Contas presidenciais – o dia de hoje e o de amanhã.
1. A campanha eleitoral presidencial de 2011 teve como marca distintiva os ataques ao carácter de um dos candidatos, que viria aliás a sair vencedor. Respeitando outros pontos de vista, sou de opinião que esta campanha correu muito mal ao partido do governo, tendo em conta, para além do atrás referido, a votação obtida pelo candidato apoiado por esse partido.
2. Contudo, há o dia de hoje e há o dia de amanhã. No que respeita ao Presidente da República (PR), o dia de amanhã dura cinco anos – o tempo que dura o mandato. Convém não agir no início do mandato de forma a lamentar essa acção no seu final.
3. A demissão do governo poderia fazer sentido, tendo em conta uma série de circunstâncias que não vou enumerar, e seria relativamente simples de justificar, mas apresenta um risco muito significativo. A saber, a demissão do governo poderia dar lugar a um governo PSD (com ou sem CDS) durante quatro anos, mas a má situação do país poderia vir a ditar a derrota do PSD no final do mandato. Nesse cenário, o PR teria que dar posse a um novo governo PS (eventualmente, em 2015) perto do final do seu segundo e último mandato – uma situação delicada.
4. Não é, portanto, expectável que o PR demita o governo antes que se tenha passado um ano sobre o início do seu segundo mandato. O PSD está, portanto, só, no que respeita a uma eventual tentativa de derrube do governo, pelo menos no que respeita ao ano de 2011. Quanto à extrema-esquerda, a História da democracia portuguesa tem mostrado que, quando absolutamente necessário, pode sempre mudar-se de opinião.
5. A política é feita por pessoas, e cada um de nós tem uma maior ou menor simpatia por cada actor político. Para além disso, poderão existir maiores ou menores ligações e afinidades, de vária ordem. Esses aspectos são também de ter em conta no que respeita à questão atrás analisada.
José Pedro Lopes Nunes

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