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Time traveling

1 Dezembro, 2010

Escreve  João Pinto e Castro sobre a liberalização dos despedimentos:

Ainda se as reformas laborais sugeridas visassem reduzir os custos da contratação, poder-se-ia perceber; mas reduzir as barreiras ao despedimento conduz directamente ao aumento do desemprego.

.

Ao contrário do que sugere João Pinto e Castro, o despedimento e a contratação não são 2 eventos independentes e sem qualquer relação. As regras do despedimento influenciam a forma como se contrata, de modo que uma barreira ao despedimento é um custo de contratação. Da mesma forma, as regras de despejo influenciam o investimento em habitação para arrendar. As regras do divórcio influenciam a propensão para casar. As regras de levantamento antecipado influenciam a propensão para investir em depósitos a prazo.  E a mudança, prevista para 2013,  das regras do fundo europeu de apoio às economias endividadas começa desde já a influenciar os juros das dívidas.Interessante, não?

 

44 comentários leave one →
  1. Miguel Almeida's avatar
    Miguel Almeida permalink
    1 Dezembro, 2010 20:02

    Caro João,
    Como sempre, simples e brilhante. Apenas uma nota, relativamente ao emprego: alguns dos factores administrativos legais que contribuem directamnte para o desemprego: salário mínimo, sgurança social, os 13 mês, ….

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  2. Me's avatar
    1 Dezembro, 2010 20:15

    ainda por cima , aumentando a idade da reforma até ao caixão , como o estão a fazer , quem se atreve a contratar sem prazo? só um doido. e doidos são também quem a aumenta : o que vão gastar em baixas médicas vai anular o ganho nas reformas , é que a idade não perdoa e os achaques vão ser mais que muitos.

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  3. ulisses's avatar
    ulisses permalink
    1 Dezembro, 2010 20:32

    da mesma forma, a qualidade de pensamento do joão miranda influencia os seus posts

    (aumentar a rotatividade não diminuiu desemprego)

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  4. Manolo Heredia's avatar
    Manolo Heredia permalink
    1 Dezembro, 2010 20:37

    A taxa de desemprego nunca mais será o que foi antes da crise. Durante 20 anos andámos a produzir bens e serviços que ninguém queria comprar ou utilizar (casas, expos, estádios) para enganar a realidade que está diante dos olhos de quem quer ver: os níveis de automatização da indústria e dos serviços são de tal maneira elevados que é possível atingir os objectivos da produção praticamente sem a utilização de trabalhadores por conta de outrem. Os portageiros foram substituídos por máquinas, o chek-in dos aeroportos já se faz na Net, assim como o pagamento de impostos ou o planeamento de viagens. Qualquer um pode ser distribuidor ou taxista desde que tenha GPS, os investimentos na bolsa (etc nos bancos) já não requerem a intervenção de trabalhadores especializados, etc, etc.
    A tendência para substituir a pessoa pela máquina, nos locais de trabalho, prova que não serve de nada tornar o emprego dependente ainda mais precário, prova que a economia não está ao serviço do homem e que os cidadãos são encarados pela economia como um simples factor de produção, ao mesmo nível de outros como a água, ou o oxigénio do ar… descartáveis.

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  5. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    1 Dezembro, 2010 20:43

    Ulisses,
    .
    Tem que aprender a ler. Em ponto nenhum no post eu falo em diminuição do desemprego.

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  6. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    1 Dezembro, 2010 20:47

    Onde anda o PMP? Ele que leia isto:
    .
    .
    http://money.cnn.com/2010/12/01/markets/bondcenter/treasuries/index.htm
    .
    .
    Se a intenção da Reserva Federal era baixar as taxas de juro, com a compra de obrigações governamentais, então bateu com os burrinhos na água. lololololololol
    .
    .
    Por acaso não penso que tenha sido essa a verdadeira intenção da Reserva Federal. No entanto, os mercados accionistas batem palmas ao fim da bolha especulativa nas obrigações governamentais. Por agora… ehehhehheheh
    .
    .
    Depois… http://www.youtube.com/watch?v=ra9Vm_2UQsc

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  7. anónimo convicto's avatar
    anónimo convicto permalink
    1 Dezembro, 2010 20:59

    João Miranda,
    Na minha área profissional, até 2008, os novos contratados para trabalho externo, iniciavam a sua carreira com um ordenado entre 1300-1700 euros. Hoje em dia, devido à pressão do desemprego, e nas actuais condições de mercado, para trabalho semelhante, oferece-se entre 700-850 euros. Ao liberalizar ainda mais os despedimentos, duas coisas iriam acontecer:
    1ª -os salários actuais iriam sofrer um colapso.
    2ª Despedir os trabalhadores mais antigos, (logo aqueles que auferem maiores salários) as empresas poupariam nas indemnizações, e reduziriam muito os custo com pessoal.
    3ª Não iriam criar mais empregos, mas sim embaratecer os actuais custos. E acabar com os contratos sem termo certo.
    Promover a selvajaria total nas relações laborais, vai empobrecer a sociedade e fazer regredir a civilização. É este o país que o JM quer?

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  8. A. R's avatar
    A. R permalink
    1 Dezembro, 2010 21:00

    E porque haveria de aumentar o desemprego? A despenalização do aborto diminuía o número de abortos.

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  9. Carlos Albuquerque's avatar
    1 Dezembro, 2010 21:51

    O essencial do post do João Pinto e Castro é que as medidas de “flexibilização” do mercado laboral estão a ser misturadas com a crise financeira quando não resolvem nada em tempo útil e podem agravar e muito a crise social. O que permite realmente suspeitar que esta crise financeira está a ser aproveitada para impor opções políticas disfarçadas de soluções técnicas. Por onde andará a esquerda do PS para tão facilmente engolir isto? Ou o PS do poder já só tem a ver com o poder do capital?

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  10. PMP's avatar
    PMP permalink
    1 Dezembro, 2010 22:08

    O Sr. João Miranda ainda não entendeu que as empresas só produzem o que vendem.
    Para venderem têm que ter compradores que devem estar empregados.
    A isso chama-se a lei da PROCURA e da Oferta.
    Mas uns senhores do século XIX postularam alguns conceitos económicos como que a oferta é que cria e a malta dos economistas neo-liberais ainda os usa, sem os questionar. Imaginem o que seria da fisica e quimica se ainda estivesse presa aos postulados do século XIX ?
    .
    Caro AC, não sei é investidor/especulador nos mercados de acções (eu sou diáriamente) mas lá está,
    o FED conseguiu o que queria : ou os juros baixam ou a economia/emprego cresce (emprego privado cresceu ao nivel de 2007 !). O tal “dual-mandate”.
    Mas veja lá , mesmo assim continuam com o programa de compra de 600 mil milhões, e os deuses dos mercados eficientes não os castigam (compare com os miseres montantes do BCE , até dá para rir !).

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  11. Me's avatar
    1 Dezembro, 2010 22:41

    não estou a ver como vão resolver o problema que criaram , aqui pelas europas. a pirâmide demográfica global ( envelhecida ) reflecte-se no “parque ” laboral e têm para lá uns pópós novos ( os jovens) , que gastam menos e correm mais , a ganhar ferrugem. está bonito.

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  12. Me's avatar
    1 Dezembro, 2010 22:50

    e era muito mais importante para o futuro dos países que esses jovens começassem a ganhar , muito mais que os mais velhos conservarem os empregos ( e aqui é que não vejo solução justa , foram enganados ) , porque a idade fértil nas mulheres dura pouco…e sem emprego . qualquer dia a europa é assim umas tribos separadas por kms outra vez.

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  13. PMP's avatar
    PMP permalink
    1 Dezembro, 2010 22:58

    Pois é Me, os jovens à procura do primeiro emprego estão tramados. Taxa de desemprego jovem à volta dos 20%.
    Mas o problema é que o irresponsável do Sócrates nem o Passos propõe nada que possa aumentar o emprego.
    Nem mesmo os brilhantes economistas conseguem que a Brisa e outras aumentem o emprego.

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  14. Luís Gaspar's avatar
    Luís Gaspar permalink
    1 Dezembro, 2010 23:35

    O meu comentário, que seria o segundo desta lista, ainda não teve aprovação da censura prévia, pelo que o reproduzo aqui:

    As regras subjacentes ao divórcio têm de facto influência no casamento. A facilidade com que se divorcia tem contribuído para destruir a credibilidade do casamento e do compromisso, reduzindo o número de casamentos. A facilidade com que se despede reduz também o sentimento de pertença de um trabalhador a uma empresa, reduzindo-lhe a fidelidade. Talvez assim se possa concluir que se uma empresa tiver muita facilidade em despedir, terá menos interesse em contratar, porque sabe que estará a contratar trabalhadores muito pouco fiéis – contratarão menos, pagando mais, para que a ameaça de despedimento compense a falta de fidelidade. Nem sempre as relações de causalidade são na direcção que se quer para efeitos panfletários liberais.

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  15. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    1 Dezembro, 2010 23:54

    “Caro AC, não sei é investidor/especulador nos mercados de acções (eu sou diáriamente) mas lá está,
    o FED conseguiu o que queria : ou os juros baixam ou a economia/emprego cresce (emprego privado cresceu ao nivel de 2007 !). O tal “dual-mandate”.”
    .
    .
    Então até Vc. não aprendeu nada com a crise e o crash de 2008. Espere pela pancada e analise a curva das taxas de juro. Se investe diariamente em acções, está na hora de ir mais longe que o mero daytrading. ;))

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  16. Me's avatar
    1 Dezembro, 2010 23:59

    acontece que deram muitos passos errados , com isto do estado social e da pseudo guerra patrões/empregados : tornaram mais apetecível ser empregado que patrão , e dentro dos empregados , ser empregado do estado. e agora há uma legião de futuros empregados à procura de patrões , que entretanto , com tanto estado “protector” e mamão , se tornaram uma raridade. era vulgar , creio , no tempo do meu pai , no tempo do botas , um jovem ( e não era preciso ser rico ou muito alfabetizado ) estabelecer-se com qualquer ofício que tivesse aprendido e uma ajudinha da família , e às tantas , com muito trabalho , lá tinha uma pequena ou média empresa. hoje , com tanto “mimo” e “escola ” e conversa de emprego acabaram quase com a iniciativa das pessoas.
    descalçar a bota vai doer.

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  17. A. R's avatar
    A. R permalink
    2 Dezembro, 2010 01:27

    Um dia seremos ricos e todos teremos salários como o Pedro Soares e tomaremos café com o PM por centenas de milhares de Euros de comissão.

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  18. luis Moreira's avatar
    luis Moreira permalink
    2 Dezembro, 2010 01:35

    Liberalisar o emprego nas privadas que produzem e aumentar os anos de serviço fixo e com todas as garantias, no Estado que mama sem cessar, é um “must “. Só nós nos lembraríamos de tal esquema. Mas é verdade que se está a proveitar a crise para muita malandrice…

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  19. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 10:38

    AC,
    Não percebi o que queria dizer. E não faço day-trading, mas acompanho diáriamente o mercado americano e o português.
    O que se passa nos EUA é que apesar do deficit de 10,5% as taxas de juro de médio prazo estão baixas graças ao FED. Dessa forma a economia está a recuperar e a crescer 2,5% ao ano. O emprego está a recuperar um pouco. O dólar está aos niveis de 2007.
    Ou seja a tal estratégia Keynesiana está a funcionar, como seria racional esperar para quem entende que os deficits publicos num estado com moeda propria são completamente diferentes das dividas privadas.

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  20. rui tavares's avatar
    2 Dezembro, 2010 10:58

    “As regras do divórcio influenciam a propensão para casar.”
    De que forma, pode desenvolver?

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  21. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 11:26

    “Não percebi o que queria dizer. ”
    .
    .
    Pois não entendeu. Não percebeu nada com o crash de 2008 como o de 2000. Esse é o problema. eheheheheheheh
    .
    .
    Vc. pensa que dar balões de oxigénio estimula a actividade económica? Continuando a aumentar o endividamento? O crédito? A alavancagem do sistema económico? Sabe o que quer dizer isso? A próxima crise será pior. É como ir dando morfina ao doente com gangrena na perna. A dor sai e aperentemente os sintomas desaparecem, mas o cancro continua a alastra.
    .
    .
    A Alemanha sem tantas medidas keynesianas está a crescer muito mais. lololololol E é mais sustentado.
    .
    .
    Vá lá ver então a curva das taxas de juro e analise bem e com cuidado. Estão a surgir os primeiros sinais. Depois, as taxas de juro reais, aquelas que são cobradas aos agentes económicos, com excepção de algum corporate debt, estão a subir. Não aliviando os devedores. Além disso há uma contradição. Se a economia está a crescer saudavelmente, porquê o QE2? lololololololol

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  22. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 11:38

    AC,
    A Alemanha tem deficit publico, e teve quase sempre em décadas, logo pratica o tal keynesianismo, embora pregue outra releigião.
    Os juros estão a subir nos EUA e no UK porque há crescimento económico.
    O FED com o QE2 está a ter uma atitude de precaução, de forma a evitar o tal “double dip”.
    Você tem que entender que a divida privada é totalmente diferente da divida publica num país com moeda própria. É a confusão entre estas duas entidades que dá vida aos mitos/crenças neo-liberais.
    O crash de 2008 foi um “Minsky Moment” quando os credores privados deixaram de financiar ou refinanciar investimentos do tipo PONZI : (Hyman Philip Minsky (September 23, 1919 – October 24, 1996) was an American economist and professor of economics at Washington University in St. Louis. His research attempted to provide an understanding and explanation of the characteristics of financial crises. Minsky was sometimes described as a post-Keynesian economist because, in the Keynesian tradition, he supported some government intervention in financial markets and opposed some of the popular deregulation policies in the 1980s, and argued against the accumulation of debt. His research was noticed by Wall Street.[1]

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  23. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 12:11

    Ó PMP, Vc. tem que ler mais um bocadinho. Vc. ainda é verde nestas coisas. ;))
    .
    .

    Click to access me25-1-1.pdf

    .
    .
    Então acha que este crescimento económico se deve ao keynesianismo? Ó meu amigo, deixe-se lá de ideologias e religiões, que lhe fica mal. Uma pessoa como Vc. que critica os outros pelas suas “religiões económicas” comete o mesmo pecado. Vá lá, leia mais coisas a sério e menos propganada rasca.
    .
    .
    Se quiser mais papers, diga, que eu meto-lhe mais um ou outro.
    .
    .
    Vc. ainda está verdinho. É como lhe digo, o crash de 2000 e 2008 não lhe ensinaram nada. É pena.

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  24. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 12:13

    Até lhe vou dizer mais, caro PMP; Vc. nem sequer lê aquilo que Vc. próprio escreve:
    .
    .
    “he supported some government intervention in financial markets and opposed some of the popular deregulation policies in the 1980s, and argued against the accumulation of debt.”
    .
    .
    Agora medite no que eu destaquei com o que está a acontecer. Vc. anda a apanhar bonés como muitos outros. Pronto. Cada um a sua mania.

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  25. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 12:23

    Ó AC,
    Então acha que tenho de ler mais coisas e você ainda não percebeu a diferença entre a divida publica e a privada.
    Não sabe o que é o “fiat-money” ? Afinal você é que está verdinho ou azulinho.
    Deixe para lá os adjectivos rascas, só demonstram arrogância despropositada.
    Atirar com papers de 40 páginas é fácil. Faça você um resumo do crash de 2008.
    Então já não gosta do Minsky, foi você que o trouxe para aqui, ele é rasca ? Então e a tal FIH também é rasca ?
    Não seja como os tais que dizem que a economia é só a do sec. XIX e os tais do Ricardo e do Say.
    Veja lá como os QE de 2500 mil milhões de dólares não provocaram a ira dos deuses.

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  26. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 12:43

    Ó PMP; então ensine-me. Mas responda com seriedade às questões que lhe vou colocar.
    .
    .
    O que é o fiat-money?
    .
    .
    Qual a diferença entre o crédito privado e público?
    .
    .
    O que é a alavancagem financeira?
    .
    .
    Porquê que a alavancagem financeira aumenta a instabilidade do sistema económico?
    .
    .
    Porquê que a produtividade deve crescer acima dos juros reais?
    .
    .
    Pronto, agora fico à espera das suas sábias respostas. Mas não invente, que eu não estou para estar aqui a perder tempo, a ensinar o básico que se ensina nas escolas secundárias. ;))

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  27. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 12:53

    AC,
    Eu perguntei primeiro, mas responda só ás duas primeiras, explique os fluxos.
    Mas olhe que isso não se ensina na escola secundária.

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  28. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 13:01

    Ó PMP, eu não estou numa escola primária. Vc. se entende o seguinte. Vc. pensa que sabe algumas coisas, lá porque vê as bolsas todos os dias. Mas o problema não é esse. Trading pouco tem a ver com isto. E por isso Vc. acha que percebe das coisas e depois diz disparates que irritam, porque são coisas que Vc. inventa.
    .
    .
    E dou-lhe um exemplo corriqueiro. Vc. pensa que sabe muito sobre Minsky. Mas Vc. se o leu, não aprendeu. E depois diz que viemos um Minsky Moment, mostrando que ainda por cima não percebe nada mesmo do que o Minsky tentou explicar.
    .
    .
    Tenha lá paciência. Ou Vc. sabe o que diz e explica ou só diz uns bitaites porque pensa que percebeu o que são algumas ideias e depois é incapaz de as explicar. Tenha lá paciência, que eu não venho para aqui ensinar o básico. Para se entender determinadas coisas já um bocado avançadas, é preciso entender o básico. Mas Vc. nem sabe o que raio é o dinheiro, como pode depois querer avançar mais nas questões mais complexas?
    .
    .
    Olhe, tome lá outro artigo, para ser um bocadinho mais modesto e mais aberto a ideias que domina:
    .

    Click to access ErturkOzgur50.pdf

    .
    .
    Tenha lá paciência. Vc. leu o estudo do banco central do Japão? Se o leu, tem a minha resposta. O resto, ou Vc. tem ideias um bocado avançadas em relação aos demais e, aí é Vc. que tem de explicar o porquê que pensa de uma dada forma; ou está ainda no básico e já quer avançar demasiado, quando nem sequer é capaz de dominar o básico.
    .
    .
    Vc. veio com o paleio do fiat-money. Eh pá, para qualquer um, o fiat-money tem uma definição. Mas provavelmente Vc. tem outra. Se tem outra explique-a; se não tem nenhuma é porque não sabe sequer o que o tal de fiat-money. Olhe, por mim, Fiats, nem os os ver. É carro que nunca caiu no meu goto. lolololololol

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  29. CN's avatar
    2 Dezembro, 2010 13:22

    O comentário do anónimo convicto é um obra de arte de todas as falácias associadas a esta questão

    “João Miranda,
    Na minha área profissional, até 2008, os novos contratados para trabalho externo, iniciavam a sua carreira com um ordenado entre 1300-1700 euros. Hoje em dia, devido à pressão do desemprego, e nas actuais condições de mercado, para trabalho semelhante, oferece-se entre 700-850 euros. Ao liberalizar ainda mais os despedimentos, duas coisas iriam acontecer:
    1ª -os salários actuais iriam sofrer um colapso.”

    2ª Despedir os trabalhadores mais antigos, (logo aqueles que auferem maiores salários) as empresas poupariam nas indemnizações, e reduziriam muito os custo com pessoal.
    3ª Não iriam criar mais empregos, mas sim embaratecer os actuais custos. E acabar com os contratos sem termo certo.
    Promover a selvajaria total nas relações laborais, vai empobrecer a sociedade e fazer regredir a civilização. É este o país que o JM quer?”

    Se por acaso os salários baixam e as empresas passam a ter lucros não normais, novas empresas vão procurar atrair esses trabalhadores pagando mais, até ao ponto de lucro normal.

    Quanto à situação actual, de recessão, ela é fruto dos excessos e ilusão da bolha anterior. Se evitarmos as bolhas, evitamos as crises que obrigam a tempo largos de reestruturação e novo equilíbrio, para evitar as bolhas é necessário que as taxas de juro não sejam artificialmente baixas.

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  30. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 14:53

    Ó AC,
    Mas você não diz nada de seu, só critica e manda links. E depois diz que eu não percebo nada. Veja lá o ultimo parágrafo do artigo do seu link, e pense que Minsky foi um dos maiores admiradores de Keynes :
    “In our view, a Minskyan approach is needed more than ever to help connect all these dots and learn anew the lesson that capital markets sooner or later self-destruct when left to their own devices. That however calls for a vibrant evolving research agenda with a focus on what is happening in the real world rather than repetitive restatements of his work. Minsky had all along argued that finance had to be kept under tight wraps to keep it from destabilizing the real economy. And, once again, when the genie was let loose by financial deregulation, the destruction predictably followed – with the difference that this time around asset price bubbles became the very mechanism of destabilizing finance under the changing conditions of the 1990s just as they were in the pre-WWII era. As heterodox economists, our focus ought to be to show how the institutional evolution of the financial system in the neoliberal era was in fact endogenous, the very outcome of the cumulative political and economic pressures that were unleashed by liberalization itself, in the hope of having an influence on how the financial system is reformed.

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  31. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 15:07

    Ó AC,
    O facto de 95% dos economistas pensarem (ou falarem sem pensar) que a divida pública e a privada são identicas não significa que estejam certos, significa apenas que preferem seguir a cartilha para progredirem nas suas carreiras académicas ou nos bancos centrais ou como comentadores/palestrantes.
    Repare no seguinte: 1- Tesouro dos EUA emitem titulos de divida publica para pagar despesas publicas, 2-FED compra divida publica aos privados creditando dinheiro (reservas) nas contas dos bancos dos investidores, 3-Tesouro paga juros ao FED da divida comprada, 4-FED retorna lucros/juros recebidos ao Tesouro dos EUA.
    Isto é exactamente equivalemente a: Tesouro paga despesas publicas com moeda/novas reservas bancárias nas contas dos prestadores de bens e serviços ao estado.
    Isto é o fiat-money !
    A emissão de divida pública serve apenas para reduzir a liquidez, ou seja manter os juros num nivel adequado à inflação. Mas a inflação pode ser controlada directamente pela despesa publica e pelos nivel impostos.

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  32. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 15:28

    “O facto de 95% dos economistas pensarem (ou falarem sem pensar) que a divida pública e a privada são identicas não significa que estejam certos, significa apenas que preferem seguir a cartilha para progredirem nas suas carreiras académicas ou nos bancos centrais ou como comentadores/palestrantes.”
    .
    .
    Eu isto até concedo. O que eu não lhe concedo é querer dar outras definições e não as explicar. Quero dizer. Pronto, Vc. tem uma outra forma de pensar, logo a sua obrigação é definir os termos antes de pedir que o entendam. Vc. é que tem novas ideias é que as deve explicar. E não pensar que os demais é que são burros por não o entenderem. Percebe? SE Vc. me diz que a bandeira portuguesa é negra e branca, eu digo que o amigo está a inventar. Se me explicar que para mim o verde é para si preto; e o que é para mim encarnado é para si branco; aí já nos começamos a entender melhor. Vc. ou eu podemos ser daltónicos, por exemplo.
    .
    .
    Agora, se quer debater comigo, explique as coisas primeiro antes de querer que eu veja a luz que só Vc. a vê. Ás tantas eu falo de alhos e Vc. de bugalhos.
    .
    .
    Vamos lá ver então a coisa:
    .
    “Isto é o fiat-money !”
    .
    .
    Claro que é. Mas o fia money não é apenas isso. Já lhe expliquei que até eu e Vc. podemos criar dinheiro do nada, no exemplo da compra das batas a 30 dias. E isto é fiat money também. Vc. diz que não é. Se diz que não é, Vc. é que tem de explicar ás pessoas porque não o é.
    .
    .
    Depois o fiat money pode ser criar por muitas instituições, para além do Estado. Vc. é que está convencido que a notas do euro são criadas pelo Estado. Não o são. E logo aí Vc. não me explica porque não o é.
    .
    .
    Por fim, tem que explicar qual a diferença entre crédito público e crédito privado. Deppis, pode continuar a desenvolver as suas ideias. Mas se não define já as definições, Vc. fala de alhos e eu de bugalhos. A culpa é sua. Se eu tenho uma definição diferente dos demais opinion makers, eu tento explicar porque o penso diferente. E não digo que eles é que não sabem as minhas definições. Ora, seu eu tenho-as diferentes porque raio é que a culpa é dos outros?
    .
    .
    Se quer debater comigo, tem que começar a explicar as coisas como deve ser. E se Vc. tem uma outra definição, explique porquê, para saber o que raio Vc. quer dizer. Eu não estou dentro da sua cabeça para descortinar as suas peculiares definições. ;))

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  33. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 15:58

    AC,
    A chave está em perceber que o crédito é diferente do dinheiro (base monetária medida em unidades de moeda-estado ou fiat-money). Balanço de um banco (activo=passivo):
    Activo = moeda nos cofres+reservas no banco central+titulos+empréstimos
    Passivo = depósitos de clientes+empréstimos interbancários+obrigações+capital social
    Agora repare que quando um banco A dá crédito de 1000 euros a um cliente, o activo aumenta de 1000 euros e o passivo também em 1000 euros. Ou seja o saldo é zero, nada se criou. Agora o cliente do banco A passa um cheque de 1000 euros a um fornecedor e este deposita-o noutro banco B. O banco B pede ao banco A os 1000 euros. Agora o banco A vai ao mercado interbancário e pede 1000 euros emprestado, e transfere para o Banco B os 1000 euros., que os transfere para a conta do fornecedor. Nada se criou, apenas circulou um pagamento, pois o crédio de um lado é sempre anulado pelo débito de outro.
    Agora quando é o estado a pagar com dinheiro (moeda-estado) é criado um activo financeiro (dinheiro) que fica na posse dos privados que prestaram esse bem ou serviço ao estado. depois esse dinheiro vai circulando pela economia e vai pagando impostos, retornado ao estado.
    Com os bancos centrais, introduziu-se uma entidade intermédia, que serve para tirar aos governos a capacidade de pagarem com moeda directamente, e obrigar os estados a emitir titulos, que são uma moeda que paga juros, e que serve para os Repos dos bancos. Assim também se mantém a mistica do dinheiro que está guardada pelo sumo-sacerdotes do templo que são os governadores dos bancos centrais, muitissimo bem pagos.

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  34. anti-comuna's avatar
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    2 Dezembro, 2010 16:12

    “A chave está em perceber que o crédito é diferente do dinheiro (base monetária medida em unidades de moeda-estado ou fiat-money). ”
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    Vc. começa logo mal. O dinheiro que Vc. chama monetário não é criado pelo Estado. Ponto final, paragrafo.
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    “Agora quando é o estado a pagar com dinheiro (moeda-estado) é criado um activo financeiro (dinheiro) que fica na posse dos privados que prestaram esse bem ou serviço ao estado. depois esse dinheiro vai circulando pela economia e vai pagando impostos, retornado ao estado.”
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    Não. O Estado também usa o mesmo sistema contabilístico. Paga com créditos e débitos sobre instituições financeiras ou bancos centrais. O Estado só cria dinheiro quando tem défices e emite crédito.
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    “Com os bancos centrais, introduziu-se uma entidade intermédia, que serve para tirar aos governos a capacidade de pagarem com moeda directamente, e obrigar os estados a emitir titulos, que são uma moeda que paga juros, e que serve para os Repos dos bancos.”
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    Aqui Vc. contradiz o que dizia acima. Porque reconhece que os bancos centrais não são do Estado. Mas apenas entidades criadas para gerir a quantidade de dinheiro criada. E zelar pelo bom funcionamento dos mercados monetários.
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    O dinheiro é um meio de pagamento. Não é fisico. Isso são os tontinhos idólatras do ouro que confundem tudo. Aliás, Vc. até confunde. No outro dia deixei-lhe um link para um documento do Banco Central da Suiça a explicar o que é dinheiro, quem eram os donos do banco, etc. Vc. não leu.
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    Os bancos centrais apenas zelam pelo bom funcionamento do sistema e combatem a inflação, se for bom o banco.
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    Porque o dinheiro não são apenas coisinhas fisicas que Vc. vê. O dinheiro é sempre um activo e um passivo. Que pode ser criado pelos agentes económicos. Que funciona na base da confiança, que os agentes económicos cumprirão as suas obrigações. Os bancos centrais também podem falir. O último grande estoiro foi a falência do banco central francês, durante os Anos 30. Por acaso era um banco privado. Aliás, os bancos centrais, no inicio eram quase todos privados. Ou todos. Portanto, não tem nada a ver com o que Vc. entende por dinheiro.
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    Tem que entender que dinheiro é uma forma de pagamento. Tudo o que seja utilizado como meio de pagamento, começa a ser dinheiro. Ou ter as características do dinheiro.
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    Se o Estado pudesse criar dinheiro do nada, para quê pagar juros? Punha as impressoras a trabalhar e todos eramos felizes. Pergunte-se porquê que isso não acontece e quando acontece existem colapsos económicos. Medite e explique-me lá o porquê.

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  35. Adriano Volframista's avatar
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    2 Dezembro, 2010 16:25

    João Miranda
    O seu comentário é um erro de paralaxe.
    O que influencia decisivamente é o tempo que demora na consumação do distrate não as condições de utilização do mesmo.
    Tome o despedimento: a nossa lei é muito semelhante à lei françesa. O que é diferente é o tempo para a resolução litigiosa do distrate: seis meses a ano e meio (em casos especiais) em França e, entre quatro a cinco anos, em Portugal. As condições são semelhantes em ambos os casos, mesmo quanto à manutenção do salário até ao desfecho final.
    O corolário lógico é fácil de perceber; em calão de gestão, a “flexibilidade” laboral françesa é maior que a portuguesa.
    Tome o despejo: na Bélgica uma acção de despejo demora entre quatro a seis meses; em Portugal de dois a quatro anos (há casos mais alongados mas mais raros); a lei reguladora é semelhante se bem que a belga tenha algumas especificidades). Também é fácil de peceber que por este facto se pode explicar que, na Bélgica, o “mercado de arrendamento existe e, em Portugal não.
    Por outras palavras, a “flexibilização” laboral em Portugal nem aumentava o desemprego, nem alterava a demora na resolução; nisso tem razão. Acresce que, a “flexibilização” da lei laboral apenas aumentaria o arbítrio e o compadrio em sede de aparelho judicial.
    No resto o seu comentário, como o do que comenta, não tem grande sentido. Contrato é, por definição, uma relação entre individuos livres logo, essencialmente finita. Nesse sentido, as condições e modo de distrate não podem ser cindidas da essência do contrato; elaborar intelectualmente de outro modo é admitir a servidão ou acreditar, por exemplo em castas.
    Cumprimentos
    Adriano

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  36. a's avatar
    2 Dezembro, 2010 16:33

    as regras do divórcio influenciam a propensão para casar???!

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  37. PMP's avatar
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    2 Dezembro, 2010 16:52

    AC,
    O dinheiro (base monetária) é uma entidade pública não é privada. Normalmente diz-se que o estado é o emissor monopolista do dinheiro (fiat-money). O estado origina moeda quando paga aos privados bens e serviços (despesa) e esta é destruida com os impostos . O saldo que fica nos privados (base monetária) é o deficit acumulado (estamos a convergir !). De forma a manter uma curva de juros e de forma a permitir aos privados o investimento sem risco o estado emite titulos de divida que “secam” a base monetária, mas os titulos de divida publica são como dinheiro, pois servem de colateral nos REPOS nos bancos centrais, e ainda pagam juros !
    Os bancos centrais são geralmente públicos, e mesmo sendo parcialmente privados têm um estatudo de serviço público (como na Suiça) e para todos os efeitos práticos fazem parte do estado.
    .
    A confusão de que os bancos criam dinheiro advém de que quando concedem crédito de 1000 euros a um cliente A, aparece na conta de A um valor de 1000 euros que ele pode levantar. Mas o banco tem de imediatamente balançar esse levantamento no mercado interbanário, pois tem de chegar ao fim do dia com activo = passivo. Ou seja o sistema bancário no seu conjunto tem um saldo nulo ao fim de cada dia (ou logo pela inicio da manhã quando se faz todo o rebalanceamento dos pagamentos do dia anterior).

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  38. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 16:52

    PMP, leia um bocadinho primeiro, antes de “inventar”:
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    “O primeiro banco central de que se tem notícia foi o Banco da Inglaterra. Ele surgiu em 1694 como uma sociedade anônima privada. Como contrapartida de empréstimos para financiar a guerra contra a França o Rei William de Orange concedeu ao banco o monopólio de emissão de moeda na região de Londres, dando-lhe assim duas das funções clássicas de um banco central: Era banqueiro do governo e também detinha monopólio de emissão (apesar de restrito).”
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    In http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_central
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    Repare que no inicio este banco central só emita papel-moeda sobre Londres. Aliás, o papel-moeda foi frequente em muitos países. Até em Portugal havia vários papeis-moedas.
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    Agora veja isto:
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    “A ideia do papel-moeda nasceu no dia em que uma pessoa, necessitando de moedas correntes, entregou a outra um vale para troca de mercadorias ou metais (ouro, prata, ferro ou cobre), depois dado em pagamento a um terceiro, com direito de recebê-lo do emitente. Com função semelhante, circularam na Idade Média recibos de depósitos de ouro em pó, que circulava como moeda-corrente, pois era facilmente divisível, mas difícil de ter sua pureza garantida. Esses comprovantes chamava-se recibos de ourives, pois eram neles que certos comerciantes confiavam, graças à sua idoneidade e cuja assinatura garantia os valores apresentados.”
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    In http://pt.wikipedia.org/wiki/Papel-moeda
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    O primeiro papel-moeda terá sido criado na China, há cerca de 1300 anos atrás.
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    Em parte, o papel-moeda original não é bastante diferente do papel-moeda de hoje. Vc. quando tem uma nota de 1 euro, tem um activo sobre o BCE e este um passivo sobre o detentor dessa nota. Os maluquinhos do ouro dizem que a cada unidade monetária deve corresponder uma parte em ouro. Isto é, essa nota de euro devia poder trocada por ouro no valor de 1 euro.
    .
    .
    Quando a Reserva Federal foi criada, o caso mais badalado hoje em dia (isto são modas, que depois passam, ao fim de algum tempo) é que em vez da Reserva Federal lhe estar obrigada a entregar ouro em trocas desses dolares passou a entregar “impostos”. E por isso foi criado o IRS nos USA, em 1913. Mas a Reserva Federal era e é privada. Hoje é privada mas é pouco independente. Devido ao tal dual mandate, que Vc. já o escreveu por aqui.
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    No sistema moderno é à base da confiança que a coisa funciona. Isto é, a sua nota de euro funciona na ideia que o BCE lhe entregará um outro activo, correspondente ao valor da nota. Por isso o BCE tem activos, desde ouro até obrigações, reservas de outros bancos, derivados, outras moedas, etc. Se o BCE deixar crescer muito o dinheiro, além de desvalorizar o dinheiro actual, também corre o risco de falir, se os seus activos forem muito mais baixos que as notas emitidas. (Ou outros passivos.)
    .
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    O crédito é dinheiro mas que desaparece no acto em que desaparece. Isto é, o crédito é pago pelo devedor. É dinheiro temporário mas de efeitos multiplicadores. Por isso a chamada massa monetária inlcui notas propriamente ditas, depósitos bancários, acções, obrigações, créditos gerais dos vários agentes económicos, etc. Porque no fundo, tudo isso é dinheiro.

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  39. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 16:58

    “O estado origina moeda quando paga aos privados bens e serviços (despesa) e esta é destruida com os impostos . O saldo que fica nos privados (base monetária) é o deficit acumulado (estamos a convergir !). ”
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    Não cria nada moeda, amigo. O Estado tem as mesmas obrigações que outro qualquer agente económico. Vc. não sabia que o Estado tem contas bancárias como eu e Vc. ?
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    O Estado quando consome tem que pagar com dinheiro do BCE. O BCE não tem nada a ver com o Estado português. Quando o Estado não tem dinheiro, pede emprestado. Por isso emite obrigações, bilhetes do tesouro, contrai empréstimos na banca comercial, etc. O Estado é como eu e Vc., nesse aspecto. Ele quando consome não cria dinheiro. Só cria quando gasta mais do que cobra e emite crédito. Como eu ou Vc.
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    Não sei onde foi buscar isso, mas é a maior invenção que vi hoje sobre o dinheiro e os consumos do Estado. ehehehehheh

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  40. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 17:38

    AC,
    Estava a apresentar o caso geral de “fiat-money” num país com moeda propria com cãmbio livre(EUA, UK, Canada, etc). O fiat-money nas notas normalmente diz “this note is legal tender” ou seja o estado obriga o comercio a aceitar essas notas . Também o pagamento dos impostos é obrigatório que seja feito com “fiat-money”, obrigando assim também á sua aceitação generalizada.
    Como emissor monopolista de dinheiro/base monetária a forma de o criar/colocar em circulação é comprando bens e serviços ao sector privado.
    .
    O euro é uma moeda do BCE ou seja é quase privada, e assim já não se aplica o caso geral. Por isso os estados do euro não controlam os juros e estão sujeitos ao mercado, o que foi feito de propósito, mas sem perceberem que numa recessão generalizada iria implicar a explosão dos juros, a menos que o BCE interviesse, como tem feito embora não na escala dos EUA ou do UK.
    .
    Eu próprio só percebi este mecanismo à poucos meses, ao procurar perceber a causa do crash de 2008, e a recuperação que se seguiu, nos EUA.

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  41. anti-comuna's avatar
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    2 Dezembro, 2010 17:56

    “O fiat-money nas notas normalmente diz “this note is legal tender” ou seja o estado obriga o comercio a aceitar essas notas .”
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    Mas isso não tem nada a ver com o Estado. Tem a ver com a criação dos mercados nacionais. É preciso estudar um bocadinho história económica para o perceber. O que isso quer dizer é: esta nota é compulsiva nos pagamentos. Não quer dizer que seja exclusiva. Ou seja, nos USA ninguém pode recusar essa nota, como meio de pagamento. Mas nada impede que os agentes económicos usem outras moedas. Na Suiça, por exemplo, qualquer um pode pagar com euros, desde que os comerciantes aceitem. E não acontece apenas na Suiça. Acontece na Dinamarca, Suécia, alguns países do leste e até em África. Sem falar que, ainda recentemente, em NY aceitavam os nossos eurinhos.
    .
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    Antigamente havia muitas moedas dentro dos próprios países. Além disso, até para haver transporte de mercadorias tinha-se que pagar taxas alfandegárias. Por exemplo, o trigo para chegar a Lisboa, tinha que pagar um imposto à entrada. No Porto, ainda há poucos anos, tinha-se que pagar impostos para entrar com determinadas mercadorias. O caso mais conhecido, o vinho.
    .
    .
    Aquando da formação dos Estados nacionais, para criar também mercados nacionais (e haver integração económica desses territórios), deixou-se de cobrar taxas alfandegárias entre regiões e criaram-se as moedas nacionais, de molde a que um agente económico de qualquer região pudesse pagar os seus bens e serviços, sem andar a fazer câmbios do próprio país. Agora fez-se isso com o €uro. Um espanhol pode e tem o direito de pagar o come no Porto com euros.
    .
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    “O euro é uma moeda do BCE ou seja é quase privada, e assim já não se aplica o caso geral. Por isso os estados do euro não controlam os juros e estão sujeitos ao mercado, o que foi feito de propósito, mas sem perceberem que numa recessão generalizada iria implicar a explosão dos juros, a menos que o BCE interviesse, como tem feito embora não na escala dos EUA ou do UK.”
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    As notas nos USA também são privadas. São da Reserva Federal, cujos accionistas são alguns bancos. Na Europa como nos USA, o Estado só pode cobrar exigir a cobrança em euro, mas nada impede que o governo aceite receber em dólares, em açúcar, petróleo, etc.
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    As notas são sempre privadas. Ou quase. Porque, no caso em que os Estados são donos dos bancos centrais, existem por norma leis que garantam a independência do banco central. Precisamente porque o Estado não é dono do dinheiro. Nem poder manipular o dinheiro para enganar os cidadãos.
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    O que me espanta é que Vc. esteja mesmo convencido que os juros sejam manipulados e controlados pelos bancos centrais. Olhe lá, a Reserva Federal a quem compra as obrigações do Estado americano? E porquê que as taxas de juro não são zero, nas emissões do Estado americano? A sério, Vc. parecia-me uma pessoa mais conhecedora destas coisas. No fundo, não sabe e criou uma teoria com base nos seus fracos conhecimentos. 😉 Não pode ser, caro PMP. Há que ler mais, investigar mais, antes de criar uma teoria mirabolante. ;))

    Olhe lá, já viu a curva das taxas de juro dos USA, do UK e da Alemanha? Onde é que são mais baixas as taxas de juro?

    Olhe veja aqui: http://www.bloomberg.com/markets/rates-bonds/government-bonds/us/
    .
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    E sabe o que aquilo? É o que os Estados pagam para emitir dívida. ahahahahahahah
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    .
    Vá lá, comece pelo básico e depois tente ir mais longe. ;))

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  42. PMP's avatar
    PMP permalink
    2 Dezembro, 2010 18:06

    AC,
    Ao não querer perceber que o fiat-money é uma entidade que emana do estado, você parece um Austriaco / austero, a querer retornar ao sec. XIX ou até antes. Só depois de perceber o caso geral é que se pode perceber o euro com profundidade. É como na fisica ou na quimica.
    .
    Isso é a base da nossa discussão e toda a restante lógica vem desse pressuposto, pelo que o nosso desacordo é elementar e não vale a pena continuar a nossa conversa.

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  43. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    2 Dezembro, 2010 18:18

    “Ao não querer perceber que o fiat-money é uma entidade que emana do estado, você parece um Austriaco / austero, a querer retornar ao sec. XIX ou até antes. Só depois de perceber o caso geral é que se pode perceber o euro com profundidade. É como na fisica ou na quimica.”
    .
    .
    Lá vem Vc. com ideologia. Vc. sofre de um problema. Ideologia. Eu explico-lhe os factos. Vc. acha que eu estou a fazer ideologia. Vc. o que chamaria ao Eistein, quando veio com a teoria da relatividade? Comunista? Socialista? Capitalista? lololololol
    .
    .
    Não vale a pena. Vc. tem a ideologia que lhe impede de raciocinar e ver as coisas como elas são, preferindo ver como acha que deviam ser. ahahahhaahhahha
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    .
    Até logo, caro PMP. Tenha uma boa tarde.

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  44. anónimo convicto's avatar
    anónimo convicto permalink
    2 Dezembro, 2010 19:47

    CN,

    Sobre o meu comentário, e ainda que feito à pressa, pergunto-lhe: qual foi o ponto que não concorda, ou está pronto para desmentir?
    É errado pensar que caso haja liberalização dos despedimentos, muitos daqueles que agora trabalham com contrato sem termo, e com vários anos de casa, serão substituídos, não por défice das suas competências, mas por pura avidez do patronato?
    Não conhece exemplos actuais, de empresas a fazer despedimentos colectivos e a propor ao um grupo despedido, a recuperação do posto de trabalho, mas sem regalias e por 50% do antigo salário?
    Ou você acha que que para o capital ( a propósito da justificação do PS para não taxar as mais-valias já este ano) não pode haver imprevisibilidade fiscal, mas aos trabalhadores, tudo é possível fazer: cortes ilegais no salário, imprevisibilidade fiscal, modificação unilateral na segurança social?

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