Uma reflexão sobre o BPN
O antigo ministro das Finanças Campos e Cunha escreve hoje no Público um texto importante sobre o BPN. Uma vez que não tem link (é só para assinantes), deixo aqui algumas passagens:
“O importante é que não podemos somar os dois dinheiros metidos pela Caixa no BPN: como pseudodepositante para garantir a liquidez da banqueta e como garante da sua viabilidade económica. São diferentes as duas situações e só o Governo (ou a Caixa) pode esclarecer o assunto; são duas questões que devem ser respondidas de forma inequívoca.”
“Entregar durante dois anos a gestão do BPN à Caixa é errado. Não se trata de um problema da honestidade das pessoas, trata-se de um problema de confl ito de interesses.”
“Como todos os dias se diz que o BPN vai ser privatizado, todos dentro da instituição (administração incluída) estão sempre à espera de Godot. Ou seja, tudo o que é fundamental fi ca à espera do futuro accionista que nunca aparece. E quem espera desespera. E num banco quem adia perde a dobrar. E perde em cima do que já perdeu no passado. Dentro de meses ninguém conseguirá distinguir totalmente o que foram negócios trafulhas do passado, de um simples malparado que todos os bancos têm tido, de negócios entretanto realizados e que poderão vir a ser igualmente maus para o BPN.”
“Em Espanha, num passado não muito longínquo e numa situação com contornos algo semelhantes, o Estado nacionalizou todo um grupo e mandou a beautiful people para a prisão. Privatizou os cacos rapidamente e arcou com os prejuízos sem delongas. E era um governo socialista, se bem me recordo. Mas España es diferente. E, de facto, é.”

“Como todos os dias se diz que o BPN vai ser privatizado, todos dentro da instituição (administração incluída) estão sempre à espera de Godot”.
Texto esclarecedor sobre os princípios que orientam estas pessoas e a partir dos quais avaliam os outros. Esclarecedor…
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As estapafúrdicas insinuações de Manuel Alegre a Cavaco só ajudaram a afundar o BPN e Manuel Alegre e o BE deviam dar explicações e assumir as responsabilidades.
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Trinta e três,
.
Acha que as perctivas futuras não influenciam o comportamente das pessoas? Se lhe dissessem: “daqui a 6 meses vai ser despedido” trabalharia com a mesma atitude do que se lhe dissessem “daqui a 6 meses vai ser aumentado”?
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Isso do BPN é uma estória de fraude e trafulhice, feita por pessoas sem escrúpulos que se esgueiraram com os “proveitos” por entre os buracos da lei e os pingos da chuva, deixando os «cacos» p’ra todo o resto da gente (os contribuintes).
Uma vergonha.
😦
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fiquei ora a saber pela boca do cavaco,em direto na tsf, que ele paga impostos a mais.
os funcionários das finanças incrédulos dizem-lhe . está a pagar a mais!
ao que ele responde:
está bem,mais vale pagar a mais , eu sou honesto!
é ir à pagina da tsf e ouvir: é delicioso!
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“Isso do BPN é uma estória de fraude e trafulhice.” James: essa é a história de todos os bancos. Por isso, das duas uma: ou se aceita essa história ou se milita na ideologia do Maio de 68.
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Solução; rédea curta para os banqueiros. Regulação e supervisão.
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Caro jmf57: li o artigo no Público de hoje onde diz que fez os trabalhos de casa.
Se fez não devia ter escrito que “não há contrato”. Por isto:
À margem do caso BPN/SLN/Cavaco, os jornais de hoje replicam declarações de pessoas como Alberto Quiroga Figueiredo, presidente da SLN Valor, e que faz parte da comissão de honra da candidatura do actual presidente da República e que simplesmente afirma que no caso “não há contrato”.
É sabido que Cavaco comprou acções. Por um preço que pagou. Isso é um contrato. E depois vendeu-as. É outro contrato. Pode é não ser escrito o que é coisa diversa e não anula a natureza jurídica do negócio, neste caso concreto. Há casos em que a redução a escrito e até o registo são obrigatórios para produzir efeitos.
Assim, dizer que não há contrato releva de uma incorrecção inadmissível em pessoas com aquela responsabilidade e por isso indutoras da simples desinformação e que redunda no costume: desconhecimento básico das questões jurídicas que os jornalistas revelam, muitas vezes enrolados por declarações daquele tipo.
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José, dois dos meus irmão são quadros superiores de um banco tuga aki, uma das minhas cunhadas idem numa sucursal de um banco tedesco.
Não é que me falte informação.
Portanto aceite isto como argumento de autoridade (ou não):
1. O capitalixmo é o que é.
2. Dentro disso há gente que tenta cumprir as regras e não fazer indecências, e outros que intentam fazer exactamente o contrário disto.
Não me pertence ser mais explícito que isto…
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Caro jmf,
Se “não há contrato” a coisa torna-se ainda mais suspeita.
Quando há contrato escrito, (e não um papelinho com umas coisas escritas) juridicamente válido, então só poderá conter cláusulas legais (ou seria nulo), e será um “negócio limpo”.
As moscambilhices fazem-se de boca-a-orelha, e em voz baixa (“sem contrato”).
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João Miranda:
A pergunta que me dirigiu, pouco tem que ver com o que se passa com uma eventual gestão provisória do BPN. Neste caso, aqueles que acreditaram na estratégia da intervenção provisória do Estado, deviam tudo fazer para valorizar o produto. A “lógica” de Campos e Cunha é, pelo contrário, a imagem de uma negligência a todos os títulos condenável.
No entanto, convém chamar a atenção para a leitura integral do artigo, que, em minha opinião, pouco tem que ver com as citações (fora de contexto) feitas.
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