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O tributo social

19 Maio, 2010

O PSD tem uma proposta de moralização do subsídio de desemprego que consiste no seguinte: qualquer pessoa que receba subsídio de desemprego fica obrigada a trabalhar 15 horas por semana numa instituição de solidariedade social.

As consequências desta medida seriam as seguintes:

1. O Estado teria que reforçar os centros de emprego para controlar as horas de trabalho de 500 mil desempregados;

2. Alguns desempregados teriam que prestar serviço, outros não teriam que o fazer por falta de procura ou por incapacidade do centro de emprego para gerir tantos processos de tantos desempregados. O sistema seria uma lotaria.

3. As instituições de solidariedade social passariam a ter acesso a trabalho gratuito, o que as levaria a contratar menos pessoas.

4. Um quadro médio ou superior de uma empresa poderia fazer descontos durante anos. Poderia ser um contribuinte líquido do sistema por uma larga margem. Isso não impediria que, caso caísse no desemprego, fosse forçado a prestar um serviço muito abaixo das suas qualificações apenas para receber aquilo que por direito devia ser seu.

21 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    19 Maio, 2010 10:58

    Todos fogem com a rabo à seringa e tudo são soluções para os sintomas.

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  2. Desconhecida's avatar
    anónimo permalink
    19 Maio, 2010 11:00

    voto no ponto quatro e estou a pensar no camarada zé manel.

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  3. Desconhecida's avatar
    faustífero permalink
    19 Maio, 2010 11:14

    Comentários breves sobre as frases do dia:
    “Carros funerários vão realizar marcha silenciosa”. Os mortos não falam, só por cá temos mais de 9 milhões.
    «Quando o povo tem fome tem o direito de roubar” diz o sr.Belmiro a pensar que a casa dele está bem guardada.
    «Estou preparado para tudo» diz o zézinho impante sem ter em conta os provérbios:
    ” Enquanto não tiveres conhecido o inferno, o paraíso não será bastante bom para ti”. “Provérbio Curdo.
    ” Que sentido tem corrermos quando estamos no sentido errado? , “Provérbio Alemão.

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  4. Piscoiso's avatar
    19 Maio, 2010 12:07

    Quando os políticos falam em moralização, fico sempre de pé atrás.
    Por exemplo:
    Vamos supor que um físico atómico está desempregado, a receber o tal subsídio.
    Qual será a tarefa que lhe vão dar numa instituição de solidariedade social?

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  5. bla bla bla's avatar
    bla bla bla permalink
    19 Maio, 2010 12:08

    A ideia de “servo da SegSoc” só mesmo na cabeça (neurónio-free) do PPC e companhia.

    Acho que a ideia é humilhar as pessoas o suficiente para as forçar a aceitar tudo o que lhes apareça à frente, sem olhar a qualificações ,localização, futuro, etc.
    Não é uma ideia agradável pensar que se vai passar a limpar arrastadeiras num lar da SegSoc, porque a multinacional decidiu deslocalizar-se, ou a empresa faliu.

    Os PPCs estão convencidos (vêm das jotas, nunca tiverem que trabalhar) que o desemprego é uma opção de vida. Pegam em alguns casos (que são conhecidos justamente por serem excepcionais) e de copo de whisky na mão, num bar da moda (gestores públicos/fundações/quadros de empresa ‘amiga’ – dá para por nas despesas de representação) generalizam.

    Que cambada.

    Esta malta vive toda numa realidade virtual.

    Em alternativa proponho que os desmpregados/mandriões sejam obrigados a usar um cartaz ao pescoço a dizer: “Procuro Emprego”
    Era uma medida pró-activa (indicava vontade do mandrião trabalhar) e poupava-se na organização. Só era preciso um reforço policial para verificar, na rua, o status das pessoas.

    Consigo inventar mais 2 ou 3 medidas completamente parvas. Se calhar devia inscrever-me no PSD.

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  6. Romão's avatar
    Romão permalink
    19 Maio, 2010 12:13

    E enquanto vazam penicos de mijo recitam o mantra “Arbeit macht frei”.

    O Coelho ainda é mais inculto e idiota do que pensava. Nem dinheiro ou influência tem para alugar cérebros de jeito.

    Essa merda de ideia é mais totalitária do que o totalitarismo.

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  7. Romão's avatar
    Romão permalink
    19 Maio, 2010 12:18

    Metam também os doentes (esses privilegiados) a fazer triagens de resíduos hospitalares.

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  8. Desconhecida's avatar
    19 Maio, 2010 12:30

    Quando toca a vergar a mola ou a baixar o pilim tudo é mau, e pior do que isso, aumenta os custos.

    Tal como antigamente via profissionais das formações, agora farto-me de ver profissionais do desemprego.

    Claro que isso é mais uma demagogia (tal como baixar o rendimento dos políticos, estabelecer como em Espanha as doses individuais para os remédios, etc, etc.

    Quando faltar o arame vou ver qual é a demagogia a aplicar.

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  9. Desconhecida's avatar
    Snow permalink
    19 Maio, 2010 12:54

    “1. O Estado teria que reforçar os centros de emprego para controlar as horas de trabalho de 500 mil desempregados;”

    Pode faze-lo recorrendo ao tributo social. Por outro lado, pode realocar o pessoal que faz inspecções para verificar se a pessoa está efectivamente desempregada ou a trabalhar clandestinamente.

    “2. Alguns desempregados teriam que prestar serviço, outros não teriam que o fazer por falta de procura ou por incapacidade do centro de emprego para gerir tantos processos de tantos desempregados. O sistema seria uma lotaria.”

    E depois? Todos têm de estar disponíveis. Nisto é igual para todos. E os incentivos do Estado são aproveitar toda a gente.

    “3. As instituições de solidariedade social passariam a ter acesso a trabalho gratuito, o que as levaria a contratar menos pessoas.”

    Regra geral é trabalho voluntário ou estágios não pagos… não há grande diferença. Nem grande problema: o estado estaria a pagar por trabalho efectivo em vez de pagar por trabalho nenhum. E a medida permite reforçar os serviços sociais. O ganho é claramente liquido.

    “4. Um quadro médio ou superior de uma empresa poderia fazer descontos durante anos. Poderia ser um contribuinte líquido do sistema por uma larga margem. Isso não impediria que, caso caísse no desemprego, fosse forçado a prestar um serviço muito abaixo das suas qualificações apenas para receber aquilo que por direito devia ser seu.”

    O que está a defender é algo completamente diferente do sistema actual. O que defende é uma conta poupança que só pode ser levantada em caso de desemprego. No sistema actual esse problema já se verifica: quer trabalhe 40 anos ou 2 anos, quer ganhe 20.000€ por mês ou 2.000€ terei direito a subsidio só por 2 anos e com um valor máximo mensal. A critica é válida, mas irrelevante para a alteração em causa. Aliás, parece-me que é esta critica que está subjacente a todo o pensamento que aqui expos.

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  10. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    19 Maio, 2010 13:16

    Snow,

    Qual é a sua previsão para:

    1. O número de funcionários que serão necessários para gerir este esquema;

    2. A percentagem de desempregados que nunca serão chamados a prestar qualquer serviço, quer porque não existe procura, quer porque os serviços não conseguem lidar com centenas de milhar de casos;

    3. O número de empregos reais que serão substituídos por desempregados em regime de trabalho temporário;

    4. Número de casos de corrupção e favoritismo devido ao conluio entre funcionários do centro de emprego e desempregados ou instituições de solidariedade;

    5. O número de pessoas que serão forçadas a prestar serviço abaixo das suas qualificações;

    6. A actual taxa de fraude no subsidio de desemprego;

    7. A redução previsível da fraude com este esquema

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  11. Desconhecida's avatar
    Carmen permalink
    19 Maio, 2010 13:18

    Suponho que a medida devia ser extensiva aos pensionistas. Também eles deviam prestar serviço social, embora diferenciado segundo a idade ou força física. Sugiro começar pelos pensionistas empregados na Presidência da República, na Assembleia da República, CGD e por aí adiante.

    Carmen

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  12. Desconhecida's avatar
    ,,,, permalink
    19 Maio, 2010 14:09

    #8, #9,
    quando Partidos e Politicos são escandalosamente INCAPAZES de reacender o TECIDO ECONOMICO de Portugal tentam impingir ‘Postos de Trabalho Faz-de-Conta” para salvarem a face.
    .
    Quem é que disse que os Cidadãos e Familias de Desempregados não anseiam angustiadamente por um Posto de Trabalho numa Empresa como de pão para a boca ? Decerto, como em tudo, há sempre a excepção duma minoria de malandrecos que se aproveitam da situações. São sempre o pretexto demagógico para politiqueiros incompetentes e malandrecos virem com as ‘salvações nacionais’ que fazem da excepção minoritária a regra geral.
    .
    Temos de pôr rápidamente Portugal a funcionar, reacender um Tecido Economico lucrativo provocado por ‘Reformas Pombalinas’. Em vez de mais Tretas & Tangas politico-partidárias que cada vez afundam mais o País. Acabem com demagogias e irresponsabilidades.
    .
    E atenção o que aí vem é melhor nem publicar por impróprio para cardiacos.
    .
    Continua-se à espera de quê ? Meus amigos, ou não se adia as reformas estruturais que nunca se fizeram desde o Marquês de Pombal até hoje ou entramos num quadro irrecuperàvel de miséria generalizada para Empregados, Empregadores, Funcionários Publicos, Politicos, Reformados e actuais classes da média-alta à alta.
    .
    É só.

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  13. Rxc's avatar
    Rxc permalink
    19 Maio, 2010 15:24

    Snow, e se o Estado coloca-se 1 ou 2 desempregados a fazer o seu trabalho? E o senhor fosse botado fora ou não visse o seu contrato renovado porque sai mais barato à empresa/instituição ter lá alguém pago pelo Estado?
    O problema é exactamente esse, João Miranda. Quando se começa a pensar a sério nas questões e soluções propostas por uma mão cheia de “iluminados” (feitos de “a finer clay” naturalmente…), rapidamente elas caem por terra.

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  14. Outside's avatar
    Outside permalink
    19 Maio, 2010 15:35

    A proposta é claramente demagógica e não resolve mas implode problemas a jusante.

    Não é praticável como bem expôs JM em #10.

    Portugal não tem estrutura para optimizar/reformular este tipo de medidas.

    Desculpas para mais bois e boys em mais uma dezena de instituições que não apresentarão resultados fidedignos ou optimistas quando auditadas/avaliadas.

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  15. Outside's avatar
    Outside permalink
    19 Maio, 2010 15:37

    O Privado agradeceria, “salariamente” (expressão inventada) falando e definharia, qualitativamente falando.

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  16. Desconhecida's avatar
    Snow permalink
    19 Maio, 2010 17:43

    “Snow, Qual é a sua previsão para…”

    Como é óbvio não tenho esses números. O JM tem?
    Mas estou de acordo com o princípio.
    Mas deixo-lhe as seguintes notas:
    1 e 2 anulam-se. Se não for chamado ninguém, não é necessário ninguém.
    3 é irrelevante. Quando são serviços existentes, tem substituição de trabalho remunerado por trabalho remunerado. Quando são serviços inexistentes, a sociedade ganha um novo serviço a custo 0. Ficamos a ganhar.

    Quanto à corrupção, não vejo bem qual o objectivo. Quanto ao favoritismo, não será diferente do fechar de olhos aos casos de pessoas que deviam estar a ser inspeccionadas ou chamadas ao centro e não estão. Perda 0, portanto. E nos casos em que não há conluio, claramente tem um efeito impeditivo à fraude.

    Quanto ao trabalho de qualificação inferior, deixe-me dizer-lhe que eu sou forçado a ter um trabalho abaixo das minhas qualificações. Não gosto, mas preciso do dinheiro. A vida é assim. Não tenho direito ao emprego que quero. Estas pessoas estão desempregadas, não estão? No desemprego as suas qualificações não servem para nada. Assim, servem para alguma coisa. Com esses argumentos, você até parece um comunista ferrenho – daqui a bocado está a falar em direitos adquiridos ao trabalho com determinadas qualificações… ; )

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  17. Euro2cent's avatar
    Euro2cent permalink
    19 Maio, 2010 23:19

    Essas medidas também se aplicam aos “reformados” do C.A. do Banco de Portugal e quejandos sevandijas ?

    Ou é só para o gado sem cartão apropriado ?

    (Sem falar dos inempregráveis albergados em “institutos”, “autoridades” e avantesmas assemelhadas)

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  18. bla bla bla's avatar
    bla bla bla permalink
    19 Maio, 2010 23:34

    Uma parvoice proposta pelo PSD e apoiada pelo CDS que serviu apenas para:
    – Obrigar-me a estar de acordo com PS BE e PCP (nunca hei-de perdoar ao PSD e CDS).
    – Convencer-me que a capacidade legislativa do PSD e CDS é igual à de um enuco num bordel.

    – Convencer os desempregados que à direita do PS acham que são todos mandriões.

    Quanto ao Snow:
    1 – Todos os meses desconto uma percentagem do ordenado para ter direito ao subsídio de desemprego.
    2 – Se acontecer estar desempregado, o subsídio NÃO É UM FAVOR É UM CONTRACTO.
    3 – Se eu não cumprir o contracto penhoram-me os bens.
    4 – O Estado não é “posso e mando” é uma entidade com obrigações contractuais.
    5 – Uma entidade com obrigações contractuais não pode mudar unilateralmente os contractos conforme as suas necessidades.
    6 – Se o Estado se comportasse como ‘uma entidade com obrigações contractuais’ não estavamos onde estamos hoje.

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  19. Miguel Madeira's avatar
    19 Maio, 2010 23:36

    “Quando são serviços existentes, tem substituição de trabalho remunerado por trabalho remunerado. Quando são serviços inexistentes, a sociedade ganha um novo serviço a custo 0. Ficamos a ganhar.”

    Imagine que uma instituição de solidariedade social emprega Ma aria (com um contrato a prazo), enquanto a Felisberta está desempregada, recebendo o subsidio. Com este programa, decidem não renovar o contrato à Maria, passando a recorrer ao “tributo social” da Felisberta.

    Conclusão – o Estado deixa de pagar a uma desempregada para pagar a duas.

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  20. Desconhecida's avatar
    Matrix_2012 permalink
    20 Maio, 2010 17:22

    Tributo social sem doçura, sem amor e sem medo!

    Há muitos psicopatas clonados de outras cleptocracias neste País. E infelizmente muitos também no poder, quando deveriam estar num hospital psiquiátrico em recuperação das boas regras de postura e de relacionamento social. Para uniformizarem padrões de pensamento, o deles claro, querem impor ocupação gratuita e humilhante para que não reste tempo para outros horizontes de pensamento e de consciência. Métodos já praticados em regimes anteriores com uma catequese quase “obrigatória” de missa dominical e a sistemática reza do “terço diária” para a reconversão e reconciliação, ainda que sem convicção de Fé nem tributo social. O objectivo era o mesmo. Enquanto estás ocupado não pensas em irreverências e estás controlado. Sim, porque um “trauma” pós-desemprego pode ser um adversário duro aos seus responsáveis. Façam crescer o desemprego e aguardem tributo social das vítimas…Quem quererá eleições neste quadro social?….

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