Saltar para o conteúdo

Podíamos ter um melhor orçamento? Podíamos, mas não era a mesma coisa…

15 Outubro, 2010
by

Em 2015, avisou esta semana o FMI, Portugal será o país que vai crescer menos e que terá o pior défice orçamental e o pior défice externo da zona euro. A taxa de desemprego será então uma das mais elevadas. Estaremos, de novo, pior do que a Grécia. Entretanto, diz o gabinete de estudos da Universidade Católica, a economia portuguesa deverá voltar a entrar em recessão em 2011, encolhendo 0,7 por cento.

Nada disto surpreende. Ao contrário de muita retórica recente, o problema português não é só orçamental e, muito menos, é um efeito colateral da crise internacional. Esta vai passar e nós, mais uma vez, ficaremos para trás. O problema português é estrutural: há dez anos que o país não consegue crescer. Sendo directo: estagnámos. Os últimos anos foram especialmente maus, pois quando Sócrates chegou ao poder, em 2005, o Rendimento Nacional Bruto era de 125,3 mil milhões de euros e em 2009 foi de apenas 123,4 mil milhões. O que quer dizer que empobrecemos.

Como aqui escrevi quando ainda reinava um optimismo bacoco e contraproducente – A vida mudou. É tempo de mudar de vida, 2 de Julho –, “o problema começa a ser o de saber se o país é sustentável sem se transformar num protectorado económico da União Europeia ou do FMI”. Não sou economista, mas não era preciso ser economista para ver o que nos estava a acontecer – o que nos aconteceu, pois entretanto já nos transformámos, na prática, num protectorado. A vinda ou não do FMI é hoje quase um pró-forma.

O problema é que, sejam quais forem as medidas de austeridade, era necessário em Julho, e continua a ser necessário hoje, “mudar de vida”. E não há no Orçamento e no PEC3 nenhuma indicação, nenhum plano, nenhuma visão, que aponte nesse sentido. Pelo contrário.

Numa entrevista esta semana, António Barreto referiu que vivemos há muito “um período de pura deriva” em que os impostos aumentam ou diminuem “não de acordo com objectivos, ideias ou projectos, mas de acordo com as necessidades do dia”. Só interessam “os impostos que [o Estado] precisa por causa do défice”. Já Daniel Bessa, noutra entrevista, lembrou que “nem há conhecimento real da situação das contas públicas portuguesas”. O que significa que ninguém pode dizer, com seriedade, se as medidas anunciadas chegam ou se em 2011, como em 2010, como em 2009, iremos assistir a uma nova dança de números e a uma sucessão de más notícias.

Uma coisa é certa: as dinâmicas existentes na sociedade e no Estado vão todas no sentido do descontrolo das contas públicas e de soluções que não são soluções, antes agravam os problemas. Também esta semana soube-se, por exemplo, que no primeiro semestre a factura das PPP superou em 18,4 por cento o que estava orçamentado. O que faz temer estarem desactualizadas as previsões do Tribunal de Contas para os encargos futuros das SCUT, dos novos hospitais ou do TGV, previsões que já eram negras: em 2015 o Estado terá de pagar pelo menos 1,9 mil milhões de euros aos diferentes grupos privados com quem contratou obras neste regime de “faz hoje que eu pago depois”. Como disse Carlos Moreno, antigo juiz do Tribunal de Contas e autor do livro Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro, “as gerações futuras, sobretudo a partir de 2014, arriscam-se a que os Orçamentos de Estado fiquem quase limitados à gestão de tesouraria”.

A cultura despesista está, de resto, visível por todo o lado. Às vezes as facturas são grandes e não param de aumentar: é o que se passa na área da Saúde onde, só à indústria farmacêutica, o total em falta já ultrapassou os mil milhões de euros. Ou o que se passa com as empresas de transportes de Lisboa e do Porto (Metro, Metro do Porto, Carris e STCP) onde, de acordo com o mais recente relatório do Tribunal de Contas, a dívida total já ascendia (em 2008) a 5,8 mil milhões de euros. Ou na CP e na Refer (ainda sem TGV), onde a dívida quadruplicou nos últimos 14 anos e atinge hoje uns estratosféricos nove mil milhões de euros.

Outras vezes sente-se que o que conta é ter muitos lugares para distribuir pela clientela: por mais incrível que pareça, em tempos de austeridade, o número de empresas públicas cresceu 20 por cento desde 2007, havendo mais 19 por cento de administradores. Não serão os seus 448 ordenados que nos atiram só por si para o buraco, mas são mais gastos discutíveis num Estado onde ninguém dá o exemplo. Basta pensar, por exemplo, que enquanto em França se substituíram as flores naturais por flores artificiais nos gabinetes oficiais, os contratos de fornecimento de flores à residência oficial do primeiro-ministro ascendem a 63 mil euros.

Tudo isto feito com o mais soberano desprezo pelos portugueses e pelas regras de decoro da democracia: só em 2009, para ganhar as eleições, deram-se aumentos e promoções à Função Pública que, de acordo com o Banco de Portugal, anularam por completo as poupanças conseguidas a muito custo nos anos anteriores. Foi tudo por água abaixo.

Portugal tem, por isto e por muito mais, um problema de credibilidade – falta-lhe demonstrar que é capaz de suster o crescimento imparável do “monstro” – e um problema de competitividade – falta-lhe provar que é um bom país para investir e criar riqueza. São dois problemas indissoluvelmente ligados. Um país onde o Estado consome uma parte tão grande da riqueza nacional e, ao mesmo tempo, nem sequer garante serviços adequados de Educação, por exemplo, antes se intromete em tudo por via de licenças, contratos e tiques dirigistas, é um país que não conseguirá quebrar o ciclo do empobrecimento relativo (ou mesmo do empobrecimento absoluto).

É também por isso que aquilo que se sabe do próximo Orçamento é tão mau – basta notar que a partir de rendimentos mensais pouco superiores a 500 euros já se vai sentir a subida dos impostos – quanto é grande, e cega, a pressão para o aprovar. É certo que nada do que se passa é normal (não foi normal ver banqueiros a entrar para a sede do PSD, como não tinha sido normal saber que eles tinham ido a São Bento antes do anúncio do PEC3), mas no meio da aflição convém perceber que a seguir a 2011 há 2012, e 2013, e 2014 e por aí adiante. Neste quadro era positivo que, em vez de se proclamar unicamente a inevitabilidade de um mau (ou péssimo) orçamento, se fizesse um esforço mínimo para, ao menos, tentar melhorá-lo. E nem é difícil: basta olhar para o recente relatório da OCDE e reparar que lá, além de se sugerir o aumento do IVA, também se sugeria uma diminuição da carga fiscal sobre o emprego e a revisão das leis laborais. Para quê? Para tornar mais fácil e mais atractiva a criação de emprego. Não será possível fazê-lo já, tanto mais que o PSD até apresentou uma proposta nesse sentido? Está por provar. Sobretudo está por negociar.

Gostava de, nestas semanas, ter visto mais especialistas a dizer como se podia fazer de outra forma em vez de os ver a proclamar o inevitável, num exercício quase masoquista. Até porque assim também contribuíram para o actual clima de chantagem. E de situacionismo.

Não disse nada até aqui, de propósito, sobre se o PSD deve aprovar o Orçamento. Porque tenho pouco a dizer. Na verdade não devia ter nada a dizer: quem seriamente pode ter opinião antes de conhecer o documento final?

Mesmo assim vou dizer quatro coisas breves. Primeiro, que o PSD tem prestado um serviço à nossa democracia ao recusar-se a assinar de cruz um documento que nem sequer viu, não cedendo às pressões de tantos (não todos) que estiveram calados ou foram coniventes com o regabofe. Segundo, que será um mal maior o país não ter, nesta conjuntura, um Orçamento aprovado pois não é possível realizar eleições legislativas a curto prazo. Terceiro, que o PSD, se chumbar o OE, estará a jogar na roleta russa e, muito possivelmente, a beneficiar o infractor. Por fim que, se não houver qualquer negociação, por mínima que seja, o PSD também não deve sentir-se forçado a viabilizar o OE, bastando que não contribua para o seu chumbo. Há várias formas de o fazer sem deixar de sublinhar uma total oposição política.

Público, 15 Outubro 2010

31 comentários leave one →
  1. José's avatar
    José permalink
    15 Outubro, 2010 23:15

    Mais um bom artigo. Li-o de manhã e fiquei sem vontade de escrever sobre o assunto. Está aí tudo.
    O problema é que este tipo de artigos tem pouca influência. Acho espantoso como as sondagens ( mesmo sendo da Eurosondagem) continuem a dar alto nível de intenções de voto a esta gente que nos desgoverna.

    Gostar

  2. toulixado's avatar
    toulixado permalink
    16 Outubro, 2010 00:12

    Já estás a dar a volta ao texto. Vá lá, este orçamento cai que nem ginjas ao PSD e nem este faria melhor. É tão bom ter os outros a trabalhar por nós, porque não deixá-lo passar?

    Gostar

  3. PMP's avatar
    PMP permalink
    16 Outubro, 2010 00:24

    A verdade é que uma facção significativa do PSD concorda com o aumento de impostos e o corte nos salários no sector público, em ves de uma reforma do estado.
    É por isso que PPC está com tanta oposição interna ao chumbo do orçamento.

    Gostar

  4. Américo Tavares's avatar
    16 Outubro, 2010 00:31

    «O problema português é estrutural: há dez anos que o país não consegue crescer.»

    O problema da humanidade é estrutural. O crescimento não pode continuar indefinidamente, a menos que a taxa de crescimento, embora positiva, tenda para zero, quando o tempo tende para infinito.

    Gostar

  5. anonimo's avatar
    16 Outubro, 2010 00:45

    Governo britânico elimina 192, funde 118 e reestrutura 171 institutos públicos
    Esta reforma, anunciada hoje pelo ministro britânico Francis Maude, reduz as agências governamentais de 901 para 648.
    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=448455

    Em Portugal existem 356 institutos públicos, 639 fundações e 343 empresas públicas em Portugal.

    Gostar

  6. PMP's avatar
    PMP permalink
    16 Outubro, 2010 00:52

    A fraqueza do PSD e de PPC será revelada caso não consigam apresentar propostas de redução do desperdicio na despesa do estado com significado.

    Gostar

  7. João Lisboa's avatar
  8. Confrade's avatar
    Confrade permalink
    16 Outubro, 2010 01:07

    Há a vida do dia-a-dia, a real, a dos que vivem e pagam impostos, as dos que reclamam e não se ouvem. E depois há a dos que dirigem, dirigem governos e empresas (publicas e privadas). É uma outra realidade. Algum dos dirigentes das empresas referidas é responsabilizado? Algum governante é responsabilzado? Não, quanto muito, sai, muda, e volta a ocupar outro qualquer lugar.

    Gostar

  9. GovernoDeCorruptos's avatar
    GovernoDeCorruptos permalink
    16 Outubro, 2010 01:21

    Não Américo Tavares, não é! Isso é pensar a sociedade como um sistema fechado e ela não o é.
    Ideias novas e tudo aquilo em que elas se traduzem são injectadas no sistema sem que dele nada seja retirado. É isso que faz com que aquilo que hoje não é nada (como o petróleo por milhares de anos, por exemplo), de repente passa a ser uma matéria-prima (por exemplo também)e , assim, uma fonte de riqueza.
    A inovação é valor que se acrescenta ao sistema sem nada retirar dele e por isso permite crescimentos positivos que não tendem para zero no tempo (isso foi o erro fundamental do Marx). O que é fundamental é ter uma sociedade não esmagada pelo estado e onde a livre iniciativa possa ir implementado novas ideias, de modo a que as que valerem a pena vinguem e conduzam ao progresso de todo o sistema. Como tem acontecido e é por isso que vivemos melhor do que os nossos avós.
    Bom… com o corrupto… por enquanto! mas isso é uma impossibilidade prática devida à incompetência, corrupção e falta de vergonha na cara do bicharel, não uma impossibilidade teórica.

    Gostar

  10. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    16 Outubro, 2010 01:36


    Estava convencido que se trataria mais seriamente esta questão que é crucial.
    A verdade é que a situação a que nos trouxe este governo de idiotas impõe mais sacrifícios ao Povo, porém a simples presença e gestão ficciosa dos criminosos que compõem o governo não admite qualquer esboço de confiança por parte dos governados.
    O bom senso obriga ao despedimento do actual governo – com castigo – e que outrem tome conta do destino deste pobre Portugal que mais parece estar amaldiçoado.
    Nuno

    Gostar

  11. Marco's avatar
    Marco permalink
    16 Outubro, 2010 01:42

    Agora que as empresas estavam finalmente a retomar a confiança, e por empresas leia-se as que fazem o país andar para a frente e não aquelas que fazem parte da corrupção do costume, e … pimba recebem uma machadada destas.
    Se já antes eu comprava bastantes coisas on-line noutros países europeus, imagine-se agora com o aumento desenfreado de impostos …
    Cortem mas é as cabeças a esses MAMÕES que é um favor que se faz ao país.

    Ah, e quando votarem … pensem um bocadinho …

    Gostar

  12. Por oura's avatar
    Por oura permalink
    16 Outubro, 2010 02:12

    E também eu “estou lixado”.
    Porque, verão, nós não descansamos enquanto o Sócrates não nos amanda a todos de saco às costas, para os brasil e as áfricas, como em tempos se fazia.
    Pois verão que da próxima ainda lá vão votar de novo no homem, maioria.
    E por isto, porque ele, ao menos, não é como os outros, não se fica, não tem medo.

    Gostar

  13. tric's avatar
    tric permalink
    16 Outubro, 2010 02:30

    “Em 2015, avisou esta semana o FMI, Portugal será o país que vai crescer menos e que terá o pior défice orçamental e o pior défice externo da zona euro. A taxa de desemprego será então uma das mais elevadas. Estaremos, de novo, pior do que a Grécia. Entretanto, diz o gabinete de estudos da Universidade Católica, a economia portuguesa deverá voltar a entrar em recessão em 2011, encolhendo 0,7 por cento.”
    http://www.youtube.com/watch?v=j8Zs_WB8-PE

    Gostar

  14. alentejolitoral's avatar
    16 Outubro, 2010 04:16

    O mal deste Pais e que os governos tentam arranjar empregos para os boys(nao trabalho) existem boys que nao fazem nada de concreto alem de consumir o dinheiro dos contribuintes os boys circulam de um lado para o outro nao pela competencia mas sim pelo compadrio assim estamos num caminho sem saida.

    Gostar

  15. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    16 Outubro, 2010 08:02

    Muito bem.
    .
    “O problema português é estrutural: há dez anos que o país não consegue crescer. Sendo directo: estagnámos. ”
    >
    É falso que estagnámos, estamos há muito em RECESSÃO. Como indica um Aumento da Dívida muito maior que o Crescimento, já há mais de 10 anos . Só agora no entanto é que começa a chegar a conta. Porque o crédito camuflou.
    .
    “O que significa que ninguém pode dizer, com seriedade, se as medidas anunciadas chegam ou se em 2011, como em 2010, como em 2009, iremos assistir a uma nova dança de números e a uma sucessão de más notícias.”
    >
    Não sei porque é que há dúvidas. Há mais de 15 mil milhões para cortar – este desastre de Governo tem como receita tal como MFL impostar – Nada que se parece com 15 mil milhões foi anunciado. E como se tal se disse, mais novas contas que não entraram este ano vão entrar nos próximos.

    Gostar

  16. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    16 Outubro, 2010 08:33

    “Acho espantoso como as sondagens ( mesmo sendo da Eurosondagem) continuem a dar alto nível de intenções de voto a esta gente que nos desgoverna.”
    >
    Porque é que acha espantoso? Ainda não se apercebeu que temos um Estado corrompedor? Que se sustenta por ter criado e servir uma clientela?

    Gostar

  17. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    16 Outubro, 2010 09:29

    “E por isto, porque ele, ao menos, não é como os outros, não se fica, não tem medo.”
    .
    Tal como Hitler, por exemplo.

    Gostar

  18. Kruzes Kanhoto's avatar
    16 Outubro, 2010 09:50

    É preferível chumbar o orçamento. È o caos anunciado? Seja. Mas talvez essa fosse a única maneira de todos se convencerem que tem de mudar de vida. E ainda há muito boa gente que não está convencida disso.

    Gostar

  19. José's avatar
    José permalink
    16 Outubro, 2010 10:36

    “Porque é que acha espantoso? Ainda não se apercebeu que temos um Estado corrompedor? Que se sustenta por ter criado e servir uma clientela?”

    Isto não se explica só por esse fenómeno. É mais profundo e perigoso.

    Há umas largas centenas de milhar de votantes que não entendem a essência deste desgoverno. Dou de barato que os apaniguados e clientes directos desta gente vota neles.

    O que não entendo é a razão pela qual a outra parte que é nitidamente prejudicada pelos mesmos, continua a votar neles. Só encontro uma explicação coerente: a linguagem de esquerda que estes inenarráveis continuam a usar para enganar os papalvos.

    A linguagem que apela aos pobres e ao combate às desigualdades e ao mesmo tempo imputa a uma “direita” propósitos maléficos de corte nos subsídios e ajudas a essas pessoas que ainda acreditam no discurso da esquerda, mesmo rotundamente falso e perverso.

    Gostar

  20. José's avatar
    José permalink
    16 Outubro, 2010 10:46

    O Expresso de hoje abre com uma “Nota da direcção” ( o cretino Ricardo Costa, o flutuante Nicolau e o ausente Monteiro, lojista conhecido mas razoável na comunicação mediática). Nela refere que o OE para este ano “é a consequência lógica de anos de políticas errradas”.

    Nunca reparei naqueles próceres do jornal em denunciar devidamente tais “políticas errradas”. Sempre fizeram o jogo político do principal responsável pelas mesmas.
    São mesmo uns cretinos.

    Gostar

  21. Capitão Gancho's avatar
    Capitão Gancho permalink
    16 Outubro, 2010 11:13

    Parafraseando o velho aforismo acerca da política, a economia é demasiado importante para ser entregue apenas aos economistas. Concordo, em absoluto, com a análise que nos apresentou. De facto, a economia portuguesa não consegue crescer. O seu crescimento assentou, entre as década de 50 e 70, no baixo custo de mão-de-obra, e, na década de 80 na construção de infra-estrturas, com larga injecção de capitais externos. Um dos gravíssimos erros de José Sócrates é o de querer prolongar até ao limite o modelo dos anos 80/90. Ora, nem as condições financeiras do estado português são as mesmas (a propósito, qual será a situação actual das reservas de ouro?), nem as condições externas o são. Mas mais importante do que isso é o facto de esse modelo assentar no crescimento exponencial de um mundo grandemente desregulado, a construção civil, que onerou excessivamente os custos e provocou um agravamento dos preços dos produtos agrícolas e industriais portugueses que os tornou incapazes de competir com os mercados emergentes, inicialmente em preço, hoje na relação preço/qualidade. Muitas das jóias da coroa que nos restam são, apenas, revendedoras de produtos importados, concebidos ou não em Portugal (e isso mereceria outro comentário).

    Gostar

  22. Américo Tavares's avatar
    16 Outubro, 2010 11:20

    «A inovação é valor que se acrescenta ao sistema sem nada retirar dele e por isso permite crescimentos positivos que não tendem para zero no tempo (isso foi o erro fundamental do Marx)» — GovernoDeCorruptos

    Gostaria de dizer que a minha opinião poderá conter algum erro de análise, mas não é ideológica. Quanto à inovação sei bem que acrescenta valor ao sistema. A minha questão é a de saber por quanto tempo é que se poderá inovar sem que os problemas solucionados tragam outros ainda de mais difícil resolução. Foi o caso da poluição. Houve desenvolvimento, mas a par de um crescimento dos efeitos poluidores das indústrias clássicas. É que na maioria das vezes não se controlam os efeitos secundários, até por nem sempre serem conhecidos logo de início.

    «Isso é pensar a sociedade como um sistema fechado e ela não o é.»

    Sim, a sociedade não é um sistema totalmente fechado. Considera-la como tal é um modelo simplificado, mas que permite fazer previsões do género da que fiz. Como em qualquer modelo, a realidade que modela é sempre mais complexa. No entanto, se se extraírem as suas características fundamentais continua a servir, pelo menos até um certo ponto. A ideia principal é a da finitude dos recursos naturais terrestres. Mesmo mudando de tecnologia, há como pano de fundo esse dado insofismável. Tomemos o exemplo da água: nas cidades não é de graça, todos o sabemos; e no campo costumava dar direito a inúmeros conflitos entre vizinhos por causa da sua utilização na rega de terrenos agrícolas.

    Gostar

  23. Licas's avatar
    Licas permalink
    16 Outubro, 2010 11:26

    O mais cretino dos so-cretinos, Emídio R., todo se abespinha, no Diário da Manhã, por o P.S.D. ainda não ter dito que deixa passar o OE2011. Argumentos? Invariavelmente, como bem se sabe, os do *Patrão*: se não for aprovado o Armagedão só está a espreita para nos atacar com tal fúria que nos aniquilará nem abrir e fechar de olhos. O *suíno* ainda não se deu conta de que apenas às 23 horas de ontem, o documento chegou às mãos dos Parlamentares para análise. Portanto dever-se-ia passar o tal cheque em branco para que SExa/garotinho desbarate, os impostos e taxas, os mais pesados de sempre, para pagar coisinhas como sejam: comboiozinhos, carrinhos eléctricos, ventoinhas, centraiszinhas de maré e outros tiques de gente bem.

    Gostar

  24. Confrade's avatar
    Confrade permalink
    16 Outubro, 2010 12:05

    Até o orçamento do meu condómino tem mais detalhe do que o apresentado ontem. Andam a brincar connosco. E se querem brincadeira deveríamos, talvez, brincar às revoluções, talvez ao tiro isto se endireite!

    Gostar

  25. GovernoDeCorruptos's avatar
    GovernoDeCorruptos permalink
    16 Outubro, 2010 13:54

    Ora, viva! Américo Tavares.

    «A inovação é valor que se acrescenta ao sistema sem nada retirar dele e por isso permite crescimentos positivos que não tendem para zero no tempo (isso foi o erro fundamental do Marx)» — GovernoDeCorruptos

    Gostaria de dizer que a minha opinião poderá conter algum erro de análise, mas não é ideológica.

    Ainda bem, porque está mais do que visto para onde nos arrasta essa ideologia. De qualquer maneira muitos desses chavões, por serem ideias simplistas infinitamente repetidas, acabam por fazer o mesmo caminho dos “glutões do omo” e até, insconscientemente, acabamos a achar que existem ou nesta caso, podem fazer sentido. Mas não, são vazias e estéreis e é por isso que quem a comunada continua a repetir os mesmos dislates: nada nasceu daquilo e se mudarem a cassete desaparecem.

    Quanto à inovação sei bem que acrescenta valor ao sistema. A minha questão é a de saber por quanto tempo é que se poderá inovar sem que os problemas solucionados tragam outros ainda de mais difícil resolução.

    Trazem sempre novos problemas ainda mais difíceis. É assim mesmo. Na saúde, por exemplo, quanto mais se resolvem os problemas mais básicos, mais graves são os que se têm de enfrentar com o prolongamento que vamos conseguindo da vida. Quando a esperança média de vida era de 35 ou 40 anos (infelizmente não era assim há tanto tempo como se pensa), não havia tantos cancros, não havia Alzheimer, não havia Parkinson. E os poucos que tinham tempo de se manifestar eram em pessoas que, de qualquer maneira, a breve prazo, pelo que se via à volta, haviam de estar mortas. Se calhar por causa duma infecção provocada por um qualquer corte.
    O caminho vai sendo sempre mais difícil, mais complexo, mas isso não quer dizer que não tenhamos mais capacidade de o vencer.

    Foi o caso da poluição. Houve desenvolvimento, mas a par de um crescimento dos efeitos poluidores das indústrias clássicas.

    Não foi, não! Hoje há muito melhor ambiente do que havia no passado. Veja o que eram as descrições dos rios na idade média. E se quiser pensar na qualidade da água, pense só que, mesmo naturalmente, sem lixo, nunca havia a garantia de que beber água não provocasse a morte, por doenças como a cólera. Bastava o azar dum animal morto dentro de água e de se ir beber no sítio errado na altura errada.
    Ainda hoje em dia, ao contrário da propaganda, os países desenvolvidos têm muito melhor qualidade do ambiente do que os subdesenvolvidos. Isto não quer dizer que pontualmente não apareçam problemas mais intensos localmente, porque à medida que a nossa capacidade de intervenção no meio aumenta, aumenta a dificuldade em resolver os problemas que cria, mas que cidade tem melhor ambiente, Nova Iorque ou Nairóbi??? Cuidado com o Rousseau e o bom selvagem, é um mito bonito, mas um mito. Eu também sonho com as ilhas paradisíacas do Pacífico Sul, mas com acesso a tudo o que temos hoje. É que a história da virgem atirada ao vulcão, para a virgem não tem assim tanta piada.

    Imagino que esteja preocupado com o suposto aquecimento global provocado pelo CO2 libertado pelo Homem. Não esteja. É política, má! não é ciência, é uma falsificação da ciência! Pode por exemplo consultar:

    http://www.youtube.com/watch?v=FOLkze-9GcI (há mias três partes às quais facilmente chegará através desta)

    O trabalho de José Pinto Peixoto, Lord Monckton, Marcel Leroux, Steve McIntyre e outros
    fica aqui um elucidativo exemplo anedótico:

    mitos-climaticos.blogspot.com (um excepcional trabalho legado pelo Prof. Rui Moura, que merece a nossa homenagem e saudade)

    O Ecotretas http://ecotretas.blogspot.com/

    e muitos outros que lhe surgirão, quando nisso mergulhar (se é que ainda o não fez e se a minha presunção de que isto o preocuparia está correcta, porque pode já estar informado e então, desculpe lá, esta redundância toda que para aqui vai).

    É que na maioria das vezes não se controlam os efeitos secundários, até por nem sempre serem conhecidos logo de início.

    Nunca se controlam e tudo tem sempre efeitos secundários. As plantas microscópicas marinhas, há 3800 milhões de anos (mais ou menos, acho eu) começaram a libertar (excretar seria muito apropriado) um gás perigosíssimo, inflamável, explosivo, que mudou radicalmente a atmosfera terrestre e se chama oxigénio.
    Nunca se controla, precisamente porque não se pode prever tudo, mas a verdade é que o progresso existe, é fácil ver donde ele veio, que as ideias de liberdade estão na sua gènese desde a antiguidade, que é nas sociedades mais livres em que ele mais se gera e ninguém quereria voltar ao tempo das cavernas (embora como possa ver pelos gráficos do Bob Carter isso possa não depender da nossa vontade – não dependa de certeza se não continuarmos a progredir cientifica e tecnologicamente).

    «Isso é pensar a sociedade como um sistema fechado e ela não o é.»

    Sim, a sociedade não é um sistema totalmente fechado. Considera-la como tal é um modelo simplificado,

    mas aqui altera significativamente a natureza do sistema a estudar e leva a conclusões que não se lhe aplicam quando se olha para todo o tempo da sua evolução

    mas que permite fazer previsões do género da que fiz.

    Com o problema já referido.

    Como em qualquer modelo, a realidade que modela é sempre mais complexa. No entanto, se se extraírem as suas características fundamentais continua a servir, pelo menos até um certo ponto.

    idem.

    A ideia principal é a da finitude dos recursos naturais terrestres. Mesmo mudando de tecnologia, há como pano de fundo esse dado insofismável.

    Não porque o que é um recurso depende da tecnologia, depende da inovação. O petróleo durante milhares de anos era só uma coisa peçonhenta e pestilenta, que por isso nem servia para iluminar em candeias. Milhares de anos depois, devido a uma imensa séria de inovaç~pes que surgiram noutros lados do mundo, tornou-se um recurso e uma fonte de riqueza (ou não, porque vários desses países não a aproveitaram e continuam miseráveis e hoje em dia na Venezuela, até há cortes de energia e aproxima-se o racionamento alimentar – e isto só para não dar sempre o exemplo do médio oriente, com as honrosas excepções do Emiratos àrabes Unidos).

    Tomemos o exemplo da água: nas cidades não é de graça, todos o sabemos; e no campo costumava dar direito a inúmeros conflitos entre vizinhos por causa da sua utilização na rega de terrenos agrícolas.

    Dava origem a conflitos porque também não era de graça (nunca nada é), era na melhor das hipóteses paga com trabalho de a ir buscar, seleccionar, encaminhar, precisamente aquilo que nas cidades pagamos para que nos façam.
    Penso que por detrás de tudo isso continua a ideia da expulsão do paraíso (o bom selvagem é a mesma coisa recontada mais tarde), mas isso, sendo uma ambição para o futuro, um ideal provavelmente inatangível mas cuja busca vale a pena como se vê, nunca existiu no passado. Esse equilíbrio perfeito nunca existe, basta ver que a Terra é assolada ciclicamente por catástofres naturais que produzem extinções em massa (embate de meteoritos, supervulcões, alterações climáticas devidas às variações dos parâmetros orbitais da Terra e da actividade do nosso Sol e tudo o mais que ainda andamos a descobrir), mas que têm tido como consequência sua, portanto natural, que a vida existente neste planeta, tenha vindo a aumentar o grau de consciência do que é o mundo e a sua capacidade de intervenção nele.
    Não estamos à parte da natureza, não lhe estamos acima nem abaixo, a nossa forma de sermos é uma parte dela. A consciência mostra-nos minúsculos, num universo incomensurável, isso faz-nos inseguros, incapazes de predizer o futuro, mas isso não nos impede de olhar para trás e para a frente e de perceber para onde é o caminho. É essa a nossa natureza (ou não?!) e não se pode ser mais natural do que a própria natureza.

    Grande abraço

    Gostar

  26. Bulimunda's avatar
    Bulimunda permalink
    16 Outubro, 2010 14:11

    Pois..mas a verdade é que nós somos +predadores..e insaciáveis..ver a história da ilha da Páscoa…o bom selvagem +e treta..talvez..mas o mau selvagem aquele que tudo faz em nome do progresso é tão idiota como o bom selvagem…
    A tragédia é a cristalização da massa humana, tão perigosa como a estagnação do espírito do homem que se torna académico ou fenece por falta de entusiasmo. Gostava de saber quantas pessoas pensam em macacos durante o correr de um dia? Quantas? O homem-massa, num futuro próximo – em relações antropológicas o próximo leva geralmente centenas de anos – transformar-se-á num novo espectáculo de jardim zoológico. Em vez de jaula e aldeias de símios, ele terá balneários públicos e campos para habilidades desportivas, com ocasionais jogos nocturnos. Dará palmas em delírio ouvindo ainda o som distante da sineta tocada pelo elefante num acto máximo de inteligência paquidérmica. Terá circuitos fechados, com pistas perfeitamente cimentadas, para passear o tédio da família aos domingos, circulará repetidamente em metropolitanos convencido de que cada nova paragem é diferente da anterior. E estou absolutamente crente que do naufrágio calamitoso apenas se hão-de salvar os que pela porta do cavalo fugirem ao triturar das grandes colectividades humanas, ou os que por força invencível e instintiva se libertarem para uma nova categoria de homem, ou, melhor dizendo, para a sua verdadeira categoria de homem, de homem-pensamento, na linha directa de um Platão, de um Homero, de um Aristófanes, de um Plutarco. A humanidade dá-nos, assim, um triste espectáculo de andar para trás, melhora em lepra social, colectiviza-se e baixa logo na escala humana, retrocedendo para uma classe entre os antropopitecos e o erectus, a que chamarei Màchomem. E todos os dias o mundo assiste ao melancólico desfile de milhares de seres que passam a Màchomens, na satisfação plena da sua jaula colectiva sem grades. E como os macacos, os elefantes, os cães e mais bicharia, os Màchomens passam imediatamente a falar a sua língua universal, sem necessidade de tradução, estendendo actividades físicas e associativas desde a Polinésia ao sul de Itália, trocando saudações, mensagens, hinos, desfiles, comícios, e tantas outras indigestões apaixonadas dos grupos de seres que deixaram de ter fronteiras e vocábulos regionais. O cão que ladra nas margens do Danúbio assemelha-se aos poderosos Serra da Estrela, sem distinção de maior que nos faça ter preferências por qualquer um destes ladrares. O Màchomem da Amadora em muito pouco se virá a distinguir do Màchomem de Detroit, Chicago, Manchester, Dusseldorf.

    Ruben A., in “O Mundo À Minha Procura I”

    Gostar

  27. Américo Tavares's avatar
    16 Outubro, 2010 14:45

    Obrigado pela sua resposta, GovernoDeCorruptos!

    Parece-me que as diferenças entre nós quanto a este assunto se relacionam com a ênfase que é posta num ou noutro aspecto particular, o que a prazo pode levar a efeitos divergentes. De uma maneira geral a sua posição enquadra-se num período histórico mais longo do que estava subentendido nas minhas palavras, na esperança de poder desenvolver sempre tecnologia para aproveitar novos recursos, sem custos desmesurados e que resolva mais problemas dos que os que cria, posição comprovada pelo progresso que para si é evidente e a sua causa, igualmente evidente: a liberdade. Eu não nego os seus argumentos, mas relativizo-os, numa forma mais pessimista, por me parecer que os tais efeitos indesejáveis nos deixam a pensar qual é o resultado líquido a prazo das diferentes acções. Sobre as alterações climáticas tenho lido opiniões muito veementes contra a corrente maioritária que é acusada de ter aspectos anti-científicos e ser deliberadamente manipuladora.

    Gostar

  28. JCA's avatar
    JCA permalink
    16 Outubro, 2010 15:47

    Américo Tavares levantou uma questão interessante.
    .
    exemplo teórico sobre o palneta com numeros simples para não atrapalhar as contas com miliões, biliões e triliões:
    .
    se há 1000 notas de papel moeda moeda para um total de 200 habitantes entre eles 120 pobres num total teorico de 20 paises que seriam o planeta ? Como reduzimos a Pobreza ? Transferimos notas papel moeda dos 80 que não pobres para os 120 pobres ? Inventamos notas papel moeda através da criação de dinheiro virtual (donas brancas) pelo sistema bancário ? Ou pura e simplesmente deeixamos estar 0s 80 que não pobres como estão e imprimimos novas notas papel moeda para dar directamente aos 120 não pobres ? Pressupõe nisto tudo que o valor de cada nota papel moeda vale escravizada pedregulhos de ouro ou vale qualidade de vida humana ?
    .
    Bo mas isto é um aparte global. O que temos que nos preocupar é com o TEMPO de hoje em Portugal para descobrirmos os modelos certos e eficazes para os Cidadão, Familias e Empresas deixarem de empobrecer mais e começarem a enriquecer. A demagogia dos ‘apocalipses’ e dos ‘depois de nós o diluvio’ é ‘chico-espertismo’ rasca, treta de irresponsaveis imaturos. Nem sequer há urgencias urgentissimas, se quiserem eu explico porquê.
    .

    .

    Gostar

  29. GovernoDeCorruptos's avatar
    GovernoDeCorruptos permalink
    16 Outubro, 2010 17:13

    Obrigado eu, Américo Tavares. Uma boa discussão é um prazer imenso.
    “Parece-me que as diferenças entre nós quanto a este assunto se relacionam com a ênfase que é posta num ou noutro aspecto particular, o que a prazo pode levar a efeitos divergentes. ”
    Completamente de acordo.
    “Eu não nego os seus argumentos, mas relativizo-os, numa forma mais pessimista, por me parecer que os tais efeitos indesejáveis nos deixam a pensar qual é o resultado líquido a prazo das diferentes acções. ” Não nego que haja retrocessos, esteve aí a baixa idade média para o provar à evidência (e longa que foi) e o desastre total é sempre uma possibilidade a qualquer instante (mesmo que possa não ser à custa do melhor trabalho de muitas gerações, uma inevitabilidade futura – e hoje só se pode acreditar nisso ou no contrário, mas é sempre acreditar), mas como esse desastre total é o que nos espera se nada fizermos (lá virá o pedra caída dos céus partir-nos o chapéu – não rima mas assim o comentário serve para a Buliminda também – ou o vulcão, ou, ou, ou…) o caminho é continuar e promover a liberdade que dá a oportunidade do melhor que vamos fazendo poder prevalecer (em vez do mesquinho pré-estabelecido por um qualquer diatador individual ou grupóide).
    Abrir caminhos, navegar no desconhecido sabendo apenas que ser quer chegar e indo descobrir, a cada instante, como chegar, foi o que os portugueses fizeram de melhor, aumentando o que tinham feito os romanos, unificando o mundo (agora diz-se globalizando) e lançando as bases em que pôde nascer a moderna ciência experimental (“um saber de experiência feito” ou os saberes antigos – clássicos – que o outro soube estar errados por ter visto diferente, em vez de imaginado). Agora novos e mais difíceis caminhos se abrem, será isso razão para se parar e negar o caminho??? Os caminhos do mar foram muito mais exigentes do que as estradas romanas, os caminhos do espaço são muito mais exigentes do que os caminhos do mar. Vamos parar por isso??? É isso seuqer uma hipótese??? Fomoso feitos de parar???

    (Dê, sff, uma olhadela pelo menos aos gráficos do Bob Carter, logo ao início e ao video do Lord Monckton; acho qyue vai gostar)

    Grande abraço

    Bulimunda,

    Claro que somos predadores. É essa a nossa natureza e por isso mesmo não nos devemos envergonhar dela, como certamente não estamos à espera de que se envergonhe um tubarão branco de ser o que é, predador também e jeitosinho diga-se de passagem, ou um Tyranossauros Rex (há uma possibilidade destes terem sido necrófagos). Os predadores desempenham um papel importante, como todos os outros, no ciclo da vida e o nosso é relevante, não deixando de ser, tal como todas as outras, uma espécie de passagem, entre as que nos antecederam e as que nos sucederão. É assim.

    A história da ilha da Páscoa e uma construcção nossa. Como sabe nunca ninguém decifrou o rongorongo e imaginámos o melhor possível uma história que se ajuste ao que se conhece (que necessariamente que reflecte os nossos preconceitos, ou dos que de nós a escreveram). Mas mesmo que ela seja absolutamente verdadeira o que ela mostra à evidência é que o sistema incorpora uma auto-regulação que limita, localiza, o desastre. à medida que os nossos conhecimentos avançarem, a escala será maior, mas ainda limitada e de qualquer maneira, se nada se fizer, como os dinossáurios nada fizeram, o desastre virá, inevitavelmente, um dia de certeza e de fora. Não é desculpa para parar, mas razão para se procurar fazer sempre o melhor. Isso não acontece sem erros e quando os erros de agora se trransformam em vantagens competitivas de depois chama-se-lhes evolução, seja no aparecimento de pernas ou nas descobertas científicas e tecnológicas.

    Quanto a Ruben A. aquilo é poesia, a sua poesia e a poesia de cada um serve, entre outras coisas, para cada um lidar com os seus fantasmas. Eu confesso um problema com os intelectuais portugueses cujo limite do conhecimento científico é atingido e com orgulho assumido, na tabuada dos nove. Para a compreensão dum mundo como o dos últimos 200 anos é muito pouco. São muitas palavras ocas, onde tudo vale, sem necessidade de qualquer verificação e isso é uma das causas principais de onde hoje se chegou, haver um corrupto a quem tudo é permitido hoje dizendo algo e tudo é permitido amanhã dizendo o seu contrário.

    Ao Ruben A. atrevo-me a contrapor a leitura de “As novas tecnologias, o futuro dos impérios e os quatro cavaleiros do apocalipse”, do Prof. Carvalho Rodrigues. E também é poético.
    (De Platão convém não esquecer como é inspiração e suporte de tanta teoria ditatorial pelo mundo).

    Grande abraço também

    Gostar

  30. anonimo's avatar
    17 Outubro, 2010 01:30

    “As nossas ideias andam em todas as cabeças…”
    Ocorreu-me este velho slogan da Internacional Situacionista quando li este artigo de José Reis no ‘Público’. Mas estas ideias não andam em todas as cabeças: só nas dos norte-americanos, dos sul-americanos, dos asiáticos, dos africanos, dos australianos, de parte da opinião pública europeia e dos economistas independentes europeus.

    Não chegaram ainda às cabeças dos nossos economistas mediáticos nem dos nossos responsáveis políticos e económicos.

    Nem vão chegar, porque vão contra o que aparenta ser o0 seu projecto de reconstruir a Europa segundo o modelo chinês.
    http://legoergosum.blogspot.com/

    Gostar

  31. Licas's avatar
    Licas permalink
    17 Outubro, 2010 17:56

    ____estes pseudo pensadore/cientistas/sociólogos . . .
    É CADA ASNEIRA!!!

    Gostar

Indigne-se aqui.