Então ninguém liga ao nosso caso?!*
4 Setembro, 2010
“Em 1986, Manuel de Oliveira realizou um estranho filme: “O meu caso – Repetições”. Confesso que enquanto simples e
despreocupado amador de cinema, tive uma angustiante sensação de “non-sense” quando assisti àquele “exercício” de experimentalismo cinematográfico. Na realidade, o desenrolar do filme fica ancorado num personagem que não se cansa de perguntar obsessivamente qualquer coisa como “então e o meu caso? Ninguém liga ao meu caso?!”
Há muitos tipos de casos. Nunca cheguei a perceber qual era o do dito personagem daquele filme. Seguramente, é de presumir que seria um caso grave e psicologicamente arrasador, desde logo, porque o confrontava com a indiferença e a inacção do seu circunstancial meio envolvente (salvo erro, os trabalhos de montagem de um palco). Os casos ou problemas “mal resolvidos”, talvez sejam os piores. Sobretudo quando se transformam em preocupações que nos afligem definitiva e permanentemente, confrontando-nos com os nossos erros passados e com a nossa impotência para os ultrapassar. Desistimos de os afastar das nossas vidas; passam a fazer parte de nós!
despreocupado amador de cinema, tive uma angustiante sensação de “non-sense” quando assisti àquele “exercício” de experimentalismo cinematográfico. Na realidade, o desenrolar do filme fica ancorado num personagem que não se cansa de perguntar obsessivamente qualquer coisa como “então e o meu caso? Ninguém liga ao meu caso?!”Há muitos tipos de casos. Nunca cheguei a perceber qual era o do dito personagem daquele filme. Seguramente, é de presumir que seria um caso grave e psicologicamente arrasador, desde logo, porque o confrontava com a indiferença e a inacção do seu circunstancial meio envolvente (salvo erro, os trabalhos de montagem de um palco). Os casos ou problemas “mal resolvidos”, talvez sejam os piores. Sobretudo quando se transformam em preocupações que nos afligem definitiva e permanentemente, confrontando-nos com os nossos erros passados e com a nossa impotência para os ultrapassar. Desistimos de os afastar das nossas vidas; passam a fazer parte de nós!
Ora, esta semana, soubemos (em rigor, relembramos) a irracionalidade centralista e politicamente inexplicável que defenestra o país”. …… Texto completo AQUI
* GRANDE PORTO, Ed. 3.09.2010 (link aqui)
5 comentários
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Desfaçatez e indignidade no Governo-PS de Lisboa-é-Portugal como sugadouro clientelar. O restante gado frouxo nacional encolhe os ombros e enxota as moscas de Guerra Junqueiro.
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DEpois de ver “os canibais”, outra obra prima de M. Oliveira,
jurei – e tenho cumprido!, jamais dar um tusto para ver um
filme portuga (embora bem saiba o balúrdio que custam ao
erário público).
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Convinha ler a peça de José Régio, para perceber alguma coisa, não? A geração Sarabago ou Stau Monteiro via viver sempre à rasca, pá.
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…
O Stau Monteiro tinha que lhe bastasse e sobrasse. Ah! E era completamente doido…
Quanto ao Manoel Oliveira a que se referem deve ser um pobre mentecapto. Ainda por aí anda?
Nuno
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Portugal = Colónia de Lisboa.
Não gostam? Peçam independência!
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