Talvez fiquemos agora entendidos*
“EXPRESSO – A pergunta é a seguinte: há informações de que o dr. Soares conhecia o polémico fax, alegadamente incriminatório para o eng. Melancia [governador de Macau], antes de ser publicado na imprensa…
Mário Soares – Não é exacto. Tudo o que conheço da matéria foi o que li nos jornais.
EXP. – O próprio dr. Almeida Santos ter-lhe-ia entregue uma cópia…
M.S. – Não é exacto. Aliás, não vi que ele tivesse feito em parte nenhuma tal afirmação e não acredito que a tivesse feito. É outra pergunta inquinada.
EXP. – Não confirma que conhecia o caso antes de vir a público?
M.S. – Não confirmo. Acho que estão a fazer-me perguntas que considero impertinentes. Os senhores não são polícias, embora pareça que gostam de se comportar como tal.
EXP. – No caso provável de continuar como Presidente, que governador vai nomear para Macau? Um governador da sua área política, como os anteriores, ou um governador que reúna consenso nacional?
M.S. – É uma pergunta prematura. Já o disse e repito. (…) E, já agora, devo dizer-vos que, em matéria de interrogatórios policiais, fui sujeito em tempos aos tão temidos interrogatórios da PIDE. Nunca falei na PIDE. Talvez fiquemos agora entendidos, uma vez que há entre vós quem tenha experiência na matéria.”
Esta entrevista do Expresso a Mário Soares foi publicada na revista daquele semanário a 1 de Dezembro de 1990 e o que nela aconteceu explica-se facilmente: um Presidente da República e então candidato a novo mandato, irritado com as perguntas sobre um caso em que o seu nome era referido, o caso Emaudio/fax de Macau, procura humilhar um dos quatro jornalistas que participavam nesta entrevista revelando o que sabia ou achava que sabia (pois estas informações não eram do domínio público) sobre a forma como esse jornalista enfrentara anos antes os interrogatórios da PIDE.
A pré-campanha para a reeleição de Mário Soares iniciava-se com o candidato a reagir desta forma às perguntas sobre um caso que não queria que lhe assombrasse a campanha. Mas foi isso que veio a acontecer. Semanas depois desta entrevista, já com os candidatos na estrada, um dos envolvidos no caso Emaudio, o alemão Karl Rohe, chegou a Lisboa com uma pasta que pretendia entregar na sede de campanha de um outro candidato presidencial, o centrista Basílio Horta. Dentro dessa pasta, segundo O Independente, estaria material que provaria que o então Presidente da República e alguns dos seus mais directos colaboradores em Belém tinham conhecimento dos bastidores do caso Emaudio/fax de Macau. Dois dias antes da eleição presidencial, o mesmo semanário revelava que o então procurador-geral da República, Cunha Rodrigues, e o procurador-geral adjunto, Rodrigues Maximiano, tinham avaliado os fundamentos jurídicos de chamar o então Presidente da República e recandidato a depor a propósito do caso Emaudio.
A avaliar por tudo aquilo que se disse nas últimas semanas, nada disto aconteceu, pois, a acreditar nessa versão reconfortante do passado, as anteriores campanhas presidenciais, sobretudo as de recandidatura, teriam sido exemplos de elevação por contraste com a baixeza a que se chegou em 2011. Deste axioma resulta geralmente a conclusão de que as campanhas para as recandidaturas presidenciais são sempre uma espécie de marcha triunfal e que em 2011 isso só não se repetiu dadas as características pessoais de Cavaco Silva. Digamos que estes seriam argumentos interessantes, caso fossem verdadeiros. Mas não são. Não o foi com Soares em 1991, tal como já não o tinha sido com Eanes em 1980. (Convirá, aliás, deixar de encarar como uma antiqualha o sucedido na recandidatura de Eanes em 1980, pois Nobre recupera parte do imaginário da regeneração do regime a partir de Belém ou na caminhada para lá. Sinal dos tempos: onde, em 1980, estava o militar e as Forças Armadas surgem agora o médico e a respectiva ONG.)
Já a campanha de Cavaco Silva em 2011 tem como óbvio contraponto a recandidatura de Soares em 1991: ambas as campanhas foram afectadas por casos e em ambas se constatou que uma campanha de recandidatura é, por princípio, mais fácil de ganhar, mas também mais amarga de fazer. A razão para este aparente paradoxo encontra-se nos candidatos que estão em segundo lugar e que, não tendo, à partida, possibilidade de ganhar, apostam numa estratégia não de vitória mas sim de desgaste do favorito. Não matam o vencedor anunciado. Mas moem-no. Não com argumentos mas sim com escândalos. Aconteceu em 1991 e repetiu-se em 2011.
O que mudou de 1991 para 2011 foi a atitude dos dois grandes partidos: em 1991, apenas o candidato de um partido da franja, Basílio Horta, apoiado pelo CDS, utilizou politicamente este caso em campanha. E, a não ser no semanário O Independente, é difícil encontrar uma linha que à data não o critique por questionar o mandato do então Presidente da República baseando-se, segundo se escrevia nos jornais da época, em “histórias mesquinhas” protagonizadas por “personagens duvidosas”, “figurantes sórdidos” e “gangsters de pacotilha”. O PSD, que apoiava Soares na recandidatura, e naturalmente o PS demarcavam-se desta campanha de “baixo nível” e o candidato do PCP, Carlos Carvalhas, e da extrema-esquerda, Carlos Marques, seguiram-lhes o exemplo.
O que foi diferente de 1991 para 2011 nada tem a ver, portanto, com as más amizades dos presidentes, muito menos com a sua falta de disponibilidade para explicar o que os jornalistas e opositores lhes perguntam sobre assuntos incómodos. O que de diferente sucedeu em 2011 foi que um partido do centro, e que habitualmente tem os seus dirigentes no cargo de primeiro-ministro ou de Presidente da República, apostou numa estratégia de guerrilha a que, até esta data, nas presidenciais, apenas tinham recorrido os partidos das pontas do arco eleitoral. Como diria o dr. Mário Soares, talvez fiquemos agora entendidos sobre as diferenças desta campanha presidencial.
*PÚBLICO

Com Cavaco tivemos a oportunidade de verificar o que significa ter um Presidente da República com oposição organizada, algo que não acontecia há muitos anos em Portugal.
É pena que grande parte da esquerda tenha algum dificuldade em digerir as derrotas e não hesite em colocar em causa a dignidade do cargo do mais alto magistrado da nação apenas e só por puro preconceito ideológico.
GostarGostar
Tristemente, por mais que me censurem e me filtrem por aqui e por além, tenho de insistir nisto: denegrir selectivamente o acto de votar, rebaixá-lo como frete desprezível, desprezar a lisura de esse acto democrático consagrado, foi a grande missão subliminar de alguns coirões servis instalados a anteceder as últimas presidenciais. Potenciar a abstenção nas eleições presidenciais, poder depois declará-la a maior de sempre, rebaixar os resultados de Cavaco o quanto pudessem, eis o Frete feito ao Governo para tanto bastando negligência técnica por incúria política. Óbices insultuosos foram levantados a mais de 42 mil pessoas no momento de votarem, levando-as a desistir de um direito inalienável. Isto é gravíssimo e eloquente quanto aos processos, ao lixo, ao nojo, do pessoal de mão da Situação putrescente socialista-socratista. Mais grave se torna que Rui Pereira se contente com as habituais falinhas mansas monhés até que este lixo saia da agenda mediática e se regresse ao pecado quotidiano. Com os socratistas-socialistas tudo se mostra moralmente esconso, corrompido e sorna e o último evento eleitoral traz somente o selo indelével de uma negligência conspurcatório-conspirativa. Mas não se passa nada. O mais certo é matarem o mensageiro.
GostarGostar
o insuspeito(para vós liberais) Proença de Carvalho, diz-se surpreendido com o tom de “vendetta” no discurso de vitória de Cavaco Silva. Os vencedores devem ser sempre magnânimos (…), diz em entrevista ao Jornal de Negócios.
Diz mais:
O Eng. Sócrates foi o político mais causticado desde que temos democracia!
a sanha anti-soarista falhou o alvo: a helena devia era ter encontrado o registo anti-alegrista!
GostarGostar
Ó helena que tanta falta fez o Independente do agora deputado Portas nesta campanha presidencial. Tenho a certeza que aquela trapalhada da compra da casa na Coelha pelo Cavaco não ficava pela rama. E o caso da compra das ações da SLN também seria motivo para mais investigação.
Vejam lá as notícias desse tempo que até levaram o ministro António Vitorino a pedir a demissão do Governo porque veio na comunicação social (e era mentira) que não tinha pago siza de um imóvel (ou terreno?). Nesse tempo as notícias faziam mossa. Agora, o Cavaco fica irritado com as notícias mas a casinha da Coelha lá está com todo o seu explendor apesar das trapalhadas; e no que respeita à compra das acções da SLN ainda estou à espera que me apareça um amigalhaço e me proponha um negócio tão chorudo. Mas reconheço que nestes casos o esperto foi o Cavaco…
GostarGostar
foi rísivel ver ontem na rtp, victor Bento perante sandra felgueiras, a defender o seu apaniguado cavaco quanto às suas reformas versus vencimento de PR…
-mas que diz ao facto de termos um PR reformado, com vergonha de auferir o vencimento de primeiro magistrado da nação?
-é legal,julgo eu de que- respondia ele…
GostarGostar
a Catherine Deneuve está a questionar no parlamento o nosso Primeiro, ainda salivando feromonas, mas sustentando de modo gracioso o capachinho loiro…
GostarGostar
Helena F. Matos é a melhor jornalista portuguesa.
GostarGostar
sustentando de modo gracioso o capachinho loiro… sob o boné de agricultor sensível
GostarGostar
O que é mais custoso é que todos nós sabemos que este putrefacto governo continua a despojar os bolsos dos cidadãos, supostamente para a recuperação da nossa economia, como ele agora vai dizendo na AR, mas que na realidade são para manter de pé um elaborado e complexo sistema de marketing e de terrorismo de informação, que vai sendo cada vez menos eficaz, apesar das suas elaboradas técnicas de anular tudo o que lhe possa tentar sequer descobrir a careca.
GostarGostar
Este artigo é de antologia e ilustra particularmente bem os double standards da esquerdalhada, as suas indignações selectivas e o modo abjecto como uma grande parte da CSocial se presta a fazer-lhe o jeito. Soares é “um senhor de sapatinho de pelica, a comer duchesses e a ler livros de história e filosofia”. Cavaco é “um grunho que aprendeu boas maneiras à pressa e mal, leva os animais para o pasto calçdo com chancas no meio da bosta, só lê livros de facuras e, além do célebre bolo-rei, só come arroz doce e coscorões”. O primeiro arrota postas de pescada, o segundo arrota vendettas.
GostarGostar
Jamais Cavaco terá categoria suficiente para ter atitudes de “vendetta” que cheguem ao calcanhar do Mário Soares.
Neste aspecto Cavaco é um simplório ao lado do refinado filho da ……do Mário Soares.
GostarGostar
Este é caso para repetir o que eu já disse há meses… Mário Soares, por qué no te callas
GostarGostar
Como é diferente, a máfia em Portugal…
E a protecção ( bem paga?…) da chamada “comunicação social” a esta vacuidade enxundiosa, reles chefe de quadrilha, vai ficar nos anais da ignomínia do “jornalismo” português.
GostarGostar
Mais uma vez, fenomenal, HM!
Sempre nos apercebemos que o clã Soares era , foi e é privilegiado.
Basta recordar a histeria que Maria Barroso, amplificada pelas media, fez quando o Governo PSD/CDS (PPortas) a quis demitir da Presidência da Cruz Vermelha…em contraste com os nomeados pela direita que apresentam a demissão em vez de serem chutados (foi assim com Nogueira de Brito…em 2005).
Julgam-se donos da República (a única frase acertada de MAlegre até hj).
E deviam ser calculados os milhões entregues (Governo e Câmara de Lisboa) à fundação Mário Soares, para ele continuar a viver no luxo desde há 40 anos.E depois vêm os patetas-masoquistas falar das reformas do cavaco…uma ninharia ao lado dos milhões gastos com “Fundações” da área da “Máfia Socialista com experiência na Maçonaria”
O extracto que a HM revela só mostra como a esquerdalha política e as máfias que dominam os “media” são uma corja corrupta, vigarista que a publicidade apresenta como séria, honesta e honrada, e enxameia de lama quem efectivamente é sério, honesto e preocupado com o estado miserável do País.
GostarGostar
Por falar em soares….e Seychelles.
Repare-se nesta maravilha de contenção do défice:
http://www.dre.pt/sug/1s/udr.asp?d=2011-01-24
Portugal tem embaixada na ERITREIA…DOMINICA…e SEYCHELES!!!!!
pelo menos!
Estas soube-se neste D.R….com certeza haverá muitas mais do mesmo teor.
GostarGostar
O energúmeno do Proença não tem vergonha de vir para os jornais defender o cliente, como se não fosse pago para isso mesmo.
E os jornais, sabendo que o Proença é pago pelo Sócrates para o defender, entrevistam-no, tomando-o como alguém isento.
Que nojo de gente!
GostarGostar
Em outros tempos de maior transparência, de ultra-transparência, et pour cause do indepente do impoluto catherine, o ministro António Vitorino a viu-se forçado a pedir a demissão do Governo porque veio na comunicação social (e era mentira) que não tinha pago siza de um imóvel …
veja-se ora o caso da permuta da coelha com a mariani…
feche os olhos e tape o nariz helena….
GostarGostar
Ó Minas, és um bocadinho lento a perceber as coisas.
O Vitorino ficou todo contente com a notícia sobre o casinhoto no alentejo.
DEMITIU-SE DO GOVERNO TODO CONTENTE.
E foi para comissário para bruxelas, tás a perceber???
E não foi caso único.
A Inês Serra Lopes sabe muito bem que algumas notícias de escândalos xuxas foram aut~enticos euromilhões para os visados…
Tipo Murteira Nabo.
pergunta-lhe.
GostarGostar
É interessante que até agora não tenham perguntado a Mário Soares sobre os mortos a tiro em Moçambique feitos por um Partido no poder da Internacional Sociallista e sobre o fugido Ditador Tunisino também mebro da Internacional Sociallista…
GostarGostar
“É interessante que até agora não tenham perguntado a Mário Soares sobre os mortos a tiro em Moçambique feitos por um Partido no poder da Internacional Sociallista” Ah e ainda essa descolonização exemplar que custou entre mio a um milhão de mortos. E os que ficaram em Terra de ninguém em Angola…
GostarGostar
Muito bem aplicada esta chibatada. Que se multipliquem as chibatadas, aos milhares, para ver se limpamos a esterqueira em que a máfia socretina-aventaleira transformou um país antigo e nobre. O vermiforme que faz de pm tem o portas e o louça no bolso, o cavaco e o passos esperam instruções, o bom do Jerónimo é uma alma do outro mundo. Com cavaco, passos, portas, louçã ou Jerónimo não vamos lá. É preciso, pá, alguém que pegue na pá, muitos alguéns que a trampa cobriu tudo.
GostarGostar