Discussão sobre a golden share
1. Uso a despropósito de termos como “interesse nacional” e “estratégico”. Pessoas que usam a palavra “estratégico” 20 vezes a cada 2 minutos.
2. Ego e poder. Governo confessa que vetou o negócio porque a Telefónica não prestou a necessária vassalagem. Governo sinaliza que quer negociar, embora não se perceba como é que o “interesse nacional” possa ser negociável.
3. Pessoas que não sabem comparar o valor actual de uma empresa com lucros futuros mas que dizem que vender a Vivo é um mau negócio.
4. Pessoas que não conseguem explicar como é que a “galinha dos ovos de ouro” valia tão pouco em bolsa antes da oferta da telefónica.
5. Os outros países também têm golden shares, logo o governo faz bem em usar golden shares. Os jornais optam por não noticiar suicídios. Porquê?
6. A Golden Share não é uma Golden Share.
7. Se a golden share existe (e os accionistas sabiam que existe) então o governo tem todo o direito de a usar. Quem tem um martelo acha que todos os problemas se parecem com um prego. Se eu tenho um martelo, porque não haveria de o usar para espetar parafusos?
8. Pessoas que não sabem o que são 7 150 000 000 euros.
9. Pessoas que acham que dinheiro em caixa vale tanto como o mesmo dinheiro em lucros futuros.
10. Pessoas que acham que dinheiro em caixa garantido tem o mesmo risco que lucros futuros.
11. Pessoas que não sabem que a Telefónica já é accionista da Vivo.
12. Pessoas preocupadas com a concorrência no Brasil.

Blasfémias a fazer de governo sombra 🙂
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A PT sem a Vivo ficava mais pequena e não conseguiria albergar os ex-políticos aquando da sua fase de pré-reforma e alguns “boys”.
Por isso na PT e na GALP é tão difícil abdicar da “posição dominante” no mercado (e os combustíveis não descem). Os polítics não deixam.
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A golden share é uma ferramenta errada, que não deve existir. Mas existe, e desde que a PT foi privatizada o valor de cada acção normal é menor por causa disso. Ou seja, aquilo que o Estado recebeu (e que pertence a todos os cidadãos) foi menor do que aquilo que podia ter sido se não houvesse a golden share. A única maneira de preservar o valor da golden share é não desistir de a usar, ou pelo menos não fazer esse anúncio, para que o mercado continue a valorizá-la. A solução justa é a PT comprar essa golden share ao Estado, e assim fá-la desaparecer, num processo semelhante ao da compra de acções próprias. Dessa maneira os accionistas indirectamente entregam uma contrapartida pelo fim do ónus e ficam livres para decidir vender a Vivo, a PT pode concretizar a venda.
É uma ilusão pensar que uma declaração de ilegalidade da golden share vai fazer com que ela pura e simplesmente desapareça imediatamente sem outras consequências. Até porque, lá está, isso não acautela o interesse público porque seria “dissipar valor” que está nas mãos do Estado.
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“A solução justa é a PT comprar essa golden share ao Estado”
Isso é uma redundancia ciclica, porque o estado não esta predisposto a desfazer-se da Golden Share, pelo menos de livre vontade.
“A PT sem a Vivo ficava mais pequena e não conseguiria albergar os ex-políticos aquando da sua fase de pré-reforma e alguns “boys”.”
Bem verdade, o nosso primeiro ministro no fim da legislatura não deve querer fiocar em portugal, por isso presidente de algo “Vivo” no Brasil parece-lhe bem.
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«Governo sinaliza que quer negociar, embora não se perceba como é que o “interesse nacional” possa ser negociável.»
Com esta parte discordo.
Aliás, nas negocioações diplomáticas negoceiam-se diversos interesses nacionais, prescindindo de algo em troca outro algo, e consoante a dimensão da oferta pode fazer sentido agir de uma maneira ou de outra.
Por exemplo, se a Golden Share tivesse sido usada APENAS para subir o valor da proposta da telefónica, a PT teria obtido mais dinheiro que iria usar para pagar as suas dívidas e, tendo em conta o tal “sistema de vasos comunicantes” que o João Miranda vai referindo, isso ia beneficiar-nos a todos.
Não estou a defender que isso deveria ser feito, haverá mais coisas a ter em conta, mas creio que isto demonstra a invalidade do comentário citado.
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“porque o estado não esta predisposto a desfazer-se da Golden Share, pelo menos de livre vontade”
A golden share vai ter de acabar, nem que seja por imposição externa.
A maneira razoável de isso acontecer é ela ser comprada pela PT.
É a saída airosa (e justa) para todos.
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Um talento desperdiçado! Ponham os olhos neste post.
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Pessoas que não sabem o que são 7 150 000 000 euros.
Hoje mesmo a RTP anunciou que foram gastos 1,800.000.000 de euros numa remodelação no IPO do Porto.
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Portugal se quer atrair investimentos tem que criar a imagem de que é um bom país para ganhar dinheiro.
Pensem nas empresas portuguesas que hipotecaram o país para investir no Brasil, a sonae foi a terras de Vera Cruz perder dinheiro a Jerónimo Martins também, A PT pode vir a ganhar? A EDP anda lá a investir muito talvez em nome da lusofonia!
Ou seja, era bom que por cada investidor que viesse a Portugal ganhar dinheiro houvesse dois ou três que viesse a Portugal perder muito dinheiro para equilibrar a balança de pagamentos.
Verificou-se que os espanhóis vieram para o Alqueva plantar grandes olivais, e agora graças à crise algumas empresas portuguesas, como a Oliva, compraram a preço de amigo olivais modernos prestes a entrar em produção ( è só colher a azeitona).
Moral do comentário é deixar negociar, deixam o socretes fazer o caldinho para a telefónica comprar a PT (e não só a vivo) a preço de amigo, que na próxima crise há-de haver outro investidor para a comprar.
Os árbitros não devem chutar as bolas durante os jogos de futebol, assim também os governos não devem interferir nos negócios entre empresas que não lhe pertencem.
O que pode e deve ser feito pelo próximo governo, quando a PT já pertencer à telefónica, é carregar nos impostos de forma a desvalorizar a PT e obrigar os espanhóis a vender ao preço da uva mijona como aconteceu com a azeitona.
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Então os “huestros hermanos” queriam comprar a Vivo sem dar cavaco ao Governo o qual, como todos sabemos, zela pelo interesse nacional como poucos.
A Telefonica tinha a obrigação de saber como os grandes negócios se fazem em Portugal vide, por exemplo, o negócio dos submarinos, Freeport e quejandos.
Em primeiro lugar solicitava a colaboração dum gabinete de advogados para a produção dos respectivos pareceres jurídicos sobre o “enquadramento legal”. Depois pedia uma reunião com representantes do Governo a quem exporiam o projecto e quantia que estavam dispostos a suportar com o investimento e respectivos efeitos na Balança de Capitais e na Bolsa. Assim satisfeitos os quesitos legais e salvaguardado o interesse nacional definido pelo Governo, o negócio far-se-ia nas calmas.
Uma conclusão a retirar: a Administração da PT e os seus accionistas não seriam tidos nem achados no negócio pois, como a prática demonstrou, são nulas as suas decisões e/ opiniões sobre os negócios da empresa que gerem e são proprietários respectivamente.
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