Saltar para o conteúdo

Ligação de Portugal à Europa será feita por suburbano

10 Maio, 2010

Três alternativas para ligar o TGV desde o Poceirão até Lisboa

Uma hipótese, até que haja ligação a Lisboa, é efectuar o transbordo, saindo do TGV, e continuar a viagem pela via convencional, através da Ponte 25 de Abril, num comboio da CP (que para isso teria de criar um novo serviço).

O segundo cenário é a utilização de comboios bi-bitola (tecnologia espanhola, utilizada neste país), que permite a circulação na linha de alta velocidade e na linha convencional, podendo assim viajar directamente para a capital. No entanto, e apesar de ser mais rápido do que a hipótese anterior, a viagem duraria entre três horas e 15 minutos e três horas e meia, contra as duas horas e 45 minutos previstas no actual projecto de alta velocidade. Outra desvantagem é que teria de utilizar a Ponte 25 de Abril, pelo que não poderiam realizar-se muitas viagens para Madrid, já que o tabuleiro ferroviário tem a sua capacidade perto do limite.

A terceira hipótese é voltar atrás com o actual concurso da ligação entre Lisboa e o Poceirão, e renegociar o prolongamento da linha até ao Pinhal Novo. Não seria uma ligação directa, mas nesta localidade há diversos suburbanos para Lisboa.

27 comentários leave one →
  1. simon's avatar
    simon permalink
    10 Maio, 2010 14:42

    E tudo vai bem, poderá dizer-se, quando, até à concretização dos pressupostos que viabilizem todas as hipóteses, se pode ir pela melhor.

    Gostar

  2. Piscoiso's avatar
    10 Maio, 2010 14:44

    Só espero que o vinho de Poceirão não perca qualidade.

    Gostar

  3. Nuno Castelo-Branco's avatar
    10 Maio, 2010 14:51

    Houve quem fizesse essa proposta, mas ninguém quis ouvir. Fere muitos interesses instalados. Vejam aqui:

    http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/ultimas-tvi24-tgv-dduarte-pio/1160811-4071.html

    Gostar

  4. Desconhecida's avatar
    João Fernandes permalink
    10 Maio, 2010 14:55

    Só faltava aqui o Dom Duarte….

    Gostar

  5. Desconhecida's avatar
    JoaoMiranda permalink
    10 Maio, 2010 15:00

    ««Houve quem fizesse essa proposta, mas ninguém quis ouvir. »»

    Talvez porque, se a ideia é fazer um TGV (leia-se “alta velocidade”), não interesse muito ter um estrangulamento na ligação.

    Gostar

  6. Desconhecida's avatar
    Anonimo permalink
    10 Maio, 2010 15:11

    abriu o mercado de propostas alternativas, como não têm mais nada para fazer, vão reinventando a roda e quem sabe se a máquina a vapor.

    Gostar

  7. Nuno Castelo-Branco's avatar
    10 Maio, 2010 15:44

    5. Tudo muito bonito, mas esse “estrangulamento” faz o preço da obra cair para metade do valor. É claro que para um país milionário como o nosso, isso não tem qualquer relevância. Por mim, tudo bem. Não conto ir a Madrid de TGV.

    Gostar

  8. Desconhecida's avatar
    Anonimo permalink
    10 Maio, 2010 15:50

    ainda não há linha e já há gajos a fazem birras tipo: nunca-hei-de-andar-naquele-combóio. é assim mesmo dá-lhe com força ò chateau-brillant.

    Gostar

  9. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    10 Maio, 2010 15:56

    ««5. Tudo muito bonito, mas esse “estrangulamento” faz o preço da obra cair para metade do valor»»

    Não fazer a obra faz o preço cair para zero.

    Fazer apenas até Évora fica ainda mais barato.

    Se fizer meia ponte sobre o Tejo fica mais barato do que fazer uma inteira.

    Se comprar um sapato fica-lhe mais barato do que se comprar um par.

    Se comprar um carro sem rodas sai-lhe mais barato que um carro com as rodas todas.

    Gostar

  10. Desconhecida's avatar
    Colonizado permalink
    10 Maio, 2010 16:18

    Concordo inteiramente com o suburbano.Já viram as potencialidades turisticas desse percurso?Se ninguém vai visitar e confraternizar na Cova da Moura é bom que todos os utilizadores do TGV sejam obrigados a um percurso que inclua a baixa da Banheira, a Quinta da Princesa e sabe-se lá se não se justificaria um desvio pela Bela Vista…

    Gostar

  11. Gabriel Órfão Gonçalves's avatar
    10 Maio, 2010 16:26

    Agradeço ao Blasfémias a oportunidade de nos podermos reunir aqui para discutirmos o futuro, tão negro que se nos apresenta, da nossa Pátria. Um bem-hajam aos criadores deste blogue/fórum!

    Quero em primeira mão deixar aos leitores deste espaço a carta que, infelizmente tardia (tendo em conta que a reunião com os economistas decorria hoje), enviei hoje às 05:44 ao Sr. Presidente da República.

    ——————————————–

    Antes quero, permita-me, humildemente fazer um pequeno aditamento ao Sr. João Miranda: a CP não teria de criar um novo serviço, se (como o próprio Sr. João Miranda disse, e bem), como está a ganhar rapidamente adeptos entre os técnicos, a linha de bitola europeia chegar até ao Pinhal Novo (são apenas 12 ou 15 Km do Poceirão ao Pinhal Novo!)

    O Pinhal Novo tem 23 comboios diários da Fertagus para Lisboa, e 11 da CP para Lisboa. Os da Fertagus só chegam a Roma-Areeiro, mas os Alfas e Intercidades da CP vão até Oriente. Creio que é bem bom! Mas para isso não tem de se voltar atrás com o concurso, Sr. João Miranda! Faz-se é um pequeno concurso adicional para a dita extensão da linha, coisa extremamente simples, tanto jurídica (procedimento concursal) como tecnicamente! 🙂

    A bibitola não é teconologia espanhola, é universal. Consiste em instalar um terceiro carril, perto de um dos dois da bitola ibérica: os comboios com bitola europeia, mais estreita, poderiam assim circular nessa vias, tanto como os de bitola ibérica, dado a via ter 3 carris: o carril 1 e 3 servem a bitola ibérica, o carril 1 e 2 servem a bitola europeia. Ver, sobre isto, na net o “PlanoIntegradode Transportes” do Eng. Especialista em Transportes Cabral da Silva, uma pessoa extraordinária que tive a honra e o prazer de conhecer e de com ele aprender. (Se disser incorrecções, são da minha inteira responsabilidade, escusado seria dizer! Nada como ir à fonte, que é o estudo dele que referi. Completíssimo: o único plano de transportes ferroviários. É que em Portugal nunca há planos. Aquilo É um PLANO!)

    Tecnologia espanhola é sim o intercambiador (é pelo menos o país que mais usa essa tecnologia, tanto quanto sei), mas que é mais complexo e tem dado origem a pequenos incidentes com estragos para o material. Nesse caso o comboio possui eixos (a barra entre as rodas) telescópicos. Passa então sobre um troço de linha especial que (depois de activado pelo maquinista o botão que permite aos eixos movimentarem-se – pois antes estariam fixos por dispositivos mecânicos, por razões de segurança óbvias), vai ou alargar os eixos dos comboios de bitola europeia para poderem passar nas linhas de bitola ibérica, ou aperta os de bitola ibérica para poderem entrar nas linhas (com menor distância entre carris = é a bitola) de bitola europeia.

    Reproduzo um texto que me foi enviado pelo Eng. Cabral da Silva sobre o assunto:

    «Meus Caros,

    Vou tentar explicar a “coisa” :

    Nos comboios dotados de eixos telescópicos (actualmente, só os há para passageiros e apenas em Espanha, dado que os outros Países não precisam dessa solução pois todos possuem a bitola UIC, de 1435 mm), a transição faz-se automaticamente em instalações especiais (os intercambiadores) onde, para o efeito, tais comboios passam a uma velocidade reduzida.
    Tem havido casos de acidentes devido a esta operação.
    O sistema é engenhoso, mas peca por vários defeitos :
    – Encarece comboios e instalações (não nos esqueçamos que um dos objectivo do transportes é redução do custo, que, no caso das mercadorias é essencial)
    – Tem havido alguns problemas com a sua operação, como já referi
    – Não existem vagões de mercadorias para este processo
    – Esta solução não transformaria as nossas actuais vias férreas em linhas interoperáveis, já que os Franceses, Alemães, Ingleses, etc não poderiam aceder às nossas linhas.

    Conclusão :
    Para nos ligarmos à Europa, temos mesmo é de encarar a transição para a bitola UIC, uma vez que a Espanha, que nos obrigou a construir a nossa rede em bitola ibérica já iniciou transição em 2005.»

    —————————————————————

    Agora a carta ao PR:

    Excelentíssimo Senhor Presidente da República
    Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

    Permita-me que dê a conhecer a V. Exa. um texto sintético que elaborei para ser lido, no dia 3 do corrente, aos microfones da Rádio TSF, sobre a actual problemática das Vias Férreas em Bitola Europeia (incorrecta, escandalosa, e irresponsavelmente chamadas de “TGV”) e sobre a questão do Novo Aeroporto.

    O texto é muito sucinto, e o tom, compreenda V. Exa., é o de um texto não erudito, não académico, mas para ser lido num curto espaço de tempo e procurando maximizar a relação simplicidade/rigor dos factos/veemência das opiniões emitidas, tendo por objectivo alertar a audiência para certas falácias geradas em torno destas questões.

    Segue o referido texto:

    [isto n estava no texto ao PR: na TSF n pude ler o texto todo; podem ouvir-me aqui:

    http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=1559507

    na 2ª parte do fórum, a partir do minuto 30:50. Fiquei entalado entre a Ana Paula Vitorino e o António Mendonça. Cruzes, credo!!! Aquilo que ouvirão é ligeiramente diferente do texto reproduzido aqui, porque na altura cortei umas pequenas partes e acrescentei outras. Eu estava a ler este texto, que tinha escrito para não gaguejar :), mas aqui e além divergi. O sentido, no entanto, é sempre o mesmo.]

    «Bom dia à TSF e aos seus radio-ouvintes.

    O meu nome é Gabriel Órfão Gonçalves e sou jurista e professor no ensino particular.

    Venho falar do “TGV” e do “Novo Aeroporto”.

    Ora bem, em primeiro lugar, nós temos, de um vez por todas, de deixar de falar em TGV. TGV quer dizer “Train à Grande Vitesse”. TGV refere-se portanto ao comboio. Todavia, nesta altura, não deveríamos estar a falar do material circulante, isto é, do comboio, mas sim da infra-estrutura ferroviária: das linhas férreas, das suas especificações.

    Ora o grande problema de Portugal, a nível dessas infra-estruturas, é ter uma bitola – que é a distância entre carris – que é diferente da bitola dos caminhos-de-ferro da Europa além-Pirinéus. Não é possível que um comboio português siga directamente de Portugal para a Europa além-Pirinéus. Não é possível, ponto final. Isto faz com que toda a importação e exportação feita com a Europa além-Pirinéus seja feita por camião TIR, que fica muito mais caro do que o comboio. Tenho à minha frente um documento do MOP que diz que em 2008 nós importámos 0 toneladas da Europa por comboio e exportámos 8 toneladas (recorrendo ao transbordo de contentores que se efectua em Irún, Espanha). Isto é uma vergonha.

    Se Portugal não mudar a sua bitola, da ibérica para a europeia, ficará completamente isolado, ferroviariamente, da Europa. E ficará porque a Espanha está a avançar a todo o vapor para as ligações por bitola europeia com França, concretamente nas linhas Irun/Hendaye-Dax-Bordéus, no extremo oeste do istmo peninsular ibérico, e Barcelona-Figueras-Perpignan-Montpellier, no extremo oposto (leste).

    Nessa altura, como é que fica Portugal em relação com a Europa? Fica isolado.

    Ora bem, as pessoas dirão então que o TGV é fundamental, para fazer esta ligação. Não é. Falar de TGV em vez de falar de linhas férreas é como falar de Ferraris em vez de falar de estradas. Isto é um discurso de malucos. E a comunicação social tem culpa ao falar constantemente em TGV, quando devia falar em caminhos-de-ferro. O TGV não é caminho-de-ferro, é um comboio! E nós nem deveríamos importar comboios. Devemos ser nós a fazê-los com o mínimo recurso possível a know-how estrangeiro. Mas devem ser feitos cá dentro, com trabalhadores portugueses. Eu ainda não ouvi uma única palavra dos nossos deputados sobre a necessidade de reabrir a SOREFAME, uma empresa ferroviária e metalúrgica que em 1975 ganhou um concurso internacional para construir 200 carruagens para o metro de Chicago! (Cf. na Wikipedia.)

    Ora bem, as pessoas do povo que defendem o TGV fazem-no de boa fé, mas é tempo de perceberem que primeiro tem de se pensar nas linhas. Obviamente, e para descansar os ouvintes, quero dizer que, actualmente, ninguém pensa construir linhas em bitola europeia que não venham a servir os comboios mais rápidos do mundo. Portanto, as linhas servirão sempre para os futuros comboios. Mas que comboios lá vamos pôr, isso é depois as operadoras que decidem. Até podemos ter apenas comboios espanhóis a circular na linha. É um cenário perfeitamente possível, se Portugal não tiver dinheiro para comprar comboios!

    Portugal tem uma faixa atlântica com portos de excepcional potencialidade, com destaque para o porto de Sines, portos esses que permitem receber e enviar mercadorias. Ora isto só se faz ligando os portos à rede europeia. E isto não está nos planos da RAVE. Quereis que explique?

    A RAVE planeia fazer uma linha em bitola ibérica – não europeia, note-se – para levar as mercadorias de Sines para Espanha. Mas de que é que isso nos serve? Sabeis o que isto é? É um favor à empresa Takargo, do grupo mota-engil, que não teve a inteligência para planear antecipadamente a compra de comboios em bitola europeia e que insiste em dizer, ignorantemente, e porventura de má fé, que a Espanha ainda levará muito tempo a mudar a sua bitola.

    Já a linha europeia Poceirão-Badajoz, felizmente projectada em bitola europeia, está preparada para transportar mercadorias, mas ninguém se lembrou de a ligar aos portos de Sines e Setúbal! Como foi isto ignorado, quando a ideia sempre foi ligar os nossos portos à Europa por ferrovia?

    É ainda preciso dizer que os únicos países que têm “TVG” e comboios análogos são os países que os constroem. Já repararam nisto? Nós temos de começar do princípio. O nosso comboio mais rápido, o Alfa, que faz Lisboa-Porto em 2h e 35, fá-lo a uma velocidade média de cerca de 120 Km/h! Alguém acredita que podemos dar o salto tecnológico para duas vezes e meia tal velocidade, num país sem metalurgia, sem metalo-mecânica?

    E os partidos não percebem nada disto. É lamentável mas é a verdade. Nem sabem falar português: estão sempre a falar do “TGV”: uns são a favor, outros contra. Deveríamos ser contra a importação de material circulante estrangeiro, deveríamos ser a favor da construção de linhas de bitola europeia, e deveríamos ser imediatamente a favor do ressurgimento da SOREFAME, uma das melhores empresas que Portugal teve. Srs. Deputados, façam o trabalho de casa!

    Muitos falam em ligar Portugal à Europa por TGV. Mas, alguém conhece um londrino que vá de Londres a Frankfurt de “TGV”??? Ou que na Europa alguém faça percurso de extensão semelhante em comboio de velocidade e conforto semelhante??? O mais importante são as mercadorias. E essas não andam de TGV! Andam em comboios a 80-160 Km/h! E são essas que precisam de correr grandes distâncias na Europa.

    Em relação ao Aeroporto, a Portela não está esgotada. Eu faço apenas esta pergunta: se hoje fosse aberto à operação aérea comercial um aeroporto na região de Lisboa, complementar à Portela, quantos aviões é que os senhores deputados pensam que iriam lá aterrar por dia? Com sorte uns 5! O primeiro sinal de que um aeroporto está saturado é o facto de ter slots esgotados e – isto é fundamental! – tê-los esgotados por aviões de grande capacidade. Ora quantos Jumbos (B-747) aterram em Lisboa por semana? Salvo erro 1! Mais de 85 % do tráfego é feito por aviões narrow-body, (um só corredor) que são aviões com capacidade para 150 a 180 passageiros.»

    Exmo. Sr. Presidente da República, dois ou três dos economistas com quem se reunirá hoje receberam este meu texto, que aqui sofreu apenas ligeiras alterações em relação ao que lhes foi enviado.

    Alguns desses economistas perceberam logo desde o início a vantagem das linhas de bitola europeia. Outros, digo-o com tristeza, opuseram-se desde logo ao projecto por se terem deixado, direi, “enfeitiçar” pela carga negativa (que a tem, é indiscutível) do conceito TGV. Nunca esta sigla tivesse sido pronunciada, e ter-se-ia discutido sempre aquilo que era para discutir: a ligação da nossa ferrovia à Europa além-Pirinéus, o que é de enormíssima importância para baixar o custo a que exportamos e também, claro, o custo a que importamos mercadorias. A permanente invocação irresponsável da sigla TGV paralisou, infelizmente, o raciocínio claro e a discussão desapaixonada que deveria ter tido lugar.

    Segundo um estudo (internet: PlanoIntegradodeTransportes) do Especialista em Transportes da Ordem dos Engenheiros, Eng. Luís Cabral da Silva, a energia necessária para fazer andar um comboio a 350 Km/h é praticamente o dobro da necessária para que circule a 250 Km/h. Como acreditar então que o TGV possa concorrer, em termos de preço, com outros meios de transporte? Por isso nunca acreditei na rentabilidade de linhas só para a exploração de comboios de passageiros. Felizmente a linha foi preparada para transportar mercadorias, que, como é normal, circulam mais à noite que de dia, para não perturbar os comboios rápidos de passageiros (mas que, insisto, não precisam de ser de velocidades da ordem dos 300/350Km/h). Há no entanto um problema, que já referi há pouco: a linha termina no Poceirão. É imperioso construir então linhas também de bitola europeia de Sines, de Setúbal, da AutoEuropa, que se liguem directamente ao fim desta linha Caia-Poceirão. Sem essa enormíssima mais-valia a exploração da linha está condenada ao fracasso, e a prejudicar, em vez de melhorar – e muitíssimo podia e poderá melhorar! – a economia pátria. Estas linhas devem ser feitas com o dinheiro que se poupará ao não construir a totalmente inútil linha em bitola ibérica projectada pela RAVE para ligar Sines a Espanha, projecto este verdadeiramente misterioso!

    Tomo a liberdade de enviar endereços de sites da Internet onde poderá rever os documentos audiovisuais a meu ver mais importantes produzidos por várias estações de televisão sobre os grandes erros deste projecto. Considero que todos eles têm uma elevadíssima qualidade:

    Declarações importantíssimas do primeiro presidente da RAVE sobre os erros do TGV:
    http://www.tvi24.iol.pt/artmedia.html?id=1158628&tipo=2#
    http://www.tvi24.iol.pt/galeria_nova.html?mul_id=13197859

    Reportagem-documentário de excelente qualidade da RTPN. O nível de rigor é insuperável, e a completude da informação digna dos mais rasgados elogios:

    Sobre a desnecessidade, para já, da terceira travessia sobre o Tejo, com declarações do Prof. António Brotas:
    http://www.tvi24.iol.pt/galeria_nova.html?mul_id=13254437

    Declarações do Especialista (O. Eng.) Luís Cabral da Silva sobre a rentabilidade do modelo da RAVE e sobre a falta de projectos para ligar Poceirão aos portos de Sines e Setúbal
    http://www.tvi24.iol.pt/galeria_nova.html?mul_id=13256361

    Para terminar esta já longa missiva a Vossa Excelência, quero dizer que a linha cujo contrato de construção foi no Sábado passado aprovado deve ser olhada como aquilo que é, e não como nos quiseram fazer crer que seria: trata-se de uma linha de bitola europeia que permitirá a exportação e importação de mercadorias para e de toda a Europa, e que servirá também para o transporte de passageiros a uma velocidade elevada, mas não tão elevada que encareça o preço e desencoraje a procura. A sigla TGV, quero frisar, não aparece escrita uma única vez nos acordos ibéricos sobre a questão! E é minha convicção que nunca naquela linha circulará um comboio TGV, pelo facto de a sua extrema velocidade implicar um preço inacessível à procura necessária à sua sustentabilidade, numa economia como a dos países ibéricos. Aposto a minha reputação intelectual nisto. É minha convicção de que, apesar de Portugal e Espanha terem acordado o tempo de ligação entre as suas capitais em 2h e 45 min., ambos os Estados soberanos revogarão de mútuo acordo tal cláusula, de modo a ajustá-la ao mercado. Uma velocidade máxima de 250 Km/h parece-me ser perfeitamente adequada, levando a um tempo de viagem de cerca de 3 h e meia, dependendo do número de paragens. Isto seria feito a um preço bastante mais acessível do que as megalómanas 2 h e 45 min. propostas pela RAVE. E é a própria RAVE que, no seu site, revela que o preço da ligação Lisboa-Madrid custará 100 (cem!) euros. (Acabo de confirmar, 10 segundos antes de enviar esta mensagem: site da RAVE; secção perguntas frequentes, questão 23). Uma irresponsabilidade escandalosa! – que portugueses poderão viajar num tal comboio até Madrid?

    Envio a Vossa Excelência, o Senhor Presidente da República, os meus respeitosos cumprimentos.

    Gabriel Órfão Gonçalves
    Jurista, doutorando da Universidade Nova de Lisboa

    ——————————————————————

    Falhei num aspecto importante: de acordo com a RAVE (site da empresa, perguntas frequentes), a linha de bitola europeia Caia-Poceirão só está preparada para 17 ton. por eixo, quando os técnicos prefeririam 25 ton.
    Não sei até que ponto isto compromete o futuro… Com este Ministério as coisas NUNCA estão isentas de estranhos e facilmente evitáveis defeitos…

    Abraço a todo os leitores do grande “Blasfémias”!

    Gostar

  12. Desconhecida's avatar
    Ermelinda permalink
    10 Maio, 2010 17:55

    #7 Se essa resposta fosse dada pelo meu filho ao #5 na minha frente, dava-lhe imediatamente um par de estalos.

    Quando alguém argumenta seriamente connosco é muito feio responder torto, com brincadeiras parvas.

    Gostar

  13. Desconhecida's avatar
    Ermelinda permalink
    10 Maio, 2010 17:59

    Desculpem-me a confusão dos números.
    Onde digo #7 deveria ter dito #9 e onde digo #5 deveria ter dito #7, ou seja, o que eu questiono é a resposta do JM ao NC-B.

    Gostar

  14. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    10 Maio, 2010 18:09

    Cara Ermelinda,

    Custa assim tanto perceber que fazer um TGV em que os últimos quilómetros são feitos por um suburbano é parvoíce?

    Gostar

  15. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    10 Maio, 2010 18:48

    É por causa disso que Sócrates quer nem que seja um carril de TGV. É colocar o pé na porta.

    A próximo pé na porta já está pensado. Faz-se o TGV de Lisboa a Coimbra.

    Gostar

  16. Eduardo F.'s avatar
    10 Maio, 2010 18:49

    «Custa assim tanto perceber que fazer um TGV em que os últimos quilómetros são feitos por um suburbano é parvoíce?»

    Um disparate nunca vem só.

    Gostar

  17. Nuno Castelo-Branco's avatar
    10 Maio, 2010 19:36

    8. e 12.

    Não conto andar de TGV porque é caro. Quem está para esperar horas infindas na linha, quando por uma fracção desse preço chegamos a Paris em 2 horas? Não me parece disparatado. Não é birra, mas sim, uma questão de poupar tempo e dinheiro.

    Quanto aos estalos, Sra. Dª Ermelinda, tem toda a liberdade de os prodigalizar a quem quiser. É que a sua forma de resolver as coisas,não parece muito curial. Não sei que “mau argumento” seja esse que visa poupar metade do custo da obra. pode explicar?

    Gostar

  18. nuno granja's avatar
    nuno granja permalink
    10 Maio, 2010 21:40

    Existe uma 4º alternativa, não há dinheiro, não há TGV.

    Gostar

  19. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    10 Maio, 2010 21:50

    Esta ideia do Sócrates é típica de alguém que está a gozar ou não está bom da cabaça. Outra hipótese seria construir só o carril esquerdo e o mesmo lado da ponte. Com esta solução podia-se colocar uns pneus do lado direito das carruagens e fazer todo o trajecto.

    Gostar

  20. o santo's avatar
    o santo permalink
    10 Maio, 2010 22:59

    O gabriel orfão gonçalves não podia ter sido mais sintético!!! Mas eu preferiria que me dessem o dinheiro que caberá a mim pagar pelo bicho e eu alugava um Lamborgini descapotável para ir a Madrid. Ia a 300km/h e ainda tinha dinheiro para as multas.

    Gostar

  21. o santo's avatar
    o santo permalink
    10 Maio, 2010 23:02

    A terceira travessia do Tejo só interessa aos Mellos, ao João em particular.

    Gostar

  22. Desconhecida's avatar
    FilipeBS permalink
    10 Maio, 2010 23:27

    Este notícia, estas hipóteses avançadas, só podem ser puro gozo. Ninguém com dois dedos de testa pode achar razoável investir-se numa ligação TGV Lisboa-Madrid para, nos últimos kms haver um estrangulamento de ligação, seja ele qual for. Nunca fui a favor desta linha. Mas sou ainda menos a favor de um TGV Lisboa-Madrid estrangulado. É absolutamente ridículo.
    Ainda sou suficientemente optimista para achar toda a obra do TGV vai ser adiada até que haja realmente condições para a fazer por inteiro, e não pela metada, como nesta notícia se sugere. Ou será que no governo não sobra ninguém com o mínimo de senso-comum???

    Gostar

  23. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    10 Maio, 2010 23:46

    JM tem um certo encanto quando se refere aos …suburbanos e não deve estar só a falar de comboios!

    Gostar

  24. J.F.Transmontano/Beirão's avatar
    J.F.Transmontano/Beirão permalink
    11 Maio, 2010 00:13

    Caro gabriel orfão.

    O seguinte comentário foi pensado para o post:

    Uma das primeiras acções de um novo governo… e por este gaijo na rua:

    Referente ao tipo da RAVE.

    Mas também serve para aqui e sendo assim aqui vai, espero que le-a.

    Cumprimentos.

    “Estive também a ler o seu comentário , e fiz questão de lhe responder, ve-se que você tem formação na área e é entendido na matéria, contudo penso que ainda não percebeu a subjectividade implícita nesta obra.

    Nós se queremos manter-nos como estado independente temos que manter uma certa distancia de Espanha, principalmente ao nível físico, ou seja, nunca podemos permitir que se faça um TGV com este traçado porque isto traduz um certa ideia de continuidade que se passa para os cidadãos, e que com o passar dos anos pode se pode tornar perigosa para a nossa soberania, perigo esse que desaparecia no cenário de a Espanha se separar, o que não é de excluir face aos recentes e cada vez mais fortes movimentos independentistas da Catalunha e pais basco, e mesmo da h«Galiza.

    Mas nos não podemos estar a contar com isso, temos que ter a ideia que ao lado está um abutre castelhano que anda há 900 anos a tentar tomar conta do nossos território, esta é que é a verdade, e não podemos permitir que se faça uma linha de TGV como que se Portugal não existisse como pais independente e isto fosse apenas um pais com capital em madrid, que é o objectivo dos castelhanos.

    E o perigo desta malha de TGV madridocentrica é que as linhas férreas foram usadas desde sempre como meios para estruturar o território e colonizar povos, Estaline quando quis domar os siberianos construiu o transiberiano, os americanos quando quiseram domar os índios e os habitantes da Califórnia não fossem eles separar-se, construíram o caminho de ferro do atlântico ao pacifico, sendo assim nós não podemos permitir que se construam linhas de TGV entre Portugal e Espanha como que se não existisse fronteira entre os países, porque isso a longo prazo pode conduzir à nossa subordinação.

    Pelo contrário temos que dar um sisal de descontinuidade, como quem diz, ai é espanha e aqui é Portugal, isto não significa que não devemos estar ligados a rede europeia., devemos sim mas de acordo com os nossos interesses., e essa ligação deve ser feita por vilar formoso pelo corredor Vallhadolid-Irun direito a hendaye, linha esta mista para mercadorias passageiros, quem quiser ir para Madrid, chega a Salamanca, e apanha o comboio par Madrid, tão simples como isso.

    Sendo assim, Portugal deve ter apenas este ponto de contacto com Espanha, em vilar formosa, dai em direcção á guarda donde sairá uma linha bifurcada em tesoura, uma em direcção a Lisboa pelo actual percurso da linha da beira alta, ou seja, por castelo branco em direcção a Lisboa e outra em direcção Aveiro, com yuma estação em Viseu paraos transmontanos e outra em Aveiro, onde ficaria outra estação que recolheria todo o tráfego vindo do porto e Minho.

    O resto do pais não deve ter TGV, chega-nos a chamada “velocidade alta”, com velocidades da ordem dos 220 km/h tal como vôce diz, como no alfa pendular que para o nosso pais é suficiente, sendo todos essas linhas em “velocidade alta” feitas em bitola europeia como é lógico e passando as linhas já existentes para a bitola europeia.

    Em relação s trocas comercias com Espanha devemos telas, mas não soba a perspectiva socretina de colocar a nossa economia cada vez mais dependente da espanhola, que é o que eles esta a fazer com a construção das novas linha em bitola ibérica, ou seja, confinar os portos portugueses a Espanha, tão simples quanto isso, e não permitir que mandemos mercadoria para a Europa, o objectivo é esse Gabriel, confinar-nos a Espanha, e impedir-nos de enviar mercadoria para Europa.

    Tal como eu lhe disse neste quadro actual, nunca vamos mandar nada para a Europa, porque está a ser feito um cerco a Portugal, porque em primeiro lugar a linha de Madrid Barcelona não está preparada para mercadorias, e os espanhóis nuca a vão transformar, a de Lisboa Madrid pode levar 25 toneladas por eixo, ou por vagão?

    É que se for por vagão, esqueça, um contentor Tir de 40 pés, 12 metros pesa na ordem das 35 toneladas.

    Não tenha duvidas, o plano é encravar-nos e dar-nos como única hipótese para mandar mercadoria para a Europa a linha mediterrânica de algeciras, que decapita imediatamente qualquer porto português em relação ao de algeciras, dada sua posição geográfica em relação aos portugueses, e ninguém vai deixar mercadoria em Setúbal, Aveiro, leixões ou Sines se esta depois tiver que ir para sul ate algeciras por linhas que não existem nem estão pensadas para mercadorias.

    Para você ver que o meu raciocínio bate certo, tal como você disse a linha porto Lisboa em bitola europeia não esta preparada para mercadorias, porque o traidor do men da RAVE não quis, qual acha que foi o motivo?

    Confinar-nos a Espanha, por isso estão a fazer as ligações todas a sair dos portos em bitola ibérica de modo a tornar o processo o mais demorado possível e assim perdermos ainda mais competitividade em relação a Espanha e a algeciras nomeadamente

    Como é que as mercadorias podem seguir para o sul de Espanha se nem a linha em bitola europeia esta preparada para mercadorias, é impossível, depois as ligações a Sines e Setúbal também não estão pensadas em bitola europeia, mas sim em ibérica, e nem se quer esta pensada nenhuma ligação entre Sines e o Algarve e o sul de Espanha.

    Ou seja esta alternativa da linha mediterrânica é uma falácia, é uma não alternativa, ninguém vai deixar mercadoria nos portos portugueses para eles seguirem para Europa, se depois a mercadoria tiver que fazer parte do percurso em bitola ibérica, depois transferida para bitola europeia, com a demora que esse processo implica, tendo ainda que atravessar o pais para chegar ao sul de Espanha e dai tiver que andar a dar a volta á península par seguir para França e restantes países, é muito mais fácil deixar em algeciras, dai segue logo em bitola europeia e em grande velocidade e é muito mais rápido e possivelmente barato, é assim que pensam os armadores e os clientes, e com esta jogada mafiosa Portugal e os portos portugueses ficam confinados a Espanha, a nossa economia mais dependente da deles, amigo, os castelhanos não dão ponto sem nó.

    A linha que nos interessava era a linha por vilar formoso visto que é a mais curta, contudo isso os castelhanos não querem, o que eles querem é empobrecer-nos e essa linha iria enriquecer Portugal e tornar Portugal uma das principais portas de entrada de mercadoria na Europa.
    Para Portugal conseguir isso tinha que em primeiro lugar ter um primeiro ministro que fosse um gaijo patriota e não este traidor deste Miguel de Vasconcelos do séc XXI deste Sócrates, e tinha ser conseguido através da união europeia e dos mecanismos europeus, talvez com a cunha dos Franceses e italianos visto que Sines ou Setúbal ou Aveiro, seria uma boa hipóteses para o sul de França e norte de Itália, e não seria difícil com o durºao na comissão, nesse caso os castelhanos seriam obrigados pela união europeia e ai sim teríamos tornávamo-nos numa porta de entrada para Europa, ao nível de Roterdão e Amesterdão, com a vantagem de termos Sines, o único porto de aguas profundas da Europa, e ai seria ver mercadoria ser descarregada nos portos portugueses e a seguir por vilar formoso em direcção a toda a Europa.

    Contudo desengane-se, por vontade própria os castelhanos nunca farão esta linha, alegarão a urografia do terreno e outras desculpas esfarrapadas para nos impedir de mandar mercadoria para a Europa, e impor-nos-ão sempre a linha mediterrânica deles que automaticamente nos coloca fora de jogo, é como diz o ditado de Espanha, ou melhor de Castela, nem bons ventos nem bons casamentos, neste caso, nem bons ventos, nem boas linhas férreas.

    O plano é este, mas ainda vamos a tempo de evitar o desastre, primeiro há que correr com este governo o mais rápido possível, correr com o gaijo da RAVE ao biqueiro, e com o também traidor iberista do Mendoza Ibérico das obras públicas, o sucessor do Lino ibérico outro filho da puta de pior estipe ou equivalente que o sucessor , meter lá alguém que pense realmente em Portugal e que se deixe de iberismos e de bitolas ibéricas de vez, pagar uma indemnização de uns milhões á Soares da Costa pelo contrato que já foi assinado no Sábado, porque eu acredito e tenho fé que é o que vai acontecer, o TGV apesar de ter sido assinado não vai ser feito nestes moldes espero eu, o cavaco vai arranjar maneira de dar a volta esta merda, mas é melhor dar uns trocos á Soares da Costa do que permitir que se faça este autentico atentado ao pais, e depois é negociar os novos moldes do TGV com os castelhanos não directamente, mas usando a união europeia como interposta pessoa.

    Para finalizar o Ricardo Salgado, esse traidor que disse que o TGV é para estruturar a ibéria só merece que os portugueses lhe fechem as contas no banco dele, esse traidor à pátria, da minha parte já teve o que merecia, a minha já fechou e foi logo em Setembro, ele abriu os queixos em Julho e eu fechei logo aquela merda, este chulo não merece nem um tostão dos portugueses.

    Viva Portugal. “

    Gostar

  25. JLeme's avatar
    JLeme permalink
    11 Maio, 2010 04:26

    11.Gabriel Órfão Gonçalves disse
    10 Maio, 2010 às 4:26 pm

    Apresentou um excelente trabalho e só desejo que seja bem lido e compreendido pelos responsáveis deste projecto que tanta importância tem para Portugal.
    Bem haja.

    J.

    Gostar

  26. Desconhecida's avatar
    jmlm permalink
    11 Maio, 2010 23:26

    Só faltava esta, o Sr João Miranda, para além de especulador Mor de teorias sobre escutas, negócios e coisas que tais, que a justiça não resolve, para além de guarda livros, agora também sabe e de que maneira de comboios de alta velocidade…
    Este rapaz é mesmo muito bom…
    Este país anda a desperdiçar talentos.
    Espero pela próxima novela.

    Gostar

Indigne-se aqui.