Contradições a alta velocidade.*
O debate orçamental em curso tem revelado muitas contradições. Por exemplo, ouvimos o Primeiro-ministro, no mesmo debate parlamentar, dizer que “o Estado não pode continuar a gastar como até aqui”, para, de seguida, declarar que agora (ou seja, no contexto financeiro actual ou, apesar dele), “temos uma oportunidade rara para avançar com o TGV”… sendo que é sua convicção que tal investimento avançará mesmo, daqui a seis meses.
Note-se que o palpite dos mesmíssimos “seis meses” já tinha sido expresso, há uns bons tempos atrás, pelo Ministro Mendonça! Ouvimos, também, Manuela Ferreira Leite dizer que se tornava imperioso, apesar do Orçamento em debate ser péssimo, fingir que existia consenso partidário, para, no fundo, enganar os mercados internacionais.
Mercados esses que, mais uma vez, não se deixaram enganar, contrariando os defensores de uma ilusão de “estabilidade política” a todo o custo, justificada, precisamente, com o intuito de acalmar (enganar) os ditos mercados. Estes sempre se guiaram mais pelo estado real da economia do que pelas circunstâncias do discurso político interno que, de resto, não ouvem, nem querem ouvir. Por isso é que nos dias seguintes à assinatura do acordo de viabilização orçamental, a resposta dos ditos mercados foi uma subida das taxas de juro (a dez anos) da dívida soberana portuguesa.
Voltando à questão do TGV, ela poderia ser debatida em termos ideológicos. Assim, teríamos, por um lado, os defensores das virtualidades intrínsecas do investimento público, crentes de que o Estado deve planear e assumir, ele próprio (à custa da despesa e da dívida públicas que seriam sempre virtuosas), um papel, também ele contraditório, de “político-empresário”. Por outro lado, em contraponto, teríamos a defesa de um ideal de Estado mínimo (sobretudo, em termos económicos), não agindo como “o grande condutor” do país, do mercado e não impondo à sociedade desígnios nacionais de modernidade – que reflectem sempre a visão parcial e os interesses (mesmo extra-políticos) de quem governa.
Infelizmente, a questão colocada apenas nesses termos seria, no contexto da aflitiva crise actual, inconsequente. O problema – e novamente, aqui, os ditos mercados também não se deixarão enganar – é que, com a falta de credibilidade que a nossa governação tem revelado, com o resultado desastroso, para as finanças públicas, das “nossas” parcerias público-privadas (em rigor, verdadeiras parcerias “político-privadas”), por muito que o Governo diga o contrário, ninguém consegue convencer-se de que, agora, o TGV não seria um contributo, a altíssima velocidade, para a bancarrota definitiva. Mesmo que assim não fosse, restaria perceber porque é que uma ligação entre a Galiza (sem aeroportos internacionais) e o Porto (acabando em Lisboa), seria menos prioritária do que o troço Caia-Poceirão.
* Grande Porto, Ed. 5.11.2010

Se o Estado não pode continuar a gastar como até aqui….a culpa é essencialmente de Guterres e Sócrates.
Este pelos últimos CINCO ANOS.
Guterres porque criou o MONSTRO como muito bem ALERTOU CAVACO em 1999
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E qto ao TGV:
Aquela pressa toda com o troço Poceirão-Caia, as possíveis indemnizações a pagar deviam ser investigadas pelo Ministério Público.
O PGR diz que não tem poderes…
CLARO QUE TEM.
NÃO OS QUER USAR.
Destruíu as cassetes do Vara-Sócrates…isso é não ter poder????
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FOI ASSIM:
Do sucateiro para F. Vara : 500 .000
De Vara para ? : 450.000
(vem do controle POLICIAL das contas do dito Fernando)
Pergunto eu, que sou um ingénuo : Cadé os 50.000 ?
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esse palerma do pm se tudo correr bem daqui a 6 meses esta sentado frente a um juiz a explicar os negócios ruinosos com o coelho da mota-engil
as contas vão começar a aparecer e não há dinheiro para tapar as trafulhices que foram feitas na vigência deste ordinário
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ou talvez sem ovos não se fazem omoletes (compra da divida) ….
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CHINA UNVEILS 260MPH TRAIN LINE
http://www.express.co.uk/posts/view/207624/China-unveils-260mph-train-line#
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e lá irá (?) mais outra venda de europeus a preços europeus para compradores europeus …
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Só se ouve falar do TGV e do dinheiro que costa ao país essa obra.. mas toda a gente se esquece que se gasta (actualmente) muito mais dinheiro em auto-estradas do que se irá gastar em 3 anos a construir o TGV.
Pois então não ouço ninguém a queixar-se daquilo que também ajuda, em grande parte, ao “buraco” das finanças públicas!
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