o eng. Diogo Pinto, salvo erro o eng.-chefe do aeroporto de Macau, disse – no Programa Prós e Contras de 26 de Março – que descartaria imediatamente o sítio da Ota, por falta de espaço. Disse que Portugal precisava de um aeroporto com pelo menos 3000 ha. Chamar a isto, como chama o Sr. Primeiro-Ministro e o Ministro das Obras Públicas, a “perfeitamente normal ausência de consenso” é no mínimo triste.»

    “A privatização da ANA cum Construção do Novo Aeroporto de Lisboa” (sim, “cum” é a brilhante palavra que eles escolheram: mas a boca fala do que o coração sente, não é? Ou de outra partes do corpo…) é uma aberrção, uma estupidez, um erro de asno de grande pedigree!
    Links:

    http://www.naer.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=203524&att_display=y&att_download=y

    Click to access 20090415121006moptc.pdf

    http://www.naer.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=216256&att_display=y&att_download=y

    Força, compatriotas!

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  3. Desconhecida's avatar
    asimov permalink
    9 Maio, 2010 13:12

    Isto está bonito está…

    Agora temos o padreco louçã a fazer previsões do tráfego aéreo a 7 anos (claro que as previsões destes patarecos é traçar uma linha a direito sempre a subir de modo que conclusões batam certo com as suas proposições políticas).

    Mas o melhor mesmo é a aliança do BE e PCP com o grande capital na forma dos bancos e grandes construtoras, os grandes mamões dos projectos de “investimento” público que se fazem neste desgraçado País. Mas se calhar o objectivo é o mesmo de sempre, criar a miséria e a indigência em que os louçãs desta vida florescem. É que ainda não atingimos o socialismo a 100%, portanto isto pode sempre piorar…

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  4. Eduardo F.'s avatar
    9 Maio, 2010 14:54

    O Prof. Louçã não quererá estabelecer-se, em definitivo, algures no triângulo entre a Bolívia, a Venezuela e Cuba? Por exemplo, associando-se ao Prof. Boaventura?

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  5. joka's avatar
    joka permalink
    9 Maio, 2010 15:31

    O dr Louçã não se está a preparar para substituir o Inginheiro?! Cheira-me a conversações secretas. Como o outro vai dizendo, com o dinheiro “tudo se compra, tudo se vende”.

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  6. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    9 Maio, 2010 15:56

    Para assaltar os bolsos dos contribuintes, ou seja ter poder, este sempre foi o modos operandi das Esquerdas: Bloco, Comunistas, Socialiistas sempre foram gajos práticos e aliam-se a quem os apoiar. Se for o BES, Mota Engil, a Halliburton ou quem quer que seja não interessa. Os estupidos do BES, Mota-Engil é que não percebem que estão a alimentar crocodilos, coitados esquecem a História rápidamente.

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  7. António Coelho's avatar
    António Coelho permalink
    9 Maio, 2010 16:41

    Como é possível ser-se troskista em 2010?Quem foi Trosky?O Comandante do Exército Vermelho que chacinou milhares de camponeses que se opunham à colectivização forçada das terras que eram o seu único ganha-pão?Que ele apelidou de reaccionários e contra-revolucionários e dizimou à metralhadora?É este o modelo de civilização que Louçã defende para Portugal?Ele continua filiado na IV Internacional e ninguém lhe pergunta nada?

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  8. Rogério's avatar
    9 Maio, 2010 19:00

    António Coelho;

    «Como é possível ser-se troskista em 2010?Quem foi Trosky?»

    Como é possível eu querer alugar uma casa em Lisboa e só ter oferta superior a 400€….

    Interessa-me mais isso, do que saber quem foi o Tróti.

    R.

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  9. EU CLÁUDIO's avatar
    EU CLÁUDIO permalink
    9 Maio, 2010 20:34

    #7

    Só na Ucrânia fala-se em 11 milhões de mortos à fome, naquele episódio conhecido por Holodomor, nos anos trinta do século passado!…

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  10. Levy's avatar
    10 Maio, 2010 02:34

    E de quem são as 200 mil casas degradadas? Por que é que tenho de pagar para recuperar a caso do vizinho que passa o dia na tasca a enfrascar-se? Pronto já disse a tirada demagógica de hoje.

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  11. Pedro's avatar
    Pedro permalink
    10 Maio, 2010 11:06

    Claro, Helena,

    Parece tão evidente que não se compreende como esta distorção do mercado se tem mantido. Obviamente que leva à compra de casa própria, obrigando os cidadãos a serem “escravos” dos bancos, passando a trabalhar para a amortização da dívida da casa própria (por ausência de alternativas) e pagamento de juros (quase toda a vida!). E forçando uma imobilidade social que é contra-natura na economia do século XXI.

    Reabilitação urbana paga pelo governo? Óptimo. Mas com o mercado a funcionar.

    Vejamos, de forma simplista:

    (1) O arrendamento é totalmente liberalizado;

    (2) As rendas antigas sobem, nalguns casos de forma astronómica;

    (3) Quem tem meios para as suportar — o que significa que, actualmente, se está a aproveitar de um privilégio injusto — paga o justo valor;

    (4) Os inquilinos que não possuam rendimentos suficientes para suportar o aumento (total ou parcialmente) são subsidiados directamente pelo Estado (aqui entra a comparticipação do Estado para a reabilitação);

    (5) Os senhorios, tendo desta forma rendimentos para assegurar a reabilitação dos seus edifícios, são obrigados pelo Estado a proceder às respectivas obras de recuperação, sofrendo pesadas penas (ou perda do bem) se assim não procederem.

    Desta forma a reabilitação é efectuada por quem de direito (e dever), para a qual recebe o valor justo do aluguer do bem.

    Evidentemente que há muitas questões que ficam por abordar. Mas parece-me que o essencial está explanado. Que, permita-me a pretensão, poderá não estar muito longe do sentido do seu (como sempre) pertinente post.

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