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A natação é a nova prioridade

1 Dezembro, 2010

Imaginem  um país que durante muitos anos apostou no baseball, apesar de não ter qualquer tradição neste desporto. A ideia era converter o país numa potência do baseball. Sem grande sucesso. A aposta no baseball quase arruinou o país sem que com isso se tenham ganho competições internacionais.

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Um belo dia, o líder deste país lembrou-se que deveriam apostar na natação. A natação tinha sido descurada durante anos, mas agora tornara-se estratégica. Como é que o grande líder poderia desenvolver a nova aposta do seu país. Alguns métodos:
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1. Reunir com os 10 melhores nadadores do país, uns carolas que, apesar da aposta no baseball, insistiram em praticar natação nas poucas piscinas do país. O propósito da reunião é dar moral e transmitir apoio à natação (a nova aposta estratégica do país). Este método requer um investimento de 2 horas.
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2. Construir piscinas e esperar que os jogadores de baseball desempregados descubram subitamente que têm vocação para nadadores. Este método requer 2 anos para construir as piscinas.
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3. Desenvolver um país decente, onde a justiça funciona, a educação funciona e em que as pessoas têm incentivos para trabalhar, investir e enriquecer. Onde não se fazem apostas estúpidas em coisas como o baseball e em que os cidadãos têm dinheiro e tempo para se dedicarem a actividades de lazer. Um país onde é racional construir piscinas porque já existem escolas e hospitais e onde ninguém desbaratou dinheiro em campos de baseball. Num país assim, é bem provável que apareçam bons nadadores. É até provável que algumas pessoas comecem a interessar-se pelo baseball. Este método requer pelo menos 20 anos.

16 comentários leave one →
  1. ccz's avatar
    1 Dezembro, 2010 11:20

    Na mouche!!!

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  2. Piscoiso's avatar
    1 Dezembro, 2010 12:39

    Eu apostava no curling.

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  3. PMP's avatar
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    1 Dezembro, 2010 12:48

    Imaginem um país que em vez de centralizar grande parte da administração pública, das empresas públicas, das empresas privatizadas EDP, PT, GALP, BRISA, CIMPOR, Portucel, na capital , tinha essas entidades nas diversas cidades médias do país.
    Imaginem um país que tivesse uma politica de fixação das populações no interior e apoiasse a agricultura e as PME’s exportadoras da mesma forma que subsidia o Metro de Lisboa e a RTP.
    Imaginem um país com um Governo, Secretarias de Estado, Direcções Gerais, Institutos reduzidos a metade.

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  4. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    1 Dezembro, 2010 12:59

    Este método requer pelo menos 20 anos? Depois de outros 20 anos até ser tomada a decisão?
    Que pena, já não tenho idade para isso.

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  5. PMP's avatar
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    1 Dezembro, 2010 13:01

    Relatório McKinsey. Mudar o ensino em menos de seis anos não é utopia.
    A boa educação não depende da cultura ou da riqueza. Líderes políticos fizeram a diferença em 20 regiões
    Não importa se um país é rico ou pobre. Não importa sequer se esse mesmo país está no hemisfério Norte ou Sul do planeta. Em qualquer canto do mundo é possível conquistar uma educação de excelência. O ensino de qualidade não é território dos povos industrializados ou das escolas privadas. É antes mérito dos que aplicaram as medidas certas e souberam esperar pelos resultados. E nem é preciso esperar muito. Qualquer sistema de ensino pode ver o seu desempenho mudar em seis ou até menos anos. Esta é a conclusão do estudo “Como os Melhores Sistemas de Ensino continuam a melhorar” divulgado esta semana pela consultora de gestão McKinsey.

    Os autores deste estudo analisaram 20 modelos de ensino em várias partes do mundo, e em diferentes estádios de de-senvolvimento. Duas dezenas de sistemas estão organizados neste relatório em quatro grupos – Os fracos, os satisfatórios, os bons e os excelentes (ver caixa). Entre o Gana e a Arménia, entre o Chile e a Polónia, entre Hong Kong e Minas Gerais (Brasil) há muito pouco a unir cada um destes países ou regiões. Não é a riqueza, o modelo político, ou a geografia que contribuíram para que estejam hoje entre os que subiram o rendimento escolar a curto prazo.

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  6. ccz's avatar
    1 Dezembro, 2010 14:09

    “Imaginem um país que tivesse uma politica de fixação das populações no interior e apoiasse a agricultura e as PME’s exportadoras da mesma forma que subsidia o Metro de Lisboa e a RTP.”
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    Falia também.
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    Tudo o que precisa de apoios não é sustentável. Há agricultura em Portugal com valor acrescentado e sem necessidade de subsídios para sobreviver.
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    Há milhares de PMEs exportadoras em Portugal que só querem é que o Estado não atrapalhe e não roube mais.

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  7. PMP's avatar
    PMP permalink
    1 Dezembro, 2010 14:25

    CCZ,
    Toda a agricultura no mundo é apoiada. O país não falia, pois as importações diminuíam, sempre era melhor que derreter dinheiro na capital.
    Grande parte da industria avançada dos países desenvolvidos foi apoiada pelos estados.

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  8. ccz's avatar
    1 Dezembro, 2010 15:43

    Toda a agricultura não, pelo menos a neo-zelandesa não.
    .
    As importações diminuíam, mas não geramos riqueza suficiente para pagar o diferencial entre comprar trigo made in Alentejo e trigo made in estepe ucraniana de modo sustentável. E quem diz trigo diz carne de vaca, diz tudo o que pode ser produzido ou tem vantagem em ser produzido em extensão.
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    Só faz sentido a agricultura ser apoiado se for para arranque de algo que depois pode ser sustentado, se não o resultado é o labirinto da PAC cara e boa para lobbys.
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    Mas se temos indústria que não precisa de apoios, por que temos de apoiar indústrias que nunca serão competitivas?

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  9. PMP's avatar
    PMP permalink
    1 Dezembro, 2010 16:00

    CCZ,
    A agricultura é em geral subsidiada, como são os transportes públicos, e outras actividades.
    Em Portugal andamos desde o Cavaco com a mania que a agricultura tem de competir sem apoios !
    Isso era bom mas não conseguimos, por isso temos de apoiar
    Mas se não produzir como vai comprar o trigo da Ucrânia, ou as vacas da França? Já reparou que se produzir-mos internamente o emprego sobre , os impostos também e o deficit publico desce ?
    Já viu o numero de desempregados, sub-empregados e inactivos que existem ? Talvez 800 mil.
    Vão morrer à fome juntamente com os seus filhos ?
    Já viu que se o numero de funcionários do sector publico diminuir (e vai ter de diminuir) o desemprego dispara ainda mais ?
    Mas porque é que o calçado e outros sectores exportadores não empregam mais umas centenas de milhar ? Será que não precisariam de apoios para isso ?

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  10. ccz's avatar
    1 Dezembro, 2010 16:23

    Caro PMP,
    Não estou a brincar, nem a querer insultar o seu raciocínio, mas a sério faça um desenho, faça um esquema: financia os agricultores, e de onde vem o dinheiro? Dos impostos? E de onde vêem os impostos? Dos contribuintes? E de onde vem o dinheiro dos contribuintes? Dos seus salários? E de onde vêm os salários? Vêm em parte de subsídios às empresas… Oops vai dar tilt, algures vai faltar dinheiro. Vai ver que chega a um ciclo onde algures vai ter de entrar dinheiro constantemente.
    .
    Como naquelas pirâmides humanas da Catalunha http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4700746-EI8142,00-Festival+em+Barcelona+tem+piramide+humana+com+pessoas.html
    Como é que um grupo restrito de humanos consegue chegar à Lua? Quando o último homem chegar ao topo da pirâmide, os do primeiro andar sobem por aí a cima, e depois os do segundo e assim por diante… não funciona.
    .
    “Mas se não produzir como vai comprar o trigo da Ucrânia, ou as vacas da França?” Produzindo aquilo em que podemos ser bons e muito competitivos: morangos, kiwis, diospiros, ervas aromáticas, castanhas, nozes, vinho, legumes e hortícolas para entrega rápida nas cidades europeias, … até relva para estádios de futebol.
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    Já viu o preço de um kg de mirtilhos? Ou de amoras? Ou de groselhas?

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  11. ccz's avatar
    1 Dezembro, 2010 16:25

    “Mas porque é que o calçado e outros sectores exportadores não empregam mais umas centenas de milhar ? Será que não precisariam de apoios para isso ?”
    .
    Por que hoje em dia produzir é o mais fácil. Difícil é vender. Se há excesso de oferta como é que podíamos suportar uma bolha de empresas de calçado? Mais uma vez, de onde vinha o dinheiro? Outra pirâmide humana…
    .
    Já nos basta o excesso de pessoas na obras públicas suportadas com as malditas PPPs.

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  12. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    1 Dezembro, 2010 16:43

    “Toda a agricultura no mundo é apoiada.”
    .
    Tiro e depois dou. Logo apoio. O truque dos PMP’s deste mundo para ter votos.

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  13. ricardo's avatar
    ricardo permalink
    1 Dezembro, 2010 16:59

    Ainda vai demorar para que os portugueses percebam que o Estado dá com uma mão e tira com outra. O “apoios” de uns saiem do bolso de outros.
    Enquanto não perceberem, vão sendo enganados e vão votar nos que prometem apoios para tudo e mais alguma coisa, sem nunca explicar de onde vem o dinheiro.

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  14. PMP's avatar
    PMP permalink
    1 Dezembro, 2010 17:02

    CCZ e LL,
    Vocês querem colocar nos ombros das PME’s e dos poucos agricultores o PIB de um país ?
    Esses empresários são heróis, mas são anões à frente de gigantes na competição global, que ainda por cima tem ajudas estatais mais ou menos camufladas.
    Vejam lá que o grupo VW era maioritáriamente estatal e ainda é em parte. Renault idem, e tantos outros.
    .
    O vosso problema é pensarem que o dinheiro se esgota ou se gasta. O dinheiro (fiat-money) tem origem no estado quando este paga os bens e serviços ao sector privado. Depois vai circulando na economia e vai pagando impostos até que retorna na totalidade ao estado, que depois o volta a entregar ao sector privado.
    Por isso subsidiar/apoiar a agricultura ou a industria de uma forma inteligente (como a Espanha, ou a França, ou a China, ou o Japão, ou a Coreia), não gasta nada, pois o resultado é mais emprego e mais impostos.
    É preciso é produzir e exportar em quantidade que mantenha o desemprego baixo, senão a pobreza aumenta.

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  15. ricardo's avatar
    ricardo permalink
    1 Dezembro, 2010 19:47

    PMP
    Depois da sua “explicação” sobre o sistema monetário fica claro porque é que não consegue perceber a economia.
    A riqueza dum país não é o dinheiro, mas sim o seu produto Nacional Líquido, as poupanças líquidas acumuladas sobre o exterior e a infraestrutura(Capital)instalada.

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  16. PMP's avatar
    PMP permalink
    1 Dezembro, 2010 20:06

    Sr. Ricardo,
    Você é que não percebe como funciona o sistema monetário, pois disse quase o mesmo que eu.
    O dinheiro é apenas uma forma de activar e manter activa a economia, não é a economia e o dinheiro não se gasta, circula.
    O Produto Interno, é interno por definição, por isso é que o dinheiro interno não se gasta.

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