Notícias Sábado, 21 de Agosto de 2010
«Quando as chamas são mais ferozes a tese da “mão criminosa” faz escola. Trata-se de uma desculpa esfarrapada e populista: tivemos uma média de 400 fogos por dia, de Norte a Sul do país. Uma estrutura capaz de urdir uma acção tão abrangente e eficaz, durante décadas e sem nunca ser descoberta, teria de possuir um grau de organização que não está ao alcance de qualquer organismo português – ao invés, apenas um ou outro tolinho, avulso e desgarrado, é capturado. Borrifam-se para o ar suspeitas não sustentadas com mais facilidade do que a água jorra dos Canadair: é a melhor forma de os Governos embuçarem a sua inépcia.»
«Da Tradição do Mau Governo (III)
Os incêndios florestais são o melhor exemplo para ilustrar a nossa mais persistente tradição. Ano após ano, todos os Governos reduplicam as mesmas promessas, apresentam programas e estratégias, e juram que estão aptos para combater os fogos. Depois, quando já ardeu quase tudo, alardeiam vitórias que só eles mesmos enxergam no meio das cinzas e esgrimem comparações forjadas em números de hectares de floresta queimada.
Nesta matéria, a retórica dos Governos mostra-se ainda mais inócua do que é comum. Só o factor climático aparenta ter influência real: se aumentam o calor e o vento, há mais fogos e com maior intensidade; se a temperatura e os ventos baixam os incêndios diminuem.
Quando as chamas são mais ferozes a tese da “mão criminosa” faz escola. Trata-se de uma desculpa esfarrapada e populista: tivemos uma média de 400 fogos por dia, de Norte a Sul do país. Uma estrutura capaz de urdir uma acção tão abrangente e eficaz, durante décadas e sem nunca ser descoberta, teria de possuir um grau de organização que não está ao alcance de qualquer organismo português – ao invés, apenas um ou outro tolinho, avulso e desgarrado, é capturado. Borrifam-se para o ar suspeitas não sustentadas com mais facilidade do que a água jorra dos Canadair: é a melhor forma de os Governos embuçarem a sua inépcia.
Ninguém resolveu as carências gritantes no ordenamento florestal (um amontoado caótico de eucaliptos e pinheiros), e todos negligenciaram as matas que nunca são limpas (sobretudo as do Estado). Pelo meio, há a estultícia do costume nas hierarquias – chegamos a ter um comandante de bombeiros que vendia viagens de helicóptero aos curiosos que pretendiam desfrutar da “nérica” visão do mundo a arder.
Esta tragédia não pode ser separada das figuras que têm recheado a pasta Administração Interna: fruímos de um Costa Brás que lidava com os incêndios como manobras reaccionárias contra o 25 de Abril; de um Eurico de Melo que chegou a defender a peregrina tese de que era melhor não usar meios aéreos porque as crianças e os tolos se sentiriam irrecusavelmente motivados a atear fogos só para verem os aviõezinhos; de um Alberto Costa que deixou pacatamente arder as florestas antes de, mais tarde, utilizar essa sua mestria na Justiça e com os mesmos resultados; de um Fernando Gomes cujos sonhos de grandeza pessoal arderam ainda mais depressa do que as matas que deveria proteger; de um Severiano Teixeira, verdadeiro case study na arte de fingir que não existe politicamente e obtendo enorme sucesso nesse seu ensejo em todas as pastas onde, estranhamente, teimam em o enfiar. Pelo meio, ainda sobreveio um fugaz mas célebre ministro do Ambiente, Amílcar Theias, que, em 2003, revelou a verdade, até aí ainda não oficialmente desvendada, de que o flagelo dos incêndios era, afinal, efeito das armas enterradas nas florestas pelos ex-combatentes do Ultramar, que, está visto, as tinham surripiado para as soterrarem com misteriosas intenções futuras…
Agora, aí jaz Rui Pereira. É difícil não simpatizar com o actual ministro – culto e bem-intencionado, tem contra si o facto de parecer uma segunda edição, um pouco mais intelectualizada, de um seu antecessor, Figueiredo Lopes, que era a imagem acabada da impotência perante a desventura.
Porque, nunca o esqueçamos, a incompetência dos Governos gera esta e outras calamidades. É devido às políticas incapazes protagonizadas por “ilustríssimos” ministros sem merecimento para gerirem uma mercearia de bairro que há mais de 30 anos as populações não conseguem pregar olho no susto das suas noites de Verão. E que os bombeiros, únicos heróis nesta triste história, vêem as suas vidas sacrificadas, estupidamente imoladas numa guerra de Sísifo, sem sentido nem fim à vista.»
(Tiro ao Alvo, NS, 21.VIII.2010)

Absolutamente de acordo. Claro que há incendiários, mas a dimensão da tragédia dos fogos florestais ultrapassa as possibilidades de qualquer delinquente comum. A excessiva auto-estima lusitana impede-nos de ver as realidades.
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O ministro Rui Pereira é incapaz de gerir uma simples caixa de fósforos, quanto mais o ministério que tutela o sistema de combate a incêndios. Embrulhem-no e devolvam-no à loja maçónica onde o foram buscar, por inaptidão para a função. Além do mais, não teríamos de assistir ao ar enfastiado e sobranceiro que ele faz cada vez que alguém lhe faz uma pergunta ou pede um esclarecimento, nem às suas manifestações de regozijo com as estatísticas da área ardida enquanto Portugal arde descontroladamente.
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A tese do Eurico de Melo sempre foi repetida pelo JPP.
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Sun Tzu:
“Administrar muitos, é tão simples como administrar poucos. É uma questão de organização”
O que não se passa definitivamente por estes lados, salvo raras excepções.
De organização e de liderança, condições de profissionalismo.
Liderança, que quando falha no topo (Chefe de Governo), dá origem aos (Ir)responsáveis enumerados pelo CAA.
Nada a fazer, deixar arder. Para o ano há mais.
Desgraçados dos bombeiros, condenados a fazerem de Sísifo.
E da heroína Cristiana Josefa. Para quê?
Mas quando Sampaio (PR) desabafava que era preciso obrigar os proprietários dos terrenos a limpar os mesmos, provava uma coisa: não conhece o país/terreno, a floresta. Grave.
De há muito me tem ocorrido, fazer uma declaração ás Finanças para me retirar a posse de uns matagais na Beira interior.
Para não falar de terrenos de proprietários falecidos e sem herdeiros à vista (alguns, no estrangeiro) e ainda carregados nas Finanças locais.
Vale,que em vez de uma actualização ‘automática’, se houvesse informação cruzada da dados,
num qq gabinete ministerial, alguém descobriu a pólvora: 700 milhões para o cadastro que há-de iluminar Portugal.
O do “Quinto Império”, pois.
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Pois.
Os fogos aparecem por geração espontânea.
Ninguém os ateia.
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Há alguns que são ateados, mas a maioria seriam evitados se os governos transformassem a floresta numa actividade económica rentável. Ficaria muito mais barata do que todo este gigantesco prejuízo e esforço a que assistimos todos os anos. nas florestas das celuloses não há fogos.
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#6.
Pois. É o que eu digo.
Só alguns é que são ateados.
A maioria não é.
As coisas que a gente aprende aqui no Blasfémias.
Só não percebo porque é que as caves e garagens das pessoas que lá têm toneladas de lenha, livros, jornais velhos, móveis de madeira antigos e outros monos altamente inflamáveis não ardem à razão média de 400 por dia.
Será porque o governo ainda não se lembrou disso?
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Alguem se lembrou de COOPERATIVAS DE FLORESTEIROS (independentes das Celuloses) a que as Câmaras Municipais alugariam, a preço de custo, toda a maquinaria (inclusive aviões) para tratar as florestas?
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Licas
um oficial moçambicano, perguntava a uma piloto da Força Aérea, para que é que ia voar de noite.
Porque de dia ou de noite, têm de voar para manter as qualificações, mesmo que sem qq outro objectivo.
Tempos houve, em que os c-130 da FA actuavam com equipamentos próprios, no combate aos fogos florestais.
Mau para o negócio, para certos negócios.
Há pouco tempo, um coronel da FA (ali pelos 50 anos), deixa o serviço activo (pensão superior a 3 mil euros, durante cinco anos paga pelo MDN).
Vai fazer falta na FA, mas vai ocupando o seu tempo na EMA (Empresa de meios Aéreos do MAI).
Isto é, ou não é ingovernável.
A bem do Regime.
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Os amigos do chineses e das leis selvagens do mercado, encarregar-se-ão de resolver o problema, O desemprego obrigará o regresso das populações ao interior.
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Caro CAA, experimente ir para o minho passear em pelote nas matas.
Passado duas horas já toda a gente sabe da badalhoqueira.
Agora, se algum local ateia um fogo…
É o costume…
Rien ne va plus…
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Está, portanto preconizando um método experimental para se apurar da conivência das populações rurais
com os incendiários, SE BEM ENTENDI.
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#8, #12
É espantosa a sua proposta espantosa e a mais magnífica conclusão. Quanta sapiência!
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Ainda bem que gostou . . .
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Agua jorra dos canadair?
quem o ouvir ate pensa que o pais tem para ai uns 10.
Grande parte do probelam, está ai, o pais apenas tem 2 , alugados, e com mais de 20 anos, quando devia ter pelo menos uns 6 ou 8 para não ter que andar todos os dias a pedi-los ao estrangeiro.
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silva,
Portugal tem ao seu serviço dezenas de aviões de combate a incêndios.
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Que dezenas de aviões?
deve-se estar a referir a 12 air tractor’s e dromadr’s que são autentica sucata, que foram encostados em todos os outros paises mediterranicos, e que a industria do fogoconsegue por a voar em Portugal.
São esses as dezenas de aviões, aviões que levam 1800 litros de agua e cada vez que fazem uma descarga tem que ir à pista reabastecer, ou seja, são menos eficazes que um helicóptero ligeiro, que leva 800 litros mas enche em qualquer ponto de agua nas imediações do incendio.
Meios aerteos pesados, aviões de combate aso fogos, são os canadair’s, e desses portugal apenas tem 2 alugados á espanhola cegisa, velhos, sempre avariados, quando devia ter pelo menos 6.
Porque motivo jose sócrates desistiu em 2006 das aquisição de 6 destes aviões, para agora os andar sempre apedia aso amiguinos espanhóis, epara o povo acahr que os espanhóis é que são os bons, que ate canadair’s nos emprestam?
desengane-se meu caro, não são emprestados, são apgos à hora apeso de ouro.
emprestados foi os franceses e os italisnos.
os espanhóis que cá vem pertencem também á cegisa, e estão estacionados em salamaca e em santiago de compostela.
o problema é que o senhor do mai prepara a epoca de fogos a contra com os candaris espanhóis, e depois dá nisto, eles apenas os mabndam quando não so precisam e depois a floresta portuguesa é que as paga.
portugal tinha que ter no minimo 6 destes aviões canadair’s, entrreegues ao comando da força aerea.
isto sim são aviões de combate aos fogos, levam 6500 litros de agua e fazem a difernça.
agora dromader e air tractor obsoletos, poupe-me que isso é só sucata.
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os restantes paises europeus tem dezenas destes aviões, portugal aluga 2:
França: 26
Italia: 16
espanha:18
grécia:13
croácia.6
mediante isto, podera estar aqui parte da explicação para o acto de arder tanto em portugal e não arder nos outros paises.
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Há duas maneiras de começar a abordar o problema…
1- Todos são inocentes. o Fogo é mau e ataca por mau caracter.
Então comecemos por saber qual é o “bolo geral” isto é, o montante que directamente é afectado ao fogo (Prevenção, combate ao fogo, fase pós-incêndios).
Saberemos então quem objectivamente tira partido ( e lucros)dos incêndios.
2. Há icendiários que anualmente fazem movimentar toda esta máquina.
Então, investigue-se e sigam-se as pistas.
Há tantas coisas que se poderiam saber!
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Parabens pelo magnífico blogue e pela interessante noticia dos incêndios florestais. Em Portugal asim como na Galiza as causas dos incêndios florestais semelhan ser comuns.
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