José Sócrates pode dormir descansado. O povo tem fé
20 Agosto, 2010
Inquérito: Ministro da Agricultura admitiu que Estado poderá “tomar conta” de terrenos abandonados. Concorda? – pergunta o JN num dos seus inquéritos. O que respondeu o povo?
Sim: 57% 5744 votos
Não: 43% 4388 votos
75 comentários
leave one →

O nobre povo quer é alguém que tome conta dele. Biberon morno, fralda seca, halibut no ilhó e vacinas em dia.
Um povo habituado a que tudo lhe caia do céu (até rosas). Um povo habituado no conforto das descobertas, na riqueza do colonialismo, e mais recentemente, na pedinchice da união europeia. Uma cambada de pedintes de semáforo. Coxos como convém. E ai de quem lhe queria dar uma prótese e um emprego (para o caso: emprego=trabalho).
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57 % de invejosos
43% de sensatos
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O povo é ignorante.
E, como dizem os anarquistas: Quanto mais ignorantes, melhor é para os governantes.
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Resta-nos esperar que a necessidade se torne intolerável e conduza ao inevitável:
http://umjardimnodeserto.nireblog.com/post/2010/08/19/como-fabricar-nitroglicerina-social
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Entretanto, podemos ir rindo das próprias misérias:
http://umjardimnodeserto.nireblog.com/post/2010/08/20/o-exportador-de-corruptos
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Então se o c****** do Governo trata tão mal os terrenos que lhe pertencem, vai agora tratar bem os do pessoal. Os 57% só podem ser votos de gajos que não têm terrenos e não fazem ideia nenhuma do que se passa fora do apartamento deles.
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Ui, logo o ministério da agricultura que cuida tão bem dos terrenos que tem…
Mas até seria engraçado fazerem isso para daqui a uns anos vermos a cara desses 57% de verdadeiros crentes.
Um povo assim vai ter o que merece.
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Não me parece que a questão esteja a ser colocada nos seus devidos termos.
A propriedade privada não é um bem absoluto. Tem vantagens porqúe é a sombra do dono que estruma a terra.
Ora quando não existe dono não existe vantagem na manutenção do vínculo jurídico de propriedade a uma entidade ausente, que efectivamente não gere coisa nenhuma. Note-se que considero a não gestão como um dos modelos possíveis de gestão (é usada pelo Estado em larga escala nos países em que é dono da terra dos parques nacionais, é usada por privados, filantropos ou não).
As sesmarias medievais são um modelo que não me parece completamente absurdo (naturalmente com adaptações). A terra que não tinha dono era da coroa (ou dos municípios), mas quando não produzia qualquer um a podia reclamar (mais ou menos). Após os pregões da praxe e passado um ano, se não fosse encontrado dono, a terra poderia voltar a ser distribuída a quem se compromotesse a geri-la. Não o fazendo num prazo determinado perdia o direito de propriedade.
Esta ideia de que à propriedade da terra correspondem obrigações parece-me razoável, desde que as obrigações sejam razoáveis.
Numa percentagem muito elevado do território a terra não é de ninguém, mesmo que nominalmente seja de alguém, o que é muito ineficiente (o dono nominal não gere, os potenciais interessados não se mexem dada a incerteza associada sobre a posse da terra).
O Estado tomar conta não vale a pena, mas o Estado criar condições para que as terras não geridas e n«ão erclamadas possam vir a ser entregues com base em cadernos de encargos que uma vez cumpridos, durante um tempo pré-determinado, poderiam reverter para o seu gestor não me parece absurdo.
henrique pereira dos santos
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Esta ideia de que à propriedade da terra correspondem obrigações parece-me razoável, desde que as obrigações sejam razoáveis. – Henrique Pereira dos Santos
Vejamos algumas coisas simples: o não uso é uma forma de exercício perfeitamente lícito do direito de propriedade. Também é verdade que a utilização da propriedade (posse) por determinado período de tempo legalmente fixado dá lugar à usucapião, isto é, à aquisição da propriedade por aquele que a utiliza. Chega-se então à conclusão de que o proprietário é perfeitamente livre de não usar a sua propriedade, sendo certo que a sua inércia pode levar a que outros a utilizem e, ao fim de algum tempo, a adquiram por usucapião. É assim há séculos e não se vê razão para alterações.
Nos regimes comunistas a propriedade, ao contrário do que sucede nas sociedades civilizadas (como a que o nosso código civil, baseado no alemão, pressupôe), é vinculada a uma série de preocupações sociais. O proprietário só é proprietário enquanto utilizar a sua propriedade nos moldes que o legislador entender fixar. A bem da comunidade ou assim, pelo menos, reza a lenda. Impor ao proprietário que utilize a terra e que cuide dela, ainda que, para tal, sofra avultados prejuízos, vai na linha da noção soviética da propriedade. Com os resultados que se conhecem. É como a história do arrendamento: impor ao proprietário que faça obras no valor de milhares de Euros quando recebe de renda 10 Euros por mês constitui aquilo a que se chama um abuso de direito. Que os tribunais têm declarado, assim como deveriam declarar abuso de direito a imposição pelas autoridades de uma lei que obrigasse os proprietários a limpar matas quando tal acarretasse prejuízos muito superiores aos valores que eles poderiam retirar da exploração das terras.
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Quanto à sondagem, não percebo sinceramente, depois de tanta imbecilidade que colhe os votos da maioria, como alguma discussão racional possa surgir da consideração de sondagens. Por que razão é que as pessoas civilizadas não estabelecem como regra que o povo é demasiado imbecil para que os seus “achismos” mereçam dois segundos de reflexão. E assim é também porque em Portugal é aflitiva a incapacidade de discussão pública de ideias.
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Mas que Estado? estado-governo-partido, sem se saber onde começa um e acabam os outros?
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«A propriedade privada não é um bem absoluto»
Esta é uma asserção perigosa porque nela reside o fundamento principal da progressiva progressão do estado até ao seu zénite absoluto: o sovietismo.
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Eu acho que estes 57% nem sequer deviam ter direito a voto… Tão burróides que até mete dó. É por estas e outras, mas especialmente por estas, que estamos a levar com o só-cretinop chico esperto e (praticamente) analfabeto (eu acho que até o “diploma da 4ª” dele foi falsificado)…
Há algum tempo cheguei à triste conclusão que, no dia a dia lido maioritariamente com gente burra. Inicialmente, foi um choque. Eu achava que a maior parte dos outros tinham um equilíbrio inteligente.
Agora já aceito quase sempre esta situação. Quando a tenho bem presente, aproveito esse facto, dando-lhes a volta (à burricada). De vez em quando distraio-me, perco a paciência, desanco-os e deito tudo a perder. É que estes burros têm-se em grande conta e são muito sensíveis. Como burros que são, não aceitam qualquer crítica. Mas que são uns “poucochinhos”, são!
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1. #1 em cheio a definição. Aliás, Salazar verbalizava aquilo que toda a gente sabe, mas que por complexo do politicamente correcto poucos se atrevem a reproduzir. “O povo só precisa de alguém que o saiba governar”.
2. A questão das terras já vem do tempo da Lei das Sesmarias. E nunca teve solução.
3. Entretanto quem tem umas territas deixadas pelos avós e ás quais nunca prestou atenção, é bom que cuide delas, não pela parvoíce do Ministro dos fogos, mas pela necessidade de alimentos que em breve vai eclodir. Quando chegar a hora da verdade o que vai ser necessário é a batata que engane a fome… Tanto que me lembro do “Dr. Jhivago”
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#1,
Recorda-me velhos tempos. Um professor que os ‘passava todos a ferro’, mesmo todos; ele é que sabia. Nem os ‘iguais ou outros’ sabiam mais que ele. No caso vertente, não será exactamente o contrário do que diz ? Refere-se a que povo dentro dos tantos que há em Portugal ? Sabe exactamente no meio de que ‘povos’ vive ? Sabe situà-los no meio dos outros povos ‘estranhos’ (origem de ‘estrangeiros’) ? Arrisco, percebe Portugal ?
.
Redutoramente uns humildes hieroglifos para ajudar a ver a piramide ‘de fora’. Não é desaconselhado lê-lo, atentamente leio-o com consideração.
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CAro José Barros,
Acredito que tenha estuddo mais que eu a legislação alemã e muitas outras. Gostaria que me garantisse que não existe qualquer disposição semelhante ao que eu disse acima.
Repare que tive o cuidado de dizer que o não uso é perfeitamente legítimo, mas não é disso que estamos a falar, é da ausência de dono, que é uma coisa diferente e tem implicações sociais relevantes (como nas levadas comuns haver donos que não contribuem para a sua conservação, como nalgumas circunstâncias criar um risco ilegítimo de danos sobre terceiros, sejam eles os fogos, sejam eles aluimentos e por aí fora).
Não sou jurista, mas por dever de ofício tive de ir ler alguma legislação sobre uso do território de vários dos países europeus, e tanto quanto li, mas posso ter lido mal, todos os da europa central contêm normas que penalizam a ausência de uso e o uso negligente.
Nada disto tem alguma coisa que ver com ususcapião porque uma coisa é eu usar sem ter de fazer investimento (o atravessamento de uma propriedade, o uso do pasto para o meu gado), outra completamente diferente é o que diz respeito a actividades que exigem investimento agora e rendimento muito diferido (como tipicamente acontece na florestação) que evidentemente ninguém faz com nase na eventualidade de conseguir usar anos suficientes para ser aplicável a apropriação por usucapião.
E deixem-se lá de vir com papões de sovietismo porque este tipo de mecanismos usam-se há seculos para resolver o problema da propriedade que deixa de ter dono de facto, qualquer que seja o regime.
Volto a dizer, numa percentagem muito elevada do território nacional o dono não sabe os limites das suas propriedade e nem faz a menor ideia do que lá se passa. Isso não é não uso consciente, que é legítimo (implicando naturalmente obrigações, visto que se desse não uso resultarem prejuízos para terceiros, são assumidos pelo dono, como é o caso das áreas declaradas de não caça).
Tenho muito respeito pelos formalismos do direito, mas como o José Barros tem dito por aí frequentemente, esses formalismos servem para assegurar direitos, não servem para negar a justiça.
henrique pereira dos santos
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É claro que o povo tem fé.
Sem fé como é que iria de joelhos a Fátima.
Fé em Sócrates?
Que disparate.
Quanto muito prefere a democracia, porque tem voto na matéria.
É que não basta dizer mal.
Apresentem alternativa.
Nem que seja o Tio Patinhas.
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Já que o Salazar está a ser tão citado, talvez seja de recordar que o uso de terrenos era limitado em determinadas circunstâncias, quer para construção, quer para qualquer outra utilização. Por exemplo, terrenos que limitavam estradas, não podiam ser usados, fosse de que forma fosse, até a um determinado número de metros de distância. Usemos, então,essa medida “comunista” para resolver o problema: Todos os terrenos confinantes com propriedades do Estado, ficariam obrigados a guardar uma distância de “x” metros. Qualquer fogo que neles deflagrasse, seria combatido, exclusivamente, com os meios conseguidos pelos respectivos proprietários. Claro que eles também ficariam obrigados a pagar os estragos provocados por incêndios com origem nas suas propriedades.
Ok, estou a exagerar. Mas quem anda para aqui a discutir o problema, partindo de um pretenso direito divino à propriedade, também está. Não sei se a proposta do Ministro da Agricultura é a melhor (por exemplo, acabo de ver uma dos homens do BE, muito mais moderada). Mas, gente que passa a vida a comentar tudo a partir dos custos, convém que tenha em conta que, combater fogos, também custa dinheiro. Depois, também convém ter em conta que a não resolução do absurdo problema da propriedade fundiária, não faz parte do código genético dos portugueses- só da vontade política.
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“É com essa estimativa nas mãos que os cientistas afirmam neste estudo, divulgado na BBC, que o Universo vai continuar a expandir-se para sempre, transformando-se num espaço infinito, sem vida e muito frio, com temperaturas próximas daquilo a que a ciência chama o “zero absoluto”, o limite mínimo de temperatura do Universo, ou seja, cerca de 270 graus celsius negativos.”
Hugo Neutel
Realmente,
a ver pela amostra,
acima, há aí malta fácil
de rir, assim como cheia de cócegas.
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8.henrique pereira dos santos disse
20 Agosto, 2010 às 12:02 pm
***************************
E vêm-me aos ouvidos um eco OBSCENO não muito longuíquo . . .
A TERRA A QUEM A TRABALHA …
(da dita Reforma AGARRA).
Não desarmam estes socio-teóricos.
ATE ESTRUMAM A TERRA com os seus dizeres . . .
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Alguém se lembra dos fogos que devastaram a Califórnia em 2003 e 2007 onde metade da floresta ardida era propriedade do estado?
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Ainda ninguém percebeu que, tomando o Estado conta das terras de graça, é questão de tempo até que estas sejam reprivatizadas a pouco dinheiro, especialmente a amigos e conhecidos?
O Estado arrecada algum e o sector Privado Socialista arrecada a parte do leão.
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Realomente não entendi o que pretendia o ministro dizer com o “tomar conta”. Seria CUIDAR ou seria EXPROPRIAR? A primeira hipótese não tem credibilidade porque, como já repetidamente se afirmou, o Estado não toma bem conta do que já é seu; quanto à 2ª, teria quais objectivos? Ameaçar? Dá-los a compinchas? Aproveitar para aí fazer obras públicas? Aumentar os terrenos “maninhos” públicos? ?
Bem, acho que o ministro deveria informar para que queria os tais terrenos para que, em seguida nos pronunciássemos.
Quanto ao resultado do inquérito do DN, o que me apraz comentar é sobre o tipo de leitores desse jornal: pessoas, na sua maioria, pouco escolarizadas e não habituadas a pensar (a acreditar num formador -já falecido, não pensem em colocar-lhe um processo- que tive, quando frequentei uma acção sobre jornalismo) e “assessores” do governo para a propaganda (também é o que se diz e só estou a reproduzir).
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A propósito do JN: ele também perguntou aos seus leitores se concordavam que a EDP desse milhões a uma Universidade americana para ela empregar o sr. Dr. Pinho?
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“O Estado poderá tomar conta de terrenos abandonados.”
Ah!Ah!Ah! Esta está boa.
Obrigado Sr.Estado, se não fosses tu estávamos ao nível do mar.
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Só por curiosidade.
Ó inquérito foi efectuado no intervalo do Benfica/Académica?
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#26, Carlos Dias,
Foi feito no Largo do Rato.
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na sequência da defesa da propriedade privada, tempos aqui um excelente exemplo:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=182077
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esta estória vale o seu peso de água em ouro!…
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23,
Realmente, em vez de Realomente; JN, em vez de DN.
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O resultado da votação reflecte o tipo de leitores do jornal, associados a um tipo de vida de classe-média-urbana.
Nem poderia ser de outra forma, mas seria interessante fazer um outro inquérito (ou desdobrar este) por forma a saber-se a opinião das pessoas que alguma vez na vida tivessem passado, pelo menos, 48h no interior desertificado do país – de preferência, claro, nas zonas afectadas pelos fogos.
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«[E]stá tudo bem assim e não podia ser de outra maneira»
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Ainda estamos a fazer o luto do Rei Assassinado…
A Elite está sempre à procura de um Alibi para poder mandar mas com o menos de responsabilidades possíveis.
Por isso quando o Ditador Alibi morreu veio a CEE o novo Alibi- nós seríamos o bom aluno, o que eles dissessem nós faríamos, isto é não teríamos responsabilidade alguma.
Nesta cultura quando há ameaça de sarilhos a sério a única reacção das elites é querer entregar isto a alguém, claro esperam que no “negócio” fiquem com lugarzinho no novo poder.
Depois a CEE perdeu lustro, e houve uma fase em que seria a Espanha que viria “tomar conta” disto, mas como afinal agora Espanha não está em muito bom estado estão calados, os mesmos e outros suspiram pela Sra.Merkel, outros pelo FMI, no futuro quiçá alguém sonhará em chamar os Chineses.
O Povo que aliás fabrica a Elite é o mesmo, e faz a mesma transacção : entregamos-te todo o poder desde que fiquemos sem preocupações e possamos dedicarmos-nos a futilidades.
Nos 7 primeiros meses do ano mais 13,5 mil milhões de dívida… ou mais 5400 Euros de dívida por uma família de 4 pessoas em 7 meses.
Sobre isto que vai afectar a vida deles, filhos e netos na próxima década preferem nada saber. E muito menos ter poder sobre tal coisa..
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Mas o Estado vai “tomar conta” dos terrenos para quê? Para os cultivar, para os limpar? ou para os vender ou arrendar aos vizinhos?
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Caro Henrique Pereira dos Santos,
1) A proposta do secretário de Estado é tipicamente soviética, porque a expropriação de terras em função do seu não uso – repito: legítimo – configura o grau zero da protecção da propriedade privada. Para mais, quando as florestas a cargo do mesmo governo também ardem e muito. Acresce que também a solução mais tímida de obrigar os proprietários à limpeza das matas é jurídica e economicamente iníqua, porque não se pode legitimamente obrigar os titulares das terras a arcar com prejuízos muito significativos, assim como não se pode obrigar senhorios a fazer obras de valor avultado quando não se está disposto a a acaber com o congelamento tendencial do preço das rendas. O resultado dessas propostas é evidente: uma tendência ainda mais significativa e mais célere para o abandono das terras e desertificação do interior.
2) Aquele que causa danos a terceiros é obrigado a indemnizar. Aquele que tem a seu cargo uma fonte de perigos para terceiros é obrigado a tomar as diligências necessárias para evitar a concretização de eventuais danos.
Mas também é certo que as obrigações que a lei prevê destinadas a conter perigos resultantes da propriedade (neste caso, perigo de incêndio) têm de ser razoáveis, isto é, têm de ser obrigações que um proprietário minimamente diligente cumpriria naturalmente (isto é, sem precisar para tal de quaisquer leis). Ora é aqui que está o busílis da questão: se as medidas destinadas a evitar o perigo de incêndios são desproporcionadas em termos de custos ao proveito que o proprietário tira das suas terras, então o Estado não pode impor a ruína aos proprietários (não o pode fazer por razões morais “- “impossibilia nemo tenetur” -, isto é, a lei não pode exigir o impossível, nem por razões económicas, visto que tal medida só levará os proprietários a abdicarem das terras). O que o Estado tem de fazer – e isso é a sua missão, porque é ele o responsável pela segurança dos cidadãos – é tomar ele próprio a seu cargo as medidas de prevenção de incêndios que se afigurem necessárias. Incluindo as limpezas de matas, mesmo contra a vontade dos proprietários. Por razões de segurança nacional que se sobrepôem no caso concreto à propriedade privada. Se o Estado – mesmo o mais minimalista Estado Liberal – não serve para isso, não serve para nada. Mas por cá nunca se exige que o Estado cumpra as suas missões essenciais, pelo que estas propostas socialistas são levadas a sério. Enfim, um país de malucos, como dizia hoje o Medina Carreira.
Cumprimentos,
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O Estado toma conta dos terrenos???
Mas o Estado é abstracto…tem que arranjar “funcionários” para isso.
E viu-se com a “reforma agrária” o desastre que foi….depois da roubalheira daquilo que estava cultivado, claro.
A sondagem destina-se a salvar um ministro absolutamente incompetente, que esteve caladinho durante os fogos, tipo barata tonta sem saber o k fazer.
A mafia do futebol de mãos dadas com a corrupção política.
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José Barros,
Preferiu conversar al lado em vez de responder às minhas questões, aliás bem concretas.
Tenho pena.
henrique pereira dos santos
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“Mas por cá nunca se exige que o Estado cumpra as suas missões essenciais, pelo que estas propostas socialistas são levadas a sério. Enfim, um país de malucos, como dizia hoje o Medina Carreira.” JB
ah, pois é… e deve ser por isso que temos trogloditas destes, que fazem o que fazem:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=182077
país de malucos, onde esses “malucos” estão sempre prontos a defender a posse das suas terras a o que têm dentro delas, mas que no fundo se estão nas tintas para os outros, tanto no que diz respeito ao evitar que tudo arda pela sua incúria quanto à limpeza das matas como depois para apagar os fogos que lavram…
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O Eko deve estar a falar também daqueles gajos que se atiraram a um campo de milho para o derrubarem e andaram a pontapé e a soco com o proprietário e autoridades não é?
Com estes trogloditas não vamos lá. Fazem o que fazem….
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olhe, tiradentes, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, uma não impede a outra e vice-versa…
vá tirar dentes, por aí, e não misture alhos com bugalhos!…
posso não estar de acordo com os métodos, mas que faz a nossa tão esclarecida classe dos jornalistas para informar o que são e o que implica a cultura dos OGM? porque aí, e não sabe de certeza, que é um fogo que arde sem se ver e que acaba, a longo trexo, com a biodiversidade. informe-se!…
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E-Ko : se não sabe exactamete quais são os contratempos inerentes ao cultivo e uso dos TRANGÉNICOS, faça como eu : CALE-SE!
( E PRONCIPALMENTE NÃO DEFENDA TROGLODITAS ).
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“E-Ko : se não sabe exactamete quais são os contratempos inerentes ao cultivo e uso dos TRANGÉNICOS, faça como eu : CALE-SE!” Licas
primeiro, parte do princípio que lá porque você não conhece os inconvenientes duma agricultura de transgénicos eu também não conheço: preconceito!…
depois, se não se conhece “EXACTAMENTE” esses inconvenientes, tenho de me calar… mas meu amigo, o assunto não é tabú e temos todos a responsabilidade o dever senão a obrigação de procurar todas as informações existentes fiáveis e variadas para formarmos a nossa opinião. não devemos deixar em silêncio um debate necessário sobre o que pode ser um cheque em branco a interesses obscuros e termos o cuidado de empregar, caso seja necessário, o princípio de precaução… não é, depois de casa roubada, trancas à porta.
se precisa de documentação sobre o assunto, preça, não queira calar-me… até agora não defendi quaisquers trogloditas, mas não defendo também a nossa miserável classe jornalística, ignorantes e oportunistas!…
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Preferiu conversar al lado em vez de responder às minhas questões, aliás bem concretas.
Tenho pena. – Henrique Pereira dos Santos
Nenhuma das suas questões ficou por responder.
Já o disse, o Estado tem a obrigação de zelar pela segurança dos seus cidadãos e se isso implicar limpar as matas e tomar outras medidas preventivas, deve fazê-lo, mesmo contra a vontade dos proprietários. Estes, por seu turno, têm o direito de não usar a terra e até de a deixarem ao abandono, visto que o único efeito negativo que daí pode decorrer é mesmo a usucapião. Não é legítimo impor obrigações aos proprietários que nem o Estado cumpre, por serem desproporcionadas ao rendimento que a terra proporciona. Donde, muito embora os proprietários sejam, em princípio, responsáveis pelos danos que causarem, não o serão se só podiam evitar os danos tomando medidas demasiado onerosas e economicamente injustificáveis. E estamos assim: o Estado não cumpre a sua obrigação e quer transferi-la para os proprietários, o que só levará a uma tendência maior para o abandono das terras e para a deflagração de um maior número de incêndios. É geralmente esse o resultado de políticas soviéticas.
Lamento também que não tenha nenhum argumento para contrapor ao que já disse e voltei a repetir neste comentário.
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Eu tenho um pequeno terreno.
Pago mais de 300 euros de IMI todos os anos.
Muito mais que os tais 25 por hectare.
Pago esse valor e em troca espero um serviço de combate a incêndios competente.
Se esse valor anual que pago ao estado não serve para isso serve para quê?
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42.e-ko disse
21 Agosto, 2010 às 12:29 pm
*********
A História está cheia de exemplos
* edificantes *
__A maior velocidade de um cavalo a galope não se podem autorizar os comboios (sec. XIX)
__Os milhos híbridos : desta fui testemunha, esgotam a terra de tal maneira que fica para sempre imprestável para a Agricultura.
É CLARO QUE E-KO vem com dois argumentos * irrespondíveis *
__1__Temos de nos informar qual a relação custo/benefício de qualquer inovação,
__2__ Estão patentes que os tais OBSCUROS INTERESSES que não se importam das consequências.
AOS QUAIS RESPONDO
___NUNCA AFIRMEI DE QUE NÃO DEVERÍAMOS TENTAR SABER, apenas que , por prudência, pudor, decência, estar calados em assuntos de tal complexidade que o mais provável será dizermos DISPARATE.
___OS TAIS INTERSSES OBSCUROS que afirma existirem prenunciam uma de três coisas: no psiquiátrico, MANIA DA PERSEGUIÇÃO, no civilizacional, extremo conservadorismo, finalmente no Político, anti-capitalismo, quiçá, estalinismo pecepista.
DE QUALQUER DAS MANEIRAS: já que assim decidiu, exprima-se sempre, mais do que não seja, para apreciarmos o valor intrínseco das vuvuzueladas (Venuzueladas).
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José Barros,
1) Lamento mas não respondeu se tem a certeza que na Europa civilizada mis ou menos liberal e não soviética existem ou não obrigações inerentes ao direito que posse que, se não cumpridas, fazem reverter esse direito para a sociedade.
2) Lamento mas não respondeu ao facto de eu falar em ausência de dono e não em não uso;
3) Lamento mas não respondeu ao facto de eu dizer que quando há investimento intensivo com diferimento acentuado de remuneração, como é o caso da florestação, falar em usucapião é piada;
4) Como corolário vem falar de imposições aos proprietários (coisa que comecei logo por considerar uma idiotice no caso da limpeza das matas, exactamente pelas mesmas razões que invocou) quando eu falei de mecanismos de verificação de propriedade efectiva que permitam ao Estado fazer reverter a propriedade não reclamada, repito, não reclamada, para quem queira fazer dela um uso socialmente útil.
Mas como disse antes, tenho pena que não queira discutir o assunto, está no seu direito, escusava é de me tentar convencer que está a responder porque eu aceito a sua ausência de resposta sem o menor problema.
henrique pereira dos santos
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Já agora, no uso socialmente útil incluo o não uso consciente e assumido.
henrique pereira dos santos
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Se se preferir, o que aliás também defendo, taxe-se a propriedade rural em niveis razoáveis face ao rendimento expectável que metade deste tipo de problemas desaparecem num ápice. E até podem incluir a ausência de impostos nos casos em que há não uso, ou usos não económicos, assumidos conscientemente.
henrique pereira dos santos
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Pois foi muito bem lembrada a Lei das Sesmarias.
Bons reis que tivemos. E ausência de feudalismo que nunca implicou centralismo estatal.
A Idade Média ainda é um livro aberto onde se devia voltar mais vezes.
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Henrique Pereira dos Santos,
1) Como deve calcular – e por isso a sua pergunta é idiota – não conheço a legislação de todos os países europeus. E leis socialistas existem um pouco por todo o lado, não apenas em países com regimes comunistas. Por isso, a resposta é: não sei, nem quero saber. E já agora, duvido que alguém saiba.
2) O abandono de terras é juridicamente equivalente ao não uso. Se um tipo abandona a sua terra limita-se a não usá-la. Legitimamente. A terra continua a pertencer-lhe até que alguém a possua e adquira por usucapião. Donde, mais uma vez, respondi à sua questão. A resposta é que não lhe terá agradado, o que é outra coisa.
3) A florestação pode ser feita pelo possuidor, ainda que ainda não tenha decorrido o tempo suficiente para a usucapião. O Henrique Pereira dos Santos não desconhecerá que o possuidor tem direitos tendencialmente iguais aos do proprietário, sendo certo que, enquanto não adquirir por usucapião, está sujeito à reivindicação das terras pelo verdadeiro dono. E normalmente é isso que acontece: as propriedades não usadas são utilizadas por possuidores que cultivam as terras, plantam árvores, colhem frutos e limpam matas. Desde que obviamente isso seja do seu interesse económico.
4) O Estado nada tem que ver com o uso ou não uso que o proprietário decide fazer das suas terras. Pelo que não tem nada que sujeitar terras que são propriedade de alguém a um leilão. E o facto de a terra não ser reclamada também não pode reverter em detrimento do dono das terras. Ele pode estar no estrangeiro, pode estar gravemente doente ou simplesmente incontactável. É legítimo nessas hipóteses tirar-lhe a terra. Não é., como é evidente.
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49.zazie disse
21 Agosto, 2010 às 7:48 pm
. . . Bons reis que tivemos. E ausência de feudalismo que nunca implicou centralismo estatal. . .
*************************+
Zazie, quando um Duque
* levantava cabelo * . . .
era enforcado pelo Rei.
NADA DE CENTRALISMO, não senhora,
apenas . . . PENDURISMO.
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Caro José Barros,
Estou habituado a ouvir as pessoas formatadas pela longa convivência com o direito e a sua aplicação em Portugal começarem a irritar-se sempre que a realidade se intromete nas suas perfeitas construções jurídicas.
1) Não sabe o José Barros mas isso não significa que ninguém saiba. Eu sei que há normas equivalentes em muitos países. Não é uma norma socialista (a menos que os juristas medievais e suponho que romanos fossem socialistas avant la lettre) é uma norma que pretende garantir que a propriedade não tem um uso social negativo. Como sabe há imensas restrições ao uso da propriedade privada que ninguém de bom senso contesta. Por exemplo, não pode construir onde quiser nem o que quiser, porque isso tem implicações sociais que a sociedade pertende ver acauteladas.
2) O abandono da terra pode ser juridicamente equivalente ao não uso e é exactamente isso que contesto, porque social e tecnicamente não é equivalente. E como lhe disse, em muitos países essa diferença de realidades está juridicamente protegida. Como deveria estar em Portugal.
3) Agora tenho de explicar devagarinho uma questão técnica a que já fiz várias vezes referência mas como desestabiliza a sua perfeita construção jurídica insiste em não a ver. Não há possuidor que faça um investimento se em qualquer altura a sua condição de possuidor lhe puder ser retirada. O problema é que não há dono nem possuidor, e não vai haver possuidor a fazer os investimentos que tornam aquela terra socialmente útil se a questão da propriedade não for clara. É porque em outras sociedades onde o direito é menos formalista e mais próximo da realidade que a diferença entre não uso e abandono é juridicamente relevante.
4) Não acho nada evidente que não seja legítimo que terra abandonada seja redistribuída, uma vez garantidas algumas condições (tempo de abandono, publicidade da hipótese de perda de direito de propriedade e por aí fora). De tal forma não é evidente que essa foi a norma durante séculos em Portugal e continua a ser a norma em muitos outros países.
5) O facto das minhas perguntas serem idiotas não o impede de dar respostas inteligentes, por isso volto a lamentar que tenha optado por respostas que se poderiam classificar como as perguntas.
henrique pereira dos santos
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A falsidade nas investigações é que ninguem investiga o caso do despedimento colectivo de 112 familias do casino estoril uma empresa com milhoes de lucros e o governo nada faz QUEM GANHA COM A DESGRAÇA DE 112 FAMILIAS.
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ò Laricas, e fazia muito bem. Tu também vives pendurado.
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E não, ó fóssil ignaro, nunca houve feudalismo em Portugal.
Deves ter estudado na escola do Ramiro para nem isso saberes.
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ò Henrique Pereira dos Santos:
Se v. quer confrontar com direitos de terra noutros países, recorde-lhes o colonialismo nas suas mais diversas feições.
Por exemplo- recorde-lhes um colonialismo que eles gostam muito de defender- baseado em suposta antecedência milenar de direitos dessa terra a gente que só nasceu uns milénios depois, noutro continente- lembre-lhes o Estado de Israel.
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Pela lógica deles o Estado de Israel nem a usucapião chega. É expropriação ilegal de terrenos que nem estavam ao abandono.
E não foi para defender a natureza que foram ocupados por quem veio de fora.
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Mas os direitos da terra têm uma história muito diferente. A Lei das Sesmarias foi uma lei medieval. Não foi do Lenine.
E o que eram os reguengos e terras comunitárias?
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E o que eram os open field na tradição inglesa?
E o que é o inverso, na mesma tradição do Norte da Europa onde a propriedade de uma casa se afere por ser literalmente dono do solo?
Se nem mudar os tacos do chão, não compra uma casa a ninguém.
O caso dos terrenos do London Eye derivou disto. Andaram anos a querer um balúrdio pelo terreno por ainda se considerar que pertencia à coroa.
E chama-se terreno à propriedade básica do chão. O que for feito por cima- seja casa, seja torre, seja o que for, não conta.
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A História faz muita falta.
Mas já ninguém estuda. Agora é só presente. Nasce tudo ad hoc ou por dar na tv e vir no jornal.
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E o Duque era pendurado até por queixas dos homens bons de uma terra que tinham representação popular nas Cortes.
Topas, palonço, Laricas?
Não houve feudalismo em Portugal e a justiça régia nada tinha a ver com centralismo de Estado, pois nesses tempos nem Estado existia.
Aprende, ignaro. O Rei proporcionava a justiça a todos. Um duque não estava livre dela.
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A lei das Sesmarias foi uma lei medieval que nada teve a ver com Estado Moderno.
Séc. XIV, reinado de D. Fernando, crise económica. A função nada tinha a ver com expropriação mas com necessidade de sedentarização e trabalho dos campos.
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Aliás, é a continuação de outras leis anteriores e foi assim que se construiu um país.
Se fosse tudo dono a viver no “estrangeiro” havia mais quem tomasse as terras e até o país.
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Já agora- todas as terras costeiras também têm jurisdição própria e isso significa que não há “dono privado”.
Por exemplo- as prais- e isto por um motivo nacional- permitem a defesa costeira de forma a defender o país.
Esses terrenos não são nem propriedade privada do governo que a poderia colocar em hasta pública, nem de nenhum privado.
São do país. Na velha tradição de direito romano e depois da coroa medieval.
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pois, era de uma nova lei das Sesmarias, bem pensada, de que o país precisava, para acabar com a desertificação do interior, com algum desemprego, com a praga dos incêndios e fazer descer a dependência externa em produtos alimentares de 80% para, idealmente, 0%…
mas isso era um gravíssimo atentado à liberdade individual, à propriedade privada, à livre empresa, ao mercado livre, em suma, que atinja as classes médias e superiores… só não é atentado a todas essas coisas mandar os beneficiários do rendimento mínimo limpar as matas!…
a paranoia da ameaça do comunismo ainda lavra nestas brilhantes mentes, mesmo que a maioria dos países “comunistas” já se tenha convertido ao capitalismo de mercado!…
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O léxico liberal é paupérrimo. Julgam que explicam tudo com ” a propriedade privada” e os “direitos negativos” e “positivos”.
E não explicam, como bem saberá o José Barros que é de Direito.
Por exemplo, qual a figura jurídica dos baldios? De quem são os baldios? qual a sua origem histórica?
O Laricas deve ter a resposta de cor.
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Zazie,
Os baldios são propriedade comunitária. Não são, nem do Estado, nem de proprietários individuais. Servem e pertencem à comunidade local e são protegidos nessa justa medida. Não vejo que contrariem qualquer ideologia liberal, bem pelo contráriol: são uma manifestação de associativismo, que é ou deve ser apreciada por liberais. Bem melhor seria que houvesse mais associações de proprietários que tratassem das matas, que alugassem máquinas para trabalhar as terras, enfim, que permitissem a proprietários com maiores dificuldades de financiamento, um melhor aproveitamento da propriedade. O problema é que não há, pelo menos, em medida suficiente.
Quanto aos liberais portugueses, já cheguei à conclusão que, a maioria das vezes, não sabem do que falam quando discorrem sobre leis laborais, sobre arrendamento ou questões afins. Eu também não sei nada de economia, por exemplo. Mas não falo sobre isso.
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Henrique Pereira dos Santos:
1) Perguntar-me se não existe uma determinada lei na totalidade dos países europeus é uma pergunta idiota, porque evidentemente eu não tenho a capacidade, nem o tempo, nem a pachorra para estar a consultar a legislação de tais países para lhe responder. Bem compreende que eu não domine o suomi ou o checo para lhe poder dar resposta. O que posso dizer é que a solução jurídica de permitir ao estado fazer um leilão de terras não reclamadas, expropriando-as por essa via, não é uma solução típica das legislações dos países mais próximos do nosso (Alemanha, França, Espanha, Itália). E também não é uma solução que pareça minimamente razoável do ponto de vista económico: quem quer comprar terras abandonadas pode comprá-las aos seus donos, não precisa do Estado para nada; e se as terras, mesmo abandonadas, não são vendidas pelos seus donos, é porque não existe ninguém que as compre.
2) Está enganado em relação aos direitos do possuidor. Quem possui uma terra, tem direito a defendê-la, mesmo contra o verdadeiro proprietário, através de acções possessórias. Exemplo: o possuidor A cultiva batatas, mas o proprietário B, que ao fim de alguns anos regressa à terrinha, decide que se deve cultivar alfaces e pretende destruir a cultura, substituindo-a por outra. O possuidor pode defender a sua cultura contra o proprietário, impedindo a sua destruição. Mas este pode reclamar a propriedade e reaver a terra.
Mais, o possuidor tem direito a indemnização por benfeitorias que faça, bem como a preservar os frutos que retira da exploração da propriedade. Tem em suma direitos análogos aos do proprietário, o que obviamente justifica que alguém, ocupando terra alheia, se decida a aí fazer investimentos avultados. Eventualmente, também é possível em alguns casos adquirir a propriedade por acessão na hipótese de as benfeitorias (que são construções / investimentos que o possuidor faz na terra) serem de valor superior ao da terra. Como vê, existem por Portugal dezenas ou centenas de milhares de possuidores por alguma razão.
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José Barros,
Não vale a pena estarmos aqui a jogar ping pong porque já percebi onde está o problema:
“quem quer comprar terras abandonadas pode comprá-las aos seus donos, não precisa do Estado para nada; e se as terras, mesmo abandonadas, não são vendidas pelos seus donos, é porque não existe ninguém que as compre”
E muitos casos, em milhares de hectares, e são esses que me interessam, o problema não é tanto de não haver comprador (haverá sempre, é uma questão de preço) mas sim de não haver vendedor porque não se sabe quem é o dono e o dono não sabe que terra lhe pertence.
henrique pereira dos santos
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José Barros,
Eu não falei em contrariar ideologias. Disse que os conceitos liberais (que se resumem a propriedade privada ou direitos negativos e positivos) são demasiado pobres para se perceber uma série de questões.
Dei o exemplo dos baldios que é muito mais complicado do que v. disse. Derivam da reconquista mas não tinham figura jurídica porque, no direito romano, não existia esse figura de propriedade colectiva.
Foi nas revoltas liberais que a legislação e figura jurídica foi criada e, tanto quanto sei, no 25 de Abril ainda foi alterada, assim como depois.
E dei também o exemplo das terras costeiras- praias- que não são nem privadas nem públicas nem sequer passíveis de alienar pelo Estado, porque estas sim, têm a ver com a defesa do território que implica que os acessos à costa estejam desimpedidos.
Ora isto não contraria ideologias liberais. Isto não entra no léxico nem nos paupérrimos conceitos liberais.
Tive este debate no Insurgente, aquando da queda das arribas, e toda a gente teimava que as praias ou eram do Estado ou deviam ser privadas.
Ninguém conhecia a figura intermédia que não é nem uma coisa nem outra- idem para os baldios.
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Quanto aos baldios veja aqui:
http://www.oribeiradepera.pt/jornal/1/not10.htm
Isto é muito mais interessante que resumir tudo a propriedade privada ou do Estado.
E, como eu disse, e este sim era o objectivo do comentário- sem História não se entende nada.
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Zazie,
Obrigado pelo link. Muito interessante o texto e é pena não poder ler a continuação. Conheço razoavelmente a história jurídica recente dos baldios, porque li sobre o assunto em revistas jurídicas. Mas a origem histórica confesso que desconhecia.
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Henrique Pereira dos Santos,
Mas esse problema de não se saber quem é dono das terras deve resolver-se com um sistema de registo predial obrigatório (o nosso é facultativo, como se sabe), acompanhado da impossibilidade de transmissão do bem sem a sua inscrição prévia no registo. Se assim se fizesse, dar-se-ia um bom contributo para resolver boa parte dos problemas de terras no nosso país. Infelizmente, o sistema é facultativo, as pessoas são preguiçosas e avarentas (não querem pagar os “emolumentos” que o Estado abocanha com cada registo) e por isso o sistema funciona mal. Como tudo em Portugal.
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José Barros,
Veja aqui: http://www.oribeiradepera.pt/jornal/3/not08.htm
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José Barros,
Mas como já hoje não se sabe quem são os proprietários e os proprietários não sabem que terra têm (sabem que têm para ali umas leiras (estas mais identificáveis) ou uns tapados (estes mais difícieis de definir) em milhares de hectares, não vale a pena dizer que se resolve com um registo obrigatório.
A menos que queira, e eu estaria de acordo consigo, aprovar um registo obrigatório agora, e o que não estiver registado integra um banco de terras a atribuir a quem tenham projectos concretos socialmente úteis (que podem ser de não uso consciente). Mas isso é, no essencial, a minha proposta.
Sugiro que leia os dois últimos posts do Carlos Aguiar, um sobre os baldios, o outro sobre abandono:
http://ambio.blogspot.com/2010/08/programa-nacional-para-valorizacao-dos_22.html
http://ambio.blogspot.com/2010/08/abandono-fogos-e-propriedade-da-terra.html
henrique pereira dos santos
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