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por que não funciona o estado social: corrigir as «deficiências» do mercado

24 Outubro, 2010
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Aí há uns bons catorze, quinze anos, um qualquer inteligente ministro ou secretário de estado socialista, daqueles que tanto podiam estar num governo do PS como do PSD, legislou, dotado do seu ius imperii, a proibição de abertura dos supermercados das chamadas «grandes superfícies» aos domingos. Mais tarde, a medida foi revista e esses estabelecimentos comerciais passaram a poder abrir aos domingos de manhã, mantendo-se, contudo, a proibição de abertura na parte da tarde.

 

A ideia era evidente e compunha as finalidades do estado social português. Primeiro, proteger o pequeno comércio, impedindo a falência das lojas, que beneficiariam da possibilidade de abrir ao domingo, quando muitas famílias têm possibilidade de ir às compras. Chama-se a isto, em socialês, «corrigir as deficiências do mercado». Depois, impedir que o patronato explorador das grandes superfícies obrigasse os pobres trabalhadores a fazerem horas extra aos domingos, quando eles devem poder beneficiar do seu descanso semanal e, obviamente, ir às compras ao pequeno comércio…

 

Ao fim deste tempo todo, a medida foi revogada e estes supermercados vão voltar a poder abrir durante o domingo. Ela deu de nós uma imagem de terceiro-mundismo, e não salvou uma loja ou um posto de trabalho, tendo certamente feito perder muitos. Da medida agora anunciada resultará a criação de 8000 postos de trabalho e um impacto de 2,5 mil milhões de euros na economia nacional até 2017. É por esta e por muitas outras iguais a esta que estamos como estamos.

70 comentários leave one →
  1. PMP's avatar
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    24 Outubro, 2010 14:42

    Para a economia nacional crescer o que é necessário é exportar mais ou diminuir as importações, o que nada tem a ver com o grande ou pequeno comércio.

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  2. SM's avatar
    24 Outubro, 2010 14:52

    A história dos 8.000 postos de trabalho será verificada e comprovada daqui a uns anos? É que voolta e meia atiram números de postos de trabalho mas os casos que conheço ficam muito longe do anunciado.

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  3. Francisco's avatar
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    24 Outubro, 2010 15:05

    .
    Ainda não foi desta.
    Se não acabarem com o Estado Social este gatinho morre!

    Se o PSD não aprovar o orçamento este gatinho morre

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  4. Essa agora's avatar
    24 Outubro, 2010 15:26

    O pequeno comércio, pelos vistos, não quis ser salvo: continuou pertinazmente a fechar ao domingo.
    Estes “socialistas” de meia-tigela são mesmo o fim da macacada…

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  5. anti-comuna's avatar
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    24 Outubro, 2010 15:55

    Oficialmente o governo tem vindo a dizer que fez uma reforma da Segurança Social muito boa e sustentável. O ministro andou pela China a vender esse peixe aos chineses. Comerão eles o peixe como comem os portugueses?

    Mas hoje leio isto e só me dá vontade de rir:

    “As reformas dos portugueses podem estar em risco já em 2035. De acordo com uma projecção inscrita na proposta do Orçamento do Estado para 2011, citada pelo «Correio da Manhã» (CM), as receitas da Segurança Social deixarão de cobrir as despesas, já daqui a 25 anos. As contribuições dos trabalhadores podem, assim, deixar de ser suficientes para pagar as pensões dos portugueses.”

    In http://www.agenciafinanceira.iol.pt/geral/idosos-reformas-pensoes-seguranca-social-tvi24/1202075-5238.html

    Ou seja, ou a tal reforma foi mal feita ou isto é mais engodo para surripiar mais dinheiro aos pobre trabalhadores portugueses.

    Depois da enorme roubalheira efectuada aos portugueses mais jovens que traablham, parece que mesmo assim a dita Seg. Social não conseguirá gerar ainda as tais receitas para cobrir a reformas dos trabalhadores actuais.

    Este gente a gozar connosco e safa-se. Essa é que Eça. diria o famoso Eça o Pessa.

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  6. PMP's avatar
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    24 Outubro, 2010 16:10

    É ridiculo e tonto fazer projecções para daqui a 25 anos, como se nada pudesse mudar até lá.
    Basta limitar as pensões TODAS a um tecto máximo de por exemplo 3000 euros por mês que o sistema já dura mais umas décadas com as regras actuais.

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  7. e-ko's avatar
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    24 Outubro, 2010 16:18

    essa dos hipermercados abertos ao domingo, é como o iva do leite achocolatado… não foi por causa do cesto básico das famílias, mas para compor a carteira dos empresários do sector… é o mercado a funcionar, com a mão invisível, no seu melhor!…

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  8. anti-comuna's avatar
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    24 Outubro, 2010 16:22

    “É ridiculo e tonto fazer projecções para daqui a 25 anos, como se nada pudesse mudar até lá.”

    Eu não sei se é ridículo ou tonto. Sei é que este sistema está sempre a ser reformado para passados poucos anos, continuar sob o espectro da falência. Alguém terá que explicar isto aos trabalhadores.

    O que é mesmo ridículo é distribuir as poupanças e pensar que se poderá gerar rendimentos futuros que paguem a poupança já gasta. Qualquer pessoa de mínimo bom senso entende que só se pode distribuir aquilo que foi poupado. Mas quando se confunde poupança com consumo presente, como fazem muitos, tudo é possível.

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  9. FNV's avatar
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    24 Outubro, 2010 16:26

    Quem terá sido?

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  10. FNV's avatar
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    24 Outubro, 2010 16:29

    O Faria de Oliveira era o ministro do Comércio e Turismo, isso sei.

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  11. PMP's avatar
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    24 Outubro, 2010 16:29

    Todos os sistemas politico-económicos numa democracia têm de ser reformulados continuamente, pois por definição o futuro é indeterminado e nenhum sistema é perfeito.
    O sistema de reformas públicas não impede que cada cidadão poupe e possa completar a sua pensão.
    Se a reforma for calculada com base nas contribuições de cada um, com um valor minimo e máximo, é mais ou menos indiferente se o pagamento vem de uma “poupança” colectiva anterior ou do PIB actual, já que as pensões são gastas na economia.

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  12. jose F's avatar
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    24 Outubro, 2010 16:46

    e eu que considero este blogue como serio e informado. Este post nao merecia estar neste blogue!!!!

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  13. anti-comuna's avatar
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    24 Outubro, 2010 16:47

    “Se a reforma for calculada com base nas contribuições de cada um, com um valor minimo e máximo, é mais ou menos indiferente se o pagamento vem de uma “poupança” colectiva anterior ou do PIB actual, já que as pensões são gastas na economia.”

    Pois. Foi mesmo essa ilusão que agora se está a ver que é apenas uma ilusão monetária. Lá está. Quando se confunde muitas teorias e se quece o bêabá que se aprende no dia-a-dia, dá nisto.

    Mas se me explicar como consegue fazer isso, pode ser que Vc. e eu revolucionemos o mundo. hehehheheheheh

    “O sistema de reformas públicas não impede que cada cidadão poupe e possa completar a sua pensão”

    Muito pelo contrário. O Estado agora procura precisamente que se gere essa poupança para a tributar/rouvbar/parasitar ainda mais. ahahhahahhahahahah

    Mas, como Vc, disse mais à frente, como o consegue se o sistema está criado para um expansionimo permanente? Via incentivo ao consumo e ao recurso ao crédito?

    Ou seja, Vc, consegue contradizer-se no mesmo texto de um modo engraçado. ;))

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  14. Eduardo F.'s avatar
    24 Outubro, 2010 16:56

    O atávico provincianismo de que padecemos anda de mãos dadas com a propaganda “anti-consumista” (há dias percebi que até tinham inventado a palavra “consumerismo”), a mais indigente vulgata marxista em aliança objectiva com o arcaísmo de laivos cristãos que clama pela protecção do “pequeno comércio”, do “pequeno agricult0r” e de todos os outros “pequenos” em detrimento de tudo o que pareça ou tenha a ambição de vir a ser “grande”.
    É criminoso que, sem necessidade de “subsídios”, de “planos tecnológicos”, de “infra-estruturas”, de “banda larga” e de não sei mais o quê (que não mais que mais impostos diferidos ou não no tempo) nos tenhamos dado ao luxo de evitar a criação de milhares de empregos.
    E que não venham dizer que se tratam de empregos mal-pagos como se nós sequer nos pudéssemos dar ao luxo de recusar os empregos para os quais tenhamos qualificações (ou que não as exijam…).
    É miserável o comportamento ético de tanto intelectual (e tanto economista) neste caso paradigmático do nosso (irremediável?) atraso.

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  15. JB's avatar
    24 Outubro, 2010 17:12

    PMP
    «Basta limitar as pensões TODAS a um tecto máximo de por exemplo 3000 euros por mês»
    3.000/3.500, tecto das pensões da Segurança Social em Espanha.
    Um país mais pobre a atrasado do que aqui o Sítio, como sabemos.
    Quanto aos Hiper’s:
    Na Old England:
    O mega centro comercial Harrods, também está aberto ao Domingo – abrindo mais tarde que durante a semana, encerrando ás 18h00.
    Já com o funcionamento do Metropolitano, acabei de verificar que mantêm uma hora de fecho especial ao Domingo: ás 23h00, em vez de ás 24h00 dos restantes dias.
    Talvez ali, alguém tenha pensado na vantagem de ter a população recolhida mais cedo, antes de uma semana de trabalho.
    Ora aqui pelo Sítio, sabemos como os diligentes dirigentes do regime, sendo tão mal pagos, se dispensam de um atributo: pensar.
    Além de que precisam de pelo menos 10 anos, para tomar uma decisão.
    A bem do Regime.

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  16. PMP's avatar
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    24 Outubro, 2010 17:34

    a-c,
    As reformas são na sua maioria gastas pelos beneficiarios e assim são “recicladas” no PIB, isto é um facto.
    O estado permite PPR com vantagens fiscais, pois não pagam IRS sobre a sua valorização se forem gastos após a idade da reforma, além de uma dedução directa no IRS na altura da sua subscrição.
    O sistema capitalista/moeda-estado foi o melhor até agora “inventado” para aumentar a qualidade de vida dos cidadãos, pois permite a cada país maximizar a suas capacidades de “trabalho e conhecimento” sem necessidade de recorrer a metais precisosos.
    As reformas daqui a 25 anos têm a ver essencialmente com o crescimento do PIB que Portugal conseguirá nesse intervalo de tempo.

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  17. anti-comuna's avatar
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    24 Outubro, 2010 18:07

    “As reformas são na sua maioria gastas pelos beneficiarios e assim são “recicladas” no PIB, isto é um facto.”

    No PIB ou no consumo. Como nenhum governo consegue estimular uma economia ad eternun, o sistema por si só não tem sustentabilidade, mesmo que se limite as reformas. Porque, ao limitar-se as reformas, acontece logo um brain drain ou uma planificação fiscal que evita pagar mais impostos.

    O PMP não consegue gerar um expansionismo eterno nem evitar as crises. Esse é o defeito que todos agora vêm mas alguns ainda acreditam que o Estado conseguirá manter o esquema de ponzi por muito mais tempo. Mas isso acabou com esta crise.

    É que as crises ditas estruturais são inerentes ao sistema económica e à própria vida humana. Basta pensar numa tecnologia disruptiva para que aconteça colapso económico, se a economia está dependente do consumo e a Seg. Social da própria actividade económica.

    Aliás, mesmo os sistemas de pensão privados vivem uma crise por pensarem gerar retornos médios na casa dos 8% ao no que são logo descontados via contributo dos próprios trabalhadores. Mas é mais fácil aos sistemas privados adaptarem a rentabilidades mais baixas que um esquema de ponzi pesado como é a actual Seg. Social.

    Se somarmos a crise moentária, a crise inflacionista, etc.. das ditas sociedades ricas ou ocidentais, pior ainda.

    O problema é tão simples de entender. O dinheiro tem três fases distintas: consumo, poupança e crédito. Se alguém espera comer o bolo e ainda gerar rendimentos do bolo que comeu, ou é tolo ou vive sob um mundo diferente do normal.

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  18. insider's avatar
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    24 Outubro, 2010 18:08

    Pelos vistos existem muitos países europeus terceiro-mundistas… onde não há grandes superfícies abertas ao domingo…

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  19. PMP's avatar
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    24 Outubro, 2010 18:14

    a-c,
    em compreendo o seu ponto do vista, mas a solução é mais simples que o que parece. Veja por exemplo que a Espanha apesar de prever um déficit de 6% em 2011 (muito superior aos 4,6% de portugal) consegue financiar-se a 4% ao ano, que é uma taxa muito baixa históricamente.
    Repare que déficits públicos são uma constante na europa e em muitos países desenvolvidos ao longo de muitas décadas e a qualidade de vida tem crescido (e o PIB). É importante tentar perceber porquê isto aconteceu !

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  20. Manuel Silva's avatar
    Manuel Silva permalink
    24 Outubro, 2010 18:22

    Posso trazer a minha experiência pessoal.
    Trabalho aos sábados e tenho de fazer as compras semanais ao domingo.
    Este domingo, após o anúncio, decidi que iria de tarde e assim poderia ficar um pouco até mais tarde em casa. Fui ao Jumbo, na Maia, que, para quem não conheça, não está integrado num centro comercial e cujo parque é descoberto, coisa chata num dia de chuva como hoje, aqui.
    Bom, aquilo estava cheio de gente, tanta que me pareceu que o hiper estava com dificuldade em repor os produtos retirados das prateleiras. Acho que vou ter de continuar a fazer as compras de manhã cedo para evitar multidões.

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  21. IRACUNDO BRAVO's avatar
    IRACUNDO BRAVO permalink
    24 Outubro, 2010 18:26

    8000 postos de trabalho serão,mas o que é que estes novos empregados vão comprar com a merda da remuneração a que vão ter direito?
    Nada,é como se estivessem em casa!
    Vão continuar a não ter dinheiro para nada,ao passo que estes filantropos que lhes dão “emprego”vão facturar mais uns milhares de milhões para viverem como nababos e os seus rebentos também,até aqueles que ainda não nasceram!

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  22. anti-comuna's avatar
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    24 Outubro, 2010 18:38

    “Repare que déficits públicos são uma constante na europa e em muitos países desenvolvidos ao longo de muitas décadas e a qualidade de vida tem crescido (e o PIB). É importante tentar perceber porquê isto aconteceu !”

    Foram uma constante, enquanto o endividamento permitiu. Agora que o crédito esgotou a sua capacidade de crecer ad eternun sem o seu pagamento, o colapso aconteceu. É isso que está a acontecer.

    E aqui voltamos ao mesmo problema das três fases do dinheiro: quando o dinheiro quase só existe em dois estádios, ele gera um colapso. Sobretudo quando quem empresta descobre que o devedor não consegue gerar rendimentos que sustentem o pagamento das dívidas ou até dos seus juros.

    A solução que alguns tentam fazer? Criar dinheiro do nada para evitar o colapso dos endividados. Mas mesmo que esse colapso seja evitado, o custo é muito alto. Chama-se perder qualidade de vida fruto da inflação.

    A questão é simples. Que se aprende logo nos primeiros anos dos cursos de gestão, finanças ou economia. Um investimento só é sustentável se os retornos forem superiores aos custos do financiamento. Ora, se a produtividade média cresce em média (e estou a falar dos USA, veja lá) cerca de 1,7% ao ano e a população pouco mais de 1%, é impossível gerar rendimentos para taxas de juros reais muito acima de 2,7% ao ano.

    Ou cria-se dinheiro do nada para os governos gastarem. Só que aí quem paga são os do costume: os mais pobres, os reformados, os trabalhadores e sobretudo a classe média. Não é isso que está a acontecer nos USA? O fim da classe média?

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  23. PMP's avatar
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    24 Outubro, 2010 18:53

    Os EUA tem um défict publico de 1200 B USD, dois quais 650 B são custos do orçamento de Defesa.
    Até o Cadilhe é favorável a alguma inflação, pois contráriamente ao mito contribui para o aumento da criação de emprego, como se pode ver nas décadas anteriores que tinham mais inflação e menos desemprego.
    Sem emprego a probeza aumenta, as reformas diminuem e a classe média minga. Então como aumentar o emprego em Portugal ? Porquê os nossos gestores e economistas não têm soluções ?

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  24. Fincapé's avatar
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    24 Outubro, 2010 19:03

    Calma, rui a,
    Eu tenho ouvido falar na criação de 2 mil postos de trabalho e não 8 mil! Você anda a uma velocidade que eu não consigo acompanhar! 😉
    E com isto sinto-me bastante prejudicado, porque eu gosto mesmo é de fazer as compras às 4 horas da manhã e a essa hora os hipermercados continuam fechados.

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  25. e-ko's avatar
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    24 Outubro, 2010 19:04

    pmp, os nossos gestores políticos e economiques, não têm soluções porque o dogma das directivas europeias é uma inflação quase nula e um défice quase tão baixo como as taxas de crescimento da zona…

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  26. Bulimunda's avatar
    Bulimunda permalink
    24 Outubro, 2010 19:09

    Na generalidade dos países não há abertura dos hipermercados, nem ao sábado, nem ao domingo. Apenas a Suécia e a Bélgica são excepções, contudo com regras e realidades sociais que asseguram o equilíbrio entre pequeno comércio e grandes superfícies (inexistentes nos centros das cidades).
    Por cá estas lojas vão servir -após o natal -apenas para se passear e nada mais..o emprego criado vai ser meramente temporário precário…não mais de 500 euros mês…com horários chineses…

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  27. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    24 Outubro, 2010 19:12

    Ah! Desculpe Rui a, esqueci-me.
    Para daqui a um ano, quando o número de trabalhadores estiver reduzido em mil em relação ao actual, vou já dar-lhe a receita: se não fosse os hipermercados abrirem ao domingo, a diminuição teria sido de 9 mil, segundo os seus dados, ou 3 mil, segundo os meus. Esta fica-lhe à borla!

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  28. anti-comuna's avatar
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    24 Outubro, 2010 19:16

    “Até o Cadilhe é favorável a alguma inflação, pois contráriamente ao mito contribui para o aumento da criação de emprego, como se pode ver nas décadas anteriores que tinham mais inflação e menos desemprego.”

    Vc. está a ver mal o problema. Nas décadas anteriores houve uma ilusão expansionista, criada através do crescimento dos gastos e intervenções públicas, como através do estímulo do consumo pela via da penalização fiscal sobre a poupança e estímulo ao consumo. O caso mais evidente, os estímulos à compra de habitação própria.

    Ora, durante anos o consumo foi estimulado artificialmente, com crescimentos muito acima dos rendimentos e da produtividade e do aumento da população. Este consumo, enquanto durou, alavancado com menores poupanças e mais crédito, deu a ilusão de uma actividade económica sustentada. Mas não. Agora, para repôr o estádio do dinheiro chamado poupança, é preciso de os demais dois estádios sofram uma contracção. Leia-se, gerar o dito gap do produto potencial e provável desinflação ou até mesmo deflação, se a correcção for forte e brusca.

    Dito em linguagem simples: a ilusão da bolha do consumo estoirou e com o estoiro o próprio Estado. Agora há que minorar os efeitos deste estoiro e reformar o funcionamento do Estado.

    Depois Vc. diz isto:

    “Sem emprego a probeza aumenta, as reformas diminuem e a classe média minga. Então como aumentar o emprego em Portugal ? Porquê os nossos gestores e economistas não têm soluções ?”

    Eu não tenho a certeza que seja mesmo assim. Há-de haver quem proponha soluções. Por exemplo, cortar no Estado, abrir os nossos mercados de bens não concorrenciais, ditos rent seeking, etc. O Abel Mateus escreveu muito sobre isso. Se calhar o que surge na imprensa é que são opiniões de economistas que só debitam lixo. Mas isso é um problema do funcionamento da nossa sociedade, não de muitos economistas e gestores que até apontam boas soluções.

    Claro que o Keynesismo morreu. Assim como a ilusão de Estados gigantescos e ineficientes. Mas se o pensamento keynesiano está falido, os seus ilustres defensores têm muitas ilusões ainda para enganar o Povinho. hehehehhehhe

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  29. e-ko's avatar
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    24 Outubro, 2010 19:23

    eheheheh, fincapé, eu também alinhava nessa de fazer as compras às 3 ou 4 da manhã, só para escapar ao trânsito… esta gente que tanto defende a liberdade individual de qualquer um, nem pensam nisso… e os tais postos de trabalho, se representarem 2000 a 25 a 30 horas por posto com 300 euros de salário, já é muito! números para justificar a medida mas, na prática, quase nada e com a agravante de destruirem completamente os postos de trabalho ainda existentes no pequeno comércio que têm feito viver muitas famílias que estão quase na miséria e estrangulados por credores…

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  30. PMP's avatar
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    24 Outubro, 2010 19:32

    a-c,
    Já reparou que a grande crise de 2008/2009 apenas resultou num pequeno decrescimo do PIB !
    Os factos são de que déficits públicos de 2 aq 4% e inflação de 3 a 4% permitiram crescimento elevados e desemprego mais baixo durante décadas.
    O problema é a falta de emprego e os salários baixos. Porque é que os nossos gestores e economistas não criam empresas e mais emprego ? Porque é que existem economistas bacocos que querem baixar os salários em Portugal, quando são já muito baixos ?
    Vamos mas é estudar os problemas e procurar soluções e copiar os casos de sucesso.

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  31. e-ko's avatar
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    24 Outubro, 2010 19:33

    para que não suscite dúvidas, esclareço que as 25 a 30 horas são semanais e os 300 euros mensais relativamente aos tais supostos 2000 empregos que deverão ser criados.

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  32. libertino-liberal's avatar
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    24 Outubro, 2010 19:42

    Se também estivessem os bancos e as repartições públicas, como as Finanças e as Câmaras Municipais abertas ao Domingo à tarde ainda se podiam criar mais 60.000 postos de trabalho.
    Os hipermercados também podiam estar abertos a partir das seis da manhã porque é a essa hora, que os trabalhadores jornalistas se retiram do posto de trabalho. Muitas vezes como não possuem nada no congelador e os parcos ordenados de jornalista não permitem matabichar num café, esses nobres defensores da democracia são obrigados a rapar fome até às nove da manhã. Os hipermercados deviam abrir às quatro da manhã para aviar o pessoal da noite.
    Criavam-se mais 24.000 postos de trabalho.

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  33. libertino-liberal's avatar
    libertino-liberal permalink
    24 Outubro, 2010 19:44

    Se também estivessem, os bancos e as repartições públicas, como as Finanças e as Câmaras Municipais abertas ao Domingo à tarde ainda se podiam criar mais 60.000 postos de trabalho.
    Os hipermercados também podiam estar abertos a partir das seis da manhã porque é a essa hora, que os trabalhadores jornalistas se retiram do posto de trabalho. Muitas vezes como não possuem nada no congelador e os parcos ordenados de jornalista não permitem matabichar num café, esses nobres defensores da democracia são obrigados a rapar fome até às nove da manhã. Os hipermercados deviam abrir às quatro da manhã para aviar o pessoal da noite.
    Criavam-se mais 24.000 postos de trabalho.

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  34. anti-comuna's avatar
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    24 Outubro, 2010 19:48

    “Já reparou que a grande crise de 2008/2009 apenas resultou num pequeno decrescimo do PIB !”

    E já reparou quanto não poderia cair se os bancos centrais não criassen dinheiro do nada e os Estado snão se endividassem tanto? O output gap americano está em quanto? Mesmo com tanto dinheiro a jorrar da Reserva Federal o défice de trilliões?

    Vc. está a ver a queda do PIB com intervenções malucas dos Estados e Bancos Centrais. Porque se eles não gastassem…

    Vc. pode dizer que a produção mundial está outra vez nos máximos de sempre, mas graças sobretudo ao mundo em desenvolvimento, não ao mundo desenvolvido, que está quase a colapsar.

    Veja a Alemanha. Como não estimulou tanto como noutros lados, o PIB “apenas” caiu 4% o ano passado.

    Portanto, essa sua ideia é linda mas baseia-se em estímulos artificiais. Que irão ser pagos, de uma manera ou de outra. Seja através de um aumento ainda maior do gap do produto, seja através do próprio colapso do PIB.

    “O problema é a falta de emprego e os salários baixos. Porque é que os nossos gestores e economistas não criam empresas e mais emprego ?”

    Eu aqui poderia responder assim: se lhe parece existirem tantas oportunidades porque não aproveita a falha alheia e enriquece fazendo aquilo que os demais não são capazes?

    Em teoria isso é lindo. Como os nossos empresários são maus, põe-se o Estado a tentar fazer aquilo que se julga ser uma falha do mercado. E nem vou dizer que o amigo poderia até ser o olho da terra de cegos e enriquecer com a cegueira alheia. ;))

    Uma coisa eu digo e penso: investir em Portugal é errado, a menos que se obtenha uma call. Ou condições excepcionais. ahahhhahahhahahah

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  35. PMP's avatar
    PMP permalink
    24 Outubro, 2010 20:05

    a-c,
    já reparou que os mercados não devem ser tão estúpidos e que continuam a financiar os países com deficits a taxas de juro históricamente baixas, porque será ?
    os nossos empresários são bons, os economistas e gestores é que são maus pois não criam empresas ou não aumentam o emprego. eu sou um médio empresário e invisto em portugal e fora.

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  36. anónimo's avatar
    anónimo permalink
    24 Outubro, 2010 20:12

    Bulimenda = zazie

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  37. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    24 Outubro, 2010 20:13

    pmp,
    não é porque, investe e cria riqueza, talvez com sucesso, que os empresários porquguese são bons e os economistas maus… os economistas, já mostraram os seus limites, falam muito mas não percebem nada… mas a maioria dos nossos empresários é muito medíocre e com os péssimos hábitos de se encostarem ao estado, praticarem a fuga ao fisco e serem maus empregadores…

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  38. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    24 Outubro, 2010 20:14

    “Já reparou que os mercados não devem ser tão estúpidos e que continuam a financiar os países com deficits a taxas de juro históricamente baixas, porque será ?”

    Meu caro amigo, imagine esta situação. Vc. empresta-me dinheiro a 0,5% para cobrar 5 ou até mesmo 6%. Se eu tiver ainda por cima, acesso a inside, também fazia esse negócio e alavancava, à custa dos otários. ahahahhahahahahh

    Porque será? Quem são os otários? Os mercados não o são tanto, pois eles fogem de países como Portugal. Os políticos também não lhes sai do bolso. Então quem serão os otários? ahahhahhhhahahhah

    “os nossos empresários são bons, os economistas e gestores é que são maus pois não criam empresas ou não aumentam o emprego. eu sou um médio empresário e invisto em portugal e fora.”

    Vc. é empresário e gestor, suponho. Os economistas não são supostos criarem emprego. Mas se calhar sou eu que não entendo essa profissão.

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  39. P's avatar
    24 Outubro, 2010 20:34

    A maior parte dos países europeus proíbe a abertura do comércio aos domingos, excepto no centro das cidades. Isto não é de terceiro mundo, de terceiro mundo é ter o comércio aberto aos domingos, discotecas até às 8 da manhã, etc. etc.

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  40. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    24 Outubro, 2010 20:35

    Quanto menos trabalho melhor. Mais baratas as coisas são. Mais riqueza se criou.
    Se 8000 empregos produzem o mesmo que 20000 empregos, os 8000 empregos são o caminho.
    É preciso é que este ganho da produtividade dê menos trabalho para todos e não a corrupção do Estado Social onde uns tipos esfalfam-se a trabalhar 5 dias por semana para pagar em impostos os que não fazem nada.
    .
    Quanto aos horários, foi só um dos muitos “casos” criados para dar emprego a burocratas- ou seja jobs for the boys & girls…
    Criar “casos” é uma das melhores maneiras de fazer aqueles que trabalham 5 dias por semana pagar ainda mais impostos.

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  41. Guillaume Tell's avatar
    Guillaume Tell permalink
    24 Outubro, 2010 20:51

    Caro rui a., eu espero que o senhor não é daquelas pessoas que se queixam que os centros das nossas cidades estejam vázias. Além de mais, sim é muito bonito criar 8ooo postos de trabalho e “injetar” 2,5 bilhões de euros na economia nacional. Agora será que teremos MENOS 8000 desempregados?
    Mais uma coisa: tente trabalhar num supermercado, verá como é agradável.

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  42. Essa agora's avatar
    24 Outubro, 2010 21:19

    O pateta do Fincapé continua a vir vomitar aqui.
    Deve estar convencido de que isto é uma latrina.

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  43. Trinta e três's avatar
    24 Outubro, 2010 21:31

    Rui A.:

    Onde é que foi buscar essa da imagem “terceiro-mundista” associada à não abertura dos supermercados ao domingo? Quantos países conhece onde isso acontece? Se disser que o chamado comércio de rua ou “tradicional” pode fazer muito mais, estamos de acordo. Agora, dar força a grupos que sufocam a produção (pelos prazos de pagamento), vivem, quase exclusivamente, da promoção de importações e limitam-se a aproveitar os contratos a prazo para pagarem mal e porcamente, é precisamente o que o País NÃO precisa.

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  44. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    24 Outubro, 2010 21:34

    O teu argumento é bem o exemplo da tua educação. Está descansado porque, apesar de tudo, nunca vomitaria num blogue que aceita as minhas opiniões e/ou a ironia com que educadamente as procuro dar. E se o espaço fosse teu e me pedisses, também educadamente, eu não voltaria cá. Como não voltarei se rui a. assim o quiser e pedir-lhe-ei desculpa se ele achar que o ofendi. Já tu, com a educação que te deram, és um excelente trunfo para os grandes ideais que defendes!

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  45. PMP's avatar
    PMP permalink
    24 Outubro, 2010 22:02

    Eu falo da mediocridade dos nossos economistas porque têm demasiado tempo de antena e demasiada veneração em portugal, mas não são capazes de estabelecer uma estratégia económica nacional, e são incapazes de criar riqueza.
    Escrevem coisas banais e superficiais, ou porque defendem o despesismo e a incompetência dos governos, ou então a ideia de que baixar os salários vai aumentar o nivel de vida em Portugal e que o desemprego aumenta o emprego !!.

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  46. PedroL's avatar
    PedroL permalink
    24 Outubro, 2010 23:32

    O comércio de rua já morreu faz muito tempo.
    Morreu quando não conseguiu ou não quis alterar os seus horários de trabalho tradicional.
    Morreu quando não conseguiu proporcionar melhores condições aos seus clientes, seja quanto aos preços praticados, seja quanto à facilidade de estacionamento, sendo que hoje em dia, ainda vimos situações inacreditáveis de comércio de rua que nem pagamento multibanco facultam, e de outros que encerram na hora de almoço, que é o horário que os clientes podem consumir alguma coisa…

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  47. Pedro Moreira's avatar
    25 Outubro, 2010 00:14

    Não estou a perceber as aspas no “falhas”. O mercado, ao seu ver, não tem deficiências?

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  48. Simão's avatar
    Simão permalink
    25 Outubro, 2010 00:39

    Pois é.
    A Finlândia, a Alemanha (e etc…) são, certamente, países “terceiro-mundistas”, coitados.
    Seria melhor a partir de hoje (dia em que Portugal deu um passo colossal p’ra saír do….”terceiro-mundismo”) fazermos uma colecta em prol destes pobres e obscurantizados países “terceiro-mundistas”.

    A falta que faz o Gomes da Costa.

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  49. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    25 Outubro, 2010 01:11

    Ah! Caro PMP, compreendo perfeitamente parte das suas críticas aos ditos economistas. Mas, sabe? Desde quando Economia é Ciência e seus profissionais arautos do pensamento científico? Na generalidade são apenas ideólogos. É ver a quantidade de papas da economia: Marx, Friedman, Hayek, Keynes, etc. É ver eles a escreverem e a teorizar sobre um mundo baseado em ideologia e pouco no comportamento humano em termos económicos. ehehehehehehehh

    Mas pronto. Já que se cortou a Filosofia dos programas curriculares metem pensadores económicos. lolololololol

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  50. De Puta Madre's avatar
    25 Outubro, 2010 02:00

    Mensurar o 3º mundismo pelo horário do Supermercado, mais do que frase feita parece ser um insulto … O 3º mundo mal tem para comer, quanto mais lojas Y supermercados Y centros comerciais devem mesmo ser um centro de peregrinação religiosa se o existissem, tal é o efeito milagre de um alimento quando a vistado no 3º mundo.

    Não sei porquê! Mas acho que em vez de fazerem féras-de-pacote em praias Igualzinhas à Caparica … Podiam fazer umas férias de, digamos: vida quotidiana em uma qq cidade de um país imaginadamente sofisticado! …. Por certo acabariam arrumando o rabinho entre as pernas Y a beijar o Solo português como o Papa.

    Entre esses tró-la-lós, ainda que mto bem escritos, sobre a superfície mental tuga 3º mundista era bom que imaginassem menos sofisticação lá nos mundos 1ºs Y – independentemente do horário do supermercado – colocar o Foco numa vida melhor para todos … É! A começar por não Insultar o Portugal. Já era 1º passo da mais elementar inteligência. F-se!

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  51. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    25 Outubro, 2010 10:14

    PMP,
    .
    Os economistas não criam nem criaram riqueza. Quem cria é quem directamente produz. Aliás, o élan excessivo dado a essas aves raras que são os advogados e os economistas deitou o Ocidente na miséria. basta dizer que 80% do parlamento chinês é composto por engenheiros.
    .
    Contudo, os economistas são necessários para agilizar e optimizar os circuitos de produção e os circuitos monetários. Mas para isso não são necessários tantos advogados, economistas e administradores como existem. E aliás, já são tantos que se atropelam uns aos outros na sôfrega ânsia de manterem os seus privilégios.
    .
    Por outro lado, o pequeno comércio importa menos do que o grande comércio. Porque não pode ter uma estrutura de importação, salvo pela Grula ou pelos Cash and Carry. Pense nisso quando disser que grandes superfícies contra pequenas lojas não influenciam as importações.
    .
    Finalmente, tenha em atenção isto: existe um cartel dos Belmiros e dos Jerónimos que nos está a levantar os custos da alimentação (especialmente dos frescos) sem que isso se reflicta nos preços pagos ao produtor. Por exemplo, a cereja que lhe é vendida em época a EUR 2,50 é paga ao produtor a EUR 0,40 (só para me dar ao ar em economês fluente, uso o prefixo monetário). E quanto aos tomates, nem queira saber o que faz o cartel.
    .
    Por mim, as grandes superfícies podem abrir ao fim-de-semana, ao Domingo, aos feriados, em Marte, durante a lua cheia. Não me aquece nem me arrefece. Este ano vou fazer alguma horta e comprar aos meus vizinhos o que não produzir eu mesmo. Fica-me mais barato. Para vós, que viveis em Lisboa, terão os legumes mais caros da Europa, mas disponíveis ao Domingo e aos feriados, como convém a quem não tem dinheiro para ter um par de tomates lá em casa.

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  52. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    25 Outubro, 2010 10:14

    PMP,
    .
    Os economistas não criam nem criaram riqueza. Quem cria é quem directamente produz. Aliás, o élan excessivo dado a essas aves raras que são os advogados e os economistas deitou o Ocidente na miséria. basta dizer que 80% do parlamento chinês é composto por engenheiros.
    .
    Contudo, os economistas são necessários para agilizar e optimizar os circuitos de produção e os circuitos monetários. Mas para isso não são necessários tantos advogados, economistas e administradores como existem. E aliás, já são tantos que se atropelam uns aos outros na sôfrega ânsia de manterem os seus privilégios.
    .
    Por outro lado, o pequeno comércio importa menos do que o grande comércio. Porque não pode ter uma estrutura de importação, salvo pela Grula ou pelos Cash and Carry. Pense nisso quando disser que grandes superfícies contra pequenas lojas não influenciam as importações.
    .
    Finalmente, tenha em atenção isto: existe um cartel dos Belmiros e dos Jerónimos que nos está a levantar os custos da alimentação (especialmente dos frescos) sem que isso se reflicta nos preços pagos ao produtor. Por exemplo, a cereja que lhe é vendida em época a EUR 2,50 é paga ao produtor a EUR 0,40 (só para me dar ao ar em economês fluente, uso o prefixo monetário). E quanto aos tomates, nem queira saber o que faz o cartel.
    .
    Por mim, as grandes superfícies podem abrir ao fim-de-semana, ao Domingo, aos feriados, em Marte, durante a lua cheia. Não me aquece nem me arrefece. Este ano vou fazer alguma horta e comprar aos meus vizinhos o que não produzir eu mesmo. Fica-me mais barato. Para vós, que viveis em Lisboa, tereis os legumes mais caros da Europa, mas disponíveis ao Domingo e aos feriados, como convém a quem não tem dinheiro para ter um par de tomates lá em casa.

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  53. Miguel's avatar
    Miguel permalink
    25 Outubro, 2010 10:25

    “esclareço que as 25 a 30 horas são semanais e os 300 euros mensais ”

    Menos do que no comercio tradicional certamente.
    E de caminho proibir horas extraordinárias tipo Suécia ou algo do género.

    “Não basta (querer) sermos altos, temos de (querer) ser duros” – McMurray, Fred – Os trolhas pegam às cinco.

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  54. PedroL's avatar
    PedroL permalink
    25 Outubro, 2010 10:27

    Para todos aqueles que criticam a abertura dos hipermercados ao Domingo à tarde, afirmando que isso significa o fim do dia da família, o fim do comércio tradicional ou mesmo o fim do mundo, eu questiono apenas o seguinte:
    Quantas actividades não trabalham regularmente ao Domingo?
    Se todas essas actividades económicas não funcionassem ao Domingo, como seria a vida de todos nós?
    Imaginem um Domingo sem jornalistas, sem jornais, sem rádio, sem televisão, sem electricidade, sem postos de combustíveis abertos, sem polícias, sem bombeiros, sem médicos, sem hospitais, sem cafés, sem padarias, sem restaurantes, sem cinemas, sem teatro, sem espectáculos musicais, sem qualquer tipo de comércios aberto, sem transpostes públicos, sem táxis, sem aviões, sem aeroportos, sem jogos de futebol, sem instalações desportivas abertas para praticarem desporto…
    Porque razão podem (no mínimo) dois milhões de portugueses trabalharem ao Domingo mas não podem trabalhar ao Domingo uns milhares de empregados de umas dezenas de hipermercados?

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  55. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    25 Outubro, 2010 11:01

    Por cada posto de trabalho que se cria pela abertura das grandes superfícies ao Domingo, pelo menos um outro se vai. O saldo é claramente negativo, pelo que quem lança esse argumento é ignorante, desonesto ou interessado.
    .
    Como disse, ando-me a borrifar para os horários; não para o cartel. Há um cartel efectivo que vos anda a tirar o dinheiro do bolso. Aliás, é um cartel muito mais prejudicial que qualquer aumento de impostos. Em 1998, não compraria legumes se custassem mais de PTE 100/kg, ou 50 cêntimos. Hoje, essa fasquia é de euro e meio.
    .
    Que gaita! Três vezes mais, quase 10% ao ano de inflação! (3^(1/12))
    .
    Comprem no Continente, meus filhos, que o Belmirocas agradece. De promoção em promoção, de desconto em desconto, de oportunidade em oportunidade vai-vos esvaziando o bolso, e espera de vós um sorriso na cara e uma humilde vénia de profundo agradecimento. Oferecendo produtos chinocas (ao dobro do preço das lojas chinocas) e legumes que se deveriam cotar na bolsa!
    .
    Chamais-vos livres. Tenho outra palavra em mente, mas ao escrevê-la aqui incorreria em anátema interno do Rui A., o autor deste panegírico.

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  56. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    25 Outubro, 2010 11:16

    Pedro L.,
    .
    Tem razão acerca do comércio tradicional. Ele não quis adaptar-se aos tempos, e está a sofrer o seu próprio desleixo. Contudo, o comércio tradicional tinha uma vantagem: eram muitos.
    .
    Basta o Continente e o Jumbo e o Intermarché fazerem cartel (se o fazem e eu o sei, não o escrevo aqui), que o Lidl, o Plus, o Leclerc e os outros irão atrás. Ninguém vai vender a cinquenta cêntimos o que pode vender a euro e meio. Nem o pequeno comércio, que pode nivelar os seus preços dez ou vinte cêntimos abaixo do que fazem os grandes, e ainda assim ter lucro.
    .
    Mais uma vez digo, os horários são minudências; como de bom senso e de vaselina, cada um usa quanto quer. Agora, digam-me os senhores liberais do costume se gostam de pagar os tomates que lhes faltam lá em casa três vezes mais do que é razoável e cinco vezes mais do que é pago ao produtor. E não se esqueçam do cartão de fidelização, dos descontos na Galp, dos seguros e dos telefones celulares, dois clubes e das festas!
    .
    Que esses senhores pretensamente liberais usem liberalmente a vaselina, já que lhes falta bom senso.

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  57. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    25 Outubro, 2010 11:41

    Francisco Colaço,

    – não vale a pena. esta gente é ainda mais tacanha que os tugas de 3ª que ainda produzem o par de tomates que eles não têm para pôr no frigorifíco… é só arrogância de gente “rica” e “moderna” do 1º mundo dos hipermercados e centros comerciais…
    – num país que importa 80% do que come, que tem como imposição a redução do défice e da dívida externa, anda a comer as maçãs e as uvas, mas outros exemplos não faltam, que as grandes centrais de compras vão buscar ao Brasil, Chile ou Espanha e cheios de produtos nefastos para a saúde que a Comunidade europeia já proibiu… para que as suas margens de lucro sejam máximas, mas que hão-de acabar com o resto que existe de agricultura nesta espécie de país de 1ª zona da estupidez!…
    – andaram estes anjinhos a alimentar as fortunas dos Belmiros, Jerónimos e quejandos que, apesar de terem grandes vantagens fiscais, terrenos mais baratos que noutros países europeus, os salários mais baixos praticados na europa, ainda se permitem vender muitos dos produtos que propõem a preços mais elevados que em Paris ou Bruxelas…
    – três décadas de engano e ainda não perceberam!… será que o Belmiro oferece embalagens de vaselina quando esta gente passa nas caixas para pagar? nem isso, é a seco e ainda pedem mais!…

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  58. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    25 Outubro, 2010 11:46

    E-ko,
    .
    Por enquanto ainda usam óleo marca Continente para lubrificação. No início do ano, com o IVA do óleo a 23%, é que será a seco.

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  59. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    25 Outubro, 2010 11:57

    e-ko,
    .
    As pessoas são livres de escolher o veneno com que se querem matar. Escolhem o Sócrates, escolhem os Continentes, escolhem comprar chinesices, taiwanices e marroquices, escolhem as Novas Oportunidades (a agora até as escolhem por elas), sei lá mais o que escolhem.
    .
    As escolhas, por muito agradáveis que sejam hoje, conformam o nosso futuro. Ainda na semana passada estive a ver um todo o terreno Jeep de alta cilindrada que me encheu o olho. Antes mesmo de entrar no stand (ou setande, nova ortografia) perguntei-me: preciso mesmo deste jipe? Não entrei.
    .
    Se o tivesse escolhido, teria de o pagar. Isso iria fazer com que outras escolhas não pudessem ser feitas no futuro. Pois assim é!, o que escolho hoje conforma-me o futuro. As minhas conveniências de hoje serão inconveniências amanhã.
    .
    Quando se compra uma maçã do Brasil, está-se a fazer uma escolha que vai para além da maçã. Se sai dinheiro da economia, ficamos todos mais pobres. A maior parte dos Antónios e das Flausinas portuguesas esfregam as mãos de contentes porque tiveram as maçãs dez cêntimos mais baratas (apesar das margens comerciais hercúleas) e acham-se espertos. Quem é esperto no meio disto tudo anda de Mercedes de alta cilindrada e aposto que come as maçãs de uma das suas quintas.

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  60. PMP's avatar
    PMP permalink
    25 Outubro, 2010 12:02

    Caro FC,
    Agradeço as suas observações sobre o impacto mais negativo sobre as importações das grandes superficies pois não tinha pensado nisso, mas concordo. Também me alertou para o aumento das margens nos produtos frescos e alguma fruta portuguesa, o que leva a pensar que talvez existe uma solução para a agricultura portuguesa mais fácil, pois as margens são maiores do que eu pensava.
    Tem alguma ideia sobre como combater o tal eventual cartel ?

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  61. PedroL's avatar
    PedroL permalink
    25 Outubro, 2010 12:06

    Ninguém é obrigado a fazer compras nos hipermercados.
    Se o fazem é porque alguma vantagem retiram dessa opção, mais que não seja, porque conseguem comprar tudo o que querem no mesmo local, sem terem de dividir as compras pela peixaria, pelo talho, pela mercearia, pela frutaria, pela papelaria e por outro locais, onde é necessário procurar lugar para estacionar em cada um desses locais.
    Mas ninguém é obrigado a fazer compras nos hipermercados, tal como ninguém deveria ser obrigado a fazer compras no comércio tradicional.
    Eu continuo na minha, foi o comércio tradicional que se suicidou, não acompanhando minimamente os novos tempos, as novas necessidades de horário, as novas formas de pagamento, etc…
    Já não vivemos num tempo em que o homem vai trabalhar e a mulher fica em casa a tomar conta dos filhos e da lida da casa, e que tem tempo para ir às compras a meio do dia, puxando da carteira para pagar com um molho de notas.
    Hoje a mulher trabalha, sai do emprego às 18h00 ou 19h00, ainda vai buscar os filhos à escola, antes de demorar duas horas no trânsito até chegar a casa. As compras têm de ficar para depois do jantar ou para o fim-de-semana, mas aí já o comércio tradicional fechou portas durante a semana e recusa-se a abrir ao fim-de-semana. Resta o hipermercado.
    Na minha zona de residência, um dormitório da Grande Lisboa, existe uma ou outra loja tradicional, que adaptou os seus horários, não abrindo na parte da manhã, e encerrando apenas às 21h00 em vez de encerrar às 19h00. Conseguiram sobreviver minimamente, tendo a maioria da sua clientela entre as 19h0o e as 21h00, quando as pessoas regressam a casa depois de mais um dia de trabalho. A quem não se adaptou, resta o hipermercado.
    Eu pessoalmente prefiro fazer compras nos dois supermercados que tenho na minha rua (Lidl e Pingo Doce) mas a verdade é que raramente chego a casa a horas de os apanhar abertos, dado que encerram às 21h00. Resta o hipermercado.

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  62. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    25 Outubro, 2010 12:29

    PMP,
    o FC tem concerteza já algumas práticas integradas ao seu quotidiano, como eu, para evitar a engorda desmedida desses mastodontes. durante alguns anos, vivendo numa casa que tinha mil m2 de terreno, produzi a maior parte do que necessitava para comer, saladas, espinafres, feijão, favas, abóboras, laranjas e ameixas, mas é uma solução pessoal e pontual. hoje, que estou a viver num apartamento dum centro urbano e por opção não tenho carro, desço para fazer as minhas compras nos comércios de rua, e só aí, poupo no desgaste dum veículo e no carburante e não tenho problemas de estacionamento. tenho um lugar de fruta e legumes que vende a granel, evitando ter de pagar e trazer para casa toneladas de embalagens plásticas e, escolho, entre produtos maioritariamente nacionais, os não calibrados mais baratos e nem por isso piores, que os lustrados e luminosos frutos ou legumes duma maneira geral menos saborosos.
    – não preciso e nem compraria produtos agricolas nas grandes superficies, mesmo que nestes últimos tempos se começem a ver também os legumes à venda a granel.

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  63. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    25 Outubro, 2010 12:42

    Excelentes comentários, principalmente de Francisco Colaço e de e-ko. Entretanto, alguns economistas andam a fazer contas com fórmulas que ganharam prémios e que um dia destes serão desmentidas ou a dizer asneiras da sua autoria e nunca aprenderão nada de ECONOMIA.

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  64. e-ko's avatar
  65. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    25 Outubro, 2010 13:38

    “promover o equilíbrio entre produtores, industriais e distribuidores”
    será que vai ser uma solução? o que se poderá verificar é o seu efeito perverso de as grandes centrais de compras passarem a não comprar às PME…

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  66. anonimo's avatar
    25 Outubro, 2010 15:39

    Isto é o Estado Social?!!!!!!!!!!!

    “2007-03-18 – 00:00:00
    Entrevista: Marques Mendes
    Jornalista : Jorge Paula

    Marques Mendes, líder do PSD, acusa o primeiro-ministro de ter um projecto de poder pessoal perigoso para a democracia. Irónico, diz que o País só está melhor do que o Burundi e afirma que o aeroporto da Ota pode ser o pântano de Sócrates.
    Correio da Manhã – Gosta do estilo de José Sócrates?
    Marques Mendes – Não vou comentar estilos. O que acho é que a atitude que o primeiro-ministro tem utilizado é errada. Essencialmente porque tem a preocupação de atirar portugueses contra portugueses. É uma atitude política errada. É um pretexto, a alegada existência de privilégios de todas estas classes, como se de repente se tivesse descoberto que o País é formado por privilegiados. E sobretudo tem um objectivo muito mau: explorar o sentimento da inveja nacional.
    – Da inveja?
    – Da inveja nacional. No momento em que ataca um sector está a colocar na prática portugueses contra portugueses. Um segundo aspecto negativo na sua atitude é a tentação que se nota de um controlo enorme do poder. Eu alertei em Dezembro para o facto de o primeiro-ministro parecer ter um projecto pessoal de controlo de poder, de acumulação de poder.
    – O tempo deu-lhe razão?
    – Três meses depois já perceberam que não era um ponto de vista partidário, mas sim a constatação de uma realidade.
    – Está a referir-se ao recente anúncio de concentração de poderes policiais?
    – É o último exemplo e dos mais perigosos, mas não é o único.
    – Quais são os outros? A Comunicação Social?
    – Há uma preocupação enorme de controlo na Comunicação Social, nos centros de decisão económica, na Justiça, na investigação criminal e mais recentemente nas polícias. Já não é uma questão partidária. Tem a ver com a qualidade da nossa democracia. Isto não é autoridade. É abuso de poder. É confundir maioria absoluta com poder absoluto.
    – A Comunicação Social está a ser objecto de diversas medidas polémicas. O que é que vai fazer?
    – Neste domínio da Comunicação Social há uma preocupação crescente de controlo, um controlo cada vez mais apertado. Nesta matéria todos os partidos têm pecados. Mas os Governos anteriores, de todos os partidos, em comparação com este, são uns meninos de coro.
    – Também teve a tutela da Comunicação Social.
    – Todos os Governos têm essa tentação. Estou a reconhecer isso. Agora, repito, em comparação com o que se está a passar, são todos meninos de coro.
    – E Sócrates não é um menino de coro.
    – Não. Acho que não é tanto um projecto partidário. É muito pessoal. É o poder em sectores nucleares na mão de uma pessoa só. E em democracia isto não pode acontecer. A democracia é o regime do equilíbrio de poderes.
    – O que é que o PSD pode fazer para contrariar esse projecto pessoal?
    – É o que temos feito. Denunciar a situação.
    – Mas se a situação é tão grave não pensa alertar o Presidente da República?
    – Cada coisa a seu tempo.
    – Está a renascer o Estado policial? É perigoso para a democracia?
    – É perigoso e afecta a qualidade da democracia. Eu alertei em Dezembro para esta situação e agora vastos sectores, que não têm nada a ver com o PSD, dão-me razão. Está em curso este projecto de poder pessoal. A denúncia que fizemos está a seguir o seu curso e acho que a força da opinião pública é o instrumento essencial para que o Governo recue em intenções que não são boas para a democracia.
    (…)
    – Como é que explica, então, a posição irredutível do primeiro-ministro? Por ser teimoso? (OTA)
    – Esta teimosia é grave. E só há uma explicação: como a situação do País é grave, os resultados são nulos e não tem nada para apresentar ao País, quer a toda a força mostrar obra.
    – É um alibi?
    – É uma tentativa de mostrar que afinal há qualquer coisa, há obra, para tentar desviar as atenções dos problemas reais quer na economia, quer na saúde, quer no desemprego. E para isso tenta criar um elefante branco, fazer um erro colossal.
    – Que pode ser fatal para Sócrates?
    – Olhe, Sócrates pode acabar no pântano do aeroporto da Ota se não tiver o bom senso de recuar. O Governo não pode querer resolver o seu problema à custa do dinheiro de todos os portugueses.
    – É tão grave que levou o problema a Cavaco Silva?
    – Ao fim de um ano foi a primeira vez que pedi uma audiência ao Presidente da República. Mas este caso é sério demais, porque podemos estar perante um erro colossal, porque a teimosia pode levar a um disparate que compromete os próximos Governos e Orçamentos.
    (…)
    – Há causas para a corrupção. Quais são?
    – Olhe, digo isto com algum exagero, mas reconheço que cada lei que se faz em Portugal é um convite à corrupção. Porque são complexas e burocráticas “

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  67. tony's avatar
    tony permalink
    25 Outubro, 2010 18:12

    A burrice leva a estas coisas mas um estado social não tem nada a ver com um Estado central, e se você acredita nisto
    Da medida agora anunciada resultará a criação de 8000 postos de trabalho e um impacto de 2,5 mil milhões de euros na economia nacional até 2017. É por esta e por muitas outras iguais a esta que estamos como estamos.
    deve ser ingénuo

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  68. e-ko's avatar
    e-ko permalink
    25 Outubro, 2010 21:24

    volto a pôr o comentário lá de cima, porque a ligação não está activa:

    “em Portugal, o valor do salário mínimo nacional é absolutamente ofensivo para quem trabalha”

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  69. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    26 Outubro, 2010 13:13

    Tony,
    .
    Da medida anunciada dizem que criará oito mil postos de trabalho e que trará 2,5 mil milhões de euros à economia. Das SCUT disseram que iriam ser pagas por si. Da EXPO 98 disseram que seria totalmente paga por si. Quer mais exemplos.
    .
    Agora, vamos brincar com os acéfalos. porque carga de água é que abrir uma grande superfície aos Domingos (o que, repito, não me aquenta nem me resfria) dá mais milhões de euros à economia? Será que vamos todos comer mais legumes, ou vamos pagá-los mais caros? Sim, porque quem compra hoje ao Domingo antes teria comprado durante toda uma semana. Logo, os bens comprados serão os mesmos, pois não há grande evolução demográfica procedente de imigração. Por isso, devo concluir que os 2,5 G€ (olhem para mim a falar economês— sô impurtante pa karamba) vêm de aumento de preço o que, a contas de PIB, representa um aumento de preços de 2%. Como os oito mil empregos criados representam 69 M€ anuais (sô mesmo bom, mas até sei fazer contas!), querem crer que acabo de provar CARTEL?
    .
    Houve quem dissesse aqui que eficiência é fazer o mesmo por menos. Eficácia é pagar o mesmo por menos. Ou 1) há aqui pessoas que sabem menos de economia que um mero engenheiro como eu ou 2) há pessoas interessadas em passar argumentos erróneos ou 3) ambas as hipóteses se verificam nas mesmas pessoas.
    .
    Qual é a sua, Toni? E a sua, Rui A.? E a sua ?

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  70. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    26 Outubro, 2010 13:19

    e-ko,
    .
    Em Portugal, a dedicação ao trabalho é uma ofensa para quem emprega. Tem por isso quatro situações:

    1) calões que ganham demais;
    2) calões que ganham quanto merecem;
    3) esforçados que ganham de menos;
    4) esforçados que ganham quanto merecem.

    Se puséssemos numa tabela binária estas duas variáveis, poderíamos usar um coeficiente de correlação para obter o grau de distinção entre as variáveis. Suponho que em Portugal este seja muito baixinho. Deixo as contas para os economistas, embora duvido, pelo que vejo aqui, que estes saibam alguma coisa de economia (cf. meu comentário anterior).

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