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Alexandre Herculano. Bicentenário do nascimento (1810-2010)

25 Dezembro, 2010

(Carta de Alexandre Herculano a Oliveira Martins)

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Ill.mº Amº e Snr.

Val-de-Lobos, 25 de Dezembro de 1872.

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Recebi em tempo o seu livro socialista e quisera logo corrê-lo e ler aquilo que a minha velha e gasta compreensão pudesse alcançar; mas chegou em má conjuntura, na dos começos da colheita e fabrico do azeite. Nesta faina apenas podia tirar alguns pedaços de noite para ir meditando no conteúdo do livro, quando podia traduzir em linguagem inteligível para mim as suas frases. O socialismo é uma espécie de religião, e, como todas as religiões, tem dogmas, e os dogmas, por via de regra, pertencem ao mundo do sobre-inteligível. Não se admire, pois, de que eu, pouco familiarizado com as profundezas da nova crença, não saiba ligar nenhuma ideia a certas preposições e frases, em que até o valor dos termos é para mim novo e desconhecido. Não tome isto por ironia. É a pura verdade.

Tenho, por isso, lido pouco: aqui e acolá, ás furtadelas. Burguês dos quatro costados, liberal ferrenho e proprietário, ainda que pequeno, tenho todos os sinais que caracterizam a besta do moderno apocalipse do evangelista Proudhon; sou tirano do operário.

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Uma das nossas manias, que se manifesta de modo escandaloso neste tempo de varejo, é a de não nos deixar roubar (desculpe o termo velho, porque não me ocorre outro) por aqueles pobres mártires, nem no trabalho que ajustaram dar-nos, mediante um salário livremente ajustado, nem nos frutos das árvores, que, por cega preocupação, supomos nossos, com o frívolo fundamento de que as compramos ou plantamos. O grande trabalho (trabalho essencialmente improdutivo), da feroz alcateia dos lavradores é, neste tempo, vigiar os ranchos, que, sem isso, dormiriam metade do dia e empregariam a outra metade em encher os embornaes de toda a azeitona  que pudessem levar á noite e ir vender a algum lagar, e, com o preço dela, embebedarem-se e depois esfaquearem-se na taberna, para se esquecerem, para espairecerem (infelizes vitimas do capital!) da sua existência de miséria e trabalho. Enquanto andamos com isto, não pensamos em ler. E ainda mal, que se, em vez de cuidas das azeitonas, estudássemos Proudhon, talvez chegássemos a entrar em melhor caminho.

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Com esse pouco, porém, que tenho visto do seu livro já apanhei uma ruma de dúvidas, para as quais lhe pediria explicação se me coubesse tempo que desbarato agora com as contas do lagar, trabalho igualmente improdutivo, porque apenas se trata de saber se é o dono ou o lagareiro que tiram maior interesse dele, questão ociosa se houvesse entre os homens verdadeira fraternidade.

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Agora o que eu não quisera era deixar de responder às perguntas da sua carta. Assim eu as entenda bem! Pergunta-me se não me aprece que da sucessão dos factos da história sai uma lógica da história, e que essa lógica conduz a conclusões diferentes das de um mero concurso de acidentes, determinado por um outro concurso atomístico de indivíduos. Se muitas vezes não atino com o sentido dos seus períodos é pela ignorância em que estou dos progressos modernos. É esse o verdadeiro quid que V. Sª acha dar-se entre mim e os pensadores actuais. Eu posso lá saber o que é a lógica da história que sai da sucessão dos factos históricos? A lógica, no meu tempo, era o complexo das leis, das regras espontâneas conforme as quais funciona a inteligência: era a fórmula por cujo meio se manifesta a razão do homem. Fenómeno puramente subjectivo, congénito com o indivíduo, e mais ou menos aperfeiçoado, na sua manifestação externa, conforme a educação de cada um, não concebo como tal fenómeno possa derivar da sucessão dos factos históricos. Que aplicando-se aos factos históricos, a lógica nos possa ou deva levar a tais ou tais conclusões ou ilações, entende-se. É o mesmo que sucede aplicando-a a qualquer outra província do saber humano. Lógica engendrada pelos factos da vida das nações ainda não havia no meu tempo. É o descobrimento mais moderno.

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Diz V. Sª que tal lógica, prolação dos factos históricos, nos conduz a conclusões diferentes das de um mero concurso de acidentes determinados por outro concurso atomístico de indivíduos. Indivíduos, provavelmente têm aqui a significação de pessoas; acidentes, não sei se tem a de acasos se de qualidades não necessárias. Pessoas, que, concorrendo, produzissem átomos, que estes átomos determinassem acasos ou qualidades não necessárias e, todavia, determinadas, e que estes acasos ou estas qualidades, concorrendo, produzissem conclusão, são factos que não me lembra se dessem nunca no meu tempo.

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Parece-me que, reduzindo a pergunta a termos chãos, alheios á terminologia nebulosa da filosofia socialista (que seria dela sem essa terminologia?), V. Sª, quer saber se, á vista das suas apreciações históricas, eu acho que a vida das sociedades não resulta dos efeitos da vontade individual, combinados com os acontecimentos fortuitos. Distingo. A vontade individual, ajudada pela superioridade da inteligência, tem, teve e há de ter sempre uma influência maior ou menor, ás vezes grandíssima, na vida exterior das sociedades, e até não raro na sua vidada interior, na sua fisiologia. Que esta influência necessariamente é limitada pelas outras vontades inteligentes, também me aprece óbvio: que há circunstâncias independentes, tanto de qualquer vontade individual como do complexo de todas, que as limitam, parece-me indispensável. Que estas circunstâncias sejam determinadas pelo concurso das vontades individuais, não o creio, aliás confundir-se-iam com os efeitos delas, e o modo de ser das nações teria essa única origem. Circunstâncias tais dependem de factos anteriores, de leis físicas ou morais, de causas, em suma, que podemos ou não podemos conhecer. Neste último caso chamamos-lhe circunstâncias acidentais, fortuitas. No mundo real não há senão causas e efeitos. Fortuito é um adjectivo inventado para consolar a vaidade humana de ignorar a cada passo a genealogia dos factos e dos acontecimentos. Assim, eu creio que o génio militar e político de Napoleão exerceu uma influência enorme nas condições de existência das sociedades actuais da Europa; que a vontade enérgica de um fidalgo russo, Rostopkéne, modificou, limitou os efeitos dessa influência com o incêndio de Moscovo; que a circunstância fortuita de ser rigorosíssimo o inverno de 1812 (fortuita, enquanto um mais cabal conhecimento das leis meteorológicas não nos vier revelar porque o inverno de 1812 foi tão rigoroso), completou a obra do fidalgo russo, dando cabo de um exército de 700.000 homens, que teriam dado cabo do poder da Rússia se tivessem podido invernar em Moscovo; que a destruição desse exército explica Waterloo – Waterloo que, além dessa causa, tem a das vontades em concurso de Wellington, Blucher e talvez Bourmont, de Waterloo, a queda do cesarismo, o remodelamento da carta da Europa, o estabelecimento do governo representativo. Não sei se o concurso destas vontades foi atomístico, porque não sei se emprega no sentido vulgar, se no sentido filosófico de Epicuro ou de Leibnitz, ou, finalmente, na significação da química moderna. Se é no primeiro (o que me parece mais provável, para apoucar o individuo diante da humanidade), há-de confessar que os tais indivíduos átomos tinham sua acção sobre as sociedades da Europa. Seriam eles já moléculas?

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O meu amigo diz-me que não hei-de achar no seu livro uma história nova, mas que a questão está em que as faculdades mentais de cada um fazem considerar de diversos modos a história, como a conhecemos.

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Diz isto, creio, por outras frases mais profundas. Acrescenta depois que estes diversos modos de ver dão o resultado das questões religiosas, em que pode haver convertidos, mas não convencidos. Aqui mesmo temos a prova de que cada indivíduo tem o seu modo de ver os factos e de apreciar as ideias, e que isso contribui para sermos tenazes nas nossas opiniões, verdades que suponho não as descobriram os socialistas. Aqui temos a prova, digo, porque eu estou persuadido que, a respeito de qualquer ideia, como de qualquer religião, o ente racional, supondo-o honesto e sincero, só se converte quando se convence do erro da ideia que tinha ou da falsidade da religião que seguia. O que também me parece é que é mais raro, incomparavelmente mais raro, haver convertidos do que convencidos. O convencimento mortifica interiormente o nosso orgulho; a conversão mortifica exteriormente a nossa vaidade. Vejo que o ponto de vista de V. Sª é o contrário. O meu é, provavelmente, um despropósito.

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Diz-me que não hei-de achar no seu livro uma história nova. Pois, meu amigo, antes eu a achasse, que bem precisa é. Há talvez cem anos que se começou a fazer história que não seja histórias, e o edifício ainda está poucos metros acima dos alicerces. Deslumbra e estonteia o espírito o considerar os milhares de inteligências que na Europa e na América, e até na Ásia se dedicam com ardor aos estudos históricos, e os milhares de escritos que anualmente se publicam sobre investigações desta natureza. Não há nação viva que se possa gabar de possuir uma monografia própria verdadeira e completa. Não as tem sequer as mortas. A sociedade romana, que há um ou dois séculos, a ciência moderna suponha conhecer bem, era em grande parte desconhecida antes de Nienuhr. Niebuhr é uma revolução, e desta mesma revolução quanto está já transformado por Mommsen! É certo que com a propagação dos estudos históricos sérios começou logo a filosofia da história, género de romance impertinente em que Vico e Herder tem tido sobejos imitadores. Por que não hão-de os socialistas fazer também os seus romances deste género? Entretanto, parece-me que o meu amigo, com o seu talento e com os hábitos de reflexão e estudo, empregaria melhor o seu tempo em fazer história nova. Diz: mal dela se o fosse; e eu digo-lhe: mal dela se o não for! Generalizações de factos, eu não se conhecem ou se conhecem imperfeitamente e incompletamente, fazem rir, e rir ainda mais quando se toma por factos erros ás vezes bem grosseiros. Quando as monografias das nações do globo estiverem feitas, o que há-de ser daqui a alguns centos de anos, então é possível a filosofia da história. Até lá, romance ou comédia.

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Não a filosofia da história, que é, ou antes, há-de ser a fixação das leis gerais que, à posteriori, resultarem da identidade e universalidade dos factos políticos e sociais em identidade universal de circunstâncias, leis cujo conhecimento tornará a história uma verdadeira ciência; não esta filosofia que ainda está in fiori, porque lhe faltam ainda os elementos; mas uma outra, que é a que tem resultado do estudo da índole, tendências, paixões, etc. , dos homens, pode e deve aplicar-se á história quando temos de inferir de factos e circunstâncias conhecidas e provadas, factos e circunstâncias acerca das quais nos faltam monumentos directos e seguros. Fora disto, filosofias históricas, pura conversa!

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Tenha paciência, meu amigo, visto que me faz perguntas, perguntas sobre questões altíssimas a um pobre lavrador de azeite! Sofra-lhe as tolices abrutadas. Há na primeira pergunta da sua carta um triunfante e decisivo finalmente, que me atemorizou e me fez a princípio crer que, tendo labutado 25 anos com trabalhos históricos, nada tirara disso senão cair numa esparrela de conclusões erróneas, de que a teoria socialista vinha desembaraçar-me, afinal. Nesses 25 anos (e creia que durante eles trabalhei deveras) pude estudar seriamente apenas uma época da história do meu país, e ainda assim ficaram-me obscuras mais de uma face do poliedro social. Mas as conclusões que tirei dos meus estudos nunca tiveram por alvo determinar as evoluções passadas, presentes e futuras das sociedades maiores e menores, constituídas pelo género humano nas diversas partes do globo. O único intuito do que escrevi foi deixar às gerações futuras em Portugal alguns meios para uma coisa que me parece hão-de alguém um dia tentar fazer, isto é, tornar as instituições mais harmónicas, mais consequentes com as tradições e índole desta família portuguesa, a quem V. Sª nega individualidade própria e que, todavia, já no século XII chamava com malévolo desdém, estrangeiros aos espanhóis. A minha crença é que, por esse meio, nós chegaremos a tornar a liberdade verdadeira e real, o que não temos obtido com imitações bastardas de instituições e até utopias peregrinas. Já vê que não tenho de abrir finalmente os olhos para ver a luz que derrama ante mim a teoria do socialismo. Não pego no facho, porque nada tenho de procurar com ele.

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Mas permita-me que duvide de que o tal facho alumie coisa nenhuma. O socialismo desde que fabricou a humanidade, cujo átomos moleculares eu e V. Sª com toda a gente nossa conhecida e não conhecida temos a honra de ser, tratou esta abstracção da antiga ciência, que se chama o género humano, com um desprezo por tal modo iníquo que não nos dá esperanças de que o reinado do socialismo seja o reinado de Astréa. Buscando as leis gerais e absolutas que regem a evolução social de M.me Humanidade, o socialismo vai-se á história dos povos que tem habitado e habitam uma pequena parte do mundo chamada a Europa, e, respigando, aqui e ali, factos bem ou mal averiguados, instituições bem ou mal estudadas, doutrinas bem ou mal compreendidas, adjectiva-as ao seu idealismo, e acha assim a tal lógica da história. Arranja a sua igrejinha, como se arranjariam dez igrejinhas diferentes ou contrárias, com as memórias passadas, exactas ou inexactas, de 80 ou 00 milhões de homens e com uma nesga do mapa-múndi. E 300 milhões de Chins e 200 milhões de Hindus, que representam civilizações antiquíssimas e aidna subsistentes? E as civilizações extintas de Assírios e Egípcios e Persas e Tiquetes, etc.? e os Japões e os Brimans e Malaios e Etíopes? Por todo esse vasto mundo e através de milhares de anos esquecidos não houve sucesso de factos? Ou foram factos maninhos, cuja sucessão não faria lógica da história? O meu amigo diz-nos (p 82) que a civilização é o ideal (eu diria que é a tendência dos homens para o ideal posta em acção) e que o ideal é a concreção sintética (?) de todas as realidades; (não creio que o ideal seja isto;  mas suponhamo-lo). Segue-se que, sendo o mecanismo social a manifestação mais importante da civilização, que é o ideal, e sendo o ideal o conjunto coordenado (não sei se entendo bem a concreção sintética) de todas as realidades, como é que lhe revelam a realização desta parte do ideal, ou, antes, do ideal visto por esta parte, os factos da etnologia e da história…. Farrapos da história de um cantinho do mundo?

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De farrapos vai também esta carta, escrita interrompidamente, no meio das contas do azeite e dos arranjos de suficiente porção de água-pé, para meter no buxo a uns onze vitimas que já trago na poda e escava, e que preferem, sem excepção e sem hesitação (pobres mártires do capital) a canada de água-pé a 20 por cento de aumento de salário, o que nós, os tiranos, com infernal astúcia, também preferimos por nos sai mais barato.

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O desalinho que, relendo junto o que tenho escrito, encontro nas ideias e na frase é o resultado da mistura sacrílega, feita num cérebro velho, da Iminência com um saco de trigo, da fraternidade com uma bacelada, do crédito gratuito com um transporte de estrumes. Por força a coisa havia de sair assim.

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O que é certo é que me acho na quarta folha de papel, e eu, que contava responder integralmente ás perguntas da sua carta, nem sequer respondo completamente á primeira, quanto mais estender-lhe diante o sudário não sei de quantas dezenas de dúvidas que queria propor-lhe para me esclarecer.

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Fique, pois, a coisa por aqui hoje. Não faltará ocasião para o resto, sobretudo em passando esta maior força dos trabalhos rurais, em que é preciso trazer d’olho as vitimas do capital, aliás dá o lavrador em vasa barris. O socialismo tem-se esquecido um pouco de ver as contas deste máximo grupo de tiranos chamado dos agricultores. Se as examinasse, talvez achasse mais vezes o lobo pela ovelha, do que a ovelha tosquiada pelo lobo.

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Fecho esta também porque a minha Eva quer ir passar alguns dias de festa com a família, e não há remédio senão acompanhá-la a Lisboa.

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Voltarei em breve, por me não ser possível demorar-me muito.

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De V.  Sª amigo e C.

7 comentários leave one →
  1. João's avatar
    João permalink
    25 Dezembro, 2010 11:25

    Também conheci um azeiteiro que, numa linguagem mais pobre, dizia mais ou menos a mesma coisa.
    Temos é que aprender com “300 milhões de Chins, 200 milhões de Hindus, que representam civilizações antiquíssimas. E as civilizações extintas de Assírios e Egípcios e Persas e Tiquetes, etc.? e os Japões e os Brimans e Malaios e Etíopes?”
    Isso sim, são civilizações. Compare-as agora com esses desgraçados da Europa, minados pelo socialismo, que trabalham de sol a sol para mal angariarem o sustento, sem assistência médica ou medicamentosa, sem ajudas de espécie nenhuma…

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  2. Piscoiso's avatar
    25 Dezembro, 2010 12:14

    É sempre um prazer ler o desfiar de palavras de Herculano.
    Escreve ele às tantas:
    …se em vez de cuidar das azeitonas, estudássemos Proudhon, talvez chegássemos a entrar em melhor caminho.
    Na verdade Proudhon era contra a propriedade, mesmo de olivais.

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  3. xico's avatar
    xico permalink
    25 Dezembro, 2010 20:50

    Caro João
    A obra da Srª Dª Leonor ainda dá de comer a muito necessitado neste Portugal socialista, e o Pina Manique só gostaria que tanto socialista lhe não estragasse a obra.
    A comparação entre chins e lusitos, e os benefícios de uns em relação a outros, parece-me bem que terá de procurar noutros raízes milenares que o socialismo gosta de esquecer.
    Mas agora me lembro que os chins são socialistas há mais tempo que os lusitos. O que correu mal?

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  4. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    25 Dezembro, 2010 22:49

    Os chins têm agora uma Ditadura normal desde os anos 90. Daquelas a que a esquerda chama “fasccistas”
    O senhor Hu já pode ter um olival. O Senhor Hu pode enriquecer.
    Começaram a imitar Hong Kong que enriqueceu porque o Governo local nada fez.

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  5. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    26 Dezembro, 2010 02:02

    Proudhon era um imbecil.
    Alexandre Herculano era inteligente, escrevia bem e socialistas não era com ele.

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  6. Vasco Silveira's avatar
    Vasco Silveira permalink
    28 Dezembro, 2010 11:35

    Que delícia de carta: muito obrigado pela sua “partilha”

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