A economia não mente; mas alguns políticos…*
Um dos últimos ensaios de Guy Sorman (um mediático jornalista e economista francês), intitula-se “A Economia não mente”. O Autor insiste recorrentemente, nesse ensaio e em várias obras anteriores de reflexão política, na ideia de que existe uma iliteracia generalizada em matéria económica, pelo que é fácil aos políticos usarem e abusarem, a seu bel-prazer, da invocação de números, de estatísticas e de estudos. Na base de tal iliteracia – que, ao fim e ao cabo, facilita o discurso político – estará, segundo Sorman, um generalizado desconforto que a população sente com a matemática. Note-se que Sorman refere-se à população francesa e não à realidade portuguesa que, seguramente, será ainda mais ostensiva nesse desconhecimento da matemática e naquela iliteracia económica.
Ora, nas últimas semanas, o debate político sobre o Orçamento para 2011 e a subjacente crise das finanças públicas nacionais, deu razão ao referido Autor francês. Mais ainda: notou-se, entre nós, uma forte tendência para a irreflexão e falta de sentido crítico (nomeadamente, por parte dos órgãos de comunicação social) e para uma grande tendência autista, pelo menos, da parte de alguns políticos e governantes.
Recapitulando o que se foi divulgando insistentemente: o país está à beira da bancarrota (é um facto); a culpa será exclusivamente da crise internacional (é uma mentira, bastando, para a perceber, observar a evolução dos países que nos são próximos); foram os “especuladores” financeiros internacionais que agravaram a nossa situação e fizeram com que os juros da dívida pública portugueses subissem vertiginosamente (outra relativa mentira, confundindo-se os sintomas com a doença); o Orçamento teria que passar porque sem ele a situação das finanças, na perspectiva dos tais especuladores e mercados internacionais, agravar-se-ia ainda mais (outra suposta verdade, apresentada como uma inevitabilidade e que ninguém se preocupou em analisar serenamente; bastaria recordarmo-nos do que sucedeu com o “rating” da dívida pública, poucos dias após o anúncio do PEC 2!). Assim sendo, tudo baralhado e confundido, o PSD teria a exclusiva responsabilidade de aprovar um Orçamento que ainda ninguém conhecia, sendo que o Governo, coitado, estaria alheio a tudo isso e nas mãos da “irresponsável” oposição!
Acho que não foi preciso Passos Coelho ter tomado a posição que tomou (de convite à negociação com o Governo), apresentando, como se exige a quem está na oposição, as suas condições para a viabilizar o Orçamento. Acho que as pessoas mais irreflectidas acordaram, quando ouviram o Primeiro-Ministro dizer, na apresentação da proposta do seu Orçamento, que este favorecia o emprego e o Estado social! Das duas uma, ou teve um acesso infeliz de humor (pretendendo animar os portugueses, fazendo-os rir) ou, de facto, a sua iliteracia económica é ainda maior do que a da generalidade da população!
* A Economia não mente; mas alguns políticos sim!, GRANDE PORTO, ed. 22.10.2010.

Se Sócrates não fosse iliterato económico-financeiro e tivesse tido aprovação na cadeira de matemática do seu curso de engenheiro relativo , assim , certamente , não estariamos
na desgraça que nos trouxe …
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-em matéria de economia, a verdade é relativa!… como dizia Pirandello, “cada um tem a sua verdade!” e não estou a defender as invocadas “boas intenções” do 1ºM… de boas intenções está cheio o inferno!…
-mas a realidade é complexa e não se compadece com prismas ideológicos ou modelos ou teorias económicas. a prova está no que está a acontecer, por exemplo, na Irlanda… o Guy Sorman escreveu este livro antes de ver ao que está reduzido o tigre celta, que está a perder o pelo, as unhas e os dentes!…
-mesmo aqueles que “sabem” como funciona a economia e os mercados ficaram surpreendidos… alguém previu a derrocada de grandes mastodontes da finança americanos com a crise dos subprimes? e ainda não acabou, a onda sísmica continua a sua progressão!…
-parece que esta gente já se esqueceu de onde vem a “desconfiança” dos credores dos estados, um grande Estado, como os states, só se aguenta porque continua a imprimir papel-moeda… até quando… o que está a acontecer na Irlanda tem na origem um mecanismo idêntico: os subprimes e, a Irlanda, nem um sistema fiscal tem, para poder fazer um reparação urgente… as poucas empresas estrangeiras que ainda lá estão já tinham dado o fora se tivessem de pagar mais uns tostões… tudo esperar dos mercados em termos de economia, nem sempre resolve os problemas, assim como as medidas mais descabeladamente austeras contra os cidadãos, que já começaram uma emigração massiva, é o que se está a assistir na Irlanda de que os blasfemos evitam falar… e, sabe-se porquê, está cada vez mais patente!…
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A ideia que o conhecimento da economia melhora as possibilidades de escolhas eleitorais é um mito.
Basta atentar que Francisco Louçã é economista e o o PCP tem vários economistas como o Octávio Teixeira, para falar num moderado.
As questões são sempre ideológicas e a ideologia que paira na sociedade portuguesa é de Esquerda.
Acho isso tão estranho como pensar que alguns dias antes do 25.4.74 havia milhares de pessoas a aclamarem Marcelo Caetano no estádio 1º de Maio e um mês depois no mesmo sítio havia , se calhar os mesmos milhares a aclamar os dois próceres da esquerda de então- Soares e Cunhal.
O problema com a iliteracia ( a própria palavra é sintoma disso) dos portugueses é mais profundo do que parece e só uma desmontagem dos paradoxos e falsidades da esquerda comunista conseguirá levar a algum sítio decente.
Os países de leste quase proibiram os partidos comunistas ( alguns proibiram mesmo). Por cá não é preciso tanto mas é mais difícil a tarefa: desmontar a falsidade ideológica do comunismo e do socialismo democrático mas de esquerda porque sim, é tarefa quase impossível porque todos os media estão inundados de pessoas de esquerda. Todos.
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O jornal Público com a direcção desta inenarrável Bárbara Reis virou um jornal totalmente jacobino.
Incrível como esta gente prospera nos media.
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Só entendo o fenómeno do 25 de Abril e a simpatia que o comunismo suscitou em muitos milhares de trabalhadores, com o facto de os media de então, já antes do 25 de Abril estarem todos eufeudados ideologicamente à esquerda.
Depois do 25 de Abril foi apenas o destapar da panela onde se cozinhavam já os ingredientes da Constituição de 76 e que o Vital Moreira e comunistas conseguiram erigir como modelo de orientação para um Portugal a caminho de uma sociedade sem classes.
Os que então acreditaram nisso, e foram milhares incluindo várias elites de intelectuais, não deixaram de acreditar nos fundamentos básicos do Mostrengo.
È por isso que o PS consegue maiorias absolutas e retém sempre a possibilidade de um milhão e meio de votos. É a caução de Esquerda que lhe garante tais resultados e é por isso que andamos a penar há décadas.
Emquanto os media e as tv´s não mudarem de orientação ideológica não conseguiremos melhor que isso.
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O PSD do Cavaco no fim do mandato era quase igual ao actual PS, porque muitos desses cavaquistas estão indirectamente encostados ao Estado, e concordam com o aumento de impostos em vez do corte no desperdicio do estado.
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Não é alguns politicos, são praticamente todos os que não dizem tudo
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josé ou a arte de puxar a brasa à sua sardinha:
Os países de leste quase proibiram os partidos comunistas ( alguns proibiram mesmo). Por cá não é preciso tanto mas é mais difícil a tarefa: desmontar a falsidade ideológica do comunismo e do socialismo democrático mas de esquerda porque sim, é tarefa quase impossível porque todos os media estão inundados de pessoas de esquerda. Todos.
– o que quer? que se tornem, por magia, em defensores dos valores e políticas dos seus ídolos – “socialistas” como já aqui defendeu a tese – Salazar e Caetano? concordo que muitos deles são vagamente de esquerda porque sim, do mesmo modo que muitos dos portugueses que aclamaram Caetano, tenham aclamado os militares no 25 de Abril… ou que alguns dos nossos opinadores encartados tenham passado pela esquerda radical, antes de integrarem partidos mais à direita… entre a iliteracia dos tugas ou o oportunismo das cabecinhas pensadoras, vá o diabo e escolha!…
– e os países de leste só cortam com as suas ligações históricas à ideologia hoje em descrédito, mas lá ficaram os mesmos e com muito maiores benefícios, porque agora nem precisam de esconder ou ter má consciência quanto ao que podem meter ao bolso de forma oficial ou oficiosa… antes, os mais desprotegidos ainda podiam esperar alguma clemência, hoje, caem como moscas nos cantos ligeiramente menos iluminados…
-também a Alemanha passou por uma etapa de denazificação, imposta pelos aliados, diga-se, e ainda hoje são proibidos os sinais ostensivos da ideologia, mas, nas estruturas mais profundas do estado, lá ficaram os mesmos que serviram durante o regime nazi e até que ponto foram absorvidos pela democracia? não terá sido assim também depois do 25 de abril em Portugal? talvez que as nostalgias e os nostálgicos do regime anterior, sejam o reflexo disso mesmo!… não?
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recomponho o meu comentário anterior, porque saíu tudo em itático e tornou-se confuso. gostava mais das caixas de comentários do modelo anterior…
josé ou a arte de puxar a brasa à sua sardinha:
“Os países de leste quase proibiram os partidos comunistas ( alguns proibiram mesmo). Por cá não é preciso tanto mas é mais difícil a tarefa: desmontar a falsidade ideológica do comunismo e do socialismo democrático mas de esquerda porque sim, é tarefa quase impossível porque todos os media estão inundados de pessoas de esquerda. Todos.”
– o que quer? que se tornem, por magia, em defensores dos valores e políticas dos seus ídolos – “socialistas” como já aqui defendeu a tese – Salazar e Caetano? concordo que muitos deles são vagamente de esquerda porque sim, do mesmo modo que muitos dos portugueses que aclamaram Caetano, tenham aclamado os militares no 25 de Abril pouco tempo depois… ou que alguns dos nossos opinadores encartados tenham passado pela esquerda mais radical, antes de integrarem partidos mais à direita… entre a iliteracia dos tugas ou o oportunismo das cabecinhas pensadoras, vá o diabo e escolha!…
– e os países de leste só cortam com as suas ligações históricas à ideologia hoje em descrédito, mas lá ficaram os mesmos e com muito maiores benefícios, porque agora nem precisam de esconder ou ter má consciência quanto ao que podem meter ao bolso de forma oficial ou oficiosa… antes, os mais desprotegidos ainda podiam esperar alguma clemência, hoje, caem como moscas nos cantos ligeiramente menos iluminados… a ambição e a ganância, sem controlo, conduzem as ideologias e os mercados!…
-também a Alemanha passou por uma etapa de denazificação, imposta pelos aliados, diga-se, e ainda hoje são proibidos os sinais ostensivos da ideologia mas, nas estruturas mais profundas do estado, lá ficaram os mesmos que serviram durante o regime nazi e até que ponto foram absorvidos pela democracia? não terá sido assim também depois do 25 de abril em Portugal? talvez que as nostalgias e os nostálgicos do regime anterior, sejam o reflexo disso mesmo!… não?
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recomendo a leitura do livro de Alfred Wahl “La seconde histoire du nazisme” de 2006, a propósito de como se mantêm nas estruturas dos estados os antigos servidores dos regimes em descrédito, sem saber se foi traduzido em português.
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A economia dos economistas profissionais não consegue dar respostas aos problemas económicos actuais, pelo que os politicos não têm um quadro “teórico” a que possam recorrer , e por isso andam constantemente ao sabor das modas do momento.
Veja-se a patética discussão dentro do PSD sobre o orçamento antes dele ser conhecido.
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É a Matemática mas em França é mais do que isso. Veja-se Fréderic Bastiat é um desconhecido em França.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frédéric_Bastiat
Escreveu isto:
“Isto deve ser dito: há no mundo excesso de grandes homens. Há legisladores demais,
organizadores, fundadores de sociedades, condutores de povos, pais de nações, etc. Gente
demais se coloca acima da humanidade para regê-la, gente demais para se ocupar dela.”
-Frédéric Bastiat, A Lei, 1848.
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e-ko:
O problema quanto a mim é de equilíbrio. A Esquerda é dominante, ideologicamente, com alguns próceres que são autênticos jacobinos. É o caso actual do Público da Bárbara Reis.
Se houvesse um pouco mais de equilíbrio e o conservadorismo dito de direita ( que não é nada porque não há actualmente nada a conservar mas sim a revolucionar) fosse um pouco mais representativo, como já foi no passado, as coisas estavam melhores porque certas medidas governativas não tinham avançado.
O que impede a revisão da Constituição, actualmente? A Esquerda que fez desse compêndio a sua garantia de existência. E uma Esquerda que se estende da extrema até ao PS jacobino e anticlerical.
São essas as forças reaccionárias actualmente, porque há valores antigos que foram abandonados e substituidos por essa Esquerda que precisam de se reimplantar no povo que sempre os acolheu.
Um deles é a tradição dos antepassados e o valor da palavra de honra.
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Direito de Resposta
Pendente há já 2 dias !…
“ Blasfémias – A B C do cavaquismo –“Essa agora” –Posted 29 Outubro , 2010 at 10:00 “
Onde está a mentira ? Onde está a ”má-fé” ? Factos são factos … “História” ou “passado” ?
Isto se resume ao FMI ser o próximo “administrador de insolvência” do Reino do Cavaquistão .
Pelos vistos , com o devido respeito por todos , se constata a (falta de …) “vergonha” do Sr.
“Essa agora” em reconhecer a verdade nua e crua …o que apenas se justifica com a sua
presumivel obesidade (pior do que “idiotia”) senão cegueira mental a que alude o Prof.
Andrew Aitek . Para estes tristes pseudo democratas só os outros devem emendar-se …
Assim , ainda mais desiludido …
Rimando , Albino Forjaz de Sampaio(p.p.p.) lhe diria
se de algum lado o conheceria …
Na Internet
“Pai queria que ele fosse contabilista – Actualidade – Correio da Manhã” (sem “)
Wikipedia –Anibal Cavavo Silva
http://aeiou.expresso.pt/os-cinco-cavacos=f611450
http://serprof.blogspot.com/2005/12/sr-professor-silva-e-as-faltas.html
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