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Continuamos a empurrar os problemas com a barriga…*

14 Janeiro, 2011
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1º andamento: O Beco

Esta semana um amigo meu interrogava-se não sobre se deveria aconselhar os filhos a procurarem um futuro fora de Portugal – isso já estava a acontecer –, mas sobre se algum dia, mais tarde, eles teriam um futuro em Portugal. No mesmo dia uma jovem aluna, ao ler um título do Diário de Notícias que indicava durarem os encargos das PPP mais 72 anos, confessava que já tinha pensado procurar um casamento de conveniência nos Estados Unidos para se poder naturalizar imediatamente. Não soube que responder-lhes.

Foi por isso quase com um sentimento de revolta que ouvi, na quarta-feira, as reacções entusiasmadas ao “sucesso” do leilão de divida pública à taxa de 6,716 por cento (um preço “muito bom”, delirou mesmo o primeiro ministro). Paul Krugman chamou-lhe porém “leilão pírrico” e previu que com “mais alguns sucessos destes a periferia europeia será destruída”. É fácil explicar porquê:com a inflação limitada a dois por cento pelo Banco Central Europeu, Portugal precisaria de crescer a quase cinco por cento ao ano para conseguir, sem alienar património, começar a amortizar as suas dívidas. Isto quando, nos últimos dez anos, praticamente não crescemos e, em 2011, o Banco de Portugal prevê mesmo que encolhamos 1,3 por cento. Ou, como se escrevia na The Economist, “a taxa [de 6,716 por cento] é insustentavelmente alta para um país com tanta dívida pública. Se Portugal quer continuar solvente, o custo dos seus empréstimos tem de descer substancialmente”.

Não deviam pois estalar rolhas de champanhe quando, ao contrairmos dívida a esta taxa de juro, estamos a cravar mais um prego no nosso caixão. Isso só aconteceu porque, em Portugal, e também na Europa, domina uma visão de curto prazo. Os líderes preocupam-se apenas com o mês seguinte e não, como os meus interlocutores, com as próximas décadas.

Sejamos pois claros: Portugal encontra-se numa situação semelhante à da generalidade dos países do sul da Europa que, esta semana, foi muito bem retratada por Wolfgang Münchau, colunista de assuntos europeus do Financial Times, e por Ambrose Evans-Pritchard, editor de economia internacional do Telegraph de Londres: estes países têm, ao mesmo tempo, de conseguir recuperar a competitividade perdida das suas economias e de controlar as suas dívidas, mas realisticamente só conseguirão, nas actuais condições, enfrentar um desses problemas, nunca os dois ao mesmo tempo. Só através de uma desvalorização (impossível no quadro da união monetária) ou do reescalonamento da dívida (um tabu por enquanto) poderão países como Portugal sair do beco onde se meteram.

2º andamento: O Primeiro Dilema

Há uma pesada sensação de “déjà vu” na coreografia dos líderes europeus e portugueses a propósito de um eventual recurso de Portugal ao fundo de emergência europeu (e ao FMI). Passo a passo parece estarmos a seguir as pisadas da Grécia e da Irlanda. Ambrose Evans-Pritchard notou até uma particular coincidência: a precipitação do processo de ajuda ocorreu, na Irlanda, quando o governador do Banco Central entrou em dissonância com o Governo de Dublin; em Portugal Carlos Costa ainda não divergiu de Teixeira dos Santos, mas uma das suas vice-governadoras, Teodora Cardoso, já o fez. E o que é que ela disse? Que tudo poderá ser mais “mais fácil se tivermos um apoio externo, desde logo porque isso permite que o ajustamento não seja tão abrupto “.

Em editorial, o Financial Times defende uma posição semelhante: “ao terem recusado recorrer aos fundos europeus até não terem outra alternativa, Atenas e Dublin tornaram o processo de resgate mais confuso e penoso do que o necessário. Lisboa está a repetir o erro ao encarar como uma desgraça nacional pedir ajuda”.

Ambas estas abordagens partem do princípio do que será melhor para Portugal, e ambas convergem num ponto: quando mais depressa chegar a ajuda, menos dolorosa será a terapia. E até nem é difícil perceber porquê: os juros que teríamos de pagar pelos empréstimos se recorrêssemos depressa à ajuda europeia seriam sempre menores do que aqueles que pagámos quarta-feira no leilão da dívida. Só aí estaríamos a ganhar, e muito.

Por outro lado, apesar de toda a retórica sobre “estarmos a fazer o trabalho de casa”, a verdade é que ainda se arrasta os pés. Basta pensar no famoso pacote para a competitividade levado por José Sócrates a Bruxelas, e que não passava de uma mão cheia de nada e de outra de coisa nenhuma. Um empurrãozinho de fora para tomarmos juízo e darmos corda aos sapatos seria, de novo, bem-vindo.

Intermezzo: Os Desvairados

Entretanto prossegue nas estradas do país uma campanha eleitoral onde desvairadamente se grita que as nossas aflições derivam “de uma acção especulativa que tem como objectivo forçar a entrada do FMI em Portugal”, algo que “vem de fora mas tem cumplicidades cá dentro”, como disse Alegre. Claro que esta gritaria contra “os mercados” é completamente inútil, pois estes não se impressionam por serem considerados “bodes expiatórios”, como notou António Vitorino num jantar no Círculo Eça de Queiroz.

Claro que a campanha de Alegre não chega aos delírios retóricos do seu apoiante Boaventura Sousa Santos, para quem os mercados “são um bando de criminosos”, “uns mafiosos” que cometem “crimes contra a humanidade”. Mesmo assim falha o ponto essencial: Portugal depende da boa vontade dos credores porque se deixou endividar a um ponto que não vive sem empréstimos constantes. Pior: num país que tem de importar 75 por cento dos cereais que consome, imaginar que se pode romper com os mercados é pura estultícia e, em campanha eleitoral, só serve para alimentar a demagogia.

É que, como escrevia a revista The Economist, “para todos aqueles que se deram ao trabalho de observar, tem sido evidente de há bastante tempo que o país estava a viver acima dos seus meios. Mais tarde ou mais cedo era inevitável que acabasse na bancarrota, e foi à bancarrota que Portugal agora chegou”. Na verdade, tecnicamente, ainda não chegámos à bancarrota, mas este artigo daEconomist também não é desta semana, foi publicado a 6 de Fevereiro de 1892. Alegre pode conhecer Os Lusíadas de cor, mas se conhecesse melhor a nossa história económica talvez soubesse que não nos convinha repetir esse colapso financeiro de que levámos décadas a sair e que conduziu, em última análise, a Salazar.

3º andamento: O Segundo Dilema

Se nos abstrairmos dos cálculos políticos e partidários, assim como dos jogos de orgulho pessoal, um eventual pedido de ajuda de Portugal também deve ser analisado numa perspectiva europeia. É que, como se escrevia no Wall Street Journal escrevia que um eventual resgate de Portugal – cada vez mais provável, mesmo que no leilão aparecessem compradores, como apareceram – “não impediria que os problemas europeus com as dívidas soberanas continuassem a alastrar”.

O raciocínio dos editorialistas do WSJ era semelhante ao que Vitorino expusera no jantar queirosiano: ao pensar que podem resolver os problemas da dívida soberana separando mais uma fatia como quem corta um salame, a Europa não está a perceber que tem é de tratar de todo o salame sob risco de não conter a infecção. É por isso que ele se opõe ao resgate de Portugal.

Falta contudo considerar as alternativas. Isto é, pensar no que poderá fazer a Europa para além de, por exemplo, aumentar o tamanho do fundo de emergência ou flexibilizar as suas regras. Wolfgang Münchau fazia no FT algumas sugestões e Vitorino também entreabriu algumas portas. Münchau reconhecia contudo que as suas propostas eram “politicamente inconcretizáveis”, o que se compreende se pensarmos que elas passariam sempre, como disse Vitorino, por “novas transferências de soberania sem mexer nos tratados”, logo sem ter de passar pelo crivo dos eleitores. Para Portugal o cenário poderá ainda ser pior, ocorrendo aquilo a que chamou “transferências de soberania assimétricas”. Já para a Europa representaria a criação de uma união política nas costas dos cidadãos, um movimento contra o qual alertou, também esta semana, o influente economista alemão Otmar Issing, um dos “pais” da moeda única.

Daí que, desculpem a minha frontalidade, tenha de colocar um segundo dilema associado à vinda ou não do FMI: será melhor uma transferência temporária de soberania até ultrapassarmos esta crise ou uma transferência permanente de soberania para uma Europa que se tornaria institucionalmente desigual?

Não sei a resposta. Só sei, e não esqueço, que estamos neste buraco por causa de uma gestão política irresponsável. Não foram “os mercados” que nos aprisionaram, fomos nós que nos colocámos na posição de depender da sua boa vontade depois de anos e anos de farra orçamental, pagamentos a clientelas e gastos lunáticos.

Público, 14 Janeiro 2011

 

46 comentários leave one →
  1. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    14 Janeiro, 2011 22:51

    então? agora já se cita Paul Krugman?

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  2. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    14 Janeiro, 2011 23:17

    Não sejamos tão pessimistas. Nestas coisas há que ter paciência.
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    O que me entristece é que a nossa própria direita já invoca o Krugman, a ameaça chinesa e pede a intervenção do FMI. Isso sim, entristece-me.
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    Também me entristece as baratas tontas que se julgam de direita e passam a vida a dizer mal do euro, porque tem muitos defeitos e tal, só porque lêm enlatados ou os escritores errados.
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    Para si, JMF (não para o Krugman, que aquilo é um religioso com um Nobel às costas), recomendo-lhe isto:
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    http://blog-imfdirect.imf.org/2011/01/07/toughing-it-out-how-the-baltics-defied-predictions/
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    Que o autor escreve assim, para rematar conversa de que o euro é mau, por ser uma moeda comum:
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    “Estonia’s experience shows that prudent policies during the boom may not avoid a bust, but they can put the country into a better position to deal with shocks. The size of imbalances also matters. In Lithuania, a delayed (and smaller) boom may now make it easier to regain competitiveness.

    The Baltic experience demonstrates that large economic adjustment, including nominal wage and benefit cuts, is indeed possible under a currency peg (or, for that matter, in a currency union). What it takes, however, is both grit and flexibility. ”
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    Penso que muita gente está a subestimar as forças de mercado, que estão por trás de parte do sucesso da venda da nossa dívida e até das nossas exportações. Alguém já chamou à atenção, aqui, para o facto que não estamos a ganhar quotas de mercado. Eu não tenho assim tanto a certeza e estou à espera de conhecer mais dados, com origem em Portugal. Mas mesmo que não estejamos a ganhar quota de mercado, estamos a exportar muito mais. E isso vai contra o pessimismo reinante cá na pátria lusitânia.
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    No fim, quem vai aproveitar bem o que aí vem, vai ser o Sócrates. Mesmo que não o mereça. Ponham aí nos vossos bloco-notas. Glup!
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    PM Talvez até o Sócrates ganhe bastantes votos se for agressivo no corte da despesa. Ao contrário do que parece à primeira vista, o facto de ele ter ganho um balão de oxigénio, na aprovação do OE, e agora a incapacidade da direita em atinar o discurso, vão ajudar o Sócrates a enfrentar a oposição do Cavaco. É preciso ver que estamos a atravessar o período mais negro da popularidade do governo, mas que se ele conseguir dominar o défice, ninguém o vai tirar de lá. Se lá para o terceiro ou quarto trimestre a economia portuguesa mostrar um crescimento acima do esperado e um défice abaixo do esperado…
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    Tenho para mim, que um governo saiba cortar a sério na despesa mas seja sério e honesto, ganha votos. Não os perde com as medidas de austeridade. Mas tem que ser honesto e sério, coisa que este governo não o é. Mas como a oposição é fraquinha, até isso é capaz de passar ao lado dos portugueses. Registem aí, mais uma. Se no primeiro semestre, o governo apresentar a possibilidade de um défice abaixo dos 4%, a oposição está perdida e o Coelho dará lugar ao Rui Rio. O governo só tem que não ter medo e cortar a eito na despesa, pois quanto menor o défice e a despesa, mais votos ganhará juntos dos portugueses. E ganhar no jogo da direita, porque este ser completamente mentecapta. Pfffff!

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  3. PMP's avatar
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    14 Janeiro, 2011 23:23

    O Sr. JMF então continua a achar que a nossa adesão ao Euro foi uma boa decisão, e que os problemas da Grécia, Irlanda, Portugal , Espanha e daqui a pouco tempo da Itália e da Bélgica são apenas devidos a questões especificas destes países.
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    O Sr. JMF ainda não percebeu que esta pseudo-moeda que é este Euro, uma invenção de economistas que não percebem como funciona um sistema monetário, é inviável a longo prazo, como está cada vez mais fácil de perceber.
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    Este Euro, que sem o apoio incondicional do BCE, está á mercê dos especuladores que têm uma via fácil de ganhar dinheiro, como lhes compete, ao apostar na subida constante das taxas de juro.
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    Numa moeda normal o Banco Central controla o nivel de juros sem ter de perguntar nada a ninguém nem porque o faz.

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  4. tina's avatar
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    14 Janeiro, 2011 23:29

    O que eu sei é que os nossos filhos terão uma vida pouco satisfatória em Portugal. E como pais só temos duas possibilades: ou podemos tentar iludir esse facto e sentarmo-nos à espera que um milgare aconteça, ou então fazer um extra esforço para eles irem estudar lá fora e por lá ficarem. Por mais que me apeteça ser preguiçosa e não fazer nada e esperar que um milagre aconteça, no fundo sei que os meus os filhos pagarão por isso. E por isso, o trabalho de mentalização e de preparação já começou.

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  5. anti-comuna's avatar
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    14 Janeiro, 2011 23:40

    “O Sr. JMF ainda não percebeu que esta pseudo-moeda que é este Euro, uma invenção de economistas que não percebem como funciona um sistema monetário, é inviável a longo prazo, como está cada vez mais fácil de perceber.”
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    Caro PMP, já foi ao link ler aquilo que eu apontei?
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    Olhe tome lá, contra as suas crenças, os gajos estão a dar a volta por cima:
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    Mais. Além de na prática terem o euro (sabe o que o currency peg?), cortaram salários (Glup!) e fortemente na despesa pública. Tiveram algumas vantagens, é verdade, mas só lá vai, com determinação e um rumo claro, sem estar à espera de muletas nem “desvalorizações competitivas”.
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    Vá lá, clique no link, leia o paper e o video. E benza-se como funcionou tudo ao contrário das suas crenças. ;))

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  6. PMP's avatar
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    14 Janeiro, 2011 23:47

    AC,
    Explique por palavras suas o que quer dizer em vez de mandar para videos.

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  7. anti-comuna's avatar
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    15 Janeiro, 2011 00:08

    Por palavras minhas? Simples, caro amigo. Estes países bálticos foram sujeitos a uma cura de emagrecimento. Mas mantiveram o euro como moeda (currency peg é na prática isso) e agora estão a recuperar bem, com as exportações a liderar a retoma económica.
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    Os problemas que poderão vir a ter, se aderirem ao €uro todos, é o nível das taxas de juro, devido ao incumprimento declarado.
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    Aliás, parte da nossa direita está de cabeça perdida e sem um rumo definido. Uns criticam o euro (mil e um argumentos apresentados, a maioria fracos ou errados), outros que deviamos pedir a intervenção externa. (Como pede erradamente o JMF.)
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    Deviamos ser nós a apreseetar medidas a sério e executá-las. O governo apresentou as suas medidas (inspirado nas medidas gregas mas só na parte mais “fácil”) e vai executá-as. Tem um péssimo historial, o governo está queimado, em especial o ministro das finanças, mas compromete-se a levar até ao fim o que apresentou e foi aprovado na AR. E a nossa direita? Não tendo tomates para propôr medidas, limita-se a esperar que os mercados estoirem com o governo e este caia de podre. Está a ser oportunista, mesmo que uma intervenção do FMI nos leve a pagar mais juros no futuro.
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    Veja-se que a intervenção do FMI não invalida que a Grécia não continue a levar no corpinho:
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    “Fitch corta “rating” da Grécia para “BB+” com possibilidade de voltar a reduzir (act.)”
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    In http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=463213
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    O que implica que, se os gregos não implementarem mais medidas voluntariamente (ou seja, apresentar saldos orçamentais excedentários), tão cedo não sai da pata externa. Vão ter que ser os credores, novamente, a pedir mais medidas e com bastante mais custos.
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    A nossa direita devia era propôr medidas, complementares ao aprovado no OE, para evitar a entrada do FMI. E não, por mero oportunismo e cobardia, estar à espera que seja o exterior a definir o que devemos fazer. Se formos nós a fazer, temos controlo das medidas e podemos gerir melhor os interesses nacionais. Se forem os outros, estamos à mercê dos interesses alheios. A nossa direita está mesmo a retroceder mas muito. Aliás, tanto retrocede, que até quer congelar a queda salarial na máquina judicial. Enfim. Pataratas.
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    Se o Sócrates for esperto, leva a sério esta coisa de cortar na despesa, com medidas complementares (agradando ainda mais aos mercados, se for acompanhado por uma boa execução orçamental) e lá para o final do ano, canta de galo e o PPC vai pró galheiro, por causa do seu oportunismo político e da sua cobardia política. Repito o que já disse e venho dizendo. Estou convencido que os governos que souberem gerir politicamente os cortes na despesa, as medidas estruturais e se forem sérios e honestos, ganham votos. Não os perdem, como acreditam eles e muitos mais. O Sócrates quando se aperceber que é isto mesmo que pode acontecer, como está em jogo a sua sobrevivência política e como pouco tem a perder, é bem capaz de surpreender o país, e anunciar mais medidas para cortar na despesa. Entalando por eventual antecipação, a nossa direito oportunista e cobarde.
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    Enfim, neste país é tudo ao contrário.
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    PM A fase mais popular do Sócrates foi quando teve muita gente da direita ao seu lado, quando tomava medidas ditas impopulares. Quem já não se lembra disso?

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  8. PMP's avatar
    PMP permalink
    15 Janeiro, 2011 00:18

    AC,
    Agora já quase que percebi, pois sou um bocado lento nestas coisas das finanças.
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    Mas concordo em geral consigo, pois tendo a decisão estupida de aderir ao Euro ter sido tomada pelo PS e PSD sem se aperceberem que era uma decisão que acarretava em simultâneo uma reformulação na forma de fazer politica-economica em Portugal, agora é preciso ir para a frente e restruturar a economia e a politica.
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    E tem razão em que o PSD e o PPC são fraquinhos, muito superficiais, um pouco neo-tontos, e o Sócrates tem algumas hipóteses.
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    A minha ideia de restruturação é apenas um pouco diferente da sua, porque proponho um programa nacional de desenvolvimento (a la Coreia do Sul anos 60 e 70) , em vez de colocar nos ombros das PME’s (a maior parte do Norte) a responsabilidade de puxar pelo país.

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  9. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 00:26

    “A minha ideia de restruturação é apenas um pouco diferente da sua, porque proponho um programa nacional de desenvolvimento (a la Coreia do Sul anos 60 e 70) , em vez de colocar nos ombros das PME’s (a maior parte do Norte) a responsabilidade de puxar pelo país.”
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    Isso não funciona, amigo. A Koreia do Sul, quando o fez, o seu nivel de desenvolvimento era baixo. O que eles fizeram foi outra coisa. Que o Carlos Tavares andou a fazer: puxar pelo tecido produtivo, nas várias componentes. Até imitou o Japão, do MITI, quando criou o Portugal Trade e deu inicio à posta decisiva das marcas nacionais. Também foi ele que iniciou o programa de transferência de tecnologia, das universidades para as empresas. E, ainda, foi ele que mais deu cobertura política ao que se fazia no cluster do calçado.
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    Esses programas que o amigo propõe só funcionam em economias com baixas infra-estruturas. Quando estas já atingem um determinado nivel, além de não puxar pelo crescimento económico, até o atrapalha. E viu-se com a crise que a Koreia passou, por manter as mesmas asneiras, não compreendendo que a rentabilidade do capital nas infraestrturas caiu e até passou a ser negativo.
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    Não vá por aí. Olhe a parte koreano, da forte aposta da sociedade na I&D e na criação de fortes marcas, através de bons produtos e serviços. A aposta nas empresas como os seus soldados na guerra económica que iniciaram, em especial imitando parte do que os japoneses fizeram anos antes.

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  10. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 00:30

    “E tem razão em que o PSD e o PPC são fraquinhos, muito superficiais, um pouco neo-tontos, e o Sócrates tem algumas hipóteses.”
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    O Sócrates tem boas hipóteses? Ele não pára, desde que sentiu a cabeça dele no cepo. O gajo até já anda pelas arábias a vender a dívida portuguesa. O gajo teimoso como é, se atinar na direcção, o PPC pode esperar sentado, que nunca conseguirá derrubar o gajo.
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    Um político com determinação é muito bom, se o gajo atinar com a direcção. E o gajo, se perceber que quanto mais cortar na despesa pública; quanto mais abrir os mercados; privatizar as empresas públicas e cortar nas mamas estatais; mais depressa atinge o “nirvana”: que é ultrapassar a nossa direita pela… Direita! lololololol
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    Onde já se viu partidos da direita suspirarem por intervenções externas? Só mesmo em Portugal, porque as direitas costumam ser as que mais lutam por não intervenções externas e até mais desejam fazer aquilo que impede a vinda do FMI. Enfim. Portugal é mesmo surrealista. Safa!

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  11. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 00:38

    Um bom exemplo da nossa direita. Porra! Isto é ainda pior que no Biafra! Arghhh!
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    “Cavaco, candidato “do povo”, critica cortes na função pública”
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    In http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/cavaco-candidato-do-povo-critica-cortes-na-funcao-publica_1475341
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    Este está mesmo desesperado, para tentar comprar os votos do funcionalismo público. Esta semana tivemos os PS e o PSD a atacar o governo por este… Estar a dar cabo do nosso magnifico Estado Social! lololololololol
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    Anotem aí: o Sócrates vai dar uma banhada a esta direitinha… ahahahahhhahh

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  12. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 00:42

    Retrato da nossa direitinha:
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    “PSD e CDS-PP acusaram esta sexta-feira o Governo de atacar o Estado Social, devido aos aumentos das taxas na saúde e restrições ao transporte de doentes, com o secretário de Estado a defender que aquelas não são questões essenciais.”
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    In http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1757184
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    Então o problema é o governo atacar o Estado Social? E suspiram pela vinda do FMI? Santo deus, que esta gente está mesmo perdida, sem ideias e completamente à deriva. lololololololol

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  13. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    15 Janeiro, 2011 00:42

    Esta entrada, escrita por jmf1957, é claríssima e pouco mais haveria a dizer.
    A questão está na imbecolidade dos políticos que nos têm vindo a caír em sorte depois da desgraça do 25 de Abril e do assassinato de Sá Carneiro que estava a deitar a mão ao futuro que já se tinha como certo. Temos 36 anos de idiotas a comandar os destinos de Portugal que, como se vê, são o abismo. Alguém disse que ainda não estamos na bancarrota – então que diga o que falta…
    Para já, faz falta acabar com o socialismo que nunca deu felicidade a ninguém em lado nenhum. E, para isso, faz falta gente capaz para educar, melhor, reeducar o nosso Povo, pois que imerso na estupidez dos artistas da política e da imprensa pouco mais é capaz de fazer que dançar e cantar pimba do mais rasca que imaginar se pode. Sem reeducação, se calhar, até é capaz de votar mais socialismo e ir lamber os sapatos do Sócrates. É um povo que engoliu todas as mentiras que lhe quiseram enfiar. Basta conversar com eles nas, ruas, nos cafés ou cervejarias, nas oficinas e por todas as bandas: a malta está a sofrer, não tem cheta, falta-lhe tudo para as necessidades básicas, diz mal do governo, deputados, etc., mas depois baralham-se e não percebem coisas tão simples como as perdas dos dinheiros da Europa, acabado mesmo por culpar a UE do que está a acontecer.
    Pobre Povo tão manobrado por estes bandidos socialistas…

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  14. JCA's avatar
    JCA permalink
    15 Janeiro, 2011 00:54

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    E entretanto o Mundo gira e muda à nossa valta indiferente às ‘guerras de alecrim e manjerona’ no Portugal,
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    Mais àreas Economicas Especiais, neste caso sob o modelo ‘offshore’ para um Tecido Economico Lucrativo que alicie Empreendedorismo, Emprego, Investimento e mais Dinheiro depositado nos Bancos,
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    First offshore financial centre in North Africa opened
    Islamic investment bank Gulf Finance House (GFH) and the Tunisian government have created the first offshore finance centre in North Africa
    http://www.telegraph.co.uk/finance/personalfinance/offshorefinance/8071619/First-offshore-financial-centre-in-North-Africa-opened.html
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    Entretanto parece que a Tunisia que conheço muito bem além de fotografias, tem potencial para trazer algo de novo no mundo ar*be,
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    Tunisia riots: Reform or be overthrown, US tells Arab states amid fresh riots
    http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/tunisia/8258077/Tunisia-riots-Reform-or-be-overthrown-US-tells-Arab-states-amid-fresh-riots.html
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  15. JCA's avatar
    JCA permalink
    15 Janeiro, 2011 01:10

    .
    Os remendos e os ‘rodriguinhos’ não resolvem Portugal. Está mais que confirmado.
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    9 REFORMAS POMBALINAS a fundo. Um pacote simples ‘all-in-one’ para reacender rapidamente Portugal. Sem necessidade de Austeridade que canibaliza definitivamente a Economia, o Tecido Económico, o Emprego, o Poder de Compra dos Lucros do Trabalho e do Capital e a Criação de Riqueza por Portugal:
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    .
    -APROVAÇÃO PELA AR e EVENTUAL INCLUSÂO POSTERIOR NA CONSTITUIÇÃO (embora não necessária):
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    1) RACIO máximo PIB/Carga Fiscal.
    .
    2) RACIO máximo PIB/Despesas do Estado (*)
    .
    (*) Provocadora da Reforma séria da estrutura de Governança, da Burocracia Publica e do Orçamento Geral do Estado. A ultrapassagem destes racios só viabilizada por 2/3 ou 3/ 4 de votos da AR.
    .
    -BANCA EM PORTUGAL:
    .
    3) SEPARAÇÂO ABSOLUTA da Banca Comercial de quaisquer actividades especulativas, Sociedade de Investimentos Financeiros ou Hedge Funds, para protecção absoluta das Poupanças e Dinheiro dos Depositantes para regresso da confiança nos Bancos.
    .

    4) CONTRIBUIÇÃO DE GARANTIA BANCÁRIA calculada sobre todos os negócios e receitas da Banca habilitando financeiramente o Fundo de Garantias Bancárias para devolver a qualquer momento os Depósitos dos Cidadãos, Empresas e Entidades Publicas que confiaram no Banco que ficou inviabilizado, faliu ou fechou.
    .
    .
    -IMPOSTOS E FISCALIDADE:
    .
    5) ABOLIÇÃO de todos os Impostos substituindo-os pelo INU – Imposto Nacional Único colectado sobre tudo o comprado e facturado dentro de Portugal (**)
    .
    (**) Pagamento dos Ordenados Brutos aos Empregados pelas Entidades Patronais.
    .
    6) AMNISTIA Fiscal para estancar o estado de falência do Tecido Económico Nacional e a insolvência dos Cidadãos, já praticado antes e depois do 25 de Abril.
    .
    .

    -SEGURANÇA SOCIAL:
    .
    7) ABOLIÇÃO dos Descontos mensais de Empregadores e Empregados substituindo-os pelo ISU – Imposto Social Único colectado sobre tudo o comprado e facturado dentro de Portugal (***)
    .
    (***) Pagamento dos Ordenado Brutos a todos os Empregados pelas Entidades Patronais.
    .
    8) Instauração da PENSAO NACIONAL UNICA, igual a 2 ou 3 vezes o SMN-Salario Mínimo Nacional, universal e igual para todos os Reformados Portugueses.
    .
    9) Criação do Fundo Nacional de REFORÇO DA PENSÃO NACIONAL UNICA, gerido pelo Estado, para quem queira depositar mensalmente um valor incerto a qualquer momento para assegurar um reforço publico do valor mensal da Pensão Nacional Única atingida a idade de reforma até ao falecimento (****)
    .

    (****) Na transição do velho para o novo Sistema, passariam para o Fundo de Reforço da Pensão Única, os valores já descontados por Empregados e Empregadores correspondentes à diferença entre o valor da Pensão Única e a Pensão em vigor no momento da Inscrição na Segurança Social
    .
    .
    Continuam e são impotentes os discursos partidários habituais para confundindo a Árvore com a Floresta.

    A ÁRVORE, a ‘mãe de todas as guerras’ de Portugal e dos Portugueses, chama-se DINHEIRO, notas e moedas a circular na carteira dos Cidadãos e nas tesourarias das Empresas.
    .
    A FLORESTA chama-se ‘Capitalismo Selvagem’ na administração e gestão do Estado, na Burocracia Publica e nos Direitos Civilizacionais apropriados pela expressão ‘Estado Social’: Saúde, Pensões, Apoio no Desemprego e Educação etc.
    .
    Estas Reformas, e outras acessórias, desencadeiam a maior Reforma de Portugal desde Marquês de Pombal e reacendem Portugal.
    .
    Se já aplicadas sequer se falaria hoje de FMI etc por desnecessário.
    .

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  16. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 01:16

    Caro JCA, Vc. tem aí ideias muito interessantes. Mas interessantes mesmo. Excepto a questão das pensões, que acho que falta aí alguma coisinha, com certeza.
    .
    .
    Mas gosto mesmo é desta:
    .
    .
    “3) SEPARAÇÂO ABSOLUTA da Banca Comercial de quaisquer actividades especulativas, Sociedade de Investimentos Financeiros ou Hedge Funds, para protecção absoluta das Poupanças e Dinheiro dos Depositantes para regresso da confiança nos Bancos.”
    .
    .
    Pensei que o mundo tinha aprendido alguma coisa com a crise. Não aprendeu muito. Tomaram um outro tipo de medidas, pensando que chegam. Eu não acredito que cheguem, mas há quem acredite que sim e vou esperar para ver.

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  17. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    15 Janeiro, 2011 01:20

    Há uns 12 meses o Anti-comuna elogiava o que a agora critica: a direita sociallista e os PECs. Era preciso. Ia ficar bem, é preciso sermos optimistas disse…Depois foi o que se viu.
    Claro isto tudo sem ligar a números nenhuns. Uma fezada portanto.
    Anti-Comuna sempre que começa o ano fica cheio de optimismo. Depois muda como o camaleão.
    É um bicharoco sazonal este anti-comuna. :))))))

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  18. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 01:22

    Sobre o problema da banca e, já agora, veja-se como a plutocracia americana está a depenar o povo para dar, de mão beijada, a massa às élites bancárias americanas:
    .
    http://www.washingtonsblog.com/2011/01/government-says-no-to-helping-states.html
    .
    .
    E o Obama fechou o círculo, com um gajo directamente da JPMorgan para o poder. As oligarquias ganharam em toda a linha. O Povo, esse…

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  19. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 01:26

    “Há uns 12 meses o Anti-comuna elogiava o que a agora critica: a direita sociallista e os PECs. Era preciso. Ia ficar bem, é preciso sermos optimistas disse…Depois foi o que se viu.”
    .
    .
    Há 12 meses? Em Maio defendi que teria que haver um PEC, para salvar Portugal e o euro. E mantenho.
    .
    .
    Não tenho culpa que a oposição e o governo fossem fracos. Queria o quê? Estoirar com o euro? Que viesse logo o FMI? No outro PEC já tomei outra decisão. Deixar cair o governo e/ou obrigá-lo a tomar medidas mais duras. Até cheguei a acreditar que o PPC estava a ser sério e não a fazer teatro. Mas agora…
    .
    .
    A verdade seja dita. Não me parece que o PPC vá lá, pois já se viu que é politiqueiro e agora anda a defender o Estado Social. Mal por mal, prefiro o menor. Que o Sócrates abra os olhos e tome medidas a sério, para ajudar Portugal. Porque, com esta oposição, não vamos lá. Pffff!

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  20. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    15 Janeiro, 2011 01:26

    “, mas realisticamente só conseguirão, nas actuais condições, enfrentar um desses problemas, nunca os dois ao mesmo tempo. Só através de uma desvalorização (impossível no quadro da união monetária) ou do reescalonamento da dívida (um tabu por enquanto) poderão países como Portugal sair do beco onde se meteram.”

    Mais uma vez a fixação no status squo e nas receitas…
    Uma desvalorização pode ser mas baixar os salários não. Ou seja destruir poupança está bem.

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  21. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 01:34

    Mas olhe, caro Lucklucky, nos últimos dias confirmei a impressão com que fiquei do PPC: politiqueiro. De “ultra-liberal” passou a defensor do Estado-social, em menos de um ano. lolololololol
    .
    .
    Assim sendo, estou agora muito mais convencido que o Sócrates é mais bem capaz de fazer alguma coisa que o PPC. Se o Sócrates sentir que ir a fundo no corte da despesa pública é a garantia do seu futuro político, aposto que ele vai surpreender. E digo-lhe já. Se o que eu penso que vai acontecer à economia portuguesa se conformar, ele lá para Julho pode anunciar ao país que é bem possível ter um défice abaixo dos 4%. E avaliar pelo que vou vendo e os dados que vão saindo, aposto que ele até vai poder fazer isso, com um relativo à vontade. Só precisa que o Teixeira dos Santos não faça muitas asneiras, porque é bastante incompetente. Acho que foi uma asneira mantê-lo no poder. Aliás, os portugueses fizeram uma asneira de todo o tamanho. Mas, bem vistas as coisas, com este PPC e esta direitinha e com os dados económicos a ajudar… Ele vai entalar a direita.
    .
    .
    Se o Sócrates fosse um gajo que entendesse um bocado de economia, o gajo ia lá. Quando ainda por cima está com a cabeça no cepo, teimoso como é e se lhe cheirar que em vez de perder votos, ganha-os…
    .
    .
    A nossa direitinha está mesmo fraquinha. Desta vez tem um ciclo económico bastante forte contra ela, que ainda agrava mais a sua incapacidade de gerir politicamente os acontecimentos.

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  22. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 01:40

    “Uma desvalorização pode ser mas baixar os salários não. Ou seja destruir poupança está bem.”
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    .
    Veja que nos últimos dias a nossa direitinha perdeu o tino. Impressionante. Até pedem desvalorizações e tudo. lolololololol
    .
    .,
    Vemos a direitinha a suspirar pelo FMI; vemos as criticas contra o euro (que é a unica moeda do mundo que põe grilhetas na despesa estatal- por isso nem sequer compreendem a actual crise dita da divida soberana europeia), vemos a pedir orçamentos federais; vemos a pedir desvalorizações competitivas; vemos o Cavaco a queixar-se que o funcionalismo público está a levar na carola e, para cereja no bolo, hoje a nossa direitinha acusou o governo de atacar o Estado Social. lolololololol
    .
    .
    Não sei o que se passou em Portugal, mas se calhar foi do eclipse. lololololol

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  23. Vitor matos's avatar
    Vitor matos permalink
    15 Janeiro, 2011 02:31

    Fora de Portugal… e mesmo fora da Europa…

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  24. O SÁTIRO's avatar
    15 Janeiro, 2011 03:54

    Aquilo que Krugman diz era mais do que óbvio.
    Simplesmente, a gigantesca campanha política e mediática socratina quis fazer crer aos portugueses que a taxa de juro era uma maravilha.
    O insuspeito Krugman arrasa essa campanha.
    Tb já tínhamos escrito sobre isso.
    http://mentesdespertas.blogspot.com/2011/01/bancarrota-ps-socrates.html

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  25. Lima's avatar
    Lima permalink
    15 Janeiro, 2011 04:01

    Por muitas teorias económicas que invoquemos, isto é verdade:

    “As we peer into society’s future, we – you and I, and our government – must avoid the impulse to live only for today, plundering, for our own ease and convenience, the precious resources of tomorrow. We cannot mortgage the material assets of our grandchildren without risking the loss also of their political and spiritual heritage.”

    Eisenhower

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  26. D's avatar
    15 Janeiro, 2011 10:09

    E não acha jmf que os portugueses também fogem ao ver a posição “oportunista” do PSD no caso da revisão dos estatutos dos magistrados, essa casta intocável?
    Diga alguma coisinha!…

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  27. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    15 Janeiro, 2011 10:24

    Nunca nenhum curral foi limpo pelos próprios porcos.

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  28. regada mertório's avatar
    15 Janeiro, 2011 11:36

    Diz o jmf que se irrita quando vê aquela animação à volta do leilão aos chineses.E a mim irrita-me sobremaneira quando vejo o engenheiro sócrates de dedo em riste com aquele ar de eu é que sei a fazer crer que as medidas dele são incontornáveis.Já o mesmo se passa quando grita aqui d’el-rei querem desmantelar o serviço de saúde.E o que é que se vê: quase um milhão sem médico de família nos quais me incluo e ao fazer a conta ao fim do ano,como agora fiz,dos custos dos medicamentos comparticipados e não comparticipados ser superior o destes ao daqueles!Se a isto se chama ter um serviço de saúde então já não sei aonde está a verdader!Estou agora a ler um livro sobre salazar que o engenheiro sócrates não perdia em ler.Com metade dos afazeres que aquele tinha não lhe restava tanto tempo para aparecer em tantos eventos.Dizia salazar,entre outras coisas,que ai dele e do país se gastasse o seu tempo em acontecimentos frívolos como a inauguração de qualquer chafarica.

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  29. PMP's avatar
    PMP permalink
    15 Janeiro, 2011 11:47

    AC,
    O programa nacional de desenvolvimento que eu defendo, semelhante ao da Coreia, é precisamente uma grande aposta nas empresas exportadoras e agricolas, não tem nada a ver com infraestruturas.
    .
    Tem a ver com apoios sistemáticos à criação de marcas e distribuição internacional, apoios à inovação e interligação com universidades e institutos de investigação aplicada, mas a uma escala 4 ou 5 vezes maior que agora e gerida regionalmente, mas dirigidos essencialmente às empresas exportadoras que já existem.
    .
    Ao mesmo tempo eliminar grande parte dos sistemas de incentivos actuais para libertar meios humanos e financeiros, e reduzir fortemente a TSU de 24% para 10% para as empresas que aumentem o emprego.

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  30. regada mertório's avatar
    15 Janeiro, 2011 12:13

    Em relação ao que escrevi atrás, devo dizer que fiz parte daqueles que sofreram as misérias e não as benesses do regime salazarista e,portanto, não me revejo nas formas de governar em que o povo não é livre de exprimir a sua opinião e o seu voto, mas isso não invalida que aprecie o factor trabalho.

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  31. Bulimunda's avatar
  32. Bulimunda's avatar
    Bulimunda permalink
    15 Janeiro, 2011 12:17

    Comprar o quê??’

    Henri Cartoon..O LEILÃO DO CADÁVER ADIADO…PORTUGAL….

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  33. Bulimunda's avatar
    Bulimunda permalink
    15 Janeiro, 2011 12:18

    Corremos para onde?E para quê ??’

    Performer ..short film..corremos para onde e porquê..?

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  34. Bulimunda's avatar
    Bulimunda permalink
    15 Janeiro, 2011 12:19

    Porque no fundo somos todos inconsistentes…até o Fernandes de albanês passou a libanês…perdão liberal…

    A Inconsistência Humana ….

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  35. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 12:21

    Caro PMP, se pensa mais ou menos assim, ainda aceito. Mas também, se não explicar as coisas melhor, fico com ideias sobre o que pretende dizer que poderão não corresponder à verddae.
    .
    .
    Mas tenha cuidado com algumas coisas. Como esta aqui:
    .
    “reduzir fortemente a TSU de 24% para 10% para as empresas que aumentem o emprego.”
    .
    .
    Ao fazer isto vai provocar um buraco financeiro nas contas do Estado, que por sua vez aumenta os riscos dos financiamentos de Portugal, acabando por aumentar as taxas de juro às empresas. No fundo cria um problema, não o elimina. A menos que tenha alguma ideia de como tapar esse buraco.
    .
    .
    Nesta altura do campeonato, cada medida que crie buracos financeiros no Estado é um enorme tiro no pé. Lembre-se sempre desta verdade de La Palice: cada medida tomada pelo Estado tem externalidades. Não apenas positivas como negativas. Sobretudo negativas. A função dos políticos é esconder as externalidades negativas e realçar as positivas. A nossa função é descobrir o que eles escondem e desvalorizar o que eles mostram

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  36. Bulimunda's avatar
    Bulimunda permalink
    15 Janeiro, 2011 12:26

    A bem dizer um desejo a todos os cúliticos que concorrem as merdisenciais….fui..

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  37. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 12:40

    A nossa direitinha está a ficar cada vez mais previsivel. Tão previsivel e confusa, que pensa com os pés e não com a cabeça.
    .
    .
    Veja-se este suspiro de alivio de um tuga, pela queda do aéreo:
    .
    http://oinsurgente.org/2011/01/14/explicado-ii/
    .
    .
    Mas eu já sabia que o que tinha sido publicado no blogue da moda iria ser replicado em Portugal. É certinho e direitinho. Como faltam ideias à nossa direita, replicam aquilo que pensam que serve os interesses da direita, escrito nos sitios do costume. É pavloviano. Se eles soubessem da missa a metade…
    .
    .
    Eu até já tinha metido aqui os dois links do blogue da moda, em que no espaço de minutos se contradiziam. Mas eu não vou perder tempo e meter os dois links outra vez. Meto outro, que é ainda mais interessante:
    .
    .
    http://www.zerohedge.com/article/eur-shorts-get-obliterated-just-they-reach-6-month-high
    .
    .
    “Last week’s surge in net commercial EUR short positions to -45,182, nearly a double from the -24,201 the week before, explains why the last few days have seen one of the sharpest and most pronounced upward moves in the EUR(USD) in recent history. All a historic short squeeze needed was a little gratuitous systemic backstop like the Chinese rhetoric about bond purchases, and a proximal catalyst such as the Goldman “tactical” upgrade of the EURUSD and the avalanche of shorts, which was at the highest it has been in over half a year, rushed like headless chickens and completely chaotically in traditional groupthink unwind fashion out of the burning theater entrance. And what certainly “helped” the EURUSD trade unwind was the massive jump in bullish USD positions from -1,268 net to 10,057. ”
    .
    .
    Isto parece uma catástrofe para o euro. WOW! As posições curtas são muito altas no aérero. Vem aí o fim do mundo. Mas já se sabe que isto é apenas paleio para entreter carneiros. Se fosse assim tão fácil, basta tomar posições de acordo com as posições dos ditos comerciais.
    .
    .
    Mas houve alguém, que percebe mais disto que o autor (tido como especialista de mercados. cof! cof! cof! e fartamente replicado pelos nosso bloguistas da treta. cof! cof! cof!), que comentou o paleio do artista:
    .
    .
    “Typically the commercial’s are the producers or hedgers. The real numbers to watch are the non-commercial’s, which are the hedge funds. If the commercial’s are getting short, the other side (hedge funds), are getting long.” [Macroman – 20:11]
    .
    .
    Tau! Uma bordoada nos cornos ao analista, que julga saber o que escreve (escreve bem, com gráficos, números mas… só palha!)
    .
    .
    Aliás, eu já tinha aqui avançado uma hipótese para a eventual venda de euros pelos chineses. Se foram eles, e como andaram a comprar dívida europeia, poderiam estar a fazer hedge do risco cambial, daí poderem estar a vender euros. Mas não, este nosso bloguista tuga, foi buscar um artigo de opinião do jornal eurocéptico (naquele jornal tirando o Liam Halligan, poucos mais escribas valem a pena ler) que por sua vez foi buscar uma análise ficcionada, para suspirar por uma forte queda do aéreo. Julgando este nosso escriba tuga que se o euro cair será bom para… Derrubar o governo? Mesmo contra os interesses de Portugal?
    .
    .
    Eu bem digo que a nossa direitinha está perdida. Não tem ideias e replica o que lê no que é propagandeado pela que é escrito em inglês, contra a Europa e contra o Euro. Leia-se, contra Portugal. Com esta direitinha não vamos longe. Safa!
    .
    .
    PM A escola do bloguinho da moda está ainda em alta. Mas falhou o maior rally accionista americano dos últimos 90 anos. E vai falhar a queda do ouro. Porquê? Porque, este tipo de analistas e blogues, só acertam quando o mercado lhes dá razão. Quero dizer, os gajos estão sempre a dizer uma coisa: o ouro vai subir, o ouro vai subir. Claro que eles acertam quando ele sobe. Até um relógio escangalhado acerta duas vezes por dia. Mas como estão sempre na mesma linha de pensamento, podem etr a sorte de surfar um trend favorável, mas perdem sempre no restante tempo do mercado. É como eu dizer que amanhã vai chover. Se eu disser todos os dias, tenho uma elevada probabilidade de acertar. Nos dias que acetto sou um heroi, nos restantes dias faço novas previsões que vai estar sol. lolololololol

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  38. PMP's avatar
    PMP permalink
    15 Janeiro, 2011 13:30

    AC,
    A redução na TSU de 24% para 10% seria só para as novas contratações em empresas que aumentem o numero de empregados, ou seja muito gradualmente a TSU iria me média baixar e mas para as empresas que aumentem o emprego.
    .
    Repare que a S. Social tem saldo positivo mesmo numa recessão, impondo assim a redução da competitividade das empresas portuguesas exportadoras.
    .
    Sobre o Euro, como sabe sou contra este Euro devido a que imporá aos países mais fracos, juros muito elevados durante muito tempo, criando um ciclo vicioso.
    Por isso defendo que o BCE deviam colocar um tecto nos juros, à volta dos 5.5%, para dar tempo a uma redução gradual dos deficits.
    Sou a favor de uma moeda fraca até que a Balança Corrente esteja equilibrada, até para que o nivel de emprego seja elevado.
    Portugal corre o risco de atingir 14% de desemprego a menos que a emigração continue em força.
    .
    Sobre os mercados accionistas felizmente apostei nos EUA desde o inicio de 2009 e já tenho uns ganhos apreciáveis, pois como já lhe tentei explicar, num país como os EUA com moeda própria e cambios flutuantes “defictis don’t matter”.

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  39. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 13:53

    “A redução na TSU de 24% para 10% seria só para as novas contratações em empresas que aumentem o numero de empregados, ou seja muito gradualmente a TSU iria me média baixar e mas para as empresas que aumentem o emprego.”
    .
    .
    Vc. tem razão num aspecto. A mudança seria gradual. E talvez os custos até nem fossem altos, pois a redução induzida no desemprego compensava esse aumento de custos com essa redução de custos.
    .
    .
    Mas veja se entende a coisa. Portugal precisa de uma economia baseada na alta produtividade, no investimento em capital intensivo, na poupança e nas exportações. Logo, a criação de emprego é importante mas o que importa mesmo é aumentar o investimento, capital intensivo, sobretudo naquele que aumenta o produto potencial. Dito isto, a sua medida poderia aliviar os problemas de curto prazo, mas não é a solução de longo prazo, se não criar um novo pilar da Seg. Social, que se baseie na acumulação de capital e na sua capitalização.
    .
    .
    Repare que o que Vc. defende foi o que o governo fez, quando criou um sistema que vai penalizar a juventude. Que está a pagar uma catraifada de impostos mas vai ser amplamente penalizada na sua reforma. Nessa altura, quando velhos, que poderão fazer para fugir à pobreza? Nada! Velhos e sem saúde, vão-se limiar a sobreviver e esperar que a familia os mantenha e o Estado os trate. Mas em termos práticos, também as medidas que vão penalizar os actuais activos, são graduais. À medida que nos vamos reformando.
    .
    .
    Quando o governo tomou essas medidas, foi muito elogiado. Até no exterior. Mas foi mal elogiado porque não teve em conta que, a par dessas medidas, devia ter incentivado o tal terceiro pilar da Seg. Social: pensões privadas. Mas não. Manteve a carga fiscal (até a aumentou, diga-se de passagem) e penaliza a poupança. Lá fora, países que adopataram esse modelo, apostaram fortemente na poupança privada, nos seguros de desemprego privados, nas reformas privadas, para complementar o forte corte nas reformas do Estado. Temos como caso mais emblemático, a Dinamarca. Mesmo aqueles que falam na limitação das reformas, esquecem-se que onde ela existe, também existe um forte incentivo às reformas privadas.
    .
    .
    Portanto, as suas medidas são apenas remendos, não reformas estruturais. Mas Portugal precisa de reformas estruturais e mudar o seu modelo de pensamento. O emprego é um sucedâneo. É uma consequência. Qual a causa? Investimento. Logo, para criar emprego, Portugal deve é ser muito forte na melhoria das captações de investimento. Mas investimento em capital intensivo. É mais dificil mas o melhor. Porque é mais sustentável no tempo. Portanto, a criação de emprego é a prioridade, mas só se consegue através do investimento, logo começa por melhorar as perspectivas do investimento e não a criação de emprego per se.
    .
    .
    É claro que ao Estado não cabe escolher os sectores ou as empresas que devem competir nos mercados. O Estado deve escolher políticas gerais, que permitam que todo o tipo de empresas, aproveite os incentivos. O EStado não pode decidir os sectores: se são agrícolas, se são comerciais, se são produtores de altas tecnologias se matérias-primas primárias. Não. O Estado não pode ser dirigista porque ninguém sabe os melhores sectores económicos no futuro. Logo, o que hoje parece lógico, amanhã se descobre que esses sectores ou empresas não geram os resultados desejados.
    .
    .
    Meta uma coisa na cabeça. Nem eu nem ninguém é capaz de prever o futuro. Pode criar cenários de elevadas probabilidades, mas não pode apostar tudo nesses cenários. Isso cabe ao sector privado. O Estado deve apostar em políticas sectoriais quando há problemas específicos de um sector. Mas a generalidade das suas políticas devem ser inter-sectoriais ou generalistas. E deixar que os agentes económicos assumam o risco e as recompensas das suas próprias actividades.
    .
    .
    O Estado tem que ser menos estorvo e mais activo na geração de poupança e no investimento. Essa é no fundo a filosofia geral necessária a Portugal.

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  40. AB's avatar
    15 Janeiro, 2011 13:59

    “A redução na TSU de 24% para 10% seria só para as novas contratações em empresas que aumentem o numero de empregados, ou seja muito gradualmente a TSU iria me média baixar e mas para as empresas que aumentem o emprego.”

    Nada gradualmente passariam os empregados a desempregados, para voltarem ao emprego com TSU reduzidas.

    O que PMP propõe é que o saldo positivo da SS passe a negativo, para dar lastro financeiro às empresas, deduzo que exportadoras que é o que está na moda.

    Como se nós não soubéssemos o que a casa gasta, ou melhor dizendo, os empresários que temos!

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  41. PMP's avatar
    PMP permalink
    15 Janeiro, 2011 14:43

    AB e AC,
    Manter o status-quo é o caminho para a ruina.
    Continuar a taxar enormemente os rendimentos do trabalho ao mesmo tempo que se mantém uma moeda sobrevalorizada é um erro enorme, que conduz ao desemprego, emigração, endividamento e pobreza.
    .
    O sector privado por si só em Portugal não tem nem capital, nem motivação para criar emprego em quantidade suficiente.
    Por isso só o estado em cooperação com o sector privado terá capacidade de mobilizar o país para sair deste marasmo, criando os mecanismos adequados de apoio às empresas que exportem ou que substituam importações, e que previligiem a criação de emprego.
    .
    E isso tem de ser feito rapidamente de forma a minimizar a recessão que se torna endémica em Portugal.
    É o que a generalidade dos países desenvolvidos já fez, precisamente para se tornarem desenvolvidos.

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  42. AB's avatar
    15 Janeiro, 2011 15:09

    “Manter o status-quo é o caminho para a ruína.” (desculpe mas corrigi o acento no í).
    .
    Penso que já ninguém deseja manter as coisas como estão, mesmo os que estão bem já perceberam que podem perder muito se nada mudar e PMP até aponta algumas saídas possíveis.
    .
    Mas não me parece que depois da reforma da SS, que correu bem, a solução seja tirar de lá dinheiro para dar às empresas.
    .
    O AC tem razão. As novas gerações precisam de uma SS com capacidade de capitalizar, para poder assegurar liquidez futura, senão os novos contribuintes nunca serão beneficiários.
    .
    No futuro acabarão os complementos de reformas assegurados pelas empresas e outros benefícios como as indemnizações substanciais por perda de emprego e a SS passará a ser o único suporte no desemprego e na velhice para quem trabalhou sem conseguir poupar. A maior parte dos portugueses.
    .
    A redução do peso do Estado sobre as empresas deve vir de outro lado…e há tanto onde mexer!

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  43. PMP's avatar
    PMP permalink
    15 Janeiro, 2011 15:24

    AB,
    O facto de se reduzir gradualmente as contribuições das empresas para a S.Social não implica que o orçamento do estado não continue a assegurar os eventuais deficits que S.Social venha a ter no futuro, como já o faz.
    .
    Só que em vez de estar a penalizar tanto o crescimento e a competitividade no presente, os fundos da S.S. apenas seriam precisos na altura própria.
    .
    Repare que com o desemprego a aumentar, esses desempregados terão pensões miseráveis no futuro.
    Repare que com os salários médios estagnados ou a baixar em algumas regiões, o futuro é cada vez pior.
    .
    O corte na despesa pública não resolve estes problemas só por si.

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  44. AB's avatar
    15 Janeiro, 2011 16:01

    “O facto de se reduzir gradualmente as contribuições das empresas para a S.Social não implica que o orçamento do estado não continue a assegurar os eventuais deficits que S.Social venha a ter no futuro, como já o faz.”
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    É exatamente isso que eu acho errado. A SS devia ser financeiramente autónoma, embora dentro do Estado, e o resultado da aplicação dos seus capitais constituir reservas futuras. O que tem acontecido é que se vai lá tirar dinheiro com o argumento de quando for preciso se volta a pôr. Claro que se tira sempre mais do que se põe e quando não chega e não há dinheiro para repor… alteram-se as regras, diminuindo os benefícios!
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    Depois de 1974, os governos decidiram generalizar a atribuição de reformas (miseráveis, diga-se) a todos, independentemente de terem ou não descontado. De onde veio o dinheiro? Das contribuições dos que descontavam. Claro que, para atender a uma causa socialmente justa, mas que devia ser assegurada por transferências do OE, a SS perdeu sustentabilidade.
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    E agora pagamos todos: porque não vamos receber aquilo que pensávamos e porque pagamos mais para assegurar o que iremos receber.
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    Este Estado não merece confiança e a transferência dos Fundos de Pensões que está a acordar deviam preocupar-nos a todos porque, depois do dinheiro gasto, e eles gastam tudo, são as contribuições e o capital da SS que terão de assegurar o pagamento a quem tem direito, de acordo com o que descontou. Se não chegar: mudam as regras e pronto!
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    A SS não é um banco, mas serviu muitas vezes, promiscuamente, como uma espécie de mealheiro ao qual se recorria para assegurar pagamentos socialmente justificáveis, mas não destinados aos seus contribuintes.
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    Na conta do deve e haver, penso que ainda é o Estado que está a ganhar.

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  45. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    15 Janeiro, 2011 16:17

    “É exatamente isso que eu acho errado. A SS devia ser financeiramente autónoma, embora dentro do Estado, e o resultado da aplicação dos seus capitais constituir reservas futuras. ”
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    Exactamente. Exactamente.
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    Repare-se nesta proposta interessante do JCA:
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    “9) Criação do Fundo Nacional de REFORÇO DA PENSÃO NACIONAL UNICA, gerido pelo Estado, para quem queira depositar mensalmente um valor incerto a qualquer momento para assegurar um reforço publico do valor mensal da Pensão Nacional Única atingida a idade de reforma até ao falecimento (****)”
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    De certo modo já é o que faz a Noruega. Eles, na altura das descoberta do pitroil, cometeram muitos erros. Usaram a massa do pitroil para políticas ciclicas e despesistas. Mas mesmo com tanto pitroil quase que foram há falência, há cerca de 20 anos atrás. Aprenderam com o erro e o que fizeram, usaram os dinheiros provenientes do pitroil e criaram um Fundo de Investimento para no futuro servir de transferância para a Seg. Social, quando o pitroil acabasse. Mais tarde, descobrindo bastante gás natural e sabendo que o pitroil iria durar mais uns anitos, do que o previsto anteriormente, criaram o Fundo de Pensões Global, a partir do Fundo do Pitroil. E assi, quer a gestão quer a aplicação dos fundos é autónoma dos governos e não há interferências políticas naqueles dinheiros.
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    Em Portugal poderia fazer-se algo parecido. Usar o Banco de Portugal para este gerir um Fundo de Pensões Global, cujas receitas fossem provenientes dos impostos, dos descontos e até de outras criatividades que surgissem. Já é isso que fazem os noruegueses, que juntam as receitas do pitroil. (Ver aqui http://www.nbim.no/ )
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    O BE chegou a propor que em Portugal, parte dos impostos pagos pelas empresas fossem sob a forma de aumentos de capital das empresas, com doações das empresas. É uma excelente ideia. Isto é, por exemplo, a Galp poderia pagar o seu IRC, não através dos impostos, mas distribuição de lucros através de acções, que seriam depositadas num Fundo de Pensões estatal. Era uma excelente ideia. Que merecia ser aproveitada. Se o Fundo de Pensões fosse gerido pelo Banco de Portugal, haveria independência política e os políticos não poderiam usar essas acções para interferir na gestão das empresas.
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    De facto, já há uns anos que escrevi por aqui que defendo a criação de um Fundo Soberano em Portugal (e não o actual figurino, cuja gestão está entregue a um amigalhaço do actual ministro das finanças, sem reportes como devem ser e são exigidos ao sector privado), que permitisse reformas dos portugueses, minimas, e depois que os cidadãos fossem activos na própria complementaridade das suas reformas. É a melhor solução para Portugal.
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    Mas em Portugal continua-se preso a modelos ultrapassados. Não se deve copiar tudo do que lá vem de fora, mas o que se faz bem lá fora pode servir de modelo e inspiração para criarmos as nossas próprias políticas.

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  46. cidadão comum's avatar
    cidadão comum permalink
    16 Janeiro, 2011 16:29

    Li com atenção todos os comentários e em 99,9999% estou de acordo. No final da minha leitura dos v/ comentários, lembrei-me de uma situação em Espanha: um amigo meu tem espanha uma loja que vende produtos alimentares e tabaco, perto da fronteira com Portugal. A uma dada altura com a escalada de subida de preços em portugal, disse-lhe. voçês tem tudo mais barato, pagam menos impostos, ganham mais que nós, vendes muito tabaco para portugal, tiras bom rendimento loja, nós Portugueses, o governo só sobe impostos, mentem descaradamente, arranjam tachos nas empresas publico-privadas para amigos e para eles próprios, são uma elite. O meu amigo espanhol respondeu-me serenamente “a culpa é de voçês portugueses.” – não lhe respondi, porque ele tem toda a razão. NÓS SOMOS OS CULPADOS.
    Ao longo deste tempo de “democracia” não aprendemos nada, somos nós que temos uma decisão na época eleitoral, mas tendemos sempre para os que fazem promessas que sabem que não podem cumprir. Por isso o bailout,á porta é da nossa inteira responsablidade, pois permitimos despesismos impensáveis, num pais com tão parcos recursos – lembro ( dez estádios, stcuts, negocios ruinosos para o estado,etc…..). Por isso não vale apena ouvir enconomistas de vão de escada, com previsões optimistas, num pais que importa 75% do cereal que consome, que não tem meios para reagir ás importações chinensas que inundam o mercado, deixando em situação aflitiva empresas produtivas portuguesas, pior ainda, antes compramos o que é produzido no estrangeiro, em vez de comprar o que realmente se produz em território nacional. Com este tipo de mentalidades não vamos a lado nenhum.

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