O drama dos utentes da cultura
O Ministério da Cultura vai cortar mais de 20% nos subsídios aos agentes culturais. Os jornalistas têm entrevistado directores, artistas, deputados e governantes. Todos eles se pronunciam sobre o drama dos artistas e instituições culturais que terão menos dinheiro no próximo ano. Mas o drama de quem realmente interessa, o drama do utente da cultura, é esquecido. Afinal, os subsídios da cultura têm uma única justificação: levar cultura aos utentes. Os jornalistas deviam tentar perceber como sobreviverão os utentes da cultura ao ano de 2011, um ano em que se espera uma queda abrupta na qualidade e na quantidade de teatro, dança, e da ópera disponíveis para o utente da cultura português. Perante um abrupto fechar de horizontes, ficará o utente da cultura embrutecido? Desenvolver-se-á um mercado negro neoliberal de bens culturais? Teremos portugueses desesperados a pagar a ópera ao preço de custo, ao qual se somará o lucro exploratório do capitalista?

“os subsídios da cultura têm uma única justificação: levar cultura aos utentes.”
Hehehe.
O Min. da Cultura existe para legitimar o Regime e clientelar os “artistas”.
A reacção monocultural dos jornalistas é simplesmente a demonstração da cultura clientelar.
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excelente post, é raro alguem colocar o dedo nessa ferida
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“Afinal, os subsídios da cultura têm uma única justificação”: dar de comer aos “agentes” activos culturais. Quanto aos “passivos”, esses, são irrelevantes.
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Levemente, sobre a “matéria”:
Lido este post, e só este post, João Miranda releva semi-ironicamente a situação do espectador tuga perante a criatividade, a produção e a situação económica e financeira do país.
Por certo saberá que “Todo o espectador é um cobarde e um traidor” — FFanon.
Ora, provavelmente também sabe isto: nem todos os subsídios atribuídos aos criadores tugas são criteriosamente dados, depende-de…; os governos de praticamente todos os países subsidiam, apoiam a cultura, os patrimónios culturais, os criadores. Também obedecem a critérios, cedem a lobbys, raros os que investem, bem, na cultura.
Contestações aos subsídios e à redução dos mesmos, ocorrem sempre.
O que estará em causa, em Portugal, é a qualidade da criatividade e, a falta de exigência para que A ou Z cumpra “as regras”. Nalguns casos, que empreguem bem e honestamente o dinheiro do Estado, dos nossos impostos.
Penso que JMiranda saberá também isto: nem toda a produção anual destina-se só ao “mercado” interno.
Por último: desde Manuel Maria Carrilho, nenhum outro ministro da cultura soube pensar o país cultural e raramente delineou um projecto globalo para o sector. GCanavilhas também não entende “o que se passa” e é submissa a pressões.
E Sócrates foi novamente crápula, hipócrita, quando numa entrevista televisiva afirmou que estava “arrependido” por no anterior governo não ter “apostado mais na cultura. Um PM inculto não quer saber de Cultura. É o caso !
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Muito, muito bom. Grande post.
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Estou de acordo com o post do JM.
Mas no momento de crise que atravessamos, a austeridade deveria ser repartida por todos, embora tal não aconteça.
No entanto, coloco a seguinte questão: quando Rui Rio cortou a torto e direito na fatia do bolo camarário no que toca à cultura, que foi que o João Miranda escreveu a esse respeito?
Provavelmente meteu o rabinho entre as pernas…
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Lê-se “os subsídios da cultura têm uma única justificação: levar cultura aos utentes” e, de súbito, soltamos aquela gargalhada devida à anedocta que é um misto de tristeza e de euforia.
Quem é que leva a cultura aos utentes? Os jornalistas? E têm direito a subsídio para ganharen cultura? Mas se os desgraçados são, na maioria, idiotas, que raio de cultura podem eles reconhecer, produzir e transmitir?
Bah! Isto deve ser só para justificar o subsidiozito…
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Muito bem!
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Muito bem.
O próximo post de fundo vai ser uma grande homenagem a Rui Rio, acompanhado de um pedido de desculpas por qualquer coisinha.
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Muitos(!!!) jornalistas “culturais” tugas, incluindo os “emergentes” e post-“emergentes”, para além de indigentes, ignorantes e transmissores de modas, tendências e de cânones estrangeiros, estão interligados, dependentes e ao serviço de lobbys, de instituições, de amigos e do poder !
Se vivessem com pão e água, não me provocaria piedade.
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Nesta não esteve mal o sabe-tudo. No entanto, embrutecido já o utente está. Não sei se o embrutecimento se dá para além de certos limites, nunca substimo a capacidade humana para a miséria. Nesse sentido, ficava mais barato cortar tudo de uma vez. E dizer aos “agentes” — ide trabalhar.
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Há cinquenta anos não havia subsídios para ninguém e existia na mesma actividade cultural. Se calhar não havia era tanta gente a chular…
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kruzes,
Há cinquenta anos havia muitos subsídios, apoios, “incentivos”. Uns, conhecidos; outros, a maioria, não conhecidos dos contribuintes, dos cidadãos. Quem escrutinava os apoiados e como lhes chegavam os “favores” e as sinecuras ?
Havia muitos (e diferentes dos de hoje) “corredores” e interesses para subsidiar autores defensores do regime.
Muita gente vivia “a chular” e a mamar “à grande” (!) no erário público.
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Tá demais João, ri a bom rir!
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