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Nota sobre uma eventual coligação pré-eleitoral PSD/CDS.

19 Dezembro, 2010
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Tem sido debatida a possibilidade de o PSD e o CDS (/PP) se apresentarem às próximas eleições legislativas (sejam elas quando forem) através de uma coligação pré-eleitoral. Pela minha parte, vejo com maus olhos esta possibilidade. Pelo contrário, vejo com bons olhos uma coligação pós-eleitoral, em caso de vitória do PSD.

Os diversos partidos políticos e os diversos protagonistas não despertam apenas simpatias – frequentemente, despertam também importantes antipatias, por razões de vária ordem. Muito embora o método de Hondt favoreça claramente as coligações pré-eleitorais, o problema principal reside no facto de ser, muito provavelmente, uma falácia pensar que uma coligação PSD/CDS teria o mesmo número de votos que a soma dos votos do PSD com os votos do CDS, se concorrerem separados. As antipatias que cada um dos partidos desperta fariam com que parte dos votos nos dois partidos deixasse de existir.

Uma das razões prende-se com a necessidade, no caso da coligação pré-eleitoral, de um programa político comum. Tal programa teria, necessariamente, de estar inclinado “para a direita”, quando comparado com um programa do PSD isolado. Ora, é no centro político que se decidem as eleições. O PSD necessita, portanto, de conquistar o centro, deixando a “direita” para o CDS se entreter. Diga-se de passagem que a “direita” é pequena em termos eleitorais, apesar de ser numericamente grande em certos sectores da sociedade – mas cuidado com a nuvem e com Juno.

O PSD deve apresentar um programa que seja adequado às necessidades do país, não devendo entregar-se ao eleitoralismo; deve bater-se pela redução do peso do Estado – o eleitoralismo e o aumento do peso de Estado é que nos trouxeram até onde nos encontramos.

Mas não deve o PSD embarcar em propostas de cariz socialista e que fariam perder muitos votos, tal como é o caso de propor que, no contexto de uma carga fiscal muito elevada, as pessoas com maiores rendimentos passem a suportar os seus encargos no “Estado social”, nomeadamente na saúde. Por outras palavras, para esta linha de pensamento, ficaria intacta a actual burocracia, a ineficiência, a desorganização e de uma forma geral o despesismo, e a conta iria para o contribuinte – por duas vezes. Pelo contrário, é urgente fazer o “trabalho de casa” e reduzir drasticamente a despesa total do Estado, em particular do SNS. Tal exigirá mudanças de fundo nos normativos aplicáveis ao sector.

José Pedro Lopes Nunes

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