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Como esmagar um país

19 Setembro, 2010
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Lista de afixações obrigatórias neste pequeno restaurante de fast food:

Alvará de licença sanitária.
Relatorio de inspecção da instalação de gás
Este estabelecimento tem livro de reclamações
Autorização de período de funcionamento, carimbada.
Horário de abertura.
Declaração de segurança alimentar.
Mapa de férias do pessoal
Aviso de proibição de venda e consumo de bebidas alcoólicas a menores.
As bebidas expostas são para consumo do estabelecimento.
Plano de higiene e limpeza, carimbado.
Aviso de proibição de entrada a animais.
Declaração de inspecção dos extintores.
Os produtos não embalados depois de servidos à mesa não podem ser devolvidos.
Aviso de pagamento à Sociedade Portuguesa de Autores.
Lista de preços.

Estão lá mais quatro ou cinco mas não consegui ver.

É para isto que serve a ASAE. Para controlar os papelinhos todos.

20 comentários leave one →
  1. Eduardo F.'s avatar
    19 Setembro, 2010 23:40

    Por aqui se prova o evidentíssimo défice regulatório. A quem é que nos devemos dirigir para suprir esta lacuma?

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  2. filipe81's avatar
    filipeabrantes permalink
    19 Setembro, 2010 23:52

    que defende o PSD sobre esse assunto? como é óbvio, nada fará caso chegue ao poder.

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  3. Paulo Novais's avatar
    20 Setembro, 2010 00:01

    Simplex!!!

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  4. santos's avatar
    santos permalink
    20 Setembro, 2010 00:38

    PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS
    Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007), teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos.
    Façam uma leitura atenta.
    A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
    O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.
    Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
    Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos… e para eles mesmos.
    Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
    Pertenço a um país:
    -Onde a falta de pontualidade é um hábito;
    -Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
    -Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
    -Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
    -Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é ‘muito chato ter que ler’) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
    -Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
    Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser ‘compradas’, sem se fazer qualquer exame.
    -Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
    -Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
    -Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
    Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
    Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
    Não. Não. Não. Já basta.
    Como ‘matéria prima’ de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
    Esses defeitos, essa ‘CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA’ congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates,
    é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte…
    Fico triste.
    Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada…
    Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
    Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
    Qual é a alternativa ?
    Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
    Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa ‘outra coisa’ não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados… igualmente abusados !
    É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começaa ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda…
    Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
    Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
    Está muito claro… Somos nós que temos que mudar.
    Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
    Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.
    É a indústria da desculpa e da estupidez.
    Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
    Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
    QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
    AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
    E você, o que pensa ?… MEDITE !

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  5. Anónimo's avatar
    Anónimo permalink
    20 Setembro, 2010 00:51

    Imagina-se a quantidade de funcionários, muito ocupados a manusear papeis, só para poder-mos tomar uma bica. Socialismo é isto.
    Gostam ?

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  6. rui a.'s avatar
    20 Setembro, 2010 03:13

    Parabéns, João: o melhor post que li até hoje sobre o Estado Social.

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  7. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    20 Setembro, 2010 07:28

    E quando você abre um negócio tem logo atrás de si uma dezena de «fiscais».
    Ele é finanças, segurança social, câmara municipal, inspecção de trabalho, gnr, ASAE, serviços de ambiente, estatísticas, registos comerciais e prediais,etc!

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  8. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    20 Setembro, 2010 07:57

    Na sua viagem a New York andou distraído.
    Provavelmente a afixação nem é obrigatória a muitos desses documentos, mas haverá até mais licenças necessárias.
    Então depois do 11/9, nunca se sabe quando um restaurante é uma fábrica de armas de destruição maciça.

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  9. ramiro marques's avatar
    20 Setembro, 2010 08:59

    Um Povo que se deixa esmagar assim tem o que merece.

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  10. montenegro's avatar
    montenegro permalink
    20 Setembro, 2010 09:07

    Eu posso fazer, como um familiar fez, uma empresa em 30 m , a sua regulamentação, vem á posterior – em toda a parte do mundo civilizado é assim – quem quer a bandalheira? talvez alguna liberais

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  11. António P. Castro's avatar
    António P. Castro permalink
    20 Setembro, 2010 09:44

    A perseguição às tasquinhas está a ser arrasadora.
    Inspecções feitas pela ASAE em 2007 e 2008 estão agora a ser autuadas: são coimas de milhares de euros por motivos ridículos e, muitas vezes, falsos.
    A ânsia de arrecadar dinheiro é tanta que não se olha a meios, pondo em risco de sobrevivência milhares de pequenos estabelecimentos e lançando no desemprego e na miséria milhares de famílias.
    Ninguém põe cobro a isto?

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  12. Licas's avatar
    20 Setembro, 2010 11:01

    País onde se *cooptam* miseráveis poiscoisícos para atrasar e imbecilizar
    com inutilidades e escapatórias CHICO-ESPERTAS da cidadania de um
    Povo já de si bastante alheado a essa qualidade essencial a uma Democracia.

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  13. Anónimo's avatar
    Anónimo permalink
    20 Setembro, 2010 15:22

    #4 Santos.
    Estamos na fase do: ” salve-se quem puder ” …
    Não se esqueça que o exemplo vem, há algumas dezenas de anos, de cima …

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  14. ricardo's avatar
    ricardo permalink
    20 Setembro, 2010 17:30

    Querem investimento, empregos, impostos???
    Vão pedi-lo às asaes, inspecções do trabalho, etc.
    Eles lá dão empregos, …mas tem que se ter bons padrinhos (de preferencia do partido)

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  15. Magistral_estratega's avatar
    20 Setembro, 2010 18:20

    Se cada empresário tivesse uma noção simples de seriedade não seriam necessárias tantas inspecções e auditorias…

    O melhor seria deixá-los fazerem o que pretendem e acabavam a comer moscas na sopa e a mandarem-vos comer noutro sítio se não estivessem satisfeitos

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  16. Pedro Bandeira's avatar
    20 Setembro, 2010 20:41

    Uma proposta simples para solucionar (parte) deste problema: desbandar a ASAE. O mesmo tratamento que se deu à PIDE noutros tempos.

    De seguida, organizar um referendo sob a questão: “Deseja que a República Portuguesa dê dez chicotadas no traseiro dos ex-agentes da ASAE, em público, no Terreiro do Paço, no próximo aniversário da dissolução deste organismo público?”

    Morte à ASAE!

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  17. nimo's avatar
    20 Setembro, 2010 21:57

    Mensagem Sra Ministra da Educação Sexual (por Rui Unas)
    http://www.youtube.com/watch?v=cnNJslgcCo8&feature=player_embedded

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  18. Ana C's avatar
    Ana C permalink
    20 Setembro, 2010 22:49

    JCD
    Muito bem!
    O problema da regulação é tão excessívo e a burocracia tão pesada (mesmo que mini produção e produção artesanal) que não resta outra alternativa às pessoas que cultivam batata ou melão em micro e mini-propriedades de vender à beira da estrada para ganhar mais qualquer coisita para ajudar a família. Com sorte, a polícia faz de conta que não vê, porque afinal a farda não estupidifica as pessoas.
    A outra face da regulamentação excessiva é o mercado negro que, entre nós, significa mais de 40% (em paralelo) da economia portuguesa.

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  19. GatoPreto's avatar
    GatoPreto permalink
    21 Setembro, 2010 08:05

    Quando tivemos o nosso restaurante familiar a funcionar, uma inspecção queria multar, porque estava um telemovel na zona da cozinha, e porque imaginem o descalabro, nós tínhamos um sistema contra fugas de gás a mais do que a lei dizia e como tal não podia, segurança a mais tmb não é permitido.
    Brilhante.

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  20. Rui's avatar
    21 Setembro, 2010 16:02

    António P. Castro : Ninguém põe cobro a isto?

    Eles são crescidinhos e não sabem por fim a isso? Ou estão à espera do D Sebastiao ?

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